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Gestão de Gente

28.01.2012 - 19h16

Apanhando do sparring

Em outra oportunidade já falamos sobre o boxe, atividade que alguns insistem em chamar de esporte. Apesar de seu sucesso, não passa de uma agressão, atitude que deveria ser banida de nossa sociedade. Contudo, ele é um “esporte” que tem um grande número de adeptos em todo o mundo. Por se tratar de uma atividade entre humanos, onde as mais diferentes relações podem ocorrer, é possível que possamos tirar deste, dito, “esporte” alguma lição.
Então vejamos. No boxe existe uma figura bastante importante para o seu desenvolvimento. Esta figura é o sparring. Este nada mais é do que um outro

Corbis Images

lutador, um lutador novo, em início de carreira, que treina o lutador principal. Assim, eles lutam, sob o olhar do treinador, como parte da preparação do lutador principal para a luta real.
Há treinadores que escolhem sparrings fracos para treinar seus lutadores. Esta tática faz com que o lutador sempre vença o sparring. Isto aumenta a autoconfiança do lutador, mas, por outro lado, pode não o preparar para as lutas de verdade, aquelas que valem troféu. Já outros treinadores preferem escolher sparrings fortes, que no treino exigem muito, isto é, podem até vencer o lutador que está sendo treinado.
Isto posto, poderíamos perguntar qual das táticas é a mais indicada. Será que contratar sparrings fracos, para que o nosso lutador não seja derrotado, o ajuda a vencer a luta real? Com isto, será que o lutador em treinamento terá os seus pontos fracos expostos, permitindo serem corrigidos, se o sparring não é suficientemente forte para forçá-lo ao seu limite? Não seria mais adequado termos um sparring forte, mesmo que o lutador viesse a sofrer uma derrota no treino? Caso esta derrota, no treino, viesse a ocorrer, ela não seria melhor que uma derrota na luta real?
Estas perguntas nos conduzem a uma reflexão que pode nos levar a uma mudança de postura, de atitude, em nossa vida pessoal e profissional. Senão vejamos: em nosso dia-a-dia, nos deparamos com situações que exigem nossa preparação prévia. E esta preparação prévia pode ser uma discussão, um debate, uma argumentação, a elaboração de um projeto com pessoas que fazem parte de nossa equipe, de nossa família.
Mas na hora de escolhermos com quem discutir, debater, argumentar, projetar, precisamos tomar cuidado para não escolhermos “sparrings” fracos. Isto é, alguém que não é crítica, que tem medo de se manifestar, alguém que queira nos agradar, e assim por diante. Será que estas pessoas estarão nos ajudando? Será que, nos agradando, elas estarão fazendo o melhor por nós?
E se, por outro lado, escolhermos, para nos ajudar em nosso preparo, alguém mais crítico, com ideias próprias, que pode se contrapor às nossas argumentações? Isto é, um “sparring” que possa até nos colocar “na lona”. Será que estas pessoas, ao contrário de nos atrapalhar, como se poderia pensar, não estariam nos mostrando a nossa verdadeira condição, estariam expondo nossos pontos fracos, ou reforçando nossos pontos fortes?
Claro que não deve ser nada agradável para um lutador, principalmente se ele for famoso, ser surrado por um sparring. O mesmo se aplica a nós.
Imaginemos um chefão de uma empresa, um membro importante de nossa família, sendo questionado por um subordinado, por um jovem cujos argumentos são absolutamente pertinentes, incontestáveis. Isto pode ser tomado como uma derrota, uma vergonha. Mas será que esta é uma atitude a ser mantida? Encarar uma ideia que difere da nossa, um questionamento que nos coloca “contra a parede” seria algo tão difícil de ser tolerado pelos “líderes”, tanto nas empresas como no seio das famílias? Não seria um caso de falta de humildade?

Corbis Images

Apanhar de sparring não é uma situação agradável, não é algo fácil de ser digerido. Mas nos acercar apenas de “sparrings” que podemos vencer com facilidade pode nos dar uma ideia falsa de nossa verdadeira condição. E descobrir que somos frágeis apenas quando já estamos no ringue pode ser tarde demais, e um nocaute pode estar se configurando. É melhor ser surrado no treino, pois, como diz o filósofo popular, treino é treino e jogo é jogo, ou melhor, luta é luta. E não dá para correr risco quando a luta vale o cinturão da categoria.

Comentário (1) 

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  • osmar lazarini

    Pefeito, Lazarini! JA tenho ate' um nome pro seu livro: Metaforas da gestao!

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