Nos aeroportos mais movimentados do país praticamente não há descanso para os ouvidos. Nove de cada dez minutos em Congonhas são preenchidos com chamadas buscando avisar os passageiros sobre a iminente decolagem. Por trás disso tudo, existe uma lógica nesses constantes avisos de embarque? Ou é só barulho?
Li algumas notícias de jornal sobre o tema e as opiniões divergem. De um lado, há aqueles (muitos) que defendem que as chamadas atendem um objetivo importante, que é o de avisar as pessoas que estão em outros lugares do aeroporto a respeito da saída da aeronave. Nestes, se incluem aqueles que são fãs de vozes específicas, como a da mítica locutora Íris Lettieri, que há mais de trinta anos foi marca registrada do aeroporto do Galeão no Rio. E, de outro, há quem diga que as pessoas acabam ficando incomodadas com o excesso de barulho, prejudicando a concentração numa leitura ou trabalho.
Essa última posição vem vencendo. Antigamente, havia dois sistemas de som. O primeiro que abrangia todo o aeroporto, nas áreas comuns, como, por exemplo, o saguão, o check in e o desembarque. No final de 2009, a Infraero proibiu o sistema de som nessas áreas comuns, iniciando um movimento de silêncio nos aeroportos (que permanece apenas com a possibilidade de dar – raros – informes gerais). Segue, no entanto, o segundo sistema de som, que é o que envolve as salas de embarque, cujas chamadas clássicas qualquer frequent flyer já está acostumado (embarque próximo, embarque imediato e última chamada), além das constantes trocas de portão.
Vários aeroportos estrangeiros foram além, acabando com qualquer chamada, seja em áreas comuns, ou em salas de embarque. A proposta é relativamente simples. Basta, para que os passageiros sejam adequadamente orientados, que os painéis eletrônicos, dentro e fora das salas de embarque, constem os avisos sobre questões básicas, como os horários de embarque, eventuais atrasos e os respectivos portões. Para os passageiros com alguma deficiência visual, as companhias aéreas disponibilizam agentes com treinamento específico, sem, no entanto, apresentar grandes dificuldades.
As vozes já se silenciaram nas áreas comuns. Já não é hora de calar a boca nas salas de embarque, tendo, claro, um maior cuidado com as informações disponibilizadas nos painéis eletrônicos? Ou os passageiros de fato precisam de avisos paternalistas?


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Carlos Emmanuel Ragazzo
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