Direito e Desenvolvimento

22.08.2012 - 16h17

Onde colocamos o metrô?

Os moradores de Ipanema se manifestaram contra a instalação de uma estação de metrô na Praça Nossa Senhora da Paz. Embora os argumentos para evitar essa estação tenham se alterado (agora a razão é o impacto ambiental decorrente da retirada de árvores da praça), o ponto central é a insatisfação dos moradores com o metrô ali. Se os moradores não querem o metrô, será que o governo deve insistir?

A resposta, por incrível que pareça, está relacionada com o modelo de planejamento urbano para a cidade que, durante algum tempo, estava focado numa proposta de baixa densidade urbana, em que o transporte era (e ainda é) dependente do deslocamento via carro para distâncias mais longas. Essa proposta de planejamento pôde ser vista no movimento de deslocamento dos empreendimentos imobiliários para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e para Alphaville, em São Paulo. Só que os apartamentos maiores, um pouco mais distantes dos centros urbanos, não foram acompanhados por soluções efetivas de transporte público. Daí, portanto, uma das razões para o crescimento desenfreado dos longos congestionamentos.

Fica claro então que, entre outros motivos, a dependência do automóvel se desenvolveu em função do planejamento urbano das cidades. E essa dependência foi agravada pela percepção da nova classe média do veículo privado como símbolo de status social, relacionando a privatização do transporte (ou seja, a aquisição de um carro) com segurança, conforto e objeto mais imediato de consumo. Claro que essa percepção é incentivada pela política deficiente de transportes públicos (que somente nos últimos anos voltou a ser foco de ações políticas mais efetivas). Ou seja, a ineficiência e insuficiência do transporte público incentivou a privatização do transporte, fazendo com que as pessoas comprassem maciçamente carros privados.

Há, no entanto, uma nova lógica no planejamento urbano atual, favorecendo uma tendência urbanística baseada na exploração (ou criação, quando for o caso) de lugares com altas densidades urbanas, caracterizados por centros locais autossustentáveis. Esses centros, dotados de muita opção de comércio e serviços, seriam essencialmente acessados por meio de deslocamentos a pé, por moradores ou por pessoas que estivessem a eles conectadas por uma rede de transporte público.

O trânsito nesses centros com alta densidade populacional (e muitas opções de comércio e de serviços) não é gerado por conta apenas dos veículos refletindo os deslocamentos dos moradores, mas também dos consumidores que querem acessar aqueles locais para consumir produtos e serviços. Grande parte do trânsito de centros com alta densidade populacional não é, portanto, de moradores. Desenvolver uma rede de transporte público que dê acesso às pessoas que querem chegar nesses centros de consumo de produtos e serviços é, portanto, uma das principais formas de reduzir os grandes congestionamentos nas principais cidades, incentivando o movimento de migração dos veículos privados para o transporte metroviário.

Esse não é justamente o caso de Ipanema?

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