No Brasil um processo pode facilmente levar dez anos. Se alguém vai trabalhar para você durante dez anos, em geral, ou vai ser caro, ou o trabalho vai ser mal feito. Além disso, há o desgaste, as surpresas… É evidente, portanto, que sendo possível é interessante evitar o uso do Judiciário. É por isso que o povo costuma falar que é melhor um mal acordo que uma boa briga. Mas, será que isso é verdade?
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Melhor Um Mal Acordo?
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De Onde Vem Nossa Liberdade?
Hoje ouvi no rádio o âncora revoltado porque um político havia sido absolvido em um julgamento, pois as provas encontradas contra ele teriam sido obtidas de maneira irregular. É importante entendermos esse fato para realmente entendermos de onde vem nossa liberdade.
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O Supremo, o CNJ e o Carro de Concreto
Na semana passada tivemos um julgamento emblemático no Supremo: A corte mais alta do país decidiu que a competência investigativa do CNJ era concorrente com a dos Tribunais estaduais e não suplementar e que a investigação poderia ser iniciada sem prévia justificativa. Traduzindo: decidiu que o CNJ poderia investigar um caso mesmo antes que o Tribunal responsável se manifestasse (competência concorrente – ou seja, tanto o tribunal como o CNJ podem investigar ao mesmo tempo), ao invés de ter de esperar a investigação no Tribunal onde ocorreu o caso acabasse (competência suplementar), além disso, decidiu que o CNJ não precisaria explicar porque estava investigando.
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A Culpa é do Sofá (Ou do Garupa…)!
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo acaba de aprovar lei que proíbe os garupas em motos nos dias de semana em cidades com mais de um milhão de habitantes no Estado de São Paulo. A multa é enorme. Como ninguém quer enfrentar o crime a sério, mandaram a Constituição às favas e tiraram o sofá da sala.
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Embriaguez no Transito
Mais de 20.000 pessoas morrem no trânsito a cada ano no Brasil. É uma calamidade. Uma parte dessas mortes ocorre devido à embriaguez ao volante. Para combater o problema, criamos a chamada “lei seca”, ela funcionou no começo, mas parece que “perdeu o efeito”. O que terá acontecido? Qual a solução para o problema?
Vamos começar pelo que é mais fácil: o que aconteceu? Em um rápido resumo, aconteceu que, por um lado a fiscalização diminuiu, por outro as pessoas aprenderam a contorná-la. Além disso, a lei é de uma idiotice atroz.
A lei é idiota, porque é rígida demais e porque tem uma redação que permite a quem sabe que bebeu muito escapar sem punição significativa. Como assim? Como uma lei pode ser rígida demais e, ao mesmo tempo permitir aos culpados escaparem?
Novamente, começo pelo mais fácil (o que é sempre um bom método): A lei brasileira determina uma dosagem alcoólica no sangue como única medida de embriaguez. Ora, pra começar ela deixa de fora do seu alcance todas as outras formas de embriaguez. O motorista pode cheirar, injetar fumar o que quiser, que mesmo que esteja chamando o policial de anjo Gabriel, a “Lei Seca” não o atinge… Pior, se a pessoa beber um litro de álcool, basta não permitir que se faça a dosagem alcoólica, que também não será atingido pela força da lei.
Ora, a lei antiga deixava avaliação do estado de embriaguez do motorista para o policial, o que permitia arbitrariedades… Como sair desta situação? Bastaria que a lei permitisse ao motorista provar que não estava embriagado, facultando-lhe o exame laboratorial, caso o policial alegasse a embriaguez, sob pena de nulidade da autuação. Ao motorista seria garantida a possibilidade da prova ao seu favor. Esta prova poderia see um exame de dosagem alcoólica, ou um exame toxicológico, dependendo da alegação do guarda.
Vamos agora para a parte difícil: logo acima eu disse que a lei era rígida demais… Muita gente pode discordar de mim aqui, mas aprovamos uma lei que estabelece critérios extremamente rígidos. Uma pessoa de peso mediano, que tome dois copos de vinho, pela nossa lei já está irregular e, parada por uma blitz, será multada e provavelmente terá seu privilégio de dirigir suspenso.
Este critério seria justificado pelo fato de que mesmo esta quantidade de bebida reduz a capacidade de direção de um motorista. Pode ser verdade, mas… É este motorista ligeiramente afetado pelo álcool que está matando? Creio que se a lei estabelecesse um índice mais alto, como faz a maior parte dos países, o apoio social à lei seria maior e, portanto, o seu cumprimento.
Esta sensação de que a lei é dura demais com quem não fez nada, além de tudo, torna as blitz impopulares e politicamente complicadas: em geral, as pessoas não se sentem confortáveis ao vê-las, mas profundamente incomodadas…
Para ficar mais claro, vamos direto para a parte final e mais difícil: qual a solução… Na verdade, o cumprimento de uma lei que procura alterar costumes, depende de um enorme apoio social. Não seria difícil, especialmente com o número de mortes que vem ocorrendo no trânsito, conseguir apoio social para uma lei que pretende salvar vidas. É difícil, porém, que a sociedade não se mobilize, mesmo que de forma sutil (como por exemplo, divulgando via twitter o local dos comandos) contra uma lei que vai contra hábitos que as pessoas entendem como seguros.
Todo mundo conhece alguém que foi morto por um motorista completamente embriagado, mas não há quem não conheça milhares de pessoas que beberam meia garrafa de vinho em um jantar e dirigiram centenas de vezes de forma segura e cautelosa até em casa. Colocar em um mesmo balaio o bêbado assassino e o casal que sai de um jantar romântico é um enorme erro e, no caso, um erro que está custando milhares de vidas.
Isto porque nenhuma lei pode pretender mudar a sociedade. Leis devem, isto sim, representar os anseios da sociedade. No caso, a sociedade claramente não quer banir o álcool, mas sim, punir exemplarmente quem se excede, colocando a vida dos outros em risco. A lei deveria dar forma a esta vontade da sociedade, facilitando a punição de quem pode causar dano aos outros e dando tranquilidade a quem não oferece perigo…
Elder de Faria Braga
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Sigilo Bancário
Recentemente tive uma reunião com o tesoureiro de uma empresa familiar que atendo há anos. Lá pelas tantas, ele fala: “os sócios retiram da empresa cerca de x mil reais por mês, a gerente do banco me mostrou”… Um frio correu pela minha espinha…
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A Corrupção e os Mangustos Havaianos…
Em 1872 um homem chamado W.B Espeut teve a ideia de importar mangustos indianos para controlar os ratos dos canaviais da Jamaica. Ele foi à Índia e capturou quatro mangustos machos e uma fêmea prenhe. Apostando na eficiência de sua ideia, os abandonou nos canaviais jamaicanos…
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O Fantasma da Inflação e as Multas Tributárias
Há pouco tempo atrás, pedi para um estagiário atualizar um valor de um processo de mais de dez anos. Ele arregalou os olhos e me olhou de modo estranho… Poucos segundos de papo e descobri o problema: o rapaz, de 20 anos de idade, não tinha ideia do que era inflação, ou “atualizar o valor de um processo”…
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Strauss Kahn e a Verdade
Todo mundo leu a fantástica história do presidente do FMI, milionário, que atacou a camareira do hotel em Nova York e foi preso no avião… Quem acompanhou a história e ficou morrendo de raiva do monstruoso comportamento do banqueiro, deve estar surpreso: ao que parece, como sempre, tudo é muito complicado…
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O Fim da Previdência? (Ou a necessidade de inovar)
Acho que já falei aqui que quem pensa que o direito pode resolver os problemas sociais, no mínimo não entende nada de direito… Um exemplo disto é a previdência, que vive em crise em todo mundo e por toda parte sofrendo reformas que, em geral, cortam benefícios e aumentam as contribuições. Na verdade, nenhuma lei vai conseguir resolver o problema, que necessita de uma enorme reformulação em seus conceitos básicos. Precisamos enfrentar uma verdade inconveniente: a previdência, como a entendemos, está com os dias contados.
Como assim?
É simples, mas difícil de encarar. Por um lado, vivemos cada vez mais, por outro, concorrem dois fatores:
O primeiro é que nosso modo de vida causa cada vez mais doenças crônicas, como obesidade, diabetes, pressão alta, diversas alterações cardíacas não letais etc.
O segundo é que doenças que antes eram fatais, agora se tornaram crônicas, ou tendem a se tornar crônicas, como o HIV, vários tipos de câncer, com tratamentos vitalícios e caros. Na verdade, é raro que um laboratório lance algum remédio revolucionário que não seja de uso continuado…
Apesar disso, as reformas intentadas nos sistemas previdenciários (e aqui englobo os sistemas de saúde, que em alguns países – como no Brasil – fazem parte da previdência e em outros não), resumem-se, como já falei, a aumentar as contribuições e diminuir os benefícios.
Economistas, juristas e parlamentares parecem hipnotizados pelos olhos da crise que se aproxima. Permanecem paralisados, ou por medo de enfrentar o problema, ou terror de discutir alternativas inteligentes com a sociedade.
Ora, se tudo continuar como segue, continuaremos pagando cada vez mais, para termos cada vez menos em termos de previdência, até o ponto – próximo – onde nenhum dinheiro será suficiente, mesmo para a prestação do serviço mínimo!
As mudanças necessárias no sistema previdenciário demandam a alteração de paradigmas sociais.
Em primeiro lugar, a sociedade precisa decidir quem precisa de auxílio da previdência, quem é velho, e quem merece descanso após anos de trabalho. Cada vez que vejo uma vaga para idosos, lembro que elas são para os maiores de 60 anos e que toda manhã no Ibirapuera, dezenas de senhores e senhoras de mais de 60 anos passam por mim correndo em velocidades que poucos meninos de 30 poderiam suportar… Muitas pessoas hoje vivem muito bem até idades avançadas, preservando integralmente sua capacidade produtiva.
Além disso, as pessoas começam a trabalhar cada vez mais tarde. Se antes muitos começavam a trabalhar com 12 anos, hoje outros tantos buscam o primeiro emprego após completarem um doutorado, já na faixa dos 30 anos.
Até quando continuaremos acreditando que 35 anos de trabalho produtivo (dos 30 aos 65) poderão sustentar 30 anos de férias (dos 70 aos 100)?
Em segundo lugar, a sociedade precisa decidir o que fazer para possibilitar que as pessoas tenham estilos de vida mais saudáveis, pois se há pessoas com 70 anos com o desempenho atlético e mental preservado, há uma enorme multidão de crianças diabéticas. Devemos controlar o que as pessoas podem comer, ou quanto devem se exercitar? A pergunta parece descabida, mas já há leis determinando que tipo de alimentos podem ser vendidos em cantinas escolares….
Além disso, a sociedade precisa decidir quanto tempo as patentes de medicamento devem durar e quanto é o lucro que os laboratórios devem ter para que o interesse na pesquisa de medicamentos se mantenha. Além disso, talvez a sociedade tenha de se concientizar que o investimento pesado em pesquisas farmacológicas pelo estado pode ser estratégico para a economia.
Todas essas discussões implicarão certamente em mudanças jurídicas, mas não pertencem ao mundo do direito. Caberá ao direito apenas dar forma e efetividade às decisões que a sociedade terá de tomar.
Eu disse terá de tomar, pois seremos obrigados a tomar essas decisões. Poderemos apenas escolher entre decidir com calma, ou apenas depois que a crise for gigantesca.
Elder de Faria Braga























Elder de Faria Braga
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