As previsões ambientais são preocupantes, com indicações de esgotamento e/ou drástica redução de recursos naturais. O Brasil, no entanto, é um país privilegiado, sobretudo por dispor de 12% das reservas de água doce mundial, com apenas 5 milhões de hectares de terra agrícola irrigada. Mas como o Brasil pode manter a sua vantagem competitiva?
A racionalização da água é uma estratégia que passa por ações com impacto tanto na demanda de água para os seus usos (entre os quais, consumo humano e irrigação, além de inúmeras utilidades industriais), quanto na oferta do recurso (principalmente baseada na extração de água doce por meio de companhias de saneamento).
As campanhas de racionalização do uso da água têm o seu papel, mas ele é limitado. As pessoas e as empresas reagem a incentivos. A instituição de cobrança pelo uso da água tem estimulado a adequação das companhias que a utilizam de forma intensiva, também sendo importantes para gerar recursos para ações de recuperação específicas à bacia hidrográfica. Com o aumento do “preço” da água, algumas indústrias estão investindo em técnicas de reutilização dos recursos, reduzindo custos. Quanto mais investimento em reutilização de água, menos se gasta com o insumo. E mais competitiva é a empresa.
Algumas indústrias, como mineração e siderurgia, podem alcançar grandes porcentagens de reutilização da água, com índices que atingem até 60% da água consumida. No Chile, mas especificamente na indústria de mineração de cobre, não fossem as ações de reutilização (e também de dessalinização), haveria um sério risco de o custo da água tornar a atividade praticamente proibitiva. É claro que esse percentual não é factível para todas as indústrias que têm uso intensivo de água. Empresas que comercializam alimentos e bebidas possuem restrições legais à reutilização do recurso.
O lado da oferta passa por atividades de dessalinização de água do mar, ação particularmente interessante e cada vez mais crescente para países com pouca quantidade de reservas de água doce (o que já é uma realidade para algumas indústrias de inúmeros países, sendo mais uma vez o caso da mineração). Mas a novidade mais impressionante passa por melhorias tecnológicas nos softwares de monitoramento tecnológico de vazamentos, reduzindo o enorme percentual de desperdício.
Uma companhia em Israel desenvolveu software para identificar vazamentos, já utilizado na Austrália, Europa e América Latina, superando as tradicionais dificuldades associadas a essa função (os desvios da quantidade de água podem se dar por inúmeros fatores, como relógios alterados, existência de feriados, mudança no tempo, etc). O objetivo é identificar padrões de comportamento entre partes diferentes do sistema, para verificar se há ou não uma explicação que justifique a alteração. Com isso, consegue identificar (e consertar) vazamentos em 10 dias a menos que os sistemas tradicionais.
Chegará um momento em que os países estarão diante da escolha entre priorizar o uso da água entre diferentes indústrias. Se essa escolha se basear no valor agregado do produto final, alguns países deixarão de produzir frutas, optando pela sua importação, para concentrar em mineração ou siderurgia. Encher piscina será coisa do passado?




















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Carlos Emmanuel Ragazzo
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