Sempre tive essa impressão, mesmo quando ainda era aluno de graduação há mais de dez anos. Acho, no entanto, que os métodos de ensino estão se tornando cada vez mais arcaicos e inadequados para as demandas complexas dos mercados de trabalho, o que prejudica a competitividade e o desenvolvimento do país. Parece algo lógico falar que as novas gerações impõem novas formas de ensino. Mas os professores resistem, insistindo em métodos que aprenderam quando eles próprios eram alunos.
Esse é um conflito bastante atual entre docentes e discentes, mas que precisa de um diagnóstico mais extenso para que soluções possam ser discutidas. E é claro que as reflexões abaixo se aplicam a algumas faculdades, não valendo para todo e qualquer curso. Mas, em particular, acredito que elas são bem reais e verdadeiras para os cursos de ciências sociais aplicadas.
Primeiro, o que mudou? O professor era a fonte principal de informação para os alunos, numa época em que o acesso a dados era algo custoso. Daí, portanto, o método de ensino e a respectiva avaliação serem baseados em exercícios valorizando, sobretudo, a capacidade de memorização do aluno. Hoje, ele (o professor) não é páreo para a quantidade de dados a que um aluno tem acesso. E nem poderia ser. Os alunos acompanham as aulas verificando as informações em tempo real, usando, para tanto, internet wi-fi em sala, constantemente usando smartphones, acessando facebook e google.
A memorização tornou-se um exercício, se não impossível, pouco útil para uma sociedade que tem um acesso brutal a informações a um custo baixíssimo. O aluno, depois da prova, simplesmente esquece o tanto que decorou para poder passar na prova. O desafio é, portanto, processar informações e não memorizá-las.
E como solucionar esse problema? Não há fórmula mágica, mas o professor não pode ter resistência ao novo. Precisa entender que a interação com os alunos é a solução para prepará-los para os desafios contemporâneos, em que um profissional precisa ser plural. O aluno precisa saber escrever de modo conciso e objetivo, falar bem em público, negociar e interagir, não importando qual o seu anseio profissional mais imediato.
Para tanto, o professor deve enfrentar a comum resistência a exercícios que estimulem raciocínio e que fujam de um modelo expositivo tradicional, em que o aluno assume uma postura sempre passiva (e, provavelmente, desinteressada, ao longo das horas). Ele precisa cativar o aluno, escolhendo matérias e métodos interessantes, inovando na forma de lecionar. O professor deve ainda ingressar no mundo dos alunos, encontrando formas de interação via redes sociais e blogs, que permitem novas ferramentas e possibilidades de ensino.
Será que os professores conseguirão vencer esse desafio?




















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