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Nem Dalí entenderia o Brasil – “é surreal”

Fábio Pereira Ribeiro

Com toda sua inteligente loucura, Salvador Dalí soube muito bem representar o imaginável. Para muitos, sua visão “surreal” é impossível de entender, mas sua lógica explica muitas coisas hoje no Brasil.

Como diria Salvador Dalí, “O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a loucura”. 

Quando você imagina o dia-a-dia do brasileiro, e agora em 2014 em tempos de Copa do Mundo, o “surreal” dos custos, tributos e preços praticados no Brasil deixariam Dalí normal demais.

Por uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”

Fábio Pereira Ribeiro

Nesta semana o periódico britânico, Financial Times, publicou artigo do brasileiro, diplomata e diretor do BRICLab da Columbia University em Nova York, Marcos Troyjo, com o título, “2014: tempo de uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”. Troyjo remete de forma primordial, os anseios que o Brasil tem, mas na verdade os grandes valores que o mundo ainda espera do próprio Brasil.

A abertura do artigo é bem sugestiva. Marcos Troyjo afirma:

“Quando um novo ano começa, incertezas geralmente não faltam. Mas isso não é verdade sobre o Brasil em 2014. Muito pelo contrário. O mundo pode ver claramente o que está no caminho do Brasil: um país operando abaixo do seu potencial.

Pior em 13

Fábio Pereira Ribeiro

Parece que ser realista no Brasil é o mesmo que ser pessimista. 2014 começou bem, ou melhor, bem mal. Pelo menos para a Petrobras e para as manobras irreais com a economia brasileira.

As manobras contábeis que o governo brasileiro insiste em desenvolver na balança comercial deixariam o matemático, Luca Pacioli, com os cabelos em pé, ou pelo menos revirado no túmulo. Nem suas “partidas dobradas” conseguiriam explicar a lógica contábil do governo. Mas tudo bem, estamos Brasil, o país onde implante de cabelo tem mais relevância que segurança e defesa nacional. E por sinal, algum leitor gostou do cabelo do Renan? Você deve criticar, pois você que pagou.

Black “Tax Free” Friday and Red Saturday

Fábio Pereira Ribeiro

Como a capacidade de auto-engano do brasileiro é gigante. Além dos modismos “americanos”, o brasileiro extrapola sua lógica perversa de consumo. Considerando nossa alta carga tributária, sem contar a perversa estrutura fiscal, não existe lógica alguma em um movimento Black Friday no país, na verdade deveríamos ter um Black “Tax Free” Friday.

O brasileiro de uma certa forma, deve ser o cidadão mais rico do mundo, consome de forma desenfreada, adquire produtos importados já consumidos e desgastados na Europa e Estados Unidos, paga os maiores tributos do mundo, e não cobra nada do Estado pelos serviços públicos que são prestados, que literalmente são pífios. Mas, adora uma fila para aproveitar um “desconto”.

Hoje o gasto médio do brasileiro no Black Friday é de R$ 425, com volumes de vendas que já ultrapassam os R$ 180 milhões, mas muitos brasileiros não perceberam que a lógica do movimento teve muito “desconto maquiado”, sem contar as já exorbitantes margens que o mercado repassa ao consumidor considerando o impacto e a perversa cadeia tributária em todo sistema indústria e comércio.

É chique comer o caviar pela esquerda, “ou não”.

Fábio Pereira Ribeiro

Um dia Jean-Jacques Rousseau disse: “O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado”. Na parte que lhe toca “acorrentado”, na maioria das vezes se dá por ignorância, falta de inteligência, destrato ou descaso com a educação, ou literalmente abuso do poder, ou ditadura.

No caso brasileiro, os preceitos colocados parecem ter uma continuidade histórica, mesmo considerando uma ditadura intelectual que existe no momento, onde a simples opinião, ou uma outra visão contrária ao “status quo”, gera melindres sintomáticos em uma sociedade perdida, ou como diria o filósofo tropicalista, “ou não”. Já sob a ótica capitalista, mundana e mundial, o acorrentado se dá sob a visão totalitária e deturpada da ordem natural das coisas, ou como diria Hannah Arendt quando chegou aos Estados Unidos, “é o paraíso”.

Pouco escrevo sobre críticas literárias. Até porquê, não é meu papel, ou até mesmo tenho experiência para tal. Mas me senti na obrigação de escrever algumas linhas sobre a obra, “Esquerda Caviar – A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo”, do autor Rodrigo Constantino. Minha crítica é bem direta, eu queria ter escrito este livro.

Um Brasil doente, mas com cura.

Fábio Pereira Ribeiro

É muito triste ver os caminhos, e os descaminhos que o país toma. Não quero aqui ser crítico de um governo só, mas é impossível aceitar a forma como a população e o governo (e todas as histórias de outros governos), de uma forma geral, estão lidando com o problema Brasil, que na verdade tem todas as condições para ser a grande solução.

O mundo de uma forma geral, vive uma crise política, e principalmente, a democracia, vive uma crise de identidade. E quando falamos de Brasil, a crise tem um agravante, estamos literalmente em uma UTI da democracia. Os valores de ordem, progresso, respeito e desenvolvimento se perderam, mas ao mesmo tempo, precisam de uma revisão urgente.

O Brasil vive de algumas agendas, menos de um projeto contínuo. Mas se atermos às agendas, já seria oportuno o desenvolvimento do país, considerando uma redução drástica dos custos públicos, de uma política efetiva de estratégia e eficiência da entrega dos serviços públicos, de uma redução e punição drástica na corrupção (ativa e passiva), tolerância zero à violência, e uma política efetiva de qualificação com qualidade da mão de obra estudantil. Com certeza ganharíamos, pelo menos, uma década.

Hoje a briga da mídia, e da própria política, está em definir um novo momento entre direita e esquerda, entre coxinhas e empadas (com ou sem catupiry), mas na verdade precisamos definir um novo rumo do Brasil. O projeto de país, e até mesmo de democracia, nestes poucos 25 anos, se perderam. Nossa Constituição, efetivamente não é aplicada, e o país vive constantemente de atos inconstitucionais pelo poder público. Um estupro diário na relação, onde a Nação é funcionária do Estado, e não o contrário.

É impossível aceitar um senador, e também um deputado, quiça um ministro utilizarem de uma prerrogativa, em quase direito divino, e desenvolverem uma verdadeira “farra” na Força Aérea Brasileira (FAB), e depois com a maior arrogância e cara lavada, simplesmente falarem “eu tenho direito”, e o direito da nação em transporte, saúde, educação e segurança? E a gasolina da FAB para patrulhar a defesa do espaço aéreo? E a comida da tropa? Considerando que a tropa vive de racionamento às sextas-feiras. E não adianta devolver aos cofres públicos, tudo é uma questão de postura e atitude, os mesmos políticos demonstraram que não estão nem aí para a nação. Será que precisamos dos mesmos?

Mas, infelizmente o Brasil está doente. E não é só da carência de médicos e da estrutura de medicina no país. A doença está ligada à corrupção, a falta de educação, aos políticos que estão acima do bem e do mal, da ineficiência do serviço público, dos funcionários públicos vagabundos, das igrejas que enganam diariamente a população, da polícia despreparada, e do desrespeito contínuo do político em relação ao cidadão. Só uma lembrança, enquanto Renan e Henrique faziam a farra nos aviões da FAB, um bebê em Santos morreu em complicação coronárias na Santa Casa de Santos, advinha por quê? Por falta de transporte especial. A família e os médicos, com mandato judicial e tudo, não conseguiram um helicóptero para o transporte. Mais vale a pena um casamento em Porto Seguro, do que salvar uma vida humana.

Mas, além dos diversos levantamentos negativos sobre o Brasil, e o nosso dia a dia, o Brasil tem mais um ponto negativo. Segundo a organização Transparência Internacional, o Brasil literalmente é um país “doente”, e sua principal doença, que atinge todos os dias os brasileiros é a corrupção. Sem contar a falta de seriedade política, ou respeito ao conceito de Nação.

Segundo a Transparência Internacional, os brasileiros acham que:

- 81% dos partidos são corruptos;

- 72% do congresso é corrupto;

- 70% da polícia é corrupta;

- 55% do sistema de saúde é corrupto;

- 50% do judiciário é corrupto.

Bom a lista é trágica. E o pior, a descrença da população é maior ainda, mas a mesma é culpada. 2014 teremos eleições, será que o país mudará?

Não adianta siglas, ou animais, a política brasileira precisa mudar, mas ela começa no próprio brasileiro. O Brasil é um país, onde o cidadão, mesmo que pobre, é o mais rico do mundo, pois paga os maiores impostos e não tem nada de volta, e o pior, não cobra por isso. Política é carreira, político no Brasil fica mais rico que dono de banco. Empresário honesto, bom ele é levado para a corrupção, é culpa do sistema, e como diria Raul Seixas, “aluga o Brasil”.

E um final sobre os médicos. Não acredito em importação como solução. Acredito em uma revisão drástica no aparelho total da medicina brasileira. E alunos de medicina devem sim tomar partido dos problemas brasileiros, mas sem estrutura fica muito difícil. Inclusive sugiro que a idéia seja ampliada para alunos de filosofia, história, sociologia, matemática e português para as diversas escolas carentes nos diversos rincões do nosso lindo Brasil!

 

Só a Educação Muda o Brasil!

Fábio Pereira Ribeiro

Mobilizações, PEC’s, Cura Gay, Tributos, mas a grande agenda do Brasil, enquanto potência mundial e resolução de seus problemas locais, e até mesmo regionais só depende de uma, EDUCAÇÃO, isso mesmo com letras maiúsculas. A nossa educação brasileira ainda é tratada com relento e descaso. Nossa população sofre o impacto da falta de educação todos os dias. É na falta de um emprego de qualidade, é na falta de conhecimento para tratar de saúde básica, é na falta de educação familiar, é na violência diária que sofremos todos os dias, é na falta de sensibilidade política em cobrar de nossos governantes e eleitos por nós mesmos as devidas ações pelo bem do país. A falta de educação só nós dá uma certeza, a falta de perspectiva futura. Como podemos aceitar um país tão belo e grande, ter um dos piores indicadores de educação, isso em todos os níveis de formação. Segundo dados da  Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, do Fórum Econômico Mundial, da Organização das Nações Unidas, do Ministério da Educação do Brasil, do IMD da Suíça que estuda competitividade mundial, e outras referências de organizações internacionais públicas e privadas, o Brasil perde toda sua riqueza quando falamos nos indicadores de educação.

Já escrevi diversas vezes neste meu Blog EXAME Brasil no Mundo sobre os problemas da educação. As crianças brasileiras, literalmente não sabem ler português e matemática. Os dados são da própria prova BRASIL, sem contar os dados da OCDE e de organizações não governamentais que monitoram a educação brasileira e mundial.

Conforme dados da ONG Todos Pela Educação, que em parceria com Cesgranrio e os Institutos Paulo Montenegro e Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) realizaram a Prova ABC, que foi aplicada em 1,2 mil escolas em 600 municípios, e apresentou dados alarmantes sobre a educação básica infantil. Literalmente, 70,8% das crianças brasileiras com 8 anos não sabem matemática. E em leitura, 60,3% tem grandes dificuldades (quase sem leitura nenhuma), e escrita representam 74,1% das crianças que literalmente não sabem escrever.

O sinal desta prova ABC é nítido para o cenário que nos apresenta, o Brasil ficará cada vez mais distante do processo de inovação (falta de conhecimentos lógicos e matemáticos), além de criar distâncias nas crianças e nos jovens em relação à educação. Se conversarmos hoje com muitos jovens no ensino médio, técnico e até superior, a maior afirmará categoricamente, que a Educação “é chata”.

Mas por trás destes números existe um fator importantíssimo que é relegado às traças, o professor.

A OCDE apresentou no dia 25 de junho o relatório “Educação: Trampolim para o Emprego”, que considera os investimentos e a eficiência dos projetos educacionais versus a capacidade de gerar empregos, e o Brasil está na posição 33 para 35 países analisados. Assim, o Brasil caí em eficiência. E muito está condicionado no tratamento, e na formação do corpo docente. Nossas crianças sofrem hoje, pois professores são destratados na sua grande maioria. Os mesmos não têm formação com qualidade, não têm estímulos sociais e econômicos para o desenvolvimento da carreira, e os mesmos ainda não têm infra estrutura adequada para o desenvolvimento educacional de seus alunos.

Por mais que os investimentos em educação tiveram um crescimento, o Brasil ainda está muito atrás do mundo. Segundo a OCDE, o ensino fundamental no Brasil investe por aluno US$ 2.778, enquanto a média dos países membros da OCDE é de US$ 7.974. No ensino médio a distância é maior, o Brasil investe US$ 2.571 por aluno, enquanto a média OCDE é de US$ 9.014. Eficiência versus investimentos, ainda é uma distância real no Brasil.

A um descaso alarmante com a educação brasileira, e nós diariamente sofremos com isso. Veja o exemplo negativo, e destrutivo, que cidade de Juazeiro do Norte no Ceará deu ao Brasil, os professores municipais tiveram 40% de corte em seus salários, enquanto vereadores e prefeito vivem de suas mordomias acima de R$ 10.000,00. Os professores de Juazeiro recebem em média R$ 900,00. Será que o Brasil consegue transformar crianças em pessoas sérias e economicamente ativas somente com R$ 900,00/mês?

Outro descaso com a educação brasileira, o Plano Nacional da Educação (PNE) levou anos para ser aprovado, e somente no dia 28/05/2013 foi aprovado no Senado com 83 emendas. O mesmo plano define as 20 metas de educação para a década…. bom, a década está passando, e o cenário ainda não é positivo.

Outro ponto importante, se 75% dos jovens universitários brasileiros estão matriculados nas instituições de ensino privado, por quê a educação brasileira ainda paga os maiores tributos em comparação com o mundo? Outro ponto, boa parte deste estudantes estão em instituições abaixo da média mundial, e até mesmo brasileira, pois tem notas de avaliação de qualidade 3 (de 1-5), assim o Brasil gostar de uma média, e nunca ser superior. Neste ponto, o estudante universitário brasileiro faz sua escolha da formação e educação pelo preço, e não pela qualidade. Qual a resposta do mercado? O Brasil não tem mão de obra qualificada, assim é mais fácil importar. O caso dos médicos tem um aparte em função da falta de infra estrutura médico hospitalar no país, mas já há alguns anos, o Brasil tem recebido expatriados de Portugal, Itália, Espanha, Estados Unidos, Canadá e até mesmo da África, para trabalhar nas áreas de administração e engenharias. As universidades privadas precisam de uma maior aproximação com o mercado, e com o próprio governo (o mesmo também trata mal as mesmas) para uma melhoria neste processo educacional. Segundo dados da consultoria McKinsey, o Brasil tem a pior distância na relação estudante, universidade e mercado. E temos um dado mundial interessante, o Brasil tem o maior grupo mundial de educação, Kroton / Anhanguera. Será que só nos contentaremos com quantidade, e não qualidade?

Mas como bom brasileiro, a esperança ainda é a última que morre. No ensino superior privado existem iniciativas interessantes, vejam o caso da Universidade Cruzeiro do Sul, que está baseada na Zona Leste de São Paulo, em um das regiões mais carentes do país. A mesma desenvolve um projeto de bolsas 100% de gratuidade, para os melhores alunos selecionados em seu processo seletivo para os cursos de Geografia e História. O projeto é desenvolvido desde 2002. Segundo Fábio Figueiredo, Diretor do grupo Cruzeiro do Sul Educacional, o projeto visa selecionar os melhores alunos carentes na região, e “sabemos que existem pessoas com grande potencial acadêmico, mas com baixo poder econômico”. Graças a essa visão, hoje a Cruzeiro do Sul, desde o lançamento do programa mantém os melhores indicadores na prova nacional de avaliação, o ENADE, com nota máxima 5, que acaba refletindo na instituição como um todo. Os cursos de Geografia e História, na sua grande maioria formam os docentes do futuro. É um exemplo do que podemos fazer de forma integrada para melhoria da educação básica, considerando que um dos grandes problemas está centrado no professor. A Cruzeiro do Sul Educacional S.A esclarece que a oferta de cursos de graduação gratuitos pelas instituições do grupo, especificamente os mencionados na matéria – História (desde 2002) e Geografia (desde 2003) – pela Universidade Cruzeiro do Sul – SP, é uma forma de promover a formação de profissionais diferenciados em diversas áreas do conhecimento, e não uma forma de atendimento de carências sócio econômicas por meio do oferecimento de vagas a estudantes sem condições financeiras para cursar uma graduação. Salienta-se ainda que as turmas são formadas apenas por bolsistas integrais e que, para conquistar uma vaga, os candidatos devem obter uma pontuação superior a 50% no vestibular (e o de Música 75% na prova de aptidão) e passarem por uma seleção de mérito com relação candidato/vaga por vezes superior a 60 por 1. Para os demais cursos de graduação, todas as instituições do grupo oferecem o Programa de Bolsas por Mérito Acadêmico, que possibilita bonificações de 100% nas mensalidades caso o candidato alcance um desempenho igual ou superior a 75% da pontuação do vestibular.

A luta brasileira, e suas mobilizações devem continuar. O mundo inteiro pede isso. As manifestações no mundo são claras em apoio ao Brasil, mas não podemos perder o esforço, e matar uma mosca com um tiro de canhão. O brasileiro é cidadão que mais gasta em compras nos Estados Unidos, e ao mesmo tempo é o que mais gasta em tributos e não tem de volta os serviços com qualidade, e quando falamos em educação, a mesma é a pior do mundo.

A agenda de mobilizações deve seguir para educação, saneamento e tributos (seja na redução ou na entrega de serviço à altura).

Só a Educação muda o Brasil!

E para compartilhar com o leitor, recomendo a leitura do livro “A Via – para o futuro da humanidade” de Edgar Morin. Em tempos de cobranças e projetos de um novo país, Edgar Morin, filósofo francês que escreveu a obra, aponta uma série de agendas importantes. Parece que o mesmo fala para o Brasil!

 

 

Sensação de perdemos o rumo…

Fábio Pereira Ribeiro

Dias atrás escrevi aqui no meu blog Exame Brasil no Mundo, que a visão mundial sobre o Brasil estava se perdendo, ou melhor o momento Brasil passou, pelo menos para o mundo. http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/brasil-no-mundo/2013/06/09/o-momento-brasil-passou-para-o-mundo-sim/

Ainda reafirmo, que considerando os últimos acontecimentos, e também a percepção dos países sobre o Brasil, estamos literalmente perdendo o rumo, e gerando a sensação de que a Marca Brasil, ou o momento Brasil está se diluindo.

Eu não quero questionar posições políticas (esquerda, direita, centro – se existe isso aqui no Brasil?), também não quero bater sobre o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, nem sobre militância partidária versus movimentos não partidários. Mas se analisarmos o momento estratégico que o país vive, ou como muitos gritam nas ruas, “o gigante acordou”, o que me preocupa é: acordou, ok, para qual rumo? Interessante a análise do sociólogo e professor da USP, Gabriel Cohn, que afirmou em entrevista no Jornal Valor, que “seria positivo para a democracia que, ao lado dos movimentos não partidários, houvesse a militância partidária para cobrar, inclusive de suas legendas, as questões não resolvidas”.

Mas quero deixar claro, como cidadão, que estou com  uma “sensação”, pois com toda riqueza do Brasil, e principalmente o aspecto cultural do povo brasileiro, o país tem um cenário positivo.

Nos últimos dias, tenho acompanhado toda mídia internacional, e conversado com importantes analistas econômicos e políticos, além de acompanhar os relatórios de serviços de inteligência (públicos e privados), e a sensação de rumo, ou perda de rumo é a mesma, e comum. Além disso, o acompanhamento das redes sociais é notório que a sensação, ainda que dividida, também é de “para que lado vamos?”.

Claro que é de um grande orgulho, que a Nação prevaleceu sobre o Estado com as manifestações. Mas ao mesmo tempo, mostrou que a violência é algo que precisa ser cortada na carne. Com a onda pacífica, o Brasil viu com os seus próprios olhos que a violência está enraizada. Independente de partidos políticos, de tidos “militares” infiltrados, de arruaceiros, de estudantes sem noção alguma de cidadania e sentimento de Nação, o Brasil precisa eliminar a violência, pois as mobilizações podem levar o país para um caos, e não para a direção que todos nós brasileiros queremos, um país alegre, com grande infra estrutura, com economia aquecida, com melhores escolas, com uma estrutura de saúde que realmente atenda à demanda do país, com uma estrutura tributária justa, que o governo entregue os serviços com qualidade, com corrupção ZERO, e principalmente com a sensação de que o Brasil é o melhor lugar do mundo para se viver. Um aparte, nessa lista ainda incluo, mesmo descrédito, que a seleção brasileira ganhe a Copa de 2014.

Não podemos nos enganar, o Brasil teve, ou ainda tem, uma das grandes chances de alavancar enquanto potência mundial, economia mundial, liderança regional e estratégica, e ter um dos maiores indicadores sociais do mundo.

Mas é triste ver, que um país que está entre as oito maiores economias do mundo, tem os piores indicadores em educação, saúde, inovação e competitividade (Fontes: IMD, Fórum Econômico Mundial, ONU, MEC, OCDE).

Outro ponto é o foco, precisamos questionar os tributos, e também o emprego eficiente dos mesmos. Com a carga tributária que pagamos, e em contrapartida do que recebemos, o Brasil deveria ser uma Suíça. Mas estamos mais para o Chad ou até mesmo a Somália. O Brasileiro, isso mesmo com letra maiúscula, é o ser mais rico do mundo, pois paga intensamente tributos, e não recebe e nem cobra o retorno dos serviços públicos com qualidade. Além disso, quem paga errado, paga duas vezes. Nós pagamos impostos para saúde, questões sociais, educação, segurança, e somos obrigados a contratar tudo em dobro.

Outro ponto importante, os governantes e políticos de toda espécie precisam se renovar. Já estão fora de moda, e o povo se cansou. Precisamos de um novo modelo, ou criar o nosso (minha preferência), e mobilizar a massa para um PROJETO DE PAÍS.

Com a riqueza energética, mineral e cultural que o Brasil tem, os velhos modelos europeus, e até mesmo os Estados Unidos ficariam para trás.

Recentemente o presidente da Fundação para Inovação e Tecnologia da Informação dos Estados Unidos (ITIF), Robert Atkinson, esteve no Brasil para uma série de encontros estratégicos e debates sobre inovação. O ITIF é um “think tank” sobre políticas globais e inovação, com sede em Washington D.C. (EUA). Para ele, o Brasil, não consegue se desenvolver, pois a baixa produtividade do país atrapalha seu crescimento nacional, e mundial. Além dos tributos, o processo de educação / formação de mão de obra qualificada versus as políticas de inovação atrasam todo processo competitivo do Brasil para o mundo, e o pior para a economia local. Para Atkinson, o Brasil poderia crescer algo em torno de 6% e 8% ao ano, mas com o modelo condicionado às commodities, mais a falta de mão de obra qualificada e a alta carga tributária, o país não alavanca seu PIB. E quando falamos em produtividade, competitividade, falamos literalmente em educação. As crianças brasileiras odeiam matemática. Temos hoje 6,7 milhões de alunos matriculados no ensino superior, conforme último senso educacional do MEC, número pífio pela demanda nacional, hoje deveríamos ter pelo menos 14 milhões de jovens matriculados no ensino superior. Desse número, 75% estão matriculados em instituições de ensino privadas, e as mesmas têm por ano uma evasão de 900 mil alunos. As mesmas universidades tem como estratégia, preço, e não educação, ou currículo competitivo. Outro ponto importante, os currículo atendem a uma demanda sem direção, e não a um processo inovador, e produtivo. Até hoje os cursos de administração e direito são os que mais recebem alunos, praticamente 30% das matrículas do país. E para piorar, existe uma distância gigante entre as universidades e as empresas, o que poderia ser uma solução em curto prazo para potencializar a inovação no país. E para ajudar, ou piorar, a educação brasileira paga muitos tributos.

Não podemos ter a sensação de que nós brasileiros matamos uma mosca com um tiro de canhão, e depois fica aquela imagem de que os mobilizadores queriam no final um cargo político. O país está cansado de Lindberg’s, caras pintadas para protestar, e lavadas para organizar acordos escusos com os seus antigos alvos.

O estopim de R$ 0,20 não pode gerar na população uma dúvida. Não pode ser um estopim sem rumo. Precisamos questionar os tributos, questionar e fiscalizar todos os dias a presidência, os governadores, os prefeitos, os vereadores, os deputados, os senadores, os funcionários públicos que trabalham de forma relaxada para o bem público, mas não podemos nos enganar na frente da Urna.

E para o mundo, o Brasi tem uma grande chance de desenvolvimento e encontrar definitivamente seu lugar no cenário internacional. Não serão os eventos esportivos internacionais que farão do Brasil um país grande, mas sim o povo brasileiro que questiona, grita e fiscaliza o governo e suas estruturas. E que a Nação seja maior que o governo. O governo foi escolhido para gerir melhor o país para nós, e não o contrário.

Independente de Dilma, Lula, FHC, Collor, Militares, Alckimin, Aécio, e outras mazelas da política nacional, o povo quer um Brasil mundial! Quer um Brasil grande, e sempre em fevereiro, nós teremos Carnaval!!!

 

 

 

Precisamos de um Projeto de País!

Fábio Pereira Ribeiro

Chegou a hora de uma nova discussão para o Brasil. Um novo rumo. Para o mundo todo, o país precisa de uma direção que efetivamente consolide o crescimento do mesmo até agora. Em toda nossa história de país, o único período que tivemos um “momento de ideal” para a construção de projeto de país foi com o Patriarca José Bonifácio, com suas idéias em Projeto de Brasil. Mas até hoje, desmando atrás de desmando, a política parece a mesma, e muitos grupos surgem para enaltecer políticas próprias e interesseiras. Sejam de jovens estudantes, até de quadrilheiros e mensaleiros que norteiam o nojo em Brasília. Os movimentos atuais, e principalmente o “passe livre”, que dá uma nova direção para as mobilizações nacionais deveriam enaltecer uma mobilização para termos um Projeto de País, e se isso é pesado, poderíamos pelo menos, enquanto cidadãos, “descer a borracha” na carga tributária que tanto destrói o desenvolvimento do país. A carga tributária do Brasil só é alta para justificar o alto custo dos serviços públicos que temos, e ao mesmo tempo não temos a entrega necessária nos serviços básicos.

Todos os dias somos “estuprados” pela alta carga de impostos, e não temos nada de volta. Para o mundo todo, o brasileiro é o ser mais rico do mundo, pois de 01 de janeiro até 29 de maio toda sua capacidade produtiva e econômica são destinadas para impostos, e depois disso tudo, o mesmo gasta em comprar os serviços que seriam constitucionalmente de seu direito. Por exemplo, além dos impostos que nós pagamos para manter segurança, educação, saúde e transporte, nós somos obrigados a pagar o dobro por isso. Nós temos 75% dos estudantes do ensino superior matriculados em instituições privadas. Nós somos cercados por empresas de segurança, nós temos os contratos de seguros de saúde mais caros do mundo (e não temos o retorno devido mesmo assim), e aí vai….. sem contar a violência diária, que tanto nos machuca. Por exemplo de Janeiro de 2013 até a presente dada ocorreram mais de 480 estupros no Rio de Janeiro, mais do que a própria ditadura militar matou nas décadas de 60 e 70. Com isso somamos os erros nas escolhas estratégicas do Brasil perante o mundo. Para muitos analistas internacionais, o Brasil virou piada, principalmente sua diplomacia. O Itamaraty adora um “carimbo”, mas na hora de pensar um projeto de país, pensamos em perdoar dívidas dos países africanos, de vender a Petrobras na África, de alinhar com a Venezuela e de voltar amores com a Bolívia. Nas rodas mais estratégicas da política internacional o Itamaraty é uma piada, mas bem séria. A presidente Dilma teve toda oportunidade de alavancar o potencial do Brasil, mas parece que não quer enxergar a realidade que nós brasileiros estamos gritando nas ruas, e que o mundo está avisando.

Nós devemos nos mobilizar para uma revisão urgente da carga tributária. E cobrarmos a qualidade do serviço público pelo que pagamos. Não podemos aceitar o comodismo político e negociador. É inaceitável ter a carga de impostos sem a qualidade devida nos serviços públicos. Inclusive o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) tem um interessante estudo sobre a entrega efetiva dos serviços públicos em relação aos tributos pagos, e comparativamente com outros países.

O IBPT realiza o estudo de cálculo do Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade. O mesmo é um estudo sobre a carga tributária versus a geração do PIB / IDH (Indicador de Desenvolvimento Humano). O IBPT fez o estudo com base nos 30 países com maior carga tributária do mundo, e ao mesmo tempo os mesmos com maior produção interna bruta.

É um estudo que relaciona, produção (PIB), arrecadação de impostos e destino dos recursos para à sociedade. A regra básica, e constitucional dos tributos, arrecadar para a manutenção do Estado, e do bem estar da Nação, e sem surpresa, o Brasil continua na mesma, a última posição, 30!

O trabalho do IBPT teve por objetivo mensurar os 30 (trinta) países de mais elevada carga tributária (arrecadação tributária em relação à riqueza gerada -PIB) e verificar se os valores arrecadados estariam retornando para a sociedade, através de serviços de qualidade, que viessem a gerar bem estar à população (IBPT).

O IBPT utilizou dois parâmetros, para esse tipo de comparação: A Carga Tributária (arrecadação em relação ao PIB), que obtivemos junto à OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, referente ao ano de 2011 (última atualização) e também o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, conforme dados da PNUD – (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), com o índice final para o ano de 2012.

Nossa carga tributária hoje em média come 36,02% do PIB, em resposta, segundo o Fórum Econômico Mundial temos a posição 142 de pior indicador de educação mundial, e a posição 60 em inovação. Além disso, o IMD da Suíça que classifica a competitividade mundial, coloca o Brasil na posição 51 (uma péssima idéia), considerando que o mesmo desde 1997 caiu 17 posições, vale lembrar que o estudo do IMD avalia 60 países, e estamos em 51, de novo uma péssima idéia!

Pelo estudo, Estados Unidos, Austrália e Coréia do Sul estão nas primeiras posição, arrecadam e entregam serviços com qualidade. Na sequência Japão, Irlanda e Suíça avançam com suas entregas. Mas se analisarmos os países com problemas econômicos sérios, como por exemplo a Grécia, e a própria Argentina, o Brasil se coloca nas piores posições, por sinal bem atrás dos mesmos. Os Estados Unidos tem uma entrega de serviços para a população em 165,78, enquanto o Brasil entrega 135,63, mas devemos avaliar o tamanho populacional, e o quanto o país perde da arrecadação em corrupção, contrabando, narcotráfico, e outros crimes fiscais que abalam as estruturas econômicas do país.

Segundo o IBPT “o ranking é determinado pela ordem decrescente do valor calculado referente ao IRBES de cada país. Quanto maior o valor deste índice, melhor é o retorno da arrecadação dos tributos para a população.

O IRBES é decorrente da somatória do valor numérico relativo à carga tributária do país, com uma ponderação de 15%, com o valor do IDH, que recebeu uma ponderação de 85%, por entendermos que o IDH elevado, independentemente da carga tributária do país, é muito mais representativo e significante do que uma carga tributária elevada, independentemente do IDH. Assim sendo, entendemos que o IDH necessariamente deve ter um peso bem maior para a composição do índice”.

Se o Brasil atacar os problemas de tributos, educação e saneamento, com certeza o Brasil será muito maior, e ganhará alavanca para o seu desenvolvimento.

Me preocupa em ver movimentos que gerem novos Senadores Lindbergh Farias, que foram “caras pintadas” no passado recente, e hoje fazem suas histórias em corrupção e maldades contra o país.

Ver a Presidente Dilma sendo vaiada na abertura da Copa das Confederações não tem preço, como diria o Mastercard. Mas ao mesmo tempo, ver a população gritando “basta de tributos”, teria um grande valor, desta vez em um saldo positivo para a Nação Brasileira, melhores serviços públicos, melhores escolas, melhores professores, melhores transportes, melhores saneamentos, e principalmente um melhor brasileiro.

 

 

O Momento Brasil passou? – Para o Mundo Sim!

Fábio Pereira Ribeiro

Balança Comercial negativa, inflação crescente, falta de direção (rumo do país), piores indicadores de inovação e educação (indicadores Fórum Econômico Mundial), queda vertiginosa da competitividade (Ranking IMD 2013 Brasil caiu para a posição 51, em 60 países), gargalos logísticos, violência em crescimento (a moda agora é botar fogo), falta de infra estrutura, comissão da verdade de um lado, “mensalões” se fazem de vítimas, tributos em uma escalada destrutiva da competitividade, altos custos com a estrutura burocrática e fiscal, insegurança jurídica, política externa com escolhas desastradas, alinhamento político com países de pouco valor agregado para o Brasil, falta de mão de obra altamente capacitada, cultura do sexo x cultura musical e “funk”, e aí vai uma série de outros fatores que poderíamos enumerar e mostrar os cenários negativos, que os brasileiros insistem em cobrar, e ao mesmo tempo não mobilizar para uma nova visão e postura. Mas o mundo não enxerga da mesma forma. Muitos analistas internacionais, de grandes veículos de comunicação, organismos internacionais, agências de inteligência, universidades de renome, e analistas governamentais são categóricos, o Momento, ou a Moda Brasil já passou.

Durante os últimos dois meses conversei com diversos analistas, gestores de fundos de investimentos, empresários brasileiros e internacionais, além de alguns diplomatas, tanto do Brasil como do exterior, e de forma categórica, todos são firmes em falar, a moda Brasil passou. Passou principalmente, pois o Brasil não tem um Projeto de País. As escolhas estratégicas até o presente momento não estão refletindo uma continuidade do crescimento que o Brasil viveu nos últimos 5 anos. E considerando que temos grandes eventos internacionais, a imagem do país parece que ganha um tom negativo, principalmente com a escalada vertiginosa da violência urbana (estupros, assassinatos, roubos seguidos de mortes, dentistas queimados vivos, estrangeiros assaltados e baleados, entre outros crimes), a imagem do Brasil, que até então tinha uma identidade com a “bola da vez” somada ao crescimento econômico e sua imagem de alegria e festa, na verdade está se transformando em uma imagem clara de insegurança em todos os contextos. Para muitos no exterior, se o Brasil combatesse com intensidade a violência, e também investisse pesado na educação, muitos dos problemas seriam minimizados, e os problemas econômicos do momento passariam, como na verdade, sempre passaram.

Recentemente conversando com um grupo de professores da renomada escola Sorbonne de Paris, os mesmos me questionavam, com pode acontecer no Brasil atos de violência e criminalidade, como o caso da dentista que foi queimada viva, e ao mesmo tempo pagarmos tantos impostos e não termos segurança pública? Para alguns, os atos de violência que acontecem hoje no Brasil para eles, remontam às tragédias da Segunda Grande Guerra.

Outro professor me questionava, como nós brasileiros temos capacidade de pagar tantos impostos, e não termos no mesmo nível o serviço público e assistencial enquanto sociedade? Para ele, o brasileiro é um forte, pois tem capacidade de pagar impostos, não tem os serviços do Estado de volta, e não se mobiliza para cobrar. Mas, ao mesmo tempo se mobiliza para Marchas sem fundamentos, como por exemplo a Marcha da Maconha.

Sob a ótica econômica, nós brasileiros não podemos nos enganar. O ambiente não está bom. Os custos estão cada vez mais elevados, os níveis salariais entraram em estagnação, a inflação é crescente, os indicadores internacionais, e as notas de classificação de riscos do país entraram em queda. E não adianta o Ministro da Economia e a própria Presidência da República afirmarem que as agências, e a imprensa internacional está em um grande movimento contrário ao país. Essas mesmas agências e veículos de comunicação, anos atrás levantaram a bandeira do Brasil como um grande porto seguro de investimentos, mas a política atual não deu sustentação para a continuidade do crescimento econômico. Todos os dias o empresariado brasileiro tem reclamações latentes, e profundas das políticas fiscais, econômicas e industriais, pois estão sufocados por uma perversa estrutura tributária e fiscal, sem contar a falta de infra estrutura adequada para o escoamento da produção.

Considerando uma avaliação dos últimos governos, o momento atual o custo público aumentou, perdoamos dívidas com países africanos, não cobramos políticas acertadas com investimentos prometidos da Venezuela, pagamos um alto custo com a parceria com a Bolívia, e nossa balança comercial teve um dos piores indicadores históricos. Hoje o Brasil importa mais produtos já manufaturados para venda direta, e nossa indústria entrou em um novo declínio, literalmente não estamos inovando. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil está nas piores posições do ranking de Inovação, a posição 60. Vai de encontro com o ranking de competitividade que o IMD da Suíça publicou em 30 de maio de 2013, que coloca o Brasil na posição 51, sendo que em 2012 o país estava na posição 46, e se considerarmos a queda efetiva, em 1997 o país estava na posição 34, assim em 16 anos caímos 17 posições. Trágico não é? E temos respostas claras, baixo nível de desempenho da educação superior, falta de projetos e planos estratégicos de inovação, nossos alunos do ensino fundamental e básico literalmente “odeiam” matemática, falta de mão de obra altamente qualificada (vejam hoje a grande necessidade de importação de mão de obra), uma sociedade carente que é trabalhada com políticas de assistência com baixos recursos e não políticas educacionais para o desenvolvimento do cidadão (veja o caso do Bolsa Família, que poderia ter o modelo do indiano Yunus Prêmio Nobel da Paz com o seu programa Banco dos Pobres), e por sinal essa mesma política, somado a um desguarnecido sistema de segurança de nossas fronteiras, alimentam a criminalidade nos grandes centros, e hoje também no interior do país. Se realizarmos uma simples pesquisa estatística sobre o nível escolar dos presidiários brasileiros, perceberemos que a grande maioria ou é analfabeta, ou com no mínimo dois anos escolares. Mas na grande maioria, os mesmos nunca adentraram uma escola, triste realidade.

Aquela imagem de “bola da vez”, de “porto seguro” para investimentos, na verdade perdeu seu rumo. O país precisa de uma nova direção. O Governo Federal teve uma grande chance de dar um salto, mas infelizmente nós brasileiros aceitamos com passividade a tragédia acontecer, e o Brasil perder seu crédito no sistema internacional.

Os próximos eventos demonstrarão o quanto o mundo está certo, e o quanto nós estamos errados, principalmente em aceitar a corrupção e a violência como atores contínuos do nosso dia a dia. Por exemplo, qual a contribuição, ou legado que a FIFA e o Comitê Olímpico deixarão para o Brasil? Nem mobilidade.

No livro “Soccernomics: por quê a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar os reis do esporte mais popular do mundo”, os autores Simon Kuper e Stefan Szymanski, são categóricos: ” No final das contas, a melhor razão para sediar uma Copa do Mundo é porquê realizar um evento como esse é divertido. Se o Presidente Lula quisesse ser honesto quanto a isso, ele diria: “vai custar dinheiro, sobrará menos para escolas, hospitais, e assim por diante, mas todos adoramos futebol e será um mês divertido, então vale a pena”. Então os brasileiros poderiam ter um debate esclarecido sobre os verdadeiros prós e contras de sediar a Copa. Mas os brasileiros estão sendo bombardeados com falsidades econômicas. É bastante razoável querer sediar a maior festa do mundo (e ninguém está mais preparado para isso que os brasileiros). O erro é achar que isso fará do Brasil um país mais rico.”

Essa é nossa imagem, uma festa que custa caro, deixa o brasileiro feliz por algumas horas, mas triste o ano inteiro. O mesmo leva quase 6 meses em pagamento de impostos, vive uma festa, ou farsa cultural através de “funks” e outros “esquentas”, uma violência desenfreada, e acha que no país está tudo bem.

Mas como em fevereiro tem carnaval, achamos que Deus é brasileiro, e a esperança é a última que morre, um dia o Brasil ainda volta a ser moda no cenário internacional. Queridos leitores, peço desculpas pela minha visão e franqueza, mas não consigo ver um cenário positivo, e o mundo também não vê.

 

Prêmio Nobel Yunus e a ESPM no Brasil

Fábio Pereira Ribeiro

Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus - Fonte: Yunus Centre

Professor da ESPM Mauricio Turra Ponte

Para muitos brasileiros o modelo Bolsa Família é a sustentação da “vagabundagem” e da própria criminalidade. Nós brasileiros demoramos em desenvolver a inovação e o empreendedorismo. Empreender no Brasil custa caro, e o pior tem um Custo Brasil que atrapalha demais, sem contar a burocracia.

Mas o indiano, nascido em Bengali, Bangladesh, Muhammad Yunus, que em 2006 foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz desenvolveu o projeto  “Banco dos Pobres”, que pelo princípio básico, os países “precisavam de algo mais para romper o ciclo da pobreza”. O mesmo tem um lógica, que não adianta dar uma vara de pescar, e não ensinar à pescar. Todo empréstimo, ou investimento, ou até mesmo benemerência, os mesmos devem estar atrelados a um processo de aprendizagem para a construção do aprender à fazer, e fazer aprendendo.

Na semana passada Muhammad Yunus esteve no Brasil para inaugurar seu novo projeto para alavancar o seu modelo, mas com enfoque no empreender e no inovar. E o mesmo buscou a Escola Superior de Propaganda e Marketing, a famosa escola ESPM, a maior referência em comunicação e negócios da América Latina. Na ESPM, no Campus São Paulo, o Yunus inaugurou o  YUNUS ESPM SOCIAL BUSINESS CENTRE, que tem como objetivo avançar os ideias de Yunus na América Latina, e propagar o conceito, de ajudar à empreender. Ou melhor, ensinar à empreender.

Em conversa com o Diretor do  YUNUS ESPM SOCIAL BUSINESS CENTRE, Professor Mauricio Turra Ponte, o blog Brasil no Mundo teve um bate papo sobre os negócios de Yunus, que na opinião deste autor, o Brasil deveria aprender mais com Yunus.

Brasil no Mundo: No que consiste o projeto YUNUS ESPM SOCIAL BUSINESS CENTRE?

Mauricio Turra Ponte: O Centro de Negócios Sociais tem como objetivo ajudar a desenvolver novos empreendedores sociais. A ESPM sempre teve uma característica de formação de alunos voltados ao mercado de trabalho ao mesmo tempo que busca assegurar que se desenvolvam como indivíduos sensíveis a questões sociais e ao compromisso ético.  Com a chegada do Centro,  abrigaremos dentro da faculdade uma área que será responsável pelo desenvolvimento de projetos que estimulem a visão empreendedora que atendam questões sociais. O Centro atua em três frentes: educação através da formação de novos empreendedores realizada através de cursos de formação de extensão, pesquisa visando compreender como negócios sociais podem ser implementados com maior sucesso e rapidez, e principalmente, como são desenvolvido a inovação e o papel da cultura e valores sociais sobre o êxito destas ações, e por fim, através da incubadora da faculdade, que auxiliará e suportará o inicio dos projetos, através de coahing e relacionamento com potenciais parceiros e financiadores. Como se vê através do Centro será possível fechar todo o processo de estimulo ao desenvolvimento de um negocio social. As pesquisas orientam o desenvolvimento de cursos e o processo de coaching e apoio aos projetos.

Brasil no Mundo: Quais os grandes objetivos do projeto?

Mauricio Turra Ponte: Temos como missão estimular empresas, estudantes e indivíduos a promover negócios que atuem na resolução de problemas sociais. Realmente acreditamos que o espírito empreendedor e a liberdade de mercado pode se tornar em um elemento importante para o desenvolvimento econômico e social.

Brasil no Mundo: Como se deu a relação e o desenvolvimento do projeto com o Prêmio Nobel Muhammad Yunus?

Mauricio Turra Ponte: O desenvolvimento da relação entre a ESPM e o Prof Yunus surgiu por abrigarmos no ano passado uma oficina realizada pelo GRameen Social Business Lab, e posteriormente irmos na Conferencia Anual conhecer as propostas desenvolvidas e Universidades parceiras. Os interesses foram se tornando cada vez mais próximos, já que somos uma faculdade que valoriza as questões sociais e houve grande incentivo para o desenvolvimento do Centro em todas as instancias acadêmicas.

Brasil no Mundo: Muhammad Yunus quando desenvolveu o projeto do Grameen Bank em Bangladesh, o mesmo tinha em mente que os países “precisavam de algo mais para romper o ciclo da pobreza”. Ele sempre percebeu que precisa ensinar a pescar, do que simplesmente dar a vara de pesca, ou o peixe. O modelo de Yunus poderia ser um avanço em projeto assistencial no Brasil, em comparação com o Bolsa Família?

Mauricio Turra Ponte: Não podemos falar em nome do Prof. Yunus, mas existem várias formas de envolvimento do Estado em relação a programas assistenciais em todo o mundo. Em muitos países, o pagamento de salários ou bolsas ligados ao desemprego é uma prática até hoje realizada independentemente se o pais teve ou não uma catástrofe qualquer. A ação assistencial, desenvolvida pelo estado ou pela empresa, tem papel importante mas entendemos que não deva ser aplicado de forma contínua durante longos períodos, já que o estimulo ao trabalho e ao empreendimento gera impactos maiores e a um numero maior de pessoas e não somente ao beneficiário.

Brasil no Mundo: Quais serão os próximos passos do projeto no Brasil?

Mauricio Turra Ponte: Estamos estruturando o primeiro curso de extensão que será oferecido a partir de agosto. O curso é bem interessante pois trás a experiência de vários empreendedores da Rede do Yunus Centre em todo o mundo alem de especialistas e professores que conhecem a realidade brasileira. O objetivo do curso é capacitar o aluno para desenvolver um projeto de negocio social que será apresentado a uma banca de investidores no final do curso. A consolidação do projeto permitirá que ampliemos sua atuação para outras unidades da ESPM, no Rio e Porto Alegre a partir do próximo ano. Tem muita coisa que deve acontecer ainda.. Vale a pena ficar atento.

Para saber mais: http://www2.espm.br/espm/yunus-espm-social-business-centre/institucional?utm_source=Webdoor&utm_medium=Webdoor&utm_campaign=Webdoor_nacional

África e Brasil, um casamento duradouro

Fábio Pereira Ribeiro

Para muitos um continente explorado ao seu extremo, para outros uma verdadeira “terra de contínuas oportunidades”. A África é um continente com uma singularidade própria, sem contar a maior riqueza concentrada em milhares de povos e culturas, e não simplesmente em países.

A semana que passa representa o enlace matrimonial do Brasil com o continente “mais velho” do mundo, ou o berço de nossa existência. Desde o governo do ex-presidente Lula, o continente africano tem recebido com maior intensidade o apoio do Brasil, alem de um presença mais ampliada de investimentos e negócios diretos. E boa parte dos investimentos estão mudando de figura, alem do tradicional peso da construção civil brasileira em grandes obras de infra estrutura.

A Presidente Dilma Rousseff está na Etiópia, representando o Brasil e toda América Latina no evento de comemoração dos 50 anos da União Africana. Diz a lenda que na Etiópia está escondida a Arca da Aliança, levada como presente do Rei Salomão para a Rainha de Sabá. Será a África a Arca da Aliança para o Brasil?

E na mesma semana aconteceu em Brasília, o Seminário “As relações Brasil com a África, a nova Fronteira do Desenvolvimento Global”, promovido pelo Jornal Valor e pela Confederação Nacional da Indústria. Assim, o tema África tem grande destaque e impacto para o Brasil, pois o crescente econômico do continente africano, e principalmente a demanda de produtos industrializados favorecem ao Brasil um novo mercado promissor, e com grande conexão cultural e social ao mesmo tempo.

Independente dos países africanos de língua portuguesa, o Brasil já tem uma grande penetração no continente através da indústria de construção civil, mineração e energia. As relações comerciais, e a balança entre Brasil e África representam hoje em média US$ 26,47 bilhões segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (SECEX). E nessa relação, em 2012 o Brasil exportou mais para o Egito, seguido da África do Sul, Argélia, Angola e Nigéria, e importou mais de US$ 8,01 bilhões da Nigéria conforme dados da SECEX.

Deste peso de investimentos, os projetos de infra estrutura do Brasil no continente representam hoje mais de US$ 200 milhões, considerando ainda a velocidade de crescimento, pois muitos países literalmente, são verdadeiros canteiros de obra, e com grandes necessidades de estradas, pontes, aeroportos, e sem contar a necessidade de infra estrutura para mineração e extração de recursos energéticos.

Mas o Brasil pode explorar muito mais, pois o continente africano tem uma relação de amor e carinho muito profunda com o país, e outros produtos podem ganhar um corpo mais intenso na balança comercial, como por exemplo alimentação, em especial carne, alem de investimentos estratégicos a partir do BNDES em território africano. Muitas empresas brasileiras estão iniciando processos de internacionalização a partir da África, em especial da África do Sul que já mantém indicadores de segurança jurídica com mais intensidade.

Para o governo brasileiro, o grande desafio é a promoção da marca Brasil no continente, e desenvolver em conjunto com as empresas brasileiras um trabalho de “inteligência estratégica” com mais afinco, para que as mesmas possam ter um controle mais profundo de seus investimentos e riscos inerentes ao processo. As missões diplomáticas brasileiras devem estabelecer uma conexão mais intensa com as empresas, e ajudar a desenvolver uma integração mais segura, considerando que a maior parte dos países africanos passaram por tragédias e guerras recentemente, e suas estruturas sociais e políticas ainda estão abaladas.

Para o Brasil, um dos setores que tem uma ampliação importante, e com grande significado para a África é o setor de educação. Em Angola e Moçambique, muitas universidades e grupos empresariais já desenvolvem projetos cooperados com universidades brasileiras, sem contar a formação de quadros técnicos. Inclusive o SENAI já mantém uma missão e centros profissionais de formação em Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau.

Reconstrução contínua dos países, classe média em formação e crescente, alta demanda de produtos industrializados, necessidade de infra estrutura, e grande conexão cultural, fazem as relações entre Brasil e África um verdadeiro casamento duradouro, mas a integração das forças políticas brasileiras com o empresário e investidor brasileiro deve ter intensidade. A África pode ser uma grande alavanca de crescimento econômico do Brasil no mundo.

Mão de Obra Estrangeira no Brasil – Bom ou Mau?

Fábio Pereira Ribeiro

Até quando nós brasileiros iremos aceitar idéias, propostas e soluções paliativas? E que de alguma forma com o tempo se tornam regra geral. O governo brasileiro está a todo vapor para aprovar e colocar em prática, a facilidade de entrada dos estrangeiros qualificados para suprir a demanda de mão de obra técnica e altamente qualificada. Particularmente não sou contra, mas tenho acompanhado casos em vários continentes, onde esta prática no fim se tornou um grande problema de empregos para o cidadão nativo, e principalmente no desenvolvimento e compartilhamento de novos conhecimentos.

O Brasil não consegue resolver com velocidade, e principalmente com qualidade a formação de quadros estratégicos, e altamente capacitados para atuarem nas diversas demandas atuais, como o pré sal, inovação, indústria aeronáutica, indústria naval e outros pólos do saber.

O governo insiste em programas paliativos, e não ataca o problema de forma direta, seja com programas fortes de formação e qualificação técnica, com formação de docentes qualificados, com investimentos em pesquisas científicas e pólos de desenvolvimento tecnológico. Por exemplo, boa parte dos pesquisadores que estão no programa Ciência sem Fronteiras, quando retornarem ao Brasil não terão ambientes preparados para continuidade de suas pesquisas. Não existe uma integração forte entre as universidades públicas e as empresas privadas, salvo alguns casos específicos, a grande maioria das universidades públicas ficam a margem de um processo criativo, inovador e produtivo de desenvolvimento educacional e social. E o próprio governo, e as políticas públicas de educação geram um zona de conflitos entre universidades públicas e privadas, onde a reserva de mercado interfere diretamente na qualidade das escolas privadas, que em todos os rincões do Brasil existem pelo menos uma instituição de ensino superior com péssima qualidade, e atendendo a um grande número de estudantes, que no fim de sua jornada de formação serão profissionais analfabetos funcionais, na verdade um círculo vicioso que começou no ensino básico, com professoras mal qualificadas e alunos que fogem da escola como o “diabo da cruz”.

Outro ponto interessante, uma das barreiras do Ciência sem Fronteiras é a língua. Boa parte dos candidatos não têm o inglês como segunda língua, e fico imaginando se dos estrangeiros será exigido a língua portuguesa como fator preponderante para sua permanência em território nacional.

Mas o ponto maior é analisar o impacto do não desenvolvimento de forma agressiva de mão de obra qualificada brasileira versus a importação de mão de obra estrangeira. Países como Angola, Índia, Colômbia, Chile, Moçambique e outros, hoje sofrem em não conseguirem reverter o quadro de nacionalização da mão de obra qualificada, pois investiram na solução paliativa e não em um plano agressivo e veloz para atender a demanda crescente. Muito da mão de obra estrangeira vem de países qua sofrem pesadamente com a crise econômica internacional, e o Brasil além de ser um porto seguro econômico, se torna um paraíso tropical, que muitos nem pensam em voltar para os seus países.

Meu alerta é, se o Brasil perder a chance de avançar com a formação de mão de obra qualificada e sistematizada para atender a demanda nacional, o país dentro de 15 anos terá um grande problema de falta de empregos para uma mão de obra mediana, além da fuga de cérebros estratégicos para o desenvolvimento tecnológico nacional. O Brasil precisa de melhores professores, de uma base educacional sólida, de menos impostos na educação, de mais pólos tecnológicos, de investimentos pesados em inovação, de integração empresa/universidade, de integração universidade pública e privada, de projetos de stricto sensu com aplicações práticas, e principalmente de vontade política de resolver problemas com soluções reais e não paliativas. Estrangeiros são bem vindos, mas cuidado, esta política esconde um fantasma que muitos países hoje tentam afugentar a todo custo.

Competitividade brasileira no BRICS em risco, falta de educação!

Fábio Pereira Ribeiro

Como podemos pensar em BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Pré Sal, em crescimento econômico, em democracia de verdade, em extinção da corrupção, se temos uma estrutura educacional pífia em todos os sentidos, e que reflete diretamente no desempenho de nossos jovens estudantes, sejam na base como no ensino médio.

Mais um ano que se passa, e o Brasil continua insistindo no erro, em não investir de forma agressiva em educação, em todos os seus níveis. O ano passado a Prova Brasil confirmou que mais de 50% das crianças brasileiras não sabiam ler matemática,  e hoje o país importando pesadamente engenheiros expatriados bem formados, principalmente de Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e Estados Unidos.

Este ano a avaliação do IDEB que verifica a qualidade das escolas através do desempenho de seus alunos, confirmou mais uma vez o que todos nós brasileiros sabemos, estamos formando literalmente “analfabetos funcionais”, que logo entrarão nas universidades e teremos cada vez mais profissionais sem competências ou habilidades para desenvolverem um crescimento efetivo e tecnológico do Brasil.

Mesmo com o grande acesso à educação que o Brasil vem desenvolvendo nos últimos anos, o processo é errado, pois criamos uma condição destrutiva, e não um processo econômico e criativo. Muitos dos jovens que o IDEB avaliou entrarão nas universidades de qualquer forma, e não produzirão conhecimento que ajude no seu crescimento, e quiça no crescimento do país. Por isso o perverso ciclo, de “faz que aprendo, e as escolas fazem que ensinam”, sem contar uma indústria mortal de venda e compra de diplomas, pois boa parte dos profissionais que inundam as universidades sem qualidade nenhuma, na verdade buscam um pedaço de papel, para dizerem ao mundo que tem algum diploma. E o foco é pior, a falta de interesse na educação faz do próprio estudante um grande vilão deste ciclo perverso.

Vemos modelos mais trágicos que recuperaram de forma intensa seu desenvolvimento econômico, podemos avaliar os casos de China, Índia e Coréia do Sul, que perceberam que a educação, principalmente na base e no ensino médio constituiria a alavanca para o desenvolvimento tecnológico do país e também para a criação de uma nova economia de mercado e criativa.

O resultado pífio do Brasil em Londres é mais um exemplo que a educação é a solução para este país. A falta de compromisso do Estado, e também da própria sociedade que só aparece para torcer, e não mobilizar e cobrar melhores condições de educação e infra estrutura, inclusive para o esporte. E depois falar que o Brasil fez uma boa olimpíada, é na verdade um insulto a inteligência e principalmente em mascarar a verdade, que o Brasil ainda não é uma potência de fato.

E para piorar, as greves, exceto a dos professores, as outras só atrasam o país, pois o interesse particular de uma maioria que ganha acima da média nacional, e não ajudam no desenvolvimento do país. Veja o caso dos policiais federais nos aeroportos, em greve eles trabalham de forma padrão, quando não estão em greve trabalham de forma relaxada e sem responsabilidade, e o mais engraçado, você vai passar com o passaporte no controle de fronteira, você é atendido por uma pessoa terceirizada.

País sem educação. Como queremos ser competitivos? Como faremos na Copa? Como faremos nas Olimpíadas? Vocês acreditam que na Copa o problema será infra estrutura? Na verdade será a falta de preparo dos diversos profissionais que precisarão atender a gigantesca demanda de turistas que estarão no Brasil.

Chega Brasil, violência, desenvolvimento, crescimento, inovação, tecnologia, marca, segurança, bem estar, direitos humanos, democracia, saúde serão resolvidos com EDUCAÇÃO, COM ESCOLAS PREPARADAS, COM PROFESSORES PREPARADOS E BEM REMUNERADOS e principalmente com famílias e estudantes que se dediquem piamente a um futuro melhor!

Greves que atrasam o país

Fábio Pereira Ribeiro

Greve é um direito constitucional, e principalmente um direito da liberdade de questionar e lutar pelas garantias de melhores condições de trabalho, social e vida, além de melhores salários. Mas vem ano e passa ano, percebemos que as greves no Brasil são literalmente um atraso no desenvolvimento do país, alem de um desrespeito para a sociedade. Na maioria dos casos, e vou generalizar, as greves atrapalharam mais do que realmente fizeram pelo seu fim. É o cidadão de bem que sofre as conseqüências finais, quase como uma ataque terrorista que não busca alvos militares, e sim aterrorizar a sociedade por uma causa “dita” justa.

Para muitos investidores internacionais, principalmente empresas, a não instalação de negócios no Brasil têm diversos motivos, e um deles é a questão trabalhista, e principalmente a continua curva crescente de greves nos serviços públicos que tanto atrasam o país, e burocratizam o mesmo.

Greves, na maioria das vezes com cunho político e utópico, sem uma visão real de desenvolvimento ou melhoria. Greves que usam massas de pessoas sem formação, ou capacidade intelectual para perceberem que estão sendo manipuladas. Greves de funcionários que acham que a estabilidade é a garantia do futuro sem fazer o esforço efetivo para a sociedade.

Eu como cidadão, fico pensando que quando aquele funcionário público escolheu o concurso e o trabalho público, não percebeu seus rendimentos e sua jornada de trabalho? Por quê dá greve então?

Eu como cidadão fico imaginando um país do Pré Sal, da sexta economia mundial, da “bola da vez” e mantém mais de 50 dias professores das universidades federais em greve, como o Brasil será um dia uma potência, se não tem conhecimento?

Vejo as greves federais um absurdo, e o mais engraçado, em tempo de greve os mesmos trabalham de forma eficiente e rigorosos. Uma pergunta, por quê só fazem o papel efetivo em greve? Por quê não trabalham com seriedade sempre?

E o mais interessante atacar o cidadão de bem, ou atrapalhar o seu dia a dia é a grande arma, ou barganha para negociar melhores salários, considerando que os mesmos salários já são acima da media nacional.

Se a entrega do atendimento e serviços do funcionalismo público fosse eficiente, as greves hoje em dia seriam mais do que justificadas, mas a falta de comprometimento com o bem comum e público, a falta de cordialidade, a falta de compromisso com a legislação, e principalmente a falta de senso no desenvolvimento do Brasil, nos levam a crer que as greves não têm fundamentos, e são uma afronta ao crescimento deste país.

É triste ver que hoje cada vez mais pessoas buscam o funcionalismo público pela estabilidade, e no grito um aumento progressivo de salários, mas não um trabalho eficiente e contínuo pelo bem da máquina pública que deve servir ao cidadão.

A natureza humana é sempre maldosa, como diria o teórico das relações internacionais, e neste ponto o serviço público e a greve são retratos do individualismo e da riqueza natural.

O cidadão deve defender a greve de professores, para que os mesmos tenham melhores salários, deve defender a cobrança de entrega de serviços com qualidade dos funcionários públicos, deve cobrar do Fisco uma inteligência fiscal nas grandes fraudes empresariais e contrabandos internacionais que tanto inundam este país, deve cobrar dos mesmos funcionários públicos que fazem greve uma qualidade e eficiência de trabalho contínua, e não somente abaixar a cabeça e aceitar passivamente uma nova greve no próximo ano.

Por mais que não concorde com as políticas de nossa presidente Dilma, neste momento ela foi sensata, dar valor para quem não tem estabilidade, pois quem trabalha por eficiência sabe o quanto se deve dar de resultado todos os dias. E com estabilidade e política é fácil fazer greve, é só gritar e atrapalhar a vida do cidadão de bem. A sociedade já está cansada.

Um complemento final, quando o cidadão escolhe se candidatar ao funcionalismo público, o mesmo não tem ciência dos salários e deveres? Será que o mesmo pensa no quanto ele pode contribuir para melhorar o país? Será que ele compara o quanto ele dará de resultado no serviço público versus a competência efetiva no serviço privado? Caro leitor é de pensar e cobrar.

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