São Paulo
Germano Luders
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Quais são as reais expectativas dos jovens empreendedores?

Sofia Esteves

Ter um negócio próprio é a solução que o jovem encontra para trabalhar em uma empresa que atenda suas próprias expectativas em relação ao ambiente de trabalho, à realização profissional e retorno financeiro.
De acordo com a 11ª pesquisa Empresa dos Sonhos dos Jovens, realizada pela Cia de Talentos, em parceria com a Nextview People, 56 % dos 46 mil jovens respondentes disseram que em algum momento de sua carreira abrirão um negócio próprio e 4% apontaram já ter um negócio próprio. Em 2011, se negócio próprio fosse o nome de uma empresa estaria em 102º neste ranking como “empresa dos sonhos” e neste ano de 2012 apareceu em 4º lugar! Ou seja, se “negócio próprio” fosse uma empresa estaria acima de gigantes como a Nestlé, a Unilever, a Natura e a Ambev.
E tem mais um ponto interessante: entre estes respondentes, 51% pretendem empreender em seis anos, motivados a trabalhar em áreas com as quais se identifiquem.
Outro ponto da pesquisa mostra que caiu de 85% para 75% o interesse dos jovens em trabalhar em empresas privadas. Enquanto cai o interesse de trabalhar para terceiros, a vontade de conquistar em ganhar dinheiro fazendo o que gosta e do jeito que quer, não para de crescer.

Jovem mais preparado
É bem possível que o maior acesso à educação seja um dos fatores que veem estimulando o empreendedorismo. O brasileiro está mais capacitado para assumir o comando da empresa, visto que hoje em dia há mais universidades e cursos técnicos – para todos os gostos e bolsos. Percebo que o jovem está mais focado no estudo e quer garantir bagagem de conhecimento.
Há uma década, ser empreendedor era destino de quem não tinha opção de carreira, mas isto mudou muito. De acordo com matéria de capa superbacana da revista Você S/A de setembro, que traz dados de uma pesquisa do GEM-Sebrae, há no Brasil dois empreendedores por oportunidade de novos negócios para cada um por necessidade (como faziam seus pais).
Talvez seja por isso que a região Norte é a que tem mais espírito empreendedor, seguida por Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Sudeste.

Significado
Mas o que leva o jovem a trocar o conforto e a segurança da carteira assinada pelo desejo de ter um negócio próprio?
Para o jovem, não basta assumir funções de comando operacional ou mesmo estratégico da empresa, ele quer ver sua identidade em cada trabalho. Tem uma expectativa maior do que é possível ter dentro de uma empresa, quer trabalhar a sua maneira, deixar um legado e construir uma marca. Tem ambição de construir algo “maior” e não encontra espaço em uma empresa já existente para suas novas ideias.
São estas frustrações do emprego convencional e desafio de criar algo novo que alimentam este enorme sonho de empreendedorismo. O jovem busca liberdade, quer mostrar suas habilidades sem seguir padrões e busca fugir da burocracia que impera nas empresas. Deseja fazer algo que lhe dê orgulho e que seja prazeroso de trabalhar.
Mas nem tudo são flores. Dar asas a um negócio próprio exige uma boa pesquisa de mercado e principalmente, um bom planejamento para levantar o valor a ser investido assim como para poder aguardar um determinado tempo até ver a cor do dinheiro de volta. É isso mesmo, os primeiros pro-labores provavelmente serão bem menores que o ultimo salário. Mas e daí?
Não importa só o número de empregados ou qual lucro que a empresa venha a ter, o que importa é o sentido de contribuição e realização. Para esta moçada, ganhar dinheiro, manter uma conta bancária confortável e obter uma posição de respeito na sociedade são consequências do trabalho bem feito, da persistência, da resiliência e da geração de valor para a sociedade.

E o que vem por ai?
Ainda bem que restam os outros 40% dos respondentes da pesquisa acima que não demonstraram muito interesse em empreender e teoricamente pretendem continuar trabalhando nos empreendimentos dos outros!
Já imaginaram os impactos que vem por ai, se no ano que vem esta pesquisa mostra que a porcentagem de jovens que deseja empreender continuar aumentando ano a ano? Onde iremos encontrar jovens talentosos para trabalhar nas grandes empresas, visto que a capacidade de inovar e empreender também são as competências mais requisitadas? Aliás, será que estes jovens que dizem que desejam empreender em seis anos vão de fato fazê-lo ou é apenas um sonho?
Proponho aqui uma reflexão: não seria este o momento de pensar em caminhos para atrair e fidelizar mais estes jovens para as empresas já existentes?

Dica: de 12 a 18 de novembro é a Semana Global de Empreendedorismo e recomendo assistirem este vídeo

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