São Paulo
Germano Luders
Carregando

O legal barato, o ilegal caro: líder ruim faz o contrário.

José Luiz Tejon Megido

Em épocas da liderança pública, escolha de líderes, vemos que um bom líder público é aquele que transforma o legal em barato, o legal saindo de graça, fácil. E tudo o que é ilegal caro, muito caro. Líderes ruins tem o dom de fazer exatamente o contrário. A máquina burocrática da legalização torna-se dispendiosa, travada, e passa a criar dificuldades para vender favores.
Depois de uma, duas, ou três tentativas, o ambiente estrutural termina por levar parte da população para o reino da ilegalidade, não por que essas pessoas sejam do mal ou tenham índole venal, simplesmente porque os obstáculos, os custos e as impossibilidades são tão elevadas que a única saída para viver aparece pelo ilegal, ou então, a possibilidade será desaparecer dos radares formais, ganhando a “informalidade”.
É quando documentos falsos, alvarás, dificuldades para abrir e fechar empresas, tributações – não só elevadas, mas exigentes de custos adicionais para serem cumpridas e mantidas, leis ultrapassadas, dominam a cultura dessa horrorosa liderança. Aliás, outra desgraça na intolerância da legalidade onerosa é que não fica caro apenas ser legal, mas muito mais caro manter-se legal e ainda provar e comprovar a legalidade.
É necessário ter documentos organizados, cópias, mantidos os originais, as assinaturas oficiais, os micro detalhes que possam resistir às violentas auditorias das malhas finas que escolhem e pegam, geralmente o cidadão legal, que, para provar idoneidade é preciso manter uma engenharia fiscal dispendiosa etc, pois o outro da ilegalidade já aprendeu a escapar, a viver em outros ambientes e estará, sempre, muito mais precavido contra as ações da “lei”.
O velho Presidente Getúlio Vargas já tinha uma máxima: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. A hidra serpentuosa da máquina burocrática e do “homo burocraticus” se locupleta no exercício dos micropoderes a serviço não da causa pública, mas da causa própria, de um sentido tortuoso do seu oficio. Exceções comprovam as regras, existem ótimos bons servidores, gente bem intencionada, mas quando o líder ruim, na área pública ou privada, decide optar pelo erro da liderança torturante e piratesca, ele transformará a empresa ou o governo num campo minado onde ser e manter-se legal custará muito caro, e a ilegalidade ficará a curto prazo fácil e atraentemente barata. Quem não transforma o legal e o ético no bom e barato é líder ruim, esteja bem ou mal intencionado.
Na gestão e liderança pública do futuro? Gestores, executivos e profissionais bem preparados atuando no estado da arte da desburocratização, e com sentido legítimo de serviço público; um corpo de líderes públicos profissionais e remunerados, sob aprovação da sociedade; e vereadores, deputados, a maioria dos ditos “representantes do povo” em regime de voluntariado. E quem vai vigiar o mal? Experts que saberão ficar de olho nos 1% das causas e agentes, que geram e degeneram os demais 99%.

Comentários
A seção Blogs é melhor vista nas versões recentes dos browsers Chrome, Firefox, Safari e Internet Explorer. Não funciona no IE na versão 8 ou inferiores.