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Germano Luders
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Nem Dalí entenderia o Brasil – “é surreal”

Fábio Pereira Ribeiro

Com toda sua inteligente loucura, Salvador Dalí soube muito bem representar o imaginável. Para muitos, sua visão “surreal” é impossível de entender, mas sua lógica explica muitas coisas hoje no Brasil.

Como diria Salvador Dalí, “O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a loucura”. 

Quando você imagina o dia-a-dia do brasileiro, e agora em 2014 em tempos de Copa do Mundo, o “surreal” dos custos, tributos e preços praticados no Brasil deixariam Dalí normal demais.

Por uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”

Fábio Pereira Ribeiro

Nesta semana o periódico britânico, Financial Times, publicou artigo do brasileiro, diplomata e diretor do BRICLab da Columbia University em Nova York, Marcos Troyjo, com o título, “2014: tempo de uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”. Troyjo remete de forma primordial, os anseios que o Brasil tem, mas na verdade os grandes valores que o mundo ainda espera do próprio Brasil.

A abertura do artigo é bem sugestiva. Marcos Troyjo afirma:

“Quando um novo ano começa, incertezas geralmente não faltam. Mas isso não é verdade sobre o Brasil em 2014. Muito pelo contrário. O mundo pode ver claramente o que está no caminho do Brasil: um país operando abaixo do seu potencial.

Pior em 13

Fábio Pereira Ribeiro

Parece que ser realista no Brasil é o mesmo que ser pessimista. 2014 começou bem, ou melhor, bem mal. Pelo menos para a Petrobras e para as manobras irreais com a economia brasileira.

As manobras contábeis que o governo brasileiro insiste em desenvolver na balança comercial deixariam o matemático, Luca Pacioli, com os cabelos em pé, ou pelo menos revirado no túmulo. Nem suas “partidas dobradas” conseguiriam explicar a lógica contábil do governo. Mas tudo bem, estamos Brasil, o país onde implante de cabelo tem mais relevância que segurança e defesa nacional. E por sinal, algum leitor gostou do cabelo do Renan? Você deve criticar, pois você que pagou.

Black “Tax Free” Friday and Red Saturday

Fábio Pereira Ribeiro

Como a capacidade de auto-engano do brasileiro é gigante. Além dos modismos “americanos”, o brasileiro extrapola sua lógica perversa de consumo. Considerando nossa alta carga tributária, sem contar a perversa estrutura fiscal, não existe lógica alguma em um movimento Black Friday no país, na verdade deveríamos ter um Black “Tax Free” Friday.

O brasileiro de uma certa forma, deve ser o cidadão mais rico do mundo, consome de forma desenfreada, adquire produtos importados já consumidos e desgastados na Europa e Estados Unidos, paga os maiores tributos do mundo, e não cobra nada do Estado pelos serviços públicos que são prestados, que literalmente são pífios. Mas, adora uma fila para aproveitar um “desconto”.

Hoje o gasto médio do brasileiro no Black Friday é de R$ 425, com volumes de vendas que já ultrapassam os R$ 180 milhões, mas muitos brasileiros não perceberam que a lógica do movimento teve muito “desconto maquiado”, sem contar as já exorbitantes margens que o mercado repassa ao consumidor considerando o impacto e a perversa cadeia tributária em todo sistema indústria e comércio.

É chique comer o caviar pela esquerda, “ou não”.

Fábio Pereira Ribeiro

Um dia Jean-Jacques Rousseau disse: “O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado”. Na parte que lhe toca “acorrentado”, na maioria das vezes se dá por ignorância, falta de inteligência, destrato ou descaso com a educação, ou literalmente abuso do poder, ou ditadura.

No caso brasileiro, os preceitos colocados parecem ter uma continuidade histórica, mesmo considerando uma ditadura intelectual que existe no momento, onde a simples opinião, ou uma outra visão contrária ao “status quo”, gera melindres sintomáticos em uma sociedade perdida, ou como diria o filósofo tropicalista, “ou não”. Já sob a ótica capitalista, mundana e mundial, o acorrentado se dá sob a visão totalitária e deturpada da ordem natural das coisas, ou como diria Hannah Arendt quando chegou aos Estados Unidos, “é o paraíso”.

Pouco escrevo sobre críticas literárias. Até porquê, não é meu papel, ou até mesmo tenho experiência para tal. Mas me senti na obrigação de escrever algumas linhas sobre a obra, “Esquerda Caviar – A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo”, do autor Rodrigo Constantino. Minha crítica é bem direta, eu queria ter escrito este livro.