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E os Espiões da China, da França, da Alemanha, da Rússia, do Paquistão, etc?

Fábio Pereira Ribeiro

Engraçado, os temas espionagem americana no mundo, Snowden e agora o Canadá, estão rendendo como cenas dos próximos capítulos, e com apresentação da novela no Fantástico. E para completar a novela, quase mexicana, o governo brasileiro mais uma vez se mostra perplexo.

A perplexidade do governo brasileiro é algo muito estranho. Para muitos analistas o planalto utiliza de sua perplexidade, como uma atividade de inteligência, para encobrir falhas no seu sistema de segurança, a falta de encaminhamento do Plano Nacional de Inteligência (PNI), os problemas da atividade nas fronteiras, o descaso com a própria ABIN, o erro de aplicação das atividades da ABIN no ambiente interno em vez das ações externas, sem contar o conjunto de outros problemas oriundos do setor de defesa e competitividade nacional.

Mas se analisarmos de perto os documentos de Snowden, na verdade o ambiente da inteligência americana desencadeia um outro aspecto, além dos americanos e canadenses, sem contar o programa Echelon de inteligência por sinais desenvolvido pelos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, o Brasil é alvo efetivo da inteligência econômica francesa, da inteligência de Estado e econômica pelos chineses (incluindo representantes  comerciais e estudantes), pelos alemães na Amazônia através de ONG’s, dos russos (incluindo veículos de comunicação) e estudantes paquistaneses nas universidades brasileiras. E o caso de Snowden, que trabalha sobre a lógica de sinais da inteligência, na verdade não nos apresenta um dado concreto do fator “Hummit”, que o principal fator de segredo e informação sensível de inteligência, o trabalho de produção de inteligência com fontes humanas, e no caso brasileiro, esse aspecto é o mais sensível e de maior risco, considerando inclusive os altos indicadores de corrupção em diversos órgãos públicos em todos os níveis do Estado brasileiro.

A Diplomacia da Língua Portuguesa – Vantagem Estratégica para o Brasil

Fábio Pereira Ribeiro

Diplomata Claudia Assaf

A língua é um fenômeno vivo, e em constante evolução. A língua é a representação máxima da unidade, e da Nação constituída, e o canal de valor que constituí os principais atributos de cultura de um povo, país e até mesmo civilizações.

A grande unificação da China, em boa parte se deu graças ao projeto contínuo de unificação da língua chinesa, e também da integração da língua oriental com a cultural ocidental. O inglês representa a língua comercial do mundo, o francês a moda e a diplomacia, e o espanhol a representatividade da integração sul americana com a cultura européia.

Com o crescimento econômico do Brasil, seu posicionamento estratégico no cenário internacional, sua maior participação geopolítica na balança de poder mundial, a língua não poderia estar de fora. A Língua Portuguesa tem uma grande importância neste contexto, principalmente quando falamos do Brasil, pela sua integração enquanto Nação, e também pelas suas particularidades regionais. Nesse ponto, muitos países que fazem negócios com o Brasil já pensam na importância da Língua Portuguesa enquanto língua de negócios, tanto quanto o inglês, o mandarim e o espanhol.

A Língua Portuguesa é a sexta mais falada no mundo, com mais de 250 milhões de habitantes que se comunicam em português. Mas o Brasil, considerandos todos os países de Língua Portuguesa, é o de maior unicidade. Eu vou muito para Angola e Moçambique, e percebo que de Norte à Sul, o português tem diferenças drásticas, sem contar que em algumas regiões o próprio idioma não é falado, mesmo sendo oficial. Veja por exemplo o caso de Macau, na China, que tem a Língua Portuguesa como oficial, mas a mesma só é utilizada como indicação das placas. Eu lembro que em 2007 fui ministrar uma palestra lá, e senti grandes dificuldades, pois nem português, nem inglês e nem mandarim eles falavam, e sim o cantonês. Mas como todo brasileiros, nós damos nosso “jeitinho”.

Agora do Oiapoque ao Chuí, independente das gírias e estilos, o brasileiro compreende muito bem a Língua Portuguesa. Isso é uma das maiores riquezas de um povo, e considerando o momento do Brasil, precisamos enaltecer e valorizar este grande atributo, que é a Língua Portuguesa.

Com os próximos eventos internacionais que acontecerão no Brasil, o país sofre a carência da língua inglesa, mas ao mesmo tempo os brasileiros precisam aperfeiçoar a própria Língua Portuguesa.

O blog Brasil no Mundo, conversou com a Diplomata de carreira do Brasil, Claudia Assaf, que está baseada na missão brasileira na ONU em Nova York. A diplomata tem um projeto em andamento de grande valor para todos os brasileiros, e também para os estrangeiros que tanto querem aprender o português, e principalmente fazer negócios com o Brasil.

Ela mantém o projeto Dicas da Diplomata, através de um web site e também de um perfil no Facebook. Assim, ela consegue dar dicas valiosas da língua e da cultura, principalmente a brasileira. O web site http://www.dicas-da-diplomata.com.br é uma valiosa fonte de consulta para quem quer ter um domínio melhor da Língua, e também estabelecer uma conexão mais profunda deste grande valor da riqueza brasileira.

A diplomata conversou com o Brasil no Mundo sobre o seu projeto, e também sobre a riqueza da língua portuguesa no mundo.

Brasil no Mundo: O que motivou você a desenvolver o projeto Dicas da Diplomata?
Claudia Assaf: Na essência, o que me motivou a desenvolver o projeto “Dicas da Diplomata” (DDD) foi a máxima que norteia minhas ações, seja na vida pessoal, seja no trabalho, em especial quando eu atuava como chefe do Setor Consular, atendendo aos brasileiros, em Doha: fazer aos outros o que eu gostaria que os outros fizessem para mim e meus entes queridos. Claro, tudo dentro da lei.
Na substância, você deve estar se perguntando por que eu gostaria de estar recebendo as tais dicas? Bem, agora é tarde, mas, quando eu me preparava para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), entre 2003 e 2006, ano em que obtive a sonhada aprovação, creia-me, eu adoraria estar recebendo 1% das dicas que hoje publico gratuitamente na Fan page. Fiz uma imersão no estudo da norma culta da língua. Freqüentava cursinhos especializados em português, no Rio de Janeiro, como o Celso Aragão, com quem aprendi bastante. Ocorre que, nos ambientes preparatórios especificamente para o CACD, há muitas lendas do que podemos usar na redação. Por exemplo, eu tive uma professora de português que me disse para evitar usar a conjunção coordenativa “contudo” porque por algum motivo que ela desconhecia a Banca penalizaria o candidato. Por segurança, jamais usei o “contudo”. Depois que passei no CACD, em 2006, e iniciei o curso no Instituto Rio Branco (IRBr), foi incrível ter aula com professores que fizeram parte da Banca de Português no passado. Pensei: é chegado o momento para desvendar mitos e verdades. Enquanto nos intervalos os novos diplomatas do Ministério conversavam a respeito da nova carreira que iniciavam e o mundo novo que os aguardava, eu, mesmo já aprovada, aproveitei para dirimir essas inquietudes que ainda estavam em minha mente. O “contudo”, coitadinho, é muito bem-vindo pela Banca. O problema é que os candidatos não sabem fazer a pontuação adequada quando usam conjunções coordenativas – o que será assunto de dica minha ainda por vir. Saiba que, para saber meia dica das que publico, o custo financeiro e temporal era bem alto: até que o ponto aparecesse ao longo das muitas aulas particulares caríssimas que freqüentava, passavam anos, e, ainda assim, muitas das dicas eu descobri a resposta ao errar na prova ou só depois de já aprovada, no dia a dia da profissão. Leia, por favor, a minha dica de 15/5 que entenderá o que digo. Aquela conjunção subordinativa concessiva custou a minha aprovação na primeira fase do concurso em um dos anos que já me considerava pronta para ser aprovada no CACD. A revolta inicial é indescritível – um ano inteiro de e$tudo$ para uma conjunção não permitir que eu avançasse. Diante disso, prometi a mim mesma: se um dia eu passar, depois que me familiarizar minimamente com a carreira, vou lançar um projeto gratuito para contar para todo mundo os truques que aprendi a custo de muito dinheiro e tempo. Se eu, que me preparei no Rio de Janeiro, onde as ofertas de assessoria ao candidato ao CACD ainda são escassas, imagine para o candidato das demais capitais fora do Sudeste e claro, Brasília, para não mencionar as cidades do interior? Ademais, o que me custaria dividir com esse público o que aprendi, já que está tudo ainda na minha cabeça, sem uso além do uso próprio ao minutar meus relatórios (telegramas) no Itamaraty? Gostaria que tivessem feito isso comigo quando eu estava me preparando? É por isso que o DDD existe, gostaria que tivessem feito isso comigo.
Na prática, o que permitiu a concretização do projeto foi a instantaneidade da tecnologia da informação: de onde você estiver, sem sair do conforto de sua casa ou deixar de ir almoçar no restaurante, você é capaz de tocar o projeto e, acima de tudo, alcança os interessados na sua mensagem independentemente de onde eles estiverem no mundo (correio eletrônico, redes sociais, sítios eletrônicos, vídeo aulas etc.). É situação que, até poucos anos atrás, estaria na área do futurismo ou da ficção-científica.

 

Brasil no Mundo: A língua portuguesa pode ser tratada como uma das línguas mais ricas, e também difíceis?
Claudia Assaf:
Nem o árabe, língua em que obtive a fluência depois de estudar em curso intensivo por dois anos na Universidade de Damasco, na Síria, no início da década de 1990, é tão desafiante quanto o português. Não estou aqui falando do fato de uma língua ser a língua-mãe do indivíduo. Não é isso que discutimos aqui nesta pergunta. Claro está que a língua mãe é sempre a mais fácil para qualquer indivíduo, seja ela chinês, grego, japonês. Falo da estrutura em si, isolando o fato de ser língua mãe. Considero as neo-latinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, precisamente por originarem do latim, as de gramática mais desafiante para ser aprendida. Estamos falando de verbo defectivo, irregular, regências, formas rizotônicas em determinadas pessoas em que o verbo defectivo não poderá ser conjugado, entre outras exceções.

Brasil no Mundo: Sabemos que a diplomacia exige um rigor diferenciado em se tratando de língua. Considerando os diversos tipos e formas da língua portuguesa, principalmente quando falamos em África de Língua Portuguesa, quais as dificuldades que você sente?
Claudia Assaf: Fabio, concordo com você a respeito do rigor; entretanto vamos definir rigor. Ao contrário do que muitos imaginam, pensa-se que o rigor diplomático estaria no campo da erudição, do rebuscamento, do texto inatingível ao cidadão comum, quando, na verdade, o rigor que devemos seguir é exatamente o oposto disso. Os textos que produzimos no exercício da carreira deve ser simples, preciso, objetivo, sem prolixidades e rebuscamentos, deve ir diretamente ao assunto. Em outros termos, alguém de fora da carreira minimamente educado (aluno do Ensino Médio, por exemplo) deveria ser capaz de ler um documento do Itamaraty e entender 100% – ao contrário, por exemplo, do que ocorre em uma sentença judicial. Eu mesma, às vezes, ao ler uma sentença ou um acórdão do STF não sou capaz de entender  100% por desconhecer certos termos utilizados pelo juiz. Isso não ocorre com a produção textual do diplomata. Se ocorrer rebuscamentos ou ininteligibilidade de qualquer natureza, o chefe não perdoa – a minuta pousa de volta sobre sua mesa, toda rabiscada. É assim que deve ser a redação do candidato ao CACD: simples, objetiva, precisa, sem rebuscamentos ou citações demasiadas deste ou daquele autor que talvez nem o Examinador tenha ouvido falar. Ao citar autores mil ao longo da redação poderá transmitir para a Banca uma das duas opções (ou as duas!): ou demonstração muitas vezes de pedantismo do candidato ou necessidade de esconder a própria incapacidade de analisar inteligentemente acerca do tema proposto. A Banca estará atenta para isso e penalizará o espertinho! O que a Banca quer ver é o contrário exato: consistência argumentativa e progressão temática inteligente. A citação de algum autor ou testemunho autorizado é técnica argumentativa válida e excelente, a propósito, mas deve ocorrer no momento e na medida certos. Há candidatos que citam autores do início ao fim. Não é por aí. Analiso bem isso durante minhas consultorias de redação.
Quanto às dificuldades – a que prefiro me referir como desafios – elas estão exatamente nessa capacidade de síntese, objetividade e estilo demandada ao diplomata e ao candidato ao CACD. O que é estilo? Por exemplo, veja todas as listas que cito nestas respostas: todas estarão em ordem alfabética, por exemplo. A Banca estará atenta para isso. É algo difícil? Não! Os candidatos apenas precisam de alguém que diga isso a eles!

Brasil no Mundo: Qual a sua opinião referente ao acordo gramatical entre os países de Língua Portuguesa?
Claudia Assaf: Fabio, há aqui dois aspectos que queria abordar para responder a sua pergunta. Primeiramente, irei me repetir, devemos entender que uma língua, seja ela qual for, possui suas variações a depender do seu uso de acordo com a situação discursiva em que o processo comunicativo estiver inserido; não podemos perder de vista, no entanto, que, seja qual for a variação utilizada, o objetivo é um só: comunicar-se com o interlocutor, permitindo que sua mensagem chegue a seu ouvinte/leitor de forma clara e precisa. As variações serão segundo a pronúncia, à gramática e ao vocabulário, a depender de fatores como região geográfica e nível social, por exemplo. Norma culta é apenas uma dessas múltiplas variações possíveis do uso da língua, necessária para certas modalidades de comunicação, como a redação de concurso público, o documento oficial que produzo diariamente como diplomata no Itamaraty, a sentença emitida pelo juiz, o texto do jornalista.
Todas são adequadas, a depender da situação discursiva em que a comunicação estiver inserida. A língua é viva, é diversa, porém una. É essa unidade que permite batizarmos uma língua com seu nome: alemão, árabe, chinês, espanhol, inglês, italiano, português, russo. O que mantém a unidade são as regras da norma culta, de sua gramática, sua estrutura, seu vocabulário. Por exemplo, em termos de estrutura, o português tem a ordem direta “sujeito, verbo, predicado”, enquanto o árabe tem sua estrutura frasal na ordem “verbo, sujeito, predicado”. Independentemente de quem fala o português, a ordem direta “sujeito, verbo predicado” permanecerá. O mesmo ocorre com as desinências das três conjugações verbais “-ar”, “-er” e “-ir”. A criança de três anos falará “eu fazi”, mostrando que internalizou a estrutura da língua para verbos de segunda conjugação, terminados em “-er”: bebi, comi, vendi.  Afirmar que a criança de três anos, ao falar “fazi” falou errado deveria estar tipificado no código penal dois oito países de língua portuguesa! A criança, ao falar “fazi” está materializando o milagre que é adquirir o domínio da estrutura de uma língua. É o milagre da linguagem se realizando a sua frente e você ainda corrige a criança. Não pode! Ela falou “eu fazi” porque já internalizou a desinência do pretérito perfeito do indicativo para os verbos de segunda conjugação sem jamais ter freqüentado a escola ou sequer ter tirado a fralda! É ou não é um milagre?
Celso Cunha, em “Nova gramática do Português contemporâneo” transcreve Serafim da Silva Neto (1917-1960), que afirmou: “É preciso ter na devida conta que unidade não é igualdade; no tecido lingüístico brasileiro, há, decerto, várias áreas. O que é certo, porém, é que o conjunto dos falares brasileiros se coaduna com principio da unidade na diversidade e da diversidade na unidade.
O segundo aspecto que queria ressaltar antes de responder a sua pergunta é o fato de o acordo abordar tão somente um aspecto pequeno diante desse “mar” complexo da diversidade na unidade: o acordo aborda apenas regras para uniformizar a grafia – “Acordo ORTOGRÁFICO”, não é gramatical. A gramática não se discute.
Finalmente, respondendo ao que me pergunta, a proposta de termos uma única regra para grafia do português é racional, não me parece absurda, de forma alguma. Não fosse assim, cada “português” deveria ser batizado de um outro nome, seriam entidades distintas. Se chamamos de português, o conjunto de suas regras ortográficas deve ser uma só – é o aspecto da unidade a que Serafim da Silva neto se referiu. Já a diversidade existente na língua – a língua viva, a falada em cada cidade de nossos estados federativos, em cada região de nosso país, em cada país cuja língua oficial seja o português – isso sim, ninguém tem o direito de engessar. Não podemos forçar o brasileiro, na oralidade, ou no estilo que escreve, usar o mesmo vocabulário ou modo de se expressar do angolano ou do português, da mesma forma que não poderemos forçar o carioca a falar como o mineiro, ou o paulista como o paraibano, ou o belenense como o potiguar ou o gaúcho como o soteropolitano. Não é essa a proposta do novo acordo, que pretende, tão somente (agora “tão somente” creio que sem hífen!) unificar as regras da grafia.
Observe o idioma árabe: o chamado Árabe Moderno Padrão (“SMA”, na sigla em inglês) é língua oficial em 22 países, nem por isso em cada país se escreve um árabe distinto. A ortografia é una. Seria uma idéia absurda. A grafia do árabe, bem como as regras da língua é uma só. Por isso se chama árabe. Por isso o português deveria ter suas regras de grafia unificadas. Seria simples: aderir às novas regras e pronto.
Não me considero a pessoa mais bem credenciada para avaliar, portanto ressalvo que o que digo aqui é de minha opinião: para mim, a controvérsia gerada em torno do Novo Vocabulário Ortográfico refere-se ao fato de que  ele não foi capaz de definir claramente as regras ortográficas unificadas. O hífen, por exemplo: você sabe usá-lo agora? Pois é, eu também não. Antes eu sabia todas as regras, agora fico insegura em escrever palavras que levavam hífen. No Itamaraty, por exemplo, embora sejamos instruídos a usar o novo acordo, você verá documentos oficiais escritos cada um de um jeito. É muito ruim ter de interromper a produção de uma minuta de documento oficial para pesquisar aqui e ali o que diz a norma unificada, simplesmente porque ainda está confuso. Outro exemplo: o “blog” do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) publicou um artigo em 24 de maio último, intitulado “Brasil apóia Guiné Equatorial”, ou seja, “apóia” com acento como a regra antiga, mas “Guiné Equatorial” sem o hífen, como, creio, costumava ser escrita anteriormente. Caso as regras unificadas estivessem abarcando toda ocorrência possível, acredito que não haveria resistência demonstrada pela crítica. É a confusão das regras que gerou as controvérsias.
Por fim, ressalto que nós, você, eu, os defensores e os críticos do acordo passaremos, mas a língua permanecerá por séculos por vir. A vida média de um indivíduo varia de setenta a oitenta anos de idade. Se bem cuidado, pode chegar a noventa anos ou um pouco mais que isso. Acima de cem anos é exceção, motivo de manchete de jornal. Eu viverei menos do que já vivi. A língua portuguesa, lançada com a epopéia de Camões “Os Lusíadas”, em 2072 completará quinhentos anos de idade. Quero dizer que, embora causando desconforto em profissionais e estudantes, que têm na língua portuguesa sua ferramenta de trabalho, nesta fase de transição, o momento exige paciência de nossa parte, pois o objetivo do acordo ortográfico é a homogeneização da escrita e que perdurará por séculos por vir. Cabe aos apoiadores ferrenhos bem como aos críticos de plantão dialogarem e concluírem o que, de fato, é o melhor para o futuro da Língua Portuguesa.

Brasil no Mundo: Nesta semana (28 e 29 de maio), acontecerá em Paris, na Universidade Sorbonne-Paris o encontro mundial sobre o Futuro da Língua Portuguesa. Como você vê o futuro da língua? Que barreiras ainda enfrentamos?
Claudia Assaf:
Eu penso a língua portuguesa à luz de seu uso no ambiente internacional. A uniformização da ortografia parece ser o mais racional para a tradução de documentos internacionais a serem divulgados e citados nos oito países de língua portuguesa. O modo (estilo, sotaque, pronúncia) como Armando Emílio Guebuza, Dilma Rousseff, Jorge Carlos Fonseca, José Eduardo dos Santos, Manuel Pinto da Costa, Pedro Passos Coelho, Xanana Gusmão ou o representante da Guiné-Bissau discursarão na próxima Assembléia Geral será própria de cada um, mas todos os falantes de português se identificarão com a língua. O documento que seria publicado, caso o português fosse uma das línguas oficiais da ONU, atenderia às regras ortográficas de qualquer um dos oito países, caso o acordo estivesse claro e ratificado.
Os painéis programados para  o Congresso de Língua Portuguesa no Mundo, em Sorbonne, em 28 e 29 de maio, incluirão interessantes temas, entre eles o painel “Lugar e função da língua portuguesa nos organismos internacionais”. Foros como este é fundamental para o diálogo entre críticos e defensores do acordo ortográfico , o que permitirá a construção de bases sólidas para qualquer deliberação definitiva, haja vista, como já disse, a língua permanecer no tempo para muito além de nossa existência. É muita responsabilidade da geração atual modificar algo que influenciará gerações por vir, de nossos bisnetos em diante, por isso a necessidade do diálogo. O momento é de cautela e reflexão, e, não, a crítica pela crítica. Outro encontro muito importante no âmbito do diálogo acerca do novo acordo será a II Conferência Internacional sobre o Futuro do Português no Sistema Mundial, agendada para o período de 31/10 a 2/11/2013. Noto que o título da II Conferência difere daquele da primeira conferência, havida em Brasília em 2010, que, em vez de “Português”, usou o termo “Língua Portuguesa”. Não sei explicar o motivo por trás da mudança, mas arrisco-me em opinar (eu, Claudia, não é o Itamaraty!) que tem influência de Portugal, para destacar onde “nasceu” a língua.

Brasil no Mundo: No seu trabalho Dicas da Diplomata, quais as grandes dificuldades e questões que lhe são apresentadas?
Claudia Assaf: Primeiramente é ter a mente constantemente fértil para pensar em alguma dica que poderá fazer a diferença no texto do meu público alvo – candidatos à carreira, em especial os interessados no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática. Como já passei pela abnegada fase de preparação e, ademais, não perdendo de vista que comecei a estudar do “zero”, imaginei que muitos se indentificariam com minha trajetória e se interessariam pelas dicas. O primeiro desafio – processo ainda em andamento –  é convencer o meu público que não estou ali como professora tradicional de português, pois minha proposta não é essa. Caso o aluno queira esclarecer um ponto gramatical, deverá ou consultar bons sítios eletrônicos de português ou seu(ua) professor(a) presencial. Minha proposta é exclusivamente transmitir determinada dica que me chamou a atenção durante o aprendizado da norma culta do Português, seja na fase preparatória ao CACD, seja no exercício da carreira, incluindo aí as aulas a que assisti no Instituto Rio Branco. Dessa forma, alguns internautas ainda me encaminham mensagem questionando algum trecho de minha explicação, como se aqueles meus textos fossem o essencial, quando, na verdade é material secundário. A essência é a dica em si. Como escrevo tudo muito rapidamente, entre 5 e 6h da manhã, sem revisar, passam muitos deslizes, obviamente. O mais bem preparado escritor necessita do revisor. Autor sozinho jamais poderá ver as imperfeições do próprio texto, mesmo porque o pensamento é mais veloz que a escrita, havendo um descompasso entre o que estamos escrevendo e o que estamos pensando. Como estou ali como orientadora, é natural que as pessoas olhem meu texto como modelo. Por isso mesmo, decidi, há uns dias, dar um tom coloquial, como um bate-papo, para, dessa forma, ficar claríssimo que o texto da dica não é para ser modelo para nenhuma redação. Foi a solução que encontrei e que vem dando certo. Fosse eu cuidar da qualidade do texto que eu publico, precisaria revisar cada dica umas dez vezes – e não disponho deste tempo.  Todos perderíamos: eu, porque eu iria viver em função da Fan page, revisando “ad infinitum” os textos a serem publicados e acabaria desistindo; e os internautas, que não teriam acesso às  dicas que me disponho a dividir com eles, o que poderá fazer a diferença no dia da prova.
Outro desafio é o efeito colateral que o projeto DDD vem gerando: a proposta era transmitir dicas de português voltadas para o candidato que passará pelo rígido crivo da Banca de Português do CACD, dicas essas que estão desperdiçadas agra na minha mente. Como eu fui aprovada neste concurso específico, recebo muitas mensagens pessimistas, de pessoas querendo minha opinião se deveriam desistir ou estudar de forma diferente. De novo, infelizmente, por mais que eu quisesse ajudar, não há qualquer espaço na minha agenda para dar este tipo de consultoria, a não ser que eu acordasse às 2h da manhã. Para manter a Fan page no ar, a fórmula que encontrei foi acordar diariamente, incluindo sábados e domingos, às 4h30min da manhã. Seja como for, não há um e-mail que fique sem resposta. Às vezes levo uns vinte dias para responder, mas respondo.

Brasil no Mundo: Quais são as suas funções no Itamaraty? E por quê você escolheu a carreira de diplomata?
Claudia Assaf:
O bom da carreira é que há múltiplas áreas de atuação, como os temas comerciais, consulares, culturais, de defesa, de desenvolvimento, entre outros, quer no âmbito bilateral, quer no multilateral. Até agora já atuei em matérias afetas ao Oriente Médio, quando estava lotada em Brasília, bem como quando servi por quase cinco anos na Embaixada do Brasil no Catar, onde acumulei diversas funções, desde a administração do Posto, passando pela chefia do Setor Consular até a assessoria direta ao Embaixador em todos os temas da agenda bilateral Brasil-Catar. Atualmente, estou servindo no escritório do Brasil na ONU, denominado Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas (Delbrasonu). Há cerca de vinte diplomatas em Delbrasonu, cada um com um portfólio de temas bem definidos, a depender da Comissão da Assembléia Geral de que cuida ou dos demais órgãos permanentes da ONU, como Conselho de Segurança, Ecosoc etc.. Eu cuido de temas afetos à Segunda Comissão, relativa à Economia e Financiamento para o desenvolvimento. O ambiente multilateral é uma escola de negociação, de que estou gostando muito, embora tenha saudades do trabalho que desenvolvi em Doha no campo bilateral. Paralelamente, estudo e pesquiso a respeito do Oriente Médio, para onde pretendo retornar após Nova York, por volta de 2015. Na minha futura tese do Curso de Atos Estudos (CAE), etapa necessária para continuar a progressão na carreira, deverei abordar algum aspecto dessa região.
A escolha da carreira veio sem planejar. Minha formação é em exatas: graduei-me em Matemática pela UFRJ, em 1991. Em seguida, ingressei como Analista de Sistemas na IBM-Brasil, onde atuei de 1991 a 1993. Apesar de ser o emprego dos sonhos naquele momento em que a informática estava na moda, pouco antes do advento da internet, a vontade de falar e escrever fluentemente o idioma árabe – língua de meus avós imigrantes sírios –tomou, inexplicavelmente, proporções inimagináveis em minha mente. Pedi demissão da IBM em 1993, depois de ter sido aceita para uma bolsa de estudos de árabe por dois anos no Instituto de Língua Árabe para Estrangeiros, vinculado à Universidade de Damasco. Larguei tudo e embarquei rumo à Síria em busca deste sonho. Como, na Síria de então, mal se falava o inglês, adquiri a fluência nas habilidades falada e escrita em pouquíssimo tempo. Uma vez concluído o curso de dois anos, em vez de retornar ao Brasil, ingressei como comissária de bordo em uma empresa aérea árabe sediada no Bareine – a Gulf Air. Seria uma oportunidade de conhecer o mundo e consolidar o idioma recém adquirido, para não mencionar o aprimoramento do inglês. Pensei que seria projeto para no máximo um ano para, então, retornar ao Brasil, porém o que seria apenas um ano virou oito anos, de 1994 a 2002. Durante este período voando o mundo, desenvolvi uma praxe: sempre que chegava a uma capital, visitava nossa Embaixada para ler jornal e bater papo com os diplomatas e demais funcionários. Foi quando decidi, em 2002, retornar de vez para o Brasil e tentar o CACD.
Só que não tinha noção da dificuldade da prova. Não sabia nada! Decidi que queria permanecer na arena internacional, porém trabalhando para meu país. Tinha de ser a diplomacia. Informei-me junto a pessoas pertinentes e, uma vez entendido o caminho das pedras, tracei planejamento de longo prazo, incluindo uma nova graduação, desta feita na área de humanas, bem como táticas de curto prazo a serem cumpridas gradativamente. Foquei. Nada era capaz de me distrair. Queria ser diplomata em até seis anos. Estudaria e faria o que fosse preciso, até 2009 – afinal não queria ser escrava dessa fase preparatória. Se desse certo é porque tinha de ser; se não desse, é porque não era meu destino. Deu certo em 2006, três anos antes do prazo que estabeleci.

 

Brasil no Mundo: Você tem outros projetos desta natureza?
Claudia Assaf: Os projetos de assessorar os que estão na luta pela aprovação no CACD são muitos, mas o tempo é escasso. Não dará para realizar todos em uma só vida. Os demais candidatos também se beneficiariam do que tenho a dizer. No curto prazo, pretendo implementar alguns desses projetos, como escrever livros e organizar palestras, considerando o interesse demonstrado pelos internautas da Fan page bem como meus quase quarenta alunos de consultoria. Os livros versarão acerca de técnicas estratégicas que funcionaram para mim rumo à aprovação no CACD; minha experiência no mundo árabe, desde a estudante, passando pela comissária e chegando à diplomata; meu trabalho na Missão do Brasil junto às Nações Unidas; minhas tarefas na Embaixada do Brasil em Doha; e minha impressão da carreira, com base no que vivi até agora no Itamaraty. Pretendo, ainda, quando de férias no Brasil, tentativamente a começar pelas próximas (previsão dezembro/2013), organizar workshops, quem sabe um em cada região do país, para falar da carreira, do estudo estratégico, dos prós e contras, da administração da família com o trabalho, sobretudo para as mães, abrir para perguntas em sessão de “Q&A”. Trata-se de temas que permeavam minha curiosidade quando me preparava para o CACD, mas nunca tive acesso a esse tipo de informação.

Claudia Assaf nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É diplomata de carreira do Estado brasileiro. Atualmente, está servindo na Missão do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York. Antes, atuou por cerca de cinco anos na Embaixada do Brasil em Doha, no Catar (Golfo Pérsico), onde acumulava a chefia do Setor Consular e a vice-chefia da Embaixada. No Brasil, trabalhou na Divisão de Oriente Médio I, na sede do Itamaraty, em Brasília. Antes de ingressar na carreira diplomática, atuou na área de análise de sistemas, aviação e jornalismo. Foi também Servidora Pública Federal concursada da Presidência da República.

Além do português, fala e escreve fluentemente o inglês e o árabe clássico, e possui conhecimento intermediário em espanhol e francês.

É graduada em Matemática, pela UFRJ. Também formou-se em Jornalismo e Relações Internacionais. Cursou até o sétimo período da Faculdade de Letras, habilitação Português-Árabe (UFRJ). Possui pós-graduação em Análise de Sistemas e mestrado em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco – academia renomada do Serviço Exterior brasileiro. Estudou o idioma árabe na Universidade de Damasco, na Síria.

A aprovação no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), em 2006, foi resultado de projeto de médio prazo, que incluiu horas diárias de estudo. Português era sua matéria favorita, tendo aperfeiçoado seu conhecimento na língua mãe por ocasião da faculdade de Letras e das orientações que recebeu de diferentes professores de português durante a fase preparatória para o CACD. O aprendizado acumulado por Claudia ao longo dos últimos vinte anos é utilizado diariamente em sua rotina de trabalho no Itamaraty.

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África e Brasil, um casamento duradouro

Fábio Pereira Ribeiro

Para muitos um continente explorado ao seu extremo, para outros uma verdadeira “terra de contínuas oportunidades”. A África é um continente com uma singularidade própria, sem contar a maior riqueza concentrada em milhares de povos e culturas, e não simplesmente em países.

A semana que passa representa o enlace matrimonial do Brasil com o continente “mais velho” do mundo, ou o berço de nossa existência. Desde o governo do ex-presidente Lula, o continente africano tem recebido com maior intensidade o apoio do Brasil, alem de um presença mais ampliada de investimentos e negócios diretos. E boa parte dos investimentos estão mudando de figura, alem do tradicional peso da construção civil brasileira em grandes obras de infra estrutura.

A Presidente Dilma Rousseff está na Etiópia, representando o Brasil e toda América Latina no evento de comemoração dos 50 anos da União Africana. Diz a lenda que na Etiópia está escondida a Arca da Aliança, levada como presente do Rei Salomão para a Rainha de Sabá. Será a África a Arca da Aliança para o Brasil?

E na mesma semana aconteceu em Brasília, o Seminário “As relações Brasil com a África, a nova Fronteira do Desenvolvimento Global”, promovido pelo Jornal Valor e pela Confederação Nacional da Indústria. Assim, o tema África tem grande destaque e impacto para o Brasil, pois o crescente econômico do continente africano, e principalmente a demanda de produtos industrializados favorecem ao Brasil um novo mercado promissor, e com grande conexão cultural e social ao mesmo tempo.

Independente dos países africanos de língua portuguesa, o Brasil já tem uma grande penetração no continente através da indústria de construção civil, mineração e energia. As relações comerciais, e a balança entre Brasil e África representam hoje em média US$ 26,47 bilhões segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (SECEX). E nessa relação, em 2012 o Brasil exportou mais para o Egito, seguido da África do Sul, Argélia, Angola e Nigéria, e importou mais de US$ 8,01 bilhões da Nigéria conforme dados da SECEX.

Deste peso de investimentos, os projetos de infra estrutura do Brasil no continente representam hoje mais de US$ 200 milhões, considerando ainda a velocidade de crescimento, pois muitos países literalmente, são verdadeiros canteiros de obra, e com grandes necessidades de estradas, pontes, aeroportos, e sem contar a necessidade de infra estrutura para mineração e extração de recursos energéticos.

Mas o Brasil pode explorar muito mais, pois o continente africano tem uma relação de amor e carinho muito profunda com o país, e outros produtos podem ganhar um corpo mais intenso na balança comercial, como por exemplo alimentação, em especial carne, alem de investimentos estratégicos a partir do BNDES em território africano. Muitas empresas brasileiras estão iniciando processos de internacionalização a partir da África, em especial da África do Sul que já mantém indicadores de segurança jurídica com mais intensidade.

Para o governo brasileiro, o grande desafio é a promoção da marca Brasil no continente, e desenvolver em conjunto com as empresas brasileiras um trabalho de “inteligência estratégica” com mais afinco, para que as mesmas possam ter um controle mais profundo de seus investimentos e riscos inerentes ao processo. As missões diplomáticas brasileiras devem estabelecer uma conexão mais intensa com as empresas, e ajudar a desenvolver uma integração mais segura, considerando que a maior parte dos países africanos passaram por tragédias e guerras recentemente, e suas estruturas sociais e políticas ainda estão abaladas.

Para o Brasil, um dos setores que tem uma ampliação importante, e com grande significado para a África é o setor de educação. Em Angola e Moçambique, muitas universidades e grupos empresariais já desenvolvem projetos cooperados com universidades brasileiras, sem contar a formação de quadros técnicos. Inclusive o SENAI já mantém uma missão e centros profissionais de formação em Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau.

Reconstrução contínua dos países, classe média em formação e crescente, alta demanda de produtos industrializados, necessidade de infra estrutura, e grande conexão cultural, fazem as relações entre Brasil e África um verdadeiro casamento duradouro, mas a integração das forças políticas brasileiras com o empresário e investidor brasileiro deve ter intensidade. A África pode ser uma grande alavanca de crescimento econômico do Brasil no mundo.

General Brasileiro comandará missão no Congo

Fábio Pereira Ribeiro

General Santos Cruz - Fonte: Microtape

A República Democrática do Congo, com mais de 70 milhões de habitantes, sofre a tragédia da guerra civil neste momento, e tem a necessidade efetiva de aplicação das Missões de Paz da ONU para estabelecimento da ordem, da segurança pública, e principalmente da presença da paz para re organização do país.

A ONU com a sua Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo (Monusco, na sigla em inglês), contará com o comando do General Brasileiro Carlos Alberto do Santos Cruz (60 anos), para comandar 20 mil militares de 20 países distintos.

O General Santos Cruz, que tem 44 anos de serviços à Força Terrestre do Exército Brasileiro, já é um veterano em Missões de Paz, e com grande presença da participação brasileira, o mesmo comandou a força na Missão de Paz no Haiti. Para muitos, tanto no Brasil como na própria ONU, a escolha do General Santos Cruz é uma resposta e reconhecimento ao belo trabalho desenvolvido no Haiti, principalmente pela sua visão estratégica, e de estabelecimento da ordem e paz. O mesmo tem grande diálogo com as tropas, e ao mesmo tempo grande visão política.

O General Santos Cruz já vem se preparando para a árdua tarefa, pois o país vive literalmente um caos, com grande violência, terror, e falta de estruturas básicas para o mínimo de condição humana.

A presença de um General brasileiro na África é sempre visto com bons olhos, pois os brasileiros são muito bem quistos no continente, principalmente com as boas participações do Brasil em Angola e Moçambique.

A presença do General Santos Cruz no comando da tropa da ONU no Congo, é um ponto mais do que estratégico do Brasil enquanto presença no Conselho de Segurança da ONU, e demonstra que o país tem quadros de qualidade superior para ações complexas como esta.

Dilma! Por favor acredita na África

Fábio Pereira Ribeiro

As relações internacionais do Brasil com a África sempre foram “glamourosas”, mas pouco práticas, ou melhor de prática somente com poucos grupos. Para o Brasil existe duas Áfricas, a de língua portuguesa e o “resto”, mas as duas sofrem por não continuidade de políticas de integração e força diplomática que o Brasil deveria desenvolver, considerando uma nova política de relações internacionais sobre uma visão Sul-Sul, principalmente com a crise internacional e européia.

O Brasil historicamente tem uma posição de apoio contínuo. O país foi pedra fundamental no desenvolvimento da independência e liberdade de muitos países (mesmo em tempos de ditadura – veja o caso de Angola), e também tem uma relação histórico social com o continente, considerando suas raízes africanas a partir da escravidão. A própria língua portuguesa falada no Brasil tem muitas características das línguas africanas graças as nossas raízes escravas dos séculos XVIII e XIX (Angola, Congo e Nigéria).

Durante anos venho desenvolvendo negócios com a África, e percebo que muitos investidores, executivos e empreendedores brasileiros, literalmente estão sozinhos no continente. A diplomacia brasileira é pífia para ajudar, e em seus tronos, os embaixadores preferem os jantares diplomáticos, do que ajudar em desenvolver negócios para as empresas brasileiras, e posicionar a marca Brasil na África.

A África de língua portuguesa está recorrendo ao Brasil em tudo, principalmente pelo alinhamento estratégico e cultural que temos, e além disso não temos a postura “colonizadora” que os portugueses insistem em manter no continente, inclusive de forma bem desrespeitosa.

A crise internacional nos faz refletir, qual o projeto do Brasil para a África? Como podemos integrar efetivamente investimentos e oportunidades, com raízes culturais? Até quando o Brasil se manterá uma economia atrelada a super potência? Por quê não desenvolver efetivamente uma liderança cultural e estratégica de negócios com países que realmente nos querem?

Presidente Dilma, por favor acredita na África!

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