Direito e Desenvolvimento

11.07.2012 - 16h19

A melhor escola para o seu filho

Essa é a proposta que todo governo deveria ter para a sociedade. Uma lógica fundada em escolas públicas de qualidade, não só porque essa seria uma das principais formas de retribuição dos impostos pagos, mas, sobretudo, porque a educação serve como pilar da criação de mão de obra para oportunidades de emprego, base do equilíbrio social. Qual é, então, a fórmula mágica? Que exemplo devemos seguir para atingir esse objetivo?

Existem alguns indicativos mais óbvios. Há uma maioria absoluta de escolas particulares entre as dez primeiras classificadas no ENEM. A lógica seria, portanto, buscar um benchmarking das melhores práticas administrativas e formatar um modelo a ser seguido pelas escolas públicas. Entre as escolas que serviriam de modelo, aliás, está a Dom Barreto, do Piauí, presença freqüente na lista das melhores do ENEM e competidora ferrenha do Colégio São Bento, do Rio de Janeiro, a escola número um.

À primeira vista, a fórmula do Dom Barreto parece simples; quase fácil de ser reproduzida em massa pelas escolas públicas. Período integral de estudos associado a uma disciplina rígida, com acompanhamento constante dos pais aos alunos, que recebem avaliação individualizada desde o seu ingresso na instituição. Essa política se soma a um currículo diversificado, que inclui xadrez, noções de robótica e latim, buscando diversificar a construção de conhecimento para as crianças e adolescentes que lá estudam em turmas pequenas, com menos de quarenta alunos por sala de aula. E tudo isso conduzido por professores formados pelo próprio Dom Barreto, em uma endogenia catalisada com cursos de mestrado e até mesmo doutorado, fruto de investimentos da escola na qualificação do seu corpo docente. E, por trás dessa fórmula, muita paixão.

E não foram poucas as tentativas de padronizar sistemas de educação. O projeto chamado “School in a Box”, da Bridge International Academies, lançado no Quênia em 2009, oferece uma proposta de franquias de escolas de baixo custo para educação primária em países em desenvolvimento. O objetivo é interessante, pois pretende obter economias de escala a partir da padronização e da centralização de inúmeros serviços (sobretudo relacionados a áreas meio, como cobranças), para gerar capacidade suficiente para investir em sistemas de gestão, apoio e treinamento do corpo docente, implementando ainda um sistema de monitoramento e de controle de qualidade apurado, possível a partir dos dados que são gerados em toda a rede de escolas do projeto.

Embora os exemplos de sucesso possam ser um caminho, talvez seja oportuno utilizar o diagnóstico do projeto “School in a Box” para o cenário deficiente das escolas públicas, quais sejam: (i) restrições orçamentárias para o investimento em inovação e infraestrutura; (ii) alta variação em qualidade e custo das escolas individuais; e (iii) dependência em um número restrito de educadores qualificados. Esse diagnóstico também identifica como problemas uma ausência de controle social dos pais, o que acaba tornando o ambiente pouco propício a gerar incentivo para melhorar os problemas não só de gestão, como principalmente aqueles relacionados à qualidade do ensino.

Alguns problemas crônicos, como escolas superlotadas e materiais por aluno em número deficiente ou mesmo desatualizado, dependem de soluções orçamentárias. Ou seja, simplesmente mais dinheiro. E a padronização pode ajudar nisso, reduzindo custos. Mas, como reproduzir a paixão e o compromisso do Dom Barreto em escala nacional? Será que não é hora de investir no professor?

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