Figuras caras ao Instituto Fernand Braudel, as crianças resilientes – meninos e meninas que conseguem superar obstáculos como a pobreza e as más condições de ensino que vigoram em boa parte das escolas públicas – são o foco da Escola Germinare, uma iniciativa do grupo JBS que marcha para seu terceiro ano de vida em 2012.
Depois de um desembolso inicial de 11 milhões de reais na construção da escola e em equipamentos, a empresa investe cerca de 4 milhões de reais ao ano em ensino e custeio – uma média de 1 200 reais mensais por aluno.
“Atendemos a uma vasta gama de crianças, tanto umas poucas que já viajam para a Disney nas férias, como aquelas cujo barraco pegou fogo e as que moram em orfanatos”, diz a coordenadora Maria Odete Perrone Lopes.
O blog foi conhecer de perto a escola de tempo integral, que em 2011 atende 270 crianças, a maioria vinda de escolas municipais e estaduais da zona oeste da cidade e de municípios da Grande São Paulo, como Osasco, Cajamar, Jaguaré e Pirituba.
15,2 alunos por vaga
A Germinare parte de uma seleção rigorosa de seus futuros alunos. Em grande medida, tal filtro seletivo facilita a gestão da escola tanto em termos das habilidades dos alunos quanto na disciplina.
Além de passar por testes cognitivos e provas de português e matemática, os candidatos são avaliados em sua capacidade de interação social em dinâmicas de grupo, entrevistas com pedagogos, psicólogos e até profissionais de recursos humanos do JBS.
Os pais, boa parte deles semi-analfabetos, também são entrevistados para que se avalie o grau de comprometimento da família com o aprendizado dos filhos.
Na última seleção, apareceram 1 370 candidatos para 90 vagas.
Aulas de robótica, natação e música
Sediada num belo prédio feito sob medida no bairro Jaguara, além do currículo básico, a Germinare oferece aulas de robótica, natação, música e até noções de empreendedorismo. Os alunos também têm aulas de inglês quatro vezes por semana.
Numa recente aula de empreendedorismo, ao manipular produtos como detergentes e buchas, os alunos adquiriam informações importantes sobre matemática financeira, como a diferença de custo entre vendas à vista e a prazo e o uso consciente do cartão de crédito.
“A grande diferença daqui são os professores,” disse Jeremias Almeida, 14 anos, da oitava série. “Se eu não aprendo alguma coisa em matemática, é porque a maioria dos alunos também não aprende, o que leva o professor a explicar de novo.”
As sessões de tutoria acontecem à tarde para quem precisa de reforço.
A propósito, enquanto os professores de escolas públicas ganham, em média, menos de 15 reais por hora/aula, na Germinare a hora/aula vale 48 reais. Experientes, os professores são recrutados junto às melhores escolas de São Paulo.
Incentivos em ação
Rigorosa, a Germinare adota a nota 7 como média necessária para aprovação. Além disso, a repetência só é tolerada na sexta série, ano de entrada dos alunos na escola.
A partir da sétima série, os alunos repetentes têm de deixar a escola. A taxa de repetência é inferior a 5%.
“Nosso índice de repetência é baixo porque a criança já chega aqui sabendo que a Germinare é uma escola bem puxada e que terá que estudar muito para progredir na vida”, diz a diretora Myriam Tricate.
Elitista?
Indagada se o projeto da escola seria anti-democrático, Vivianne Batista, diretora do Instituto JBS, não hesita em afirmar que a instituição não é uma escola pública.
“Somos mantidos por uma empresa privada que, aliás, não tem obrigação de dar escola a ninguém”, diz. “Nossa iniciativa visa dar oportunidade a quem merece de fato e que poderá fazer a diferença no futuro.”
A propósito, a própria escola passa agora por uma avaliação externa que visa medir seu grau de eficiência na educação dos alunos.