Gestão de Gente

11.01.2012 - 00h01

Dando tiro no inimigo

Embora as guerras não devessem existir, elas são recorrentes e, ao longo da história, sempre fizeram parte do cotidiano da sociedade. E uma guerra é feita por muitas batalhas. E estas, embora variem conforme as circunstâncias,

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sempre guardam uma semelhança entre si. Em geral, elas encerram uma competição por espaço, poder, dinheiro, etc. entre duas, ou mais facções. Estas se digladiam com as armas disponíveis. O mais freqüente é o uso de armas de fogo. Assim, os combatentes se colocam frente a frente e disparam suas armas, uns contra os outros. É tiro para todo lado, sempre no mesmo padrão: cada um atira em seu inimigo. Desta forma, cada atirador está preocupado em controlar a posição de seu inimigo, atirar nele e tentar acertá-lo.
Agora imaginemos que, em cada um dos lados, cada contendor, além de se preocupar com o inimigo, tenha que se preocupar com os amigos. Isto é, além de se cuidar para não ser atingido pelo inimigo, também tenha que se preocupar com um eventual “fogo amigo” que possa lhe atingir. Neste caso, as energias não estarão concentradas para serem empregadas apenas contra os inimigos. Parte dela é gasta para cuidar, também, dos “amigos”. Então, a energia, os recursos que, normalmente, nas batalhas, sejam elas quais forem, sempre são escassos, estarão sendo gastos não apenas contra os inimigos, mas indevidamente contra os amigos.
Bom, isto pode parecer coisa de cinema e que não ocorre na vida real. Mas, guardadas as devidas proporções, este caso é muito mais freqüente quanto possa parecer.
Nas empresas onde trabalhamos, basta que olhemos com atenção e veremos pessoas que não se empenham para que um projeto siga adiante e tenha chances de ser implementado; veremos pessoas torcendo e até fazendo “corpo mole” para que certas idéias, que não são suas, não progridam, que não tenham reconhecimento, e assim por diante.
Tendo em vista que situações como a relatada são bem possíveis de ocorrerem, cabe a nós tomarmos as devidas providências para que elas não se transformem em realidade, para que sejam evitadas e, se possível, sejam eliminadas de nosso convívio. E quais são as providências que podemos tomar?
Claro que não há uma receita para nos tornarmos imunes a estas situações. Cada caso é um caso. Contudo, há coisas que podem ser feitas e que estão ao alcance de todos os gestores, tanto nas empresas onde trabalhamos, como no seio de nossa família.
Fazer uma seleção criteriosa de pessoas nem sempre é o caminho. Isto porque as pessoas podem ter um comportamento por um tempo, mas as circunstâncias de trabalho podem mudar e as pessoas também podem mudar. No caso da família, não cabe selecionar seus membros. Afinal, não escolhemos nossa família. Ela é que nos escolhe.
Certamente, este é um trabalho para ser desenvolvido continuamente. Assim, manter a equipe sempre bem informada daquilo que se pretende, para onde se quer ir, pode contribuir, e muito, para que se sintam comprometidos com o resultado.
Também faz parte das boas práticas comemorar as vitórias e dividir o sucesso alcançado. Excluir os “combatentes” das glórias da vitória, certamente, fará com que eles fiquem, ainda que inconscientemente, com alguma mágoa e venham a ter dúvida em qual lado devem lutar. Desta forma, a vitória deve ser dividida com todos, aliás, como não poderia deixar de ser. Afinal, todos lutaram para que ela ocorresse e não seria nem um pouco justo excluí-los das glórias.
O fato de incluir, nas comemorações, todos como partícipes da vitória pode render um outro aspecto bastante positivo. Aqueles que, porventura, não tenham se empenhado muito, poderão se sentir com “alguma culpa” e na próxima vez se empenharão mais.

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Não podemos deixar de falar também das derrotas, pois elas igualmente ocorrem. E perder uma batalha não significa perder a guerra. Então, caso a derrota ocorra, não devemos ficar buscando por um culpado, um “bode expiatório”. Devemos tomar a derrota como uma lição para todos e tratar de corrigir os problemas identificados de maneira que na próxima batalha o resultado possa ser melhor.
Como pudemos ver neste simples relato, gastar energia e recursos para combater o “fogo amigo” não é uma estratégia muito inteligente. O mais sensato é cuidar para irmos à batalha cercado de “guerreiros” realmente fiéis à causa. Este deve ser um cuidado constante, mas antes da “batalha” se iniciar. Depois que o “tiroteio” já estiver em andamento, não haverá mais tempo hábil para cuidar que os combatentes estejam apenas do nosso lado, e mais, estejam engajados e comprometidos com a vitória. Aí só nos restará ficar com um olho no inimigo e outro no “amigo”. E esta divisão no foco poderá nos custar a derrota. Para quem não acredita, basta conferir os resultados da guerra que travamos diariamente.

Comentários (2) 

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  • Augusto Barbosa Lima

    É, Grande Lazarini, é deste jeito mesmo. No mundo das relações e do trabalho – que também é uma relação, temos que entender e fazer com que seja ente...

    • Antonio Lazarini

      Grande Augusto, boa tarde. Vamos aprendendo e buscando cada vez mais melhorarmos nossas relações humanas. Êta coisa adifícil... Lazarini

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