Até bem pouco tempo, o mercado de e-books no Brasil era desprezível, com poucos títulos e faturamento praticamente irrisório. A explicação para esse cenário surgia, de um lado, da ausência de um modelo de negócio das editoras para os e-books e, de outro, da falta de costume dos consumidores brasileiros, ainda insatisfeitos com a leitura nos e-readers, vistos como sucessores, na verdade, das televisões, e não dos livros.
Nos últimos dois anos, o mercado deu um salto, aumentando de forma exponencial o número de livros disponibilizados em e-books, contabilizando, aliás, mais de 10.000 títulos publicados em português. Além disso, o preço dos e-readers se tornou mais atrativo, aumentando o segmento de consumidores de conteúdo, que agora começam a se acostumar de maneira mais massificada com o processo de leitura digital. E, com o crescente consumo dos tablets, a leitura digital virou algo comum.
Claro que o crescimento do mercado se deu por etapas sucessivas. Primeiro as editoras viram que preocupações com direitos autorais poderiam ser mitigadas diante de inúmeras soluções, variando desde o digital rights management (DRM), que prende o conteúdo de um e-book a apenas um e-reader, até outras formas, como a inscrição de marcas d´água nos e-books (ou seja, se alguém repassar o conteúdo, para sempre estará ali escrito o nome do primeiro dono, de quem foi realizado o download).
Depois, o consumidor percebeu que, além das opções para compra, o número de obras livres de direitos autorais na internet é significativo (embora com prevalência de livros em inglês). E é possível que se torne ainda mais, já que se avizinha uma discussão em curso na Europa e nos Estados Unidos a respeito da obrigatoriedade de disponibilização livre das pesquisas que são financiadas pelo Estado. Essas pesquisas são costumeiramente publicadas em revistas tradicionais (journals) comercializadas com altas margens de lucros (superiores a 30%), já que o conteúdo apresentado em geral não é pago aos pesquisadores e a análise pelos pares (o famoso peer review) também é feito de forma colaborativa, sem qualquer pagamento aos professores envolvidos na revisão.
As preocupações, agora, na verdade, se voltam para novos modelos de negócios. E a forma de remuneração é uma das prioridades a serem revistas. Talvez exista a possibilidade de adicionar publicidade previamente ao conteúdo, permitindo compensação em termos muitos similares ao que já se vê na internet (lembro, agora, do caso do You Tube, em que esse tipo de publicidade é comum). Ou mesmo a opção de popularizar a cobrança por indicações (referrals) em portais (como o amazon), já que existem autores comercializando obras direto de seus websites particulares (é o caso, ainda raro, por exemplo, da J.K. Rowling, famosa autora dos livros de Harry Potter).
Recentemente, li artigos sustentando a tese de que as editoras tomarão um baque, já que as antigas estratégias de lançamento, com a inundação das livrarias de obras best-sellers de autores renomados não funcionariam mais. Agora, com o fluxo de avaliações constante da internet, rapidamente se saberia se o livro é ruim (as famosas book reviews nos websites de distribuição). É o prenúncio do fim das editoras? Será?





















Carlos Emmanuel Ragazzo
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