Na semana passada tivemos um julgamento emblemático no Supremo: A corte mais alta do país decidiu que a competência investigativa do CNJ era concorrente com a dos Tribunais estaduais e não suplementar e que a investigação poderia ser iniciada sem prévia justificativa. Traduzindo: decidiu que o CNJ poderia investigar um caso mesmo antes que o Tribunal responsável se manifestasse (competência concorrente – ou seja, tanto o tribunal como o CNJ podem investigar ao mesmo tempo), ao invés de ter de esperar a investigação no Tribunal onde ocorreu o caso acabasse (competência suplementar), além disso, decidiu que o CNJ não precisaria explicar porque estava investigando.
Como todos já sabem, o Supremo decidiu, por um voto, que o CNJ poderia investigar amplamente os juízes. O curioso, porém foi como a questão chegou ao público…
Talvez pela dificuldade de cobrir um assunto tão técnico, as matérias dos jornais mostraram uma divisão do Supremo em dois grupos de Ministros: um grupo a favor dos poderes investigativos do CNJ, outro contra.
Na realidade nenhum ministro manifestou-se contra a possibilidade do CNJ investigar qualquer assunto. Os cinco ministros dissidentes entendiam que o CNJ, sempre que for investigar um caso, que envolva uma situação anômala em um tribunal, deve expor previamente as razões que motivaram essa investigação. Os outros ministros, que foram a maioria, entendiam que essa motivação prévia poderia gerar impugnações e tirar a agilidade do órgão.
Ao contrário do que pareceu para quem leu apressadamente as manchetes dos principais jornais do país, não se tratou de um confronto entre ministros corporativistas e ministros dispostos a investigar, mas sim de uma disputa em torno do princípio da necessidade de motivação nas decisões judiciais.
Com a decisão do Supremo, ganhamos agilidade e perdemos segurança. Essa é uma troca necessária, mas arriscada. Vivemos em um sistema jurídico que procura ser tão seguro, que é um mastodonte: qualquer processo dura anos, às vezes décadas. Portanto, assim como fazer um carro de concreto, que não possa andar e, por isso não possa bater. É inútil!
A Justiça no Brasil precisa mudar, mudar rápido, mas precisamos ter cuidado. Os dois lados da questão são respeitáveis, os argumentos de ambas as partes merecem muita consideração e não é a toa que a questão foi decidida por apenas um voto.
Elder de Faria Braga





















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Não deve-se afirmar que o sistema judiciário esteja em posição delicada mas sim,há necessidade de uma reforma ampla na sua maneira de atuar,ou seja,austera...
Carlos Alberto Guizelini
Não deve-se afirmar que o sistema judiciário esteja em posição delicada mas sim,há necessidade de uma reforma ampla na sua maneira de atuar,ou seja,austera,transparente e acima de tudo isenta e não paralitica como está.Os ministros,desembargadores,juízes e promotores devem se conscientizar que não são deuses e nem intocáveis.Estas atitudes arrogantes e prepotentes não devem fazer parte do perfil dos mesmos.Importante,quando se dirigirem ao público utilizar um linguajar claro e objetivo,deixando seus lero-leros para as cortes.ISTO É QUE O POVO ESPERA,SIMPLES ASSIM.
Roberto Prado
Conciso e claro como sempre, Dr. Elder. Parabéns! A necessidade de reforma urgente é sentida por todo o país! Mas com atenção para não ficar pior do qu...
Roberto Prado
Conciso e claro como sempre, Dr. Elder. Parabéns!
A necessidade de reforma urgente é sentida por todo o país! Mas com atenção para não ficar pior do que está.