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E os Espiões da China, da França, da Alemanha, da Rússia, do Paquistão, etc?

Fábio Pereira Ribeiro

Engraçado, os temas espionagem americana no mundo, Snowden e agora o Canadá, estão rendendo como cenas dos próximos capítulos, e com apresentação da novela no Fantástico. E para completar a novela, quase mexicana, o governo brasileiro mais uma vez se mostra perplexo.

A perplexidade do governo brasileiro é algo muito estranho. Para muitos analistas o planalto utiliza de sua perplexidade, como uma atividade de inteligência, para encobrir falhas no seu sistema de segurança, a falta de encaminhamento do Plano Nacional de Inteligência (PNI), os problemas da atividade nas fronteiras, o descaso com a própria ABIN, o erro de aplicação das atividades da ABIN no ambiente interno em vez das ações externas, sem contar o conjunto de outros problemas oriundos do setor de defesa e competitividade nacional.

Mas se analisarmos de perto os documentos de Snowden, na verdade o ambiente da inteligência americana desencadeia um outro aspecto, além dos americanos e canadenses, sem contar o programa Echelon de inteligência por sinais desenvolvido pelos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, o Brasil é alvo efetivo da inteligência econômica francesa, da inteligência de Estado e econômica pelos chineses (incluindo representantes  comerciais e estudantes), pelos alemães na Amazônia através de ONG’s, dos russos (incluindo veículos de comunicação) e estudantes paquistaneses nas universidades brasileiras. E o caso de Snowden, que trabalha sobre a lógica de sinais da inteligência, na verdade não nos apresenta um dado concreto do fator “Hummit”, que o principal fator de segredo e informação sensível de inteligência, o trabalho de produção de inteligência com fontes humanas, e no caso brasileiro, esse aspecto é o mais sensível e de maior risco, considerando inclusive os altos indicadores de corrupção em diversos órgãos públicos em todos os níveis do Estado brasileiro.

A Diplomacia da Língua Portuguesa – Vantagem Estratégica para o Brasil

Fábio Pereira Ribeiro

Diplomata Claudia Assaf

A língua é um fenômeno vivo, e em constante evolução. A língua é a representação máxima da unidade, e da Nação constituída, e o canal de valor que constituí os principais atributos de cultura de um povo, país e até mesmo civilizações.

A grande unificação da China, em boa parte se deu graças ao projeto contínuo de unificação da língua chinesa, e também da integração da língua oriental com a cultural ocidental. O inglês representa a língua comercial do mundo, o francês a moda e a diplomacia, e o espanhol a representatividade da integração sul americana com a cultura européia.

Com o crescimento econômico do Brasil, seu posicionamento estratégico no cenário internacional, sua maior participação geopolítica na balança de poder mundial, a língua não poderia estar de fora. A Língua Portuguesa tem uma grande importância neste contexto, principalmente quando falamos do Brasil, pela sua integração enquanto Nação, e também pelas suas particularidades regionais. Nesse ponto, muitos países que fazem negócios com o Brasil já pensam na importância da Língua Portuguesa enquanto língua de negócios, tanto quanto o inglês, o mandarim e o espanhol.

A Língua Portuguesa é a sexta mais falada no mundo, com mais de 250 milhões de habitantes que se comunicam em português. Mas o Brasil, considerandos todos os países de Língua Portuguesa, é o de maior unicidade. Eu vou muito para Angola e Moçambique, e percebo que de Norte à Sul, o português tem diferenças drásticas, sem contar que em algumas regiões o próprio idioma não é falado, mesmo sendo oficial. Veja por exemplo o caso de Macau, na China, que tem a Língua Portuguesa como oficial, mas a mesma só é utilizada como indicação das placas. Eu lembro que em 2007 fui ministrar uma palestra lá, e senti grandes dificuldades, pois nem português, nem inglês e nem mandarim eles falavam, e sim o cantonês. Mas como todo brasileiros, nós damos nosso “jeitinho”.

Agora do Oiapoque ao Chuí, independente das gírias e estilos, o brasileiro compreende muito bem a Língua Portuguesa. Isso é uma das maiores riquezas de um povo, e considerando o momento do Brasil, precisamos enaltecer e valorizar este grande atributo, que é a Língua Portuguesa.

Com os próximos eventos internacionais que acontecerão no Brasil, o país sofre a carência da língua inglesa, mas ao mesmo tempo os brasileiros precisam aperfeiçoar a própria Língua Portuguesa.

O blog Brasil no Mundo, conversou com a Diplomata de carreira do Brasil, Claudia Assaf, que está baseada na missão brasileira na ONU em Nova York. A diplomata tem um projeto em andamento de grande valor para todos os brasileiros, e também para os estrangeiros que tanto querem aprender o português, e principalmente fazer negócios com o Brasil.

Ela mantém o projeto Dicas da Diplomata, através de um web site e também de um perfil no Facebook. Assim, ela consegue dar dicas valiosas da língua e da cultura, principalmente a brasileira. O web site http://www.dicas-da-diplomata.com.br é uma valiosa fonte de consulta para quem quer ter um domínio melhor da Língua, e também estabelecer uma conexão mais profunda deste grande valor da riqueza brasileira.

A diplomata conversou com o Brasil no Mundo sobre o seu projeto, e também sobre a riqueza da língua portuguesa no mundo.

Brasil no Mundo: O que motivou você a desenvolver o projeto Dicas da Diplomata?
Claudia Assaf: Na essência, o que me motivou a desenvolver o projeto “Dicas da Diplomata” (DDD) foi a máxima que norteia minhas ações, seja na vida pessoal, seja no trabalho, em especial quando eu atuava como chefe do Setor Consular, atendendo aos brasileiros, em Doha: fazer aos outros o que eu gostaria que os outros fizessem para mim e meus entes queridos. Claro, tudo dentro da lei.
Na substância, você deve estar se perguntando por que eu gostaria de estar recebendo as tais dicas? Bem, agora é tarde, mas, quando eu me preparava para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), entre 2003 e 2006, ano em que obtive a sonhada aprovação, creia-me, eu adoraria estar recebendo 1% das dicas que hoje publico gratuitamente na Fan page. Fiz uma imersão no estudo da norma culta da língua. Freqüentava cursinhos especializados em português, no Rio de Janeiro, como o Celso Aragão, com quem aprendi bastante. Ocorre que, nos ambientes preparatórios especificamente para o CACD, há muitas lendas do que podemos usar na redação. Por exemplo, eu tive uma professora de português que me disse para evitar usar a conjunção coordenativa “contudo” porque por algum motivo que ela desconhecia a Banca penalizaria o candidato. Por segurança, jamais usei o “contudo”. Depois que passei no CACD, em 2006, e iniciei o curso no Instituto Rio Branco (IRBr), foi incrível ter aula com professores que fizeram parte da Banca de Português no passado. Pensei: é chegado o momento para desvendar mitos e verdades. Enquanto nos intervalos os novos diplomatas do Ministério conversavam a respeito da nova carreira que iniciavam e o mundo novo que os aguardava, eu, mesmo já aprovada, aproveitei para dirimir essas inquietudes que ainda estavam em minha mente. O “contudo”, coitadinho, é muito bem-vindo pela Banca. O problema é que os candidatos não sabem fazer a pontuação adequada quando usam conjunções coordenativas – o que será assunto de dica minha ainda por vir. Saiba que, para saber meia dica das que publico, o custo financeiro e temporal era bem alto: até que o ponto aparecesse ao longo das muitas aulas particulares caríssimas que freqüentava, passavam anos, e, ainda assim, muitas das dicas eu descobri a resposta ao errar na prova ou só depois de já aprovada, no dia a dia da profissão. Leia, por favor, a minha dica de 15/5 que entenderá o que digo. Aquela conjunção subordinativa concessiva custou a minha aprovação na primeira fase do concurso em um dos anos que já me considerava pronta para ser aprovada no CACD. A revolta inicial é indescritível – um ano inteiro de e$tudo$ para uma conjunção não permitir que eu avançasse. Diante disso, prometi a mim mesma: se um dia eu passar, depois que me familiarizar minimamente com a carreira, vou lançar um projeto gratuito para contar para todo mundo os truques que aprendi a custo de muito dinheiro e tempo. Se eu, que me preparei no Rio de Janeiro, onde as ofertas de assessoria ao candidato ao CACD ainda são escassas, imagine para o candidato das demais capitais fora do Sudeste e claro, Brasília, para não mencionar as cidades do interior? Ademais, o que me custaria dividir com esse público o que aprendi, já que está tudo ainda na minha cabeça, sem uso além do uso próprio ao minutar meus relatórios (telegramas) no Itamaraty? Gostaria que tivessem feito isso comigo quando eu estava me preparando? É por isso que o DDD existe, gostaria que tivessem feito isso comigo.
Na prática, o que permitiu a concretização do projeto foi a instantaneidade da tecnologia da informação: de onde você estiver, sem sair do conforto de sua casa ou deixar de ir almoçar no restaurante, você é capaz de tocar o projeto e, acima de tudo, alcança os interessados na sua mensagem independentemente de onde eles estiverem no mundo (correio eletrônico, redes sociais, sítios eletrônicos, vídeo aulas etc.). É situação que, até poucos anos atrás, estaria na área do futurismo ou da ficção-científica.

 

Brasil no Mundo: A língua portuguesa pode ser tratada como uma das línguas mais ricas, e também difíceis?
Claudia Assaf:
Nem o árabe, língua em que obtive a fluência depois de estudar em curso intensivo por dois anos na Universidade de Damasco, na Síria, no início da década de 1990, é tão desafiante quanto o português. Não estou aqui falando do fato de uma língua ser a língua-mãe do indivíduo. Não é isso que discutimos aqui nesta pergunta. Claro está que a língua mãe é sempre a mais fácil para qualquer indivíduo, seja ela chinês, grego, japonês. Falo da estrutura em si, isolando o fato de ser língua mãe. Considero as neo-latinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, precisamente por originarem do latim, as de gramática mais desafiante para ser aprendida. Estamos falando de verbo defectivo, irregular, regências, formas rizotônicas em determinadas pessoas em que o verbo defectivo não poderá ser conjugado, entre outras exceções.

Brasil no Mundo: Sabemos que a diplomacia exige um rigor diferenciado em se tratando de língua. Considerando os diversos tipos e formas da língua portuguesa, principalmente quando falamos em África de Língua Portuguesa, quais as dificuldades que você sente?
Claudia Assaf: Fabio, concordo com você a respeito do rigor; entretanto vamos definir rigor. Ao contrário do que muitos imaginam, pensa-se que o rigor diplomático estaria no campo da erudição, do rebuscamento, do texto inatingível ao cidadão comum, quando, na verdade, o rigor que devemos seguir é exatamente o oposto disso. Os textos que produzimos no exercício da carreira deve ser simples, preciso, objetivo, sem prolixidades e rebuscamentos, deve ir diretamente ao assunto. Em outros termos, alguém de fora da carreira minimamente educado (aluno do Ensino Médio, por exemplo) deveria ser capaz de ler um documento do Itamaraty e entender 100% – ao contrário, por exemplo, do que ocorre em uma sentença judicial. Eu mesma, às vezes, ao ler uma sentença ou um acórdão do STF não sou capaz de entender  100% por desconhecer certos termos utilizados pelo juiz. Isso não ocorre com a produção textual do diplomata. Se ocorrer rebuscamentos ou ininteligibilidade de qualquer natureza, o chefe não perdoa – a minuta pousa de volta sobre sua mesa, toda rabiscada. É assim que deve ser a redação do candidato ao CACD: simples, objetiva, precisa, sem rebuscamentos ou citações demasiadas deste ou daquele autor que talvez nem o Examinador tenha ouvido falar. Ao citar autores mil ao longo da redação poderá transmitir para a Banca uma das duas opções (ou as duas!): ou demonstração muitas vezes de pedantismo do candidato ou necessidade de esconder a própria incapacidade de analisar inteligentemente acerca do tema proposto. A Banca estará atenta para isso e penalizará o espertinho! O que a Banca quer ver é o contrário exato: consistência argumentativa e progressão temática inteligente. A citação de algum autor ou testemunho autorizado é técnica argumentativa válida e excelente, a propósito, mas deve ocorrer no momento e na medida certos. Há candidatos que citam autores do início ao fim. Não é por aí. Analiso bem isso durante minhas consultorias de redação.
Quanto às dificuldades – a que prefiro me referir como desafios – elas estão exatamente nessa capacidade de síntese, objetividade e estilo demandada ao diplomata e ao candidato ao CACD. O que é estilo? Por exemplo, veja todas as listas que cito nestas respostas: todas estarão em ordem alfabética, por exemplo. A Banca estará atenta para isso. É algo difícil? Não! Os candidatos apenas precisam de alguém que diga isso a eles!

Brasil no Mundo: Qual a sua opinião referente ao acordo gramatical entre os países de Língua Portuguesa?
Claudia Assaf: Fabio, há aqui dois aspectos que queria abordar para responder a sua pergunta. Primeiramente, irei me repetir, devemos entender que uma língua, seja ela qual for, possui suas variações a depender do seu uso de acordo com a situação discursiva em que o processo comunicativo estiver inserido; não podemos perder de vista, no entanto, que, seja qual for a variação utilizada, o objetivo é um só: comunicar-se com o interlocutor, permitindo que sua mensagem chegue a seu ouvinte/leitor de forma clara e precisa. As variações serão segundo a pronúncia, à gramática e ao vocabulário, a depender de fatores como região geográfica e nível social, por exemplo. Norma culta é apenas uma dessas múltiplas variações possíveis do uso da língua, necessária para certas modalidades de comunicação, como a redação de concurso público, o documento oficial que produzo diariamente como diplomata no Itamaraty, a sentença emitida pelo juiz, o texto do jornalista.
Todas são adequadas, a depender da situação discursiva em que a comunicação estiver inserida. A língua é viva, é diversa, porém una. É essa unidade que permite batizarmos uma língua com seu nome: alemão, árabe, chinês, espanhol, inglês, italiano, português, russo. O que mantém a unidade são as regras da norma culta, de sua gramática, sua estrutura, seu vocabulário. Por exemplo, em termos de estrutura, o português tem a ordem direta “sujeito, verbo, predicado”, enquanto o árabe tem sua estrutura frasal na ordem “verbo, sujeito, predicado”. Independentemente de quem fala o português, a ordem direta “sujeito, verbo predicado” permanecerá. O mesmo ocorre com as desinências das três conjugações verbais “-ar”, “-er” e “-ir”. A criança de três anos falará “eu fazi”, mostrando que internalizou a estrutura da língua para verbos de segunda conjugação, terminados em “-er”: bebi, comi, vendi.  Afirmar que a criança de três anos, ao falar “fazi” falou errado deveria estar tipificado no código penal dois oito países de língua portuguesa! A criança, ao falar “fazi” está materializando o milagre que é adquirir o domínio da estrutura de uma língua. É o milagre da linguagem se realizando a sua frente e você ainda corrige a criança. Não pode! Ela falou “eu fazi” porque já internalizou a desinência do pretérito perfeito do indicativo para os verbos de segunda conjugação sem jamais ter freqüentado a escola ou sequer ter tirado a fralda! É ou não é um milagre?
Celso Cunha, em “Nova gramática do Português contemporâneo” transcreve Serafim da Silva Neto (1917-1960), que afirmou: “É preciso ter na devida conta que unidade não é igualdade; no tecido lingüístico brasileiro, há, decerto, várias áreas. O que é certo, porém, é que o conjunto dos falares brasileiros se coaduna com principio da unidade na diversidade e da diversidade na unidade.
O segundo aspecto que queria ressaltar antes de responder a sua pergunta é o fato de o acordo abordar tão somente um aspecto pequeno diante desse “mar” complexo da diversidade na unidade: o acordo aborda apenas regras para uniformizar a grafia – “Acordo ORTOGRÁFICO”, não é gramatical. A gramática não se discute.
Finalmente, respondendo ao que me pergunta, a proposta de termos uma única regra para grafia do português é racional, não me parece absurda, de forma alguma. Não fosse assim, cada “português” deveria ser batizado de um outro nome, seriam entidades distintas. Se chamamos de português, o conjunto de suas regras ortográficas deve ser uma só – é o aspecto da unidade a que Serafim da Silva neto se referiu. Já a diversidade existente na língua – a língua viva, a falada em cada cidade de nossos estados federativos, em cada região de nosso país, em cada país cuja língua oficial seja o português – isso sim, ninguém tem o direito de engessar. Não podemos forçar o brasileiro, na oralidade, ou no estilo que escreve, usar o mesmo vocabulário ou modo de se expressar do angolano ou do português, da mesma forma que não poderemos forçar o carioca a falar como o mineiro, ou o paulista como o paraibano, ou o belenense como o potiguar ou o gaúcho como o soteropolitano. Não é essa a proposta do novo acordo, que pretende, tão somente (agora “tão somente” creio que sem hífen!) unificar as regras da grafia.
Observe o idioma árabe: o chamado Árabe Moderno Padrão (“SMA”, na sigla em inglês) é língua oficial em 22 países, nem por isso em cada país se escreve um árabe distinto. A ortografia é una. Seria uma idéia absurda. A grafia do árabe, bem como as regras da língua é uma só. Por isso se chama árabe. Por isso o português deveria ter suas regras de grafia unificadas. Seria simples: aderir às novas regras e pronto.
Não me considero a pessoa mais bem credenciada para avaliar, portanto ressalvo que o que digo aqui é de minha opinião: para mim, a controvérsia gerada em torno do Novo Vocabulário Ortográfico refere-se ao fato de que  ele não foi capaz de definir claramente as regras ortográficas unificadas. O hífen, por exemplo: você sabe usá-lo agora? Pois é, eu também não. Antes eu sabia todas as regras, agora fico insegura em escrever palavras que levavam hífen. No Itamaraty, por exemplo, embora sejamos instruídos a usar o novo acordo, você verá documentos oficiais escritos cada um de um jeito. É muito ruim ter de interromper a produção de uma minuta de documento oficial para pesquisar aqui e ali o que diz a norma unificada, simplesmente porque ainda está confuso. Outro exemplo: o “blog” do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) publicou um artigo em 24 de maio último, intitulado “Brasil apóia Guiné Equatorial”, ou seja, “apóia” com acento como a regra antiga, mas “Guiné Equatorial” sem o hífen, como, creio, costumava ser escrita anteriormente. Caso as regras unificadas estivessem abarcando toda ocorrência possível, acredito que não haveria resistência demonstrada pela crítica. É a confusão das regras que gerou as controvérsias.
Por fim, ressalto que nós, você, eu, os defensores e os críticos do acordo passaremos, mas a língua permanecerá por séculos por vir. A vida média de um indivíduo varia de setenta a oitenta anos de idade. Se bem cuidado, pode chegar a noventa anos ou um pouco mais que isso. Acima de cem anos é exceção, motivo de manchete de jornal. Eu viverei menos do que já vivi. A língua portuguesa, lançada com a epopéia de Camões “Os Lusíadas”, em 2072 completará quinhentos anos de idade. Quero dizer que, embora causando desconforto em profissionais e estudantes, que têm na língua portuguesa sua ferramenta de trabalho, nesta fase de transição, o momento exige paciência de nossa parte, pois o objetivo do acordo ortográfico é a homogeneização da escrita e que perdurará por séculos por vir. Cabe aos apoiadores ferrenhos bem como aos críticos de plantão dialogarem e concluírem o que, de fato, é o melhor para o futuro da Língua Portuguesa.

Brasil no Mundo: Nesta semana (28 e 29 de maio), acontecerá em Paris, na Universidade Sorbonne-Paris o encontro mundial sobre o Futuro da Língua Portuguesa. Como você vê o futuro da língua? Que barreiras ainda enfrentamos?
Claudia Assaf:
Eu penso a língua portuguesa à luz de seu uso no ambiente internacional. A uniformização da ortografia parece ser o mais racional para a tradução de documentos internacionais a serem divulgados e citados nos oito países de língua portuguesa. O modo (estilo, sotaque, pronúncia) como Armando Emílio Guebuza, Dilma Rousseff, Jorge Carlos Fonseca, José Eduardo dos Santos, Manuel Pinto da Costa, Pedro Passos Coelho, Xanana Gusmão ou o representante da Guiné-Bissau discursarão na próxima Assembléia Geral será própria de cada um, mas todos os falantes de português se identificarão com a língua. O documento que seria publicado, caso o português fosse uma das línguas oficiais da ONU, atenderia às regras ortográficas de qualquer um dos oito países, caso o acordo estivesse claro e ratificado.
Os painéis programados para  o Congresso de Língua Portuguesa no Mundo, em Sorbonne, em 28 e 29 de maio, incluirão interessantes temas, entre eles o painel “Lugar e função da língua portuguesa nos organismos internacionais”. Foros como este é fundamental para o diálogo entre críticos e defensores do acordo ortográfico , o que permitirá a construção de bases sólidas para qualquer deliberação definitiva, haja vista, como já disse, a língua permanecer no tempo para muito além de nossa existência. É muita responsabilidade da geração atual modificar algo que influenciará gerações por vir, de nossos bisnetos em diante, por isso a necessidade do diálogo. O momento é de cautela e reflexão, e, não, a crítica pela crítica. Outro encontro muito importante no âmbito do diálogo acerca do novo acordo será a II Conferência Internacional sobre o Futuro do Português no Sistema Mundial, agendada para o período de 31/10 a 2/11/2013. Noto que o título da II Conferência difere daquele da primeira conferência, havida em Brasília em 2010, que, em vez de “Português”, usou o termo “Língua Portuguesa”. Não sei explicar o motivo por trás da mudança, mas arrisco-me em opinar (eu, Claudia, não é o Itamaraty!) que tem influência de Portugal, para destacar onde “nasceu” a língua.

Brasil no Mundo: No seu trabalho Dicas da Diplomata, quais as grandes dificuldades e questões que lhe são apresentadas?
Claudia Assaf: Primeiramente é ter a mente constantemente fértil para pensar em alguma dica que poderá fazer a diferença no texto do meu público alvo – candidatos à carreira, em especial os interessados no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática. Como já passei pela abnegada fase de preparação e, ademais, não perdendo de vista que comecei a estudar do “zero”, imaginei que muitos se indentificariam com minha trajetória e se interessariam pelas dicas. O primeiro desafio – processo ainda em andamento –  é convencer o meu público que não estou ali como professora tradicional de português, pois minha proposta não é essa. Caso o aluno queira esclarecer um ponto gramatical, deverá ou consultar bons sítios eletrônicos de português ou seu(ua) professor(a) presencial. Minha proposta é exclusivamente transmitir determinada dica que me chamou a atenção durante o aprendizado da norma culta do Português, seja na fase preparatória ao CACD, seja no exercício da carreira, incluindo aí as aulas a que assisti no Instituto Rio Branco. Dessa forma, alguns internautas ainda me encaminham mensagem questionando algum trecho de minha explicação, como se aqueles meus textos fossem o essencial, quando, na verdade é material secundário. A essência é a dica em si. Como escrevo tudo muito rapidamente, entre 5 e 6h da manhã, sem revisar, passam muitos deslizes, obviamente. O mais bem preparado escritor necessita do revisor. Autor sozinho jamais poderá ver as imperfeições do próprio texto, mesmo porque o pensamento é mais veloz que a escrita, havendo um descompasso entre o que estamos escrevendo e o que estamos pensando. Como estou ali como orientadora, é natural que as pessoas olhem meu texto como modelo. Por isso mesmo, decidi, há uns dias, dar um tom coloquial, como um bate-papo, para, dessa forma, ficar claríssimo que o texto da dica não é para ser modelo para nenhuma redação. Foi a solução que encontrei e que vem dando certo. Fosse eu cuidar da qualidade do texto que eu publico, precisaria revisar cada dica umas dez vezes – e não disponho deste tempo.  Todos perderíamos: eu, porque eu iria viver em função da Fan page, revisando “ad infinitum” os textos a serem publicados e acabaria desistindo; e os internautas, que não teriam acesso às  dicas que me disponho a dividir com eles, o que poderá fazer a diferença no dia da prova.
Outro desafio é o efeito colateral que o projeto DDD vem gerando: a proposta era transmitir dicas de português voltadas para o candidato que passará pelo rígido crivo da Banca de Português do CACD, dicas essas que estão desperdiçadas agra na minha mente. Como eu fui aprovada neste concurso específico, recebo muitas mensagens pessimistas, de pessoas querendo minha opinião se deveriam desistir ou estudar de forma diferente. De novo, infelizmente, por mais que eu quisesse ajudar, não há qualquer espaço na minha agenda para dar este tipo de consultoria, a não ser que eu acordasse às 2h da manhã. Para manter a Fan page no ar, a fórmula que encontrei foi acordar diariamente, incluindo sábados e domingos, às 4h30min da manhã. Seja como for, não há um e-mail que fique sem resposta. Às vezes levo uns vinte dias para responder, mas respondo.

Brasil no Mundo: Quais são as suas funções no Itamaraty? E por quê você escolheu a carreira de diplomata?
Claudia Assaf:
O bom da carreira é que há múltiplas áreas de atuação, como os temas comerciais, consulares, culturais, de defesa, de desenvolvimento, entre outros, quer no âmbito bilateral, quer no multilateral. Até agora já atuei em matérias afetas ao Oriente Médio, quando estava lotada em Brasília, bem como quando servi por quase cinco anos na Embaixada do Brasil no Catar, onde acumulei diversas funções, desde a administração do Posto, passando pela chefia do Setor Consular até a assessoria direta ao Embaixador em todos os temas da agenda bilateral Brasil-Catar. Atualmente, estou servindo no escritório do Brasil na ONU, denominado Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas (Delbrasonu). Há cerca de vinte diplomatas em Delbrasonu, cada um com um portfólio de temas bem definidos, a depender da Comissão da Assembléia Geral de que cuida ou dos demais órgãos permanentes da ONU, como Conselho de Segurança, Ecosoc etc.. Eu cuido de temas afetos à Segunda Comissão, relativa à Economia e Financiamento para o desenvolvimento. O ambiente multilateral é uma escola de negociação, de que estou gostando muito, embora tenha saudades do trabalho que desenvolvi em Doha no campo bilateral. Paralelamente, estudo e pesquiso a respeito do Oriente Médio, para onde pretendo retornar após Nova York, por volta de 2015. Na minha futura tese do Curso de Atos Estudos (CAE), etapa necessária para continuar a progressão na carreira, deverei abordar algum aspecto dessa região.
A escolha da carreira veio sem planejar. Minha formação é em exatas: graduei-me em Matemática pela UFRJ, em 1991. Em seguida, ingressei como Analista de Sistemas na IBM-Brasil, onde atuei de 1991 a 1993. Apesar de ser o emprego dos sonhos naquele momento em que a informática estava na moda, pouco antes do advento da internet, a vontade de falar e escrever fluentemente o idioma árabe – língua de meus avós imigrantes sírios –tomou, inexplicavelmente, proporções inimagináveis em minha mente. Pedi demissão da IBM em 1993, depois de ter sido aceita para uma bolsa de estudos de árabe por dois anos no Instituto de Língua Árabe para Estrangeiros, vinculado à Universidade de Damasco. Larguei tudo e embarquei rumo à Síria em busca deste sonho. Como, na Síria de então, mal se falava o inglês, adquiri a fluência nas habilidades falada e escrita em pouquíssimo tempo. Uma vez concluído o curso de dois anos, em vez de retornar ao Brasil, ingressei como comissária de bordo em uma empresa aérea árabe sediada no Bareine – a Gulf Air. Seria uma oportunidade de conhecer o mundo e consolidar o idioma recém adquirido, para não mencionar o aprimoramento do inglês. Pensei que seria projeto para no máximo um ano para, então, retornar ao Brasil, porém o que seria apenas um ano virou oito anos, de 1994 a 2002. Durante este período voando o mundo, desenvolvi uma praxe: sempre que chegava a uma capital, visitava nossa Embaixada para ler jornal e bater papo com os diplomatas e demais funcionários. Foi quando decidi, em 2002, retornar de vez para o Brasil e tentar o CACD.
Só que não tinha noção da dificuldade da prova. Não sabia nada! Decidi que queria permanecer na arena internacional, porém trabalhando para meu país. Tinha de ser a diplomacia. Informei-me junto a pessoas pertinentes e, uma vez entendido o caminho das pedras, tracei planejamento de longo prazo, incluindo uma nova graduação, desta feita na área de humanas, bem como táticas de curto prazo a serem cumpridas gradativamente. Foquei. Nada era capaz de me distrair. Queria ser diplomata em até seis anos. Estudaria e faria o que fosse preciso, até 2009 – afinal não queria ser escrava dessa fase preparatória. Se desse certo é porque tinha de ser; se não desse, é porque não era meu destino. Deu certo em 2006, três anos antes do prazo que estabeleci.

 

Brasil no Mundo: Você tem outros projetos desta natureza?
Claudia Assaf: Os projetos de assessorar os que estão na luta pela aprovação no CACD são muitos, mas o tempo é escasso. Não dará para realizar todos em uma só vida. Os demais candidatos também se beneficiariam do que tenho a dizer. No curto prazo, pretendo implementar alguns desses projetos, como escrever livros e organizar palestras, considerando o interesse demonstrado pelos internautas da Fan page bem como meus quase quarenta alunos de consultoria. Os livros versarão acerca de técnicas estratégicas que funcionaram para mim rumo à aprovação no CACD; minha experiência no mundo árabe, desde a estudante, passando pela comissária e chegando à diplomata; meu trabalho na Missão do Brasil junto às Nações Unidas; minhas tarefas na Embaixada do Brasil em Doha; e minha impressão da carreira, com base no que vivi até agora no Itamaraty. Pretendo, ainda, quando de férias no Brasil, tentativamente a começar pelas próximas (previsão dezembro/2013), organizar workshops, quem sabe um em cada região do país, para falar da carreira, do estudo estratégico, dos prós e contras, da administração da família com o trabalho, sobretudo para as mães, abrir para perguntas em sessão de “Q&A”. Trata-se de temas que permeavam minha curiosidade quando me preparava para o CACD, mas nunca tive acesso a esse tipo de informação.

Claudia Assaf nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É diplomata de carreira do Estado brasileiro. Atualmente, está servindo na Missão do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York. Antes, atuou por cerca de cinco anos na Embaixada do Brasil em Doha, no Catar (Golfo Pérsico), onde acumulava a chefia do Setor Consular e a vice-chefia da Embaixada. No Brasil, trabalhou na Divisão de Oriente Médio I, na sede do Itamaraty, em Brasília. Antes de ingressar na carreira diplomática, atuou na área de análise de sistemas, aviação e jornalismo. Foi também Servidora Pública Federal concursada da Presidência da República.

Além do português, fala e escreve fluentemente o inglês e o árabe clássico, e possui conhecimento intermediário em espanhol e francês.

É graduada em Matemática, pela UFRJ. Também formou-se em Jornalismo e Relações Internacionais. Cursou até o sétimo período da Faculdade de Letras, habilitação Português-Árabe (UFRJ). Possui pós-graduação em Análise de Sistemas e mestrado em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco – academia renomada do Serviço Exterior brasileiro. Estudou o idioma árabe na Universidade de Damasco, na Síria.

A aprovação no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), em 2006, foi resultado de projeto de médio prazo, que incluiu horas diárias de estudo. Português era sua matéria favorita, tendo aperfeiçoado seu conhecimento na língua mãe por ocasião da faculdade de Letras e das orientações que recebeu de diferentes professores de português durante a fase preparatória para o CACD. O aprendizado acumulado por Claudia ao longo dos últimos vinte anos é utilizado diariamente em sua rotina de trabalho no Itamaraty.

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África e Brasil, um casamento duradouro

Fábio Pereira Ribeiro

Para muitos um continente explorado ao seu extremo, para outros uma verdadeira “terra de contínuas oportunidades”. A África é um continente com uma singularidade própria, sem contar a maior riqueza concentrada em milhares de povos e culturas, e não simplesmente em países.

A semana que passa representa o enlace matrimonial do Brasil com o continente “mais velho” do mundo, ou o berço de nossa existência. Desde o governo do ex-presidente Lula, o continente africano tem recebido com maior intensidade o apoio do Brasil, alem de um presença mais ampliada de investimentos e negócios diretos. E boa parte dos investimentos estão mudando de figura, alem do tradicional peso da construção civil brasileira em grandes obras de infra estrutura.

A Presidente Dilma Rousseff está na Etiópia, representando o Brasil e toda América Latina no evento de comemoração dos 50 anos da União Africana. Diz a lenda que na Etiópia está escondida a Arca da Aliança, levada como presente do Rei Salomão para a Rainha de Sabá. Será a África a Arca da Aliança para o Brasil?

E na mesma semana aconteceu em Brasília, o Seminário “As relações Brasil com a África, a nova Fronteira do Desenvolvimento Global”, promovido pelo Jornal Valor e pela Confederação Nacional da Indústria. Assim, o tema África tem grande destaque e impacto para o Brasil, pois o crescente econômico do continente africano, e principalmente a demanda de produtos industrializados favorecem ao Brasil um novo mercado promissor, e com grande conexão cultural e social ao mesmo tempo.

Independente dos países africanos de língua portuguesa, o Brasil já tem uma grande penetração no continente através da indústria de construção civil, mineração e energia. As relações comerciais, e a balança entre Brasil e África representam hoje em média US$ 26,47 bilhões segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (SECEX). E nessa relação, em 2012 o Brasil exportou mais para o Egito, seguido da África do Sul, Argélia, Angola e Nigéria, e importou mais de US$ 8,01 bilhões da Nigéria conforme dados da SECEX.

Deste peso de investimentos, os projetos de infra estrutura do Brasil no continente representam hoje mais de US$ 200 milhões, considerando ainda a velocidade de crescimento, pois muitos países literalmente, são verdadeiros canteiros de obra, e com grandes necessidades de estradas, pontes, aeroportos, e sem contar a necessidade de infra estrutura para mineração e extração de recursos energéticos.

Mas o Brasil pode explorar muito mais, pois o continente africano tem uma relação de amor e carinho muito profunda com o país, e outros produtos podem ganhar um corpo mais intenso na balança comercial, como por exemplo alimentação, em especial carne, alem de investimentos estratégicos a partir do BNDES em território africano. Muitas empresas brasileiras estão iniciando processos de internacionalização a partir da África, em especial da África do Sul que já mantém indicadores de segurança jurídica com mais intensidade.

Para o governo brasileiro, o grande desafio é a promoção da marca Brasil no continente, e desenvolver em conjunto com as empresas brasileiras um trabalho de “inteligência estratégica” com mais afinco, para que as mesmas possam ter um controle mais profundo de seus investimentos e riscos inerentes ao processo. As missões diplomáticas brasileiras devem estabelecer uma conexão mais intensa com as empresas, e ajudar a desenvolver uma integração mais segura, considerando que a maior parte dos países africanos passaram por tragédias e guerras recentemente, e suas estruturas sociais e políticas ainda estão abaladas.

Para o Brasil, um dos setores que tem uma ampliação importante, e com grande significado para a África é o setor de educação. Em Angola e Moçambique, muitas universidades e grupos empresariais já desenvolvem projetos cooperados com universidades brasileiras, sem contar a formação de quadros técnicos. Inclusive o SENAI já mantém uma missão e centros profissionais de formação em Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau.

Reconstrução contínua dos países, classe média em formação e crescente, alta demanda de produtos industrializados, necessidade de infra estrutura, e grande conexão cultural, fazem as relações entre Brasil e África um verdadeiro casamento duradouro, mas a integração das forças políticas brasileiras com o empresário e investidor brasileiro deve ter intensidade. A África pode ser uma grande alavanca de crescimento econômico do Brasil no mundo.

General Brasileiro comandará missão no Congo

Fábio Pereira Ribeiro

General Santos Cruz - Fonte: Microtape

A República Democrática do Congo, com mais de 70 milhões de habitantes, sofre a tragédia da guerra civil neste momento, e tem a necessidade efetiva de aplicação das Missões de Paz da ONU para estabelecimento da ordem, da segurança pública, e principalmente da presença da paz para re organização do país.

A ONU com a sua Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo (Monusco, na sigla em inglês), contará com o comando do General Brasileiro Carlos Alberto do Santos Cruz (60 anos), para comandar 20 mil militares de 20 países distintos.

O General Santos Cruz, que tem 44 anos de serviços à Força Terrestre do Exército Brasileiro, já é um veterano em Missões de Paz, e com grande presença da participação brasileira, o mesmo comandou a força na Missão de Paz no Haiti. Para muitos, tanto no Brasil como na própria ONU, a escolha do General Santos Cruz é uma resposta e reconhecimento ao belo trabalho desenvolvido no Haiti, principalmente pela sua visão estratégica, e de estabelecimento da ordem e paz. O mesmo tem grande diálogo com as tropas, e ao mesmo tempo grande visão política.

O General Santos Cruz já vem se preparando para a árdua tarefa, pois o país vive literalmente um caos, com grande violência, terror, e falta de estruturas básicas para o mínimo de condição humana.

A presença de um General brasileiro na África é sempre visto com bons olhos, pois os brasileiros são muito bem quistos no continente, principalmente com as boas participações do Brasil em Angola e Moçambique.

A presença do General Santos Cruz no comando da tropa da ONU no Congo, é um ponto mais do que estratégico do Brasil enquanto presença no Conselho de Segurança da ONU, e demonstra que o país tem quadros de qualidade superior para ações complexas como esta.

Dilma! Por favor acredita na África

Fábio Pereira Ribeiro

As relações internacionais do Brasil com a África sempre foram “glamourosas”, mas pouco práticas, ou melhor de prática somente com poucos grupos. Para o Brasil existe duas Áfricas, a de língua portuguesa e o “resto”, mas as duas sofrem por não continuidade de políticas de integração e força diplomática que o Brasil deveria desenvolver, considerando uma nova política de relações internacionais sobre uma visão Sul-Sul, principalmente com a crise internacional e européia.

O Brasil historicamente tem uma posição de apoio contínuo. O país foi pedra fundamental no desenvolvimento da independência e liberdade de muitos países (mesmo em tempos de ditadura – veja o caso de Angola), e também tem uma relação histórico social com o continente, considerando suas raízes africanas a partir da escravidão. A própria língua portuguesa falada no Brasil tem muitas características das línguas africanas graças as nossas raízes escravas dos séculos XVIII e XIX (Angola, Congo e Nigéria).

Durante anos venho desenvolvendo negócios com a África, e percebo que muitos investidores, executivos e empreendedores brasileiros, literalmente estão sozinhos no continente. A diplomacia brasileira é pífia para ajudar, e em seus tronos, os embaixadores preferem os jantares diplomáticos, do que ajudar em desenvolver negócios para as empresas brasileiras, e posicionar a marca Brasil na África.

A África de língua portuguesa está recorrendo ao Brasil em tudo, principalmente pelo alinhamento estratégico e cultural que temos, e além disso não temos a postura “colonizadora” que os portugueses insistem em manter no continente, inclusive de forma bem desrespeitosa.

A crise internacional nos faz refletir, qual o projeto do Brasil para a África? Como podemos integrar efetivamente investimentos e oportunidades, com raízes culturais? Até quando o Brasil se manterá uma economia atrelada a super potência? Por quê não desenvolver efetivamente uma liderança cultural e estratégica de negócios com países que realmente nos querem?

Presidente Dilma, por favor acredita na África!

Entre Bolívia, BRICS, erros e acertos…..

Fábio Pereira Ribeiro

Depois do advento, ou da realidade energética chamada Pré Sal, o Brasil ganha uma nova dimensão no cenário internacional, principalmente em conseguir nos últimos 5 anos, uma melhora no equilíbrio na balança de poder mundial, e também conquistar as posições flutuantes de quinta ou sexta economia mundial.

Muito disso se dá por um esforço natural e corrente da economia brasileira pós o desenvolvimento do plano Real, e também de um novo sentido no desenvolvimento estratégicos das companhias brasileiras.

Outro ponto forte no desenvolvimento do país, é sua força em manter uma real democracia na América Latina, seguida de Chile, Colômbia e Peru, mas com pontos mais sustentáveis e de pleno desenvolvimento. Claro que hoje vemos exemplos que fogem da democracia de direito, e ainda retornamos aos fantasmas do passado, e do desrespeito com os valores sociais, como por exemplo a eleição de Renan Calheiros para Presidente do Senado, um político suspeito e com uma história de corrupção, que até o capeta o chama para sócio, e o Brasil aceita passivamente a nomeação deste senhor, mas enfim, o país ainda é a bola da vez, e o seu mercado interno, e a nova capacidade estratégica dos empresários e executivos brasileiros levam o país para um patamar de respeito, segurança jurídica e desenvolvimento de negócios internacionais.

É interessante analisar a capacidade de acerto que o Brasil pode ter com o BRICS, mas ao mesmo tempo precisa ampliar sua agenda de discussão, e principalmente, o governo tem que ajudar na aproximação do empresariado brasileiro com agendas estratégicas nos países que compõem o bloco. Veja o caso da Índia, dentro do BRICS, a Índia é o segundo maior destino dos produtos e serviços brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a uma crescente na exportação de commodities como Petróleo, Açúcar, Minério de Ferro, Gordura Anima, Ferro e Aço, Aeronaves, Aparelhos Mecânicos, Sal, Enxofre, Químicos e Borracha, o que leva a uma quintuplicação do comércio entre os países. O Brasil exportou US$ 5,6 bilhões em 2012, o que favorece um equilíbrio da balança e favorece o Brasil em mais de US$ 1 bilhão. Esta relação também tem um favorecimento para todo bloco, pois até o menor parceiro, a África do Sul rendeu ao Brasil mais de US$ 1 bilhão em negócios, o que na comparação com o Mercosul, e o potencial da América Latina, o BRICS demonstra que as relações bilaterais para o Brasil neste contexto podem ter uma alavancagem maior, mas ainda depende muito da diplomacia brasileira suportar e ajudar o meio empresarial brasileiro.

Independente da China, o Brasil amplia também seu diálogo com a Rússia, e neste ponto a indústria do petróleo e gás, e estrategicamente a indústria de defesa, onde equipamentos militares e serviços, principalmente no contexto de tecnologia e desenvolvimento pode ser uma alavanca muito grande na aproximação das duas potências. E defesa para o Brasil hoje é uma agenda muito estratégica, principalmente quando consideramos Amazônia Verde e Azul, Pré Sal, problemas fronteiriços, narcotráfico internacional, contrabando de armas, bio-espionagem, e a turma toda que faz fronteira com o Brasil que traz desconfianças internacionais, veja o caso de Venezuela e Bolívia. Com a África do Sul, o Brasil tem uma amplitude de sua aproximação com a África de uma forma geral, e deve avançar principalmente com a indústria de alta tecnologia, como no caso aviação e farmacos, além de levar educação para África e não ficar no modelo antigo de exploração de commodities, principalmente em Moçambique e Angola.

Agora, não dá para aceitar mandos e desmandos de políticas aproximatórias, e contratuais com países como Venezuela e Bolívia. A Petrobras insiste em investir na Bolívia, e percebe que não existe segurança jurídica nenhuma. Os amigos de Dilma e Lula, não demonstram que são amigos do Brasil, pois na relação bilateral, o interesse particular deles é o que prevalece. Fico pensando até hoje na conta que o senhor falecido Hugo Chavés, não pagou com os investimentos petrolíferos no nordeste brasileiro.

Bom, entre erros e acertos, cocaleros, bolavarianos, semi-defuntos, nós temos Renan………

 

 

Mão de Obra Estrangeira no Brasil – Bom ou Mau?

Fábio Pereira Ribeiro

Até quando nós brasileiros iremos aceitar idéias, propostas e soluções paliativas? E que de alguma forma com o tempo se tornam regra geral. O governo brasileiro está a todo vapor para aprovar e colocar em prática, a facilidade de entrada dos estrangeiros qualificados para suprir a demanda de mão de obra técnica e altamente qualificada. Particularmente não sou contra, mas tenho acompanhado casos em vários continentes, onde esta prática no fim se tornou um grande problema de empregos para o cidadão nativo, e principalmente no desenvolvimento e compartilhamento de novos conhecimentos.

O Brasil não consegue resolver com velocidade, e principalmente com qualidade a formação de quadros estratégicos, e altamente capacitados para atuarem nas diversas demandas atuais, como o pré sal, inovação, indústria aeronáutica, indústria naval e outros pólos do saber.

O governo insiste em programas paliativos, e não ataca o problema de forma direta, seja com programas fortes de formação e qualificação técnica, com formação de docentes qualificados, com investimentos em pesquisas científicas e pólos de desenvolvimento tecnológico. Por exemplo, boa parte dos pesquisadores que estão no programa Ciência sem Fronteiras, quando retornarem ao Brasil não terão ambientes preparados para continuidade de suas pesquisas. Não existe uma integração forte entre as universidades públicas e as empresas privadas, salvo alguns casos específicos, a grande maioria das universidades públicas ficam a margem de um processo criativo, inovador e produtivo de desenvolvimento educacional e social. E o próprio governo, e as políticas públicas de educação geram um zona de conflitos entre universidades públicas e privadas, onde a reserva de mercado interfere diretamente na qualidade das escolas privadas, que em todos os rincões do Brasil existem pelo menos uma instituição de ensino superior com péssima qualidade, e atendendo a um grande número de estudantes, que no fim de sua jornada de formação serão profissionais analfabetos funcionais, na verdade um círculo vicioso que começou no ensino básico, com professoras mal qualificadas e alunos que fogem da escola como o “diabo da cruz”.

Outro ponto interessante, uma das barreiras do Ciência sem Fronteiras é a língua. Boa parte dos candidatos não têm o inglês como segunda língua, e fico imaginando se dos estrangeiros será exigido a língua portuguesa como fator preponderante para sua permanência em território nacional.

Mas o ponto maior é analisar o impacto do não desenvolvimento de forma agressiva de mão de obra qualificada brasileira versus a importação de mão de obra estrangeira. Países como Angola, Índia, Colômbia, Chile, Moçambique e outros, hoje sofrem em não conseguirem reverter o quadro de nacionalização da mão de obra qualificada, pois investiram na solução paliativa e não em um plano agressivo e veloz para atender a demanda crescente. Muito da mão de obra estrangeira vem de países qua sofrem pesadamente com a crise econômica internacional, e o Brasil além de ser um porto seguro econômico, se torna um paraíso tropical, que muitos nem pensam em voltar para os seus países.

Meu alerta é, se o Brasil perder a chance de avançar com a formação de mão de obra qualificada e sistematizada para atender a demanda nacional, o país dentro de 15 anos terá um grande problema de falta de empregos para uma mão de obra mediana, além da fuga de cérebros estratégicos para o desenvolvimento tecnológico nacional. O Brasil precisa de melhores professores, de uma base educacional sólida, de menos impostos na educação, de mais pólos tecnológicos, de investimentos pesados em inovação, de integração empresa/universidade, de integração universidade pública e privada, de projetos de stricto sensu com aplicações práticas, e principalmente de vontade política de resolver problemas com soluções reais e não paliativas. Estrangeiros são bem vindos, mas cuidado, esta política esconde um fantasma que muitos países hoje tentam afugentar a todo custo.

BRIC Lab discute a presença estratégica do Brasil no BRICS

Fábio Pereira Ribeiro

Na semana passada acompanhei durante 4 dias uma série de eventos internacionais em Nova York para discussão do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e principalmente a posição do Brasil no bloco e os próximos avanços do país na política internacional e seus cenários para 2013.

O principal evento com sede na Columbia University, comandado pelo diplomata brasileiro, Marcos Troyjo que é diretor do BRIC Lab da mesma universidade, apresentou uma série de painéis sobre o presente e o futuro do BRICS, e categórica presença do Brasil como força motriz, tanto de forma diplomática, como também de nova economia mundial.

Os eventos contaram com a participação do Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Marco Maia, e os deputados federais ACM Neto, Bruno Araújo, Vanderlei Siraque, Arnaldo Jardim, entre outros diplomatas e técnicos do governo brasileiro para questões internacionais.

O evento contou com diversas participações da diplomacia e academia internacional, com visões claras de uma revisão de políticas macroecômicas, cambiais e também sobre aspectos de defesa internacional.

No evento BRICs: The Quest for Global Growth, a grande preocupação dos diversos diplomatas e dirigentes empresariais dos países que formam o bloco, sempre está atrelado no crescimento e desenvolvimento sustentável, e neste ponto o Brasil se tornou uma força motriz, onde o crescimento do país precisa estar atrelado a um projeto próprio de país, e não simplesmente em programas de governo ou de partidos, mas sim com uma proposta única, com uma identidade única. Para todos os deputados, a questão é categórica, mas a força e a vontade já são outras questões.

Todos os países do bloco, de alguma forma perdem de longe para a democracia brasileira, mas ao mesmo tempo buscam projetos próprios para o seu desenvolvimento, veja o caso do investimento em tecnologia e educação desenvolvidos por Índia e China, mesmo não atendendo as necessidades pontuais, geram projetos próprios para o desenvolvimento econômico e social dos países, mesmo que levem mais de 100 anos, mas sim terão países evoluídos no futuro, assim esperam.

Um dos pontos de destaque do evento, foi a grande preocupação que os países têm em relação aos investimentos no Brasil, pois a informalidade de processos na cultura de negócios brasileira, a alta carga tributária, o burocrático sistema fiscal, a falta de mão de obra altamente qualificada local e a corrupção são os entraves para o desenvolvimento de maiores volumes de investimentos. Claro que não se deve comparar o Brasil a outros países da América Latina e da Ásia, mas o momento oportuno para o país, precisa ser revisto no sentido de desenvolver um novo projeto de país. A revisão tributária do país precisa ser pensada e trabalhada de forma urgente.

Em almoço oferecido pelo Conselho das Américas aos representantes brasileiros (eu incluído), o diplomatas dos Estados Unidos e da Europa enalteceram o trabalho do governo brasileiro, mas cobraram posições sobre a revisão tributária e o investimento em educação, pois um país com a grandeza do Brasil, não pode admitir a falta de profissionais estratégicos, e principalmente em desenvolver um processo de inovação continua. A cultura do Brasil precisa ser revista, onde educação para muitos jovens é algo chato. Na verdade a educação para o século XXI será o grande projeto de Brasil.

Um país com a riqueza que o mesmo tem, não é permitido, ou aceito pela comunidade internacional não ter um projeto próprio. Hoje o BRICS exige isso, e nós brasileiros mais ainda.

China e Venezuela, encontros e desencontros para o Brasil

Fábio Pereira Ribeiro

A geopolítica na América do Sul vive um momento ímpar, crescimento do Brasil, atrasos nas políticas internas da Argentina, Paraguai e Bolívia, brigas educacionais no Chile, e a preocupação de mudanças estratégicas no poder “bolivariano” de Hugo Chávez na Venezuela. Somado a tudo isso o momento de compras intensas por parte da China no continente, e principalmente no Brasil.

As relações diplomáticas e políticas entre China / Venezuela com o Brasil teoricamente são produtivas, mas suas políticas veladas são escusas enquanto resultados efetivos para a nação, principalmente sobre o aspecto da liberdade, e da verdade enquanto força e potência. Na relação com a China, o Brasil vive um momento de “make the Money”, no sentido literal de compras, pois a China tem o Brasil hoje como o maior pólo de investimentos de empresas e governo, alem de comprar grandes e longas áreas produtivas em diversos rincões do país, principalmente no aspecto de produção de alimentos, e potencial exploração de recursos minerais e energéticos no futuro, alem do grande desafio da água no século XXI, mas para muitos analistas que preferem a cegueira, isso tudo é “teoria da conspiração”.

A China demonstra para o mundo que no século XXI não será uma potência imperialista, e desenvolve atividades constantes para o desenvolvimento de países em desenvolvimento, mas com grandes recursos minerais e energéticos, mas ao mesmo tempo acaba se tornando detentora das relações políticas e de poder, veja o caso dos países africanos em que a China é compradora de praticamente 80% dos recursos minerais extraídos. E nos últimos dias, o governo central da China tem afirmado que suas relações com os países africanos e sul americanos não têm semelhanças com o poder colonial do Japão sobre eles, ou até mesmo sobre a forma que os Estados Unidos fazem prevalecer seu poder no mundo.

Mas o momento ainda reserva cenas piores, a manutenção de Hugo Chávez no poder, e com apoio irrestrito do Brasil, como grande credor. Literalmente um ditador que o governo brasileiro não enxerga e apóia, alem dos alienados de esquerda que vivem um mundo já ultrapassado, sob utopias mortas. Mudanças são boas, em política não pode existir perenidade, pois ela é burra no futuro. Um país rico em recursos com a Venezuela sucumbe com os desmandos utópicos, e de interferências do mando internacional, e o povo sofre com pobreza, falta de informação e tragédias pessoais.

Por que nós brasileiros devemos apoiar isso? Somos um exemplo de democracia, e precisamos mostrar que apoiar atitudes como esta é uma verdadeira entrega dos valores democráticos para a construção de “caudilhos” e ditadores de plantão. Mas em uma avaliação mais profunda o interesse pode ser maior, pois por quê devemos apoiar alguém que nos deve? Até agora a Venezuela (leia-se Hugo Chávez) não honrou seus compromissos com a Petrobras e o governo brasileiro.

É a China comprando o Brasil de um lado, e o Brasil alimentando um ditador do outro, até que ponto a política externa brasileira não terá um controle mais efetivo sobre isso? Estamos em um cenário preocupante? Ou é mais uma teoria da conspiração sem ver um novo formato de poder no mundo?

Angola, continuidade estratégica

Fábio Pereira Ribeiro

O dia 31 de agosto de 2012 é um grande marco na continuidade estratégica de Angola. País que durante três décadas sofreu o impacto de guerras, tanto independência como civis, mas desde 2002 vem reafirmando sua posição em manter de forma democrática uma nova linha de crescimento e desenvolvimento.

Um dos países mais ricos da África em condicionantes de política externa, Angola vive literalmente um “boom” de desenvolvimento, tanto pela grande oferta de petróleo (segundo maior produtor da África), como também a construção e criação de diversos negócios que reafirmam a posição de uma nova potência africana que se apresentará para os próximos anos.

Por mais que a capital Luanda, pareça um grande canteiro de obras, o país vive um momento de novas riquezas, e o momento político se faz necessário em uma continuidade efetiva, principalmente para a manutenção da ordem e da seguridade, em que os projetos de desenvolvimento do país sejam efetivados.

O presidente de Angola, José Eduardo do Santos vem desenvolvendo um diálogo efetivo com as grandes potências, e principalmente em uma grande aproximação com o Brasil para efetivar a sinergia entre os dois países. Para o Brasil o momento de Angola é estratégico, e a continuidade de José Eduardo do Santos é literalmente a concretização de tratados já firmados no passado, que agora tomam corpo em forma de investimentos, intercâmbios e comércio internacional, principalmente no processo de commodities brasileiras e tecnologia agropecuária.

O processo eleitoral está em tranquilidade, e isso demonstra o quanto os angolanos de forma geral buscam uma nova perspectiva de crescimento e desenvolvimento. Continuar é um apelo forte para a realização do país nas esferas internacionais, e para o Brasil as relações com Angola terão um grande crescimento nos próximos anos, pois o pré sal angolano e o desenvolvimento de novos projetos em construção civil, saúde e educação darão o novo tom de democracia e desenvolvimento do país para uma nova África.

 

 

 

O dia em que Angola e Moçambique ganham peso na agenda internacional do Brasil

Fábio Pereira Ribeiro

Os novos movimentos estratégicos da diplomacia brasileira ganham força, quando a visão Sul Sul toma uma nova direção, principalmente quando falamos sobre África.

Se avaliarmos de forma mais intensa, Angola e Moçambique são países, que de longe hoje fazem mais por merecer do que um olhar mais estratégico para nossa vizinha Argentina. As riquezas naturais dos dois países avançam de forma efetiva em suas extrações, e também o volume de investimentos brasileiros nos países cresceu de forma considerável, principalmente depois da visita de uma grande delegação brasileira em Angola e do anúncio da presidente Dilma Rousseff para investimentos na África em mais de R$ 8 bilhões, assim o continente africano ganha um novo destaque na agenda internacional do Brasil, e particularmente um novo momento estratégico, pois considerando a crise econômica na Europa, o Brasil também se tornou grande agenda estratégica para os países africanos de língua portuguesa, e ao mesmo tempo pólo de referência estratégica para todo o continente, pois seus novos valores de crescimento e desenvolvimento se tornam referência para o desenvolvimento social da África, além do desenvolvimento econômico.

As políticas governamentais de relações externas em Angola e Moçambique têm um direcionamento efetivo para o Brasil, e assim as agendas de comércio, desenvolvimento tecnológico e econômico, cooperação em educação, investimentos no setor produtivo já ganham uma nova força, pois as principais barreiras no processo internacional do ponto de vista cultural, histórico, social já foram, ou melhor sempre vencidas. As sinergias entre Brasil e os países da África são enormes. Os apelos culturais, a base africana que existe na cultura brasileira, a história diplomática entre os países, por exemplo Brasil foi o primeiro a reconhecer a independência de Angola, e uma das melhores ações de paz desenvolvidas pelas Forças Armadas brasileiras foi em Moçambique na Missão de Paz, e todos sofreram da colonização, e no momento atual o Brasil é tido como o “primo” que deu certo, e têm diversos exemplos e modelos para compartilhar.

Um destaque importante, hoje em Angola e Moçambique existe um novo perfil de empresário, que busca particularidades estratégicas e sérias, e vive um novo momento de desenvolvimento econômico para o crescimento dos negócios africanos, e muitos inclusive hoje já fazem investimentos diretos no Brasil, assim uma nova rota comercial se amplia na estratégia Sul-Sul da política externa brasileira, e nós brasileiros não devemos fazer pré conceitos ou pré julgamentos sobre a África, pois a mesma no século XXI poderá ser o grande pólo de desenvolvimento econômico para o Brasil.

 

Estudantes brasileiros no mundo, futuros profissionais globais

Fábio Pereira Ribeiro

Em semana agitada da quarta reunião de cúpula do BRICS na Índia, a Presidente Dilma Rousseff, aproveitou o momento para buscar parceiros para o projeto Ciências sem Fronteiras, que tem o objetivo de ampliar a participação de estudantes e professores brasileiros em universidades renomadas do mundo inteiro.

O projeto tem uma iniciativa valiosa, considerando ainda a baixa participação de brasileiros em grandes universidades como Harvard, Columbia, MIT, Oxford, Sorbonne entre outras, e o mais importante, o momento que o país vive também gera nestas universidades uma ansiedade de saber o que é o Brasil e quem são os brasileiros.

E o momento de BRICS, e principalmente do crescimento do Brasil no sistema internacional e sua latente falta de mão de obra altamente qualificada criam condições de uma atuação mais intensa do poder público, e principalmente de políticas públicas internacionais, e neste ponto o Ciência sem Fronteiras pode ser uma alavanca de novas oportunidades.

O relatório final da reunião de cúpula intitulado, Brics by Brics, têm um conjunto de condicionantes, principalmente no processo de deficit de infra estrutura e neste ponto, o crescimento econômico precisa estar acompanhado do desenvolvimento social para integrar com o processo educacional e de formação de mão de obra qualificada. E ficou claro no relatório a necessidade intensa de intercâmbio de estudantes e cooperação tecnológica entre as universidades do bloco.

E o interesse neste ponto sobre e para o Brasil é gigante. Recentemente ministrei palestra na Columbia University em Nova York, na escola de política internacional (SIPA) sobre as relações do Brasil e África, e é perceptível o grande nível de interesse dos estudantes americanos e de outros países, sobre o Brasil, seu crescimento e como são as relações Sul-Sul, principalmente com a África de Língua Portuguesa, em especial Angola e Moçambique.

Mas ao mesmo tempo percebi o baixo número de estudantes brasileiros em tão renomada instituição, e é de suma importância encaminharmos estudantes brasileiros para que possam desenvolver projetos de políticas públicas, inovação e alta tecnologia, pois com o crescimento do Brasil e seu “apagão de talentos”, estamos recebendo um grande número de profissionais altamente capacitados dos Estados Unidos, da China e principalmente da Europa, em especial expatriados portugueses.

Chegou a hora de nossos estudantes irem ao mundo, pois o Brasil hoje já uma potência global, e precisa de profissionais globais.

Expatriados no Brasil: o mundo no Brasil e o apagão de talentos

Fábio Pereira Ribeiro

Todo momento de crise internacional é um momento de redefinições e também de oportunidades. A crise econômica na Europa força com que a mão de obra competente busque novas oportunidades de negócios e empregos em outras regiões pelo globo. E a América Latina e África hoje são destinos efetivos desta mão de obra.

O Brasil hoje é um dos mais preferidos destinos de expatriados europeus e americanos, e no caso em especial portugueses, e logo na seqüência Angola é o outro país que mais recebe expatriados para o desenvolvimento empresarial e econômico no mundo.

A relação tem duas direções, primeiro equilibrar o processo econômico nos países em crise, e segundo atender a nova demanda de mão de obra altamente qualificada nos países emergentes, e neste sentido considerando o pré sal brasileiro e a nova riqueza africana como Angola, os dois países precisam cada vez mais de inteligência para a gestão das empresas e dos Estados. Mas ao mesmo tempo temos uma preocupação, e a mão de obra local? E os novos projetos educacionais?

A cidade de Santos hoje é um exemplo claro disso no Brasil. Além de ser a base do Pré Sal, e ter o maior porto da América Latina, hoje a cidade recebe um grande número de expatriados para o desenvolvimento de posições estratégicas, de comando à questões tecnológicas. Não é desmérito nenhum, mas é um alerta de que os jovens brasileiros hoje precisam se preocupar mais com a formação, e entender que o Brasil é um país do mundo, e o mundo todo quer estar no Brasil.

Brasil e Angola: novos destinos para expatriados portugueses

Fábio Pereira Ribeiro

Portugal vive uma crise intensa em reboque à crise internacional. E um dos maiores problemas que o país vive não necessariamente é o econômico, mas sim a perda de suas maiores riquezas, os cérebros. Os portugueses durante os últimos anos vêm desenvolvendo uma nova elite intelectual na Europa, e agora em tempos de crises, a capacidade intelectual de um país é importante para retomar o crescimento.

Mas a vida de um expatriado não é fácil, independente da nacionalidade a visão é sempre a mesma criar e desenvolver para os outros, sem saber ao certo o que será do futuro. E hoje o cenário para os portugueses tem um caminho diferente. As últimas crises fizeram com que os jovens portugueses bem formados buscassem nas “antigas colônias” um novo porto seguro de desenvolvimento, e assim Brasil e Angola hoje são destinos certos para o desenvolvimento de carreiras promissoras, e ao mesmo tempo a constituição de novas vidas profissionais além de terras portuguesas.

Mas temos uma análise importante a ser feita: uma gama de talentos em Portugal, e a falta de talentos, ou apagão de talentos no Brasil e em Angola. Oportunidades e ameaças que de alguma forma têm sinergia, mas ao mesmo tempo geram problemas. No Brasil a falta de talentos impulsiona o mercado educacional e de pesquisa. Em Angola depois de 30 anos de guerra e agora um novo desenvolvimento gera oportunidades distintas de mercado e necessidade de mão de obra qualificada. A mão de obra portuguesa ajuda e muito, mas ao mesmo tempo desaba com o cenário de desenvolvimento e recuperação do país europeu.

É de fato, Brasil e Angola são os novos destinos dos portugueses, como se fosse uma brincadeira com a história, mas ao mesmo tempo tem que ser uma reflexão aos nossos amigos lusitanos, pois ajudar ao crescimento de novas economias pode ser destrutivo às antigas economias.

África: novo destino de investimentos internacionais, entrevista com o especialista Pedro Vicente da Universidade Nova de Lisboa e do Banco Mundial

Fábio Pereira Ribeiro

O continente africano vêm ganhando destaque neste século em função do desenvolvimento de seus países e das novas riquezas minerais que estão sendo descobertas. Em tempos de crise internacional o continente acaba sendo um novo destino de investimentos e busca de novos empreendimentos, mas ao mesmo tempo uma série de problemas são contínuos e perigosos para o desenvolvimento econômico e social da África.

Em entrevista ao blog Brasil no Mundo, o professor Pedro Vicente da Universidade Nova de Lisboa e consultor do Banco Mundial fala suas experiências em África, suas especialidades sobre o continente, e os próximos passos de desenvolvimento dos países africanos de língua portuguesa.

- Como o professor vê a África nos próximos 10 anos?
Eu vejo África nos próximos 10 anos como um claro polo de crescimento
econômico mundial e, neste sentido, de oportunidades e de atração de
investimento. O grande desafio será influenciar os governos Africanos para
a adoção de políticas públicas (i) eficientes (o que já não é fácil) e
(ii) que tenham em conta o desenvolvimento equilibrado e o alívio da
pobreza. Ao contrário da América Latina em que os níveis educacionais e de
dinamismo da sociedade civil são desde há muito relativamente elevados, a
idéia que tenho é que ainda existe um longo caminho a percorrer neste
campo em África. De fato, apenas com uma clara evolução da sociedade
civil Africana se poderá pensar em democracia verdadeira, e políticas
públicas orientadas para a população daqueles países. No entretanto, julgo
haver um papel claro dos países doadores e comunidade internacional, ONGs,
em termos de ajuda à criação de condições de base para a circulação de
informação para os cidadãos. Neste contexto a massificação de tecnologias
de informação e comunicação pode ser de grande impacto.

- A África de língua portuguesa pode estar a frente de uma forma geral
sobre os outros países do continente africano?
Relativamente ao restante de África, julgo que os países Africanos de
língua Portuguesa têm estado relativamente “protegidos” de influência
ocidental. Embora os fluxos de ajuda ao desenvolvimento tenham sido
consideráveis em décadas recentes (talvez com excepção de Angola), a
atenção tem estado virada para outros países Africanos mais centrais à
estratégia dos países doadores com maior peso (Reino Unido, EUA, França).
A desvantagem é que os países de expressão Portuguesa têm recebido as
inovações de desenvolvimento (a parte boa da ajuda) mais tarde que os
outros países – por exemplo, microcrédito, transferências de dinheiro
condicionais, mobile banking. A vantagem tem sido até certo ponto uma
menor influência política de doadores e um modelo de desenvolvimento mais
endógeno (patente no caso de Angola) e potencialmente mais perene.

- Do ponto de vista social, como a África de língua portuguesa está? E
quais são os próximos passos?
Angola tem tido taxas de crescimento invejáveis proximas dos dois dígitos.
A este facto nao é alheia a estabilidade política e relativa paz social
conseguida depois de 2002 com o fim da guerra civil. No entanto, este
crescimento econômico tem sido exclusivamente baseado na exploração de
recursos naturais (em especial de petróleo). Julgo essencial para a
estratégia de desenvolvimento de Angola (i) a optimização da taxação da
exploração destes recursos, (ii) o investimento público em infraestruturas
que apoiem a diversificação da economia, nomeadamente no sector agrícola,
(iii) o investimento na população em termos de educação e saúde.
Relativamente a Moçambique o quadro tem sido semelhante, em especial em
anos recentes, em que se assiste a um investimento massivo na exploração
mineira. O quadro social e político é semelhante ao de Angola, no sentido
em que existe um partido dominante num contexto de algumas liberdades
políticas (e eleições). Cabo Verde é desde há muito apontado como um caso
de sucesso Africano, para o qual não é alheio o papel da diáspora daquele
país, que cria incentivos para o desenvolvimento, trazendo bons exemplos
em termos de governança pública. São Tomé tem também visto uma evolução
positiva mas pouco marcada. O investimento no turismo será certamente
central ao seu desenvolvimento, tendo São Tomé já obtido melhorias
significativas no combate à malária (vista como grande obstáculo àquele
investimento). A recente descoberta de petróleo no arquipélago não parece
infelizmente poder oferecer mudanças rápidas. A excepção no quadro
positivo parece mesmo ser a Guiné-Bissau, continuamente mergulhada em
instabilidade política, a qual é nutrida por um exército com demasiado
poder e por interesses ligados ao tráfico de estupefacientes.

- Qual a sua experiência com África, e o que faz hoje em suas pesquisas?
Partindo do meu doutoramento na Universidade de Chicago em que pesquisei
acerca da maldição dos recursos naturais em África, tenho dedicado o meu
trabalho como investigador à temática do desenvolvimento económico em
África. Neste sentido tenho implementado projectos de pesquisa em países
como Angola, Cabo Verde, Moçambique, Nigéria e São Tomé e Príncipe, sempre
através de recolha de dados desenhada para o propósito de responder a
perguntas científicas específicas, a maior parte das vezes conduzindo
inquéritos representativos aos agregados familiares. Tenho-me
especializado em avaliação de impacto de intervenções de desenvolvimento.
Em São Tomé estudei o efeito da descoberta de petróleo e o fenómeno da
compra de votos. Em Cabo Verde quantificámos o efeito da emigração nos
níveis de educação e de demanda por boas políticas públicas. Na Nigéria
trabalhamos em conjunto com a ONG ActionAid avaliando uma campanha contra
a violência eleitoral. Em Moçambique acompanhamos uma intervenção de
educação cívica durante as eleições usando mensagens de celular. No
momento estou a trabalhar em Angola no âmbito de uma avaliação de impacto
de intervenções de capacitação de instituições locais. E estou também
a conduzir um estudo sobre o impacto de serviços de mobile banking em
Moçambique, em espaço rural através de remessas dentro das famílias, e
em espaço urbano através do incentivo à poupança numa amostra de
vendedores informais.

- Angola e Moçambique, são grandes parceiros estratégicos do Brasil?
Sem dúvida. O mundo está em grande mudança em termos de blocos económicos
e de influência política. O paradigma ocidental da ajuda ao
desenvolvimento está a ser questionado não só pelas opiniões públicas de
países doadores, insatisfeitas com o nível de impacto conseguido, mas
também pelos países receptores de ajuda, mais ciosos da sua voz no
estabelecimento das prioridades para o seu desenvolvimento. Neste contexto
o exemplo da China, que escapa aos modelos de desenvolvimento ocidentais
quer em termos de crescimento económico conseguido, quer em termos de bons
resultados da sua cooperação em África, tem servido como grande
inspirador. Assim, a relação Sul-Sul apresenta-se como um ingrediente
extremamente atractivo para o desenvolvimento de Africa. De facto, está
subjacente a ideia de que o desenvolvimento rápido poderá advir do
aproveitamento endógeno dos interesses econômicos comuns, e não tanto da
“ajuda”, que estará sempre mais associada às máquinas orçamentais de
Estado, inflexíveis e ineficientes, de doadores e receptores. O sector
privado Brasileiro tem sido neste contexto extremamente dinâmico
relativamente a África, em especial a que fala Português. A presença em
termos dos sectores de extracção mineira e construção é muito importante
em Angola e Moçambique. O Governo Brasileiro tem apoiado este movimento e
tudo indica que estará a intensificar a cooperação política com Angola e
Moçambique. Faz sentido e recomenda-se.

- Como o senhor vê o Brasil nas relações com Angola e Moçambique?
As relações do Brasil com Angola e Moçambique são excelentes. Do lado
Africano, a receptividade ao Brasil é muito grande. O Brasil é visto como
país-irmão, que está mais avançado em termos de desenvolvimento, mas que
passou pelos mesmos grandes desafios há pouco tempo. Se compararmos com o
modo como nestes países se vê Portugal, a relação com o Brasil é menos
próxima mas bem mais descontraída – o passado colonial ainda está fresco
nas cabeças de muitos (em África e em Portugal). Do lado do Brasil, a
percepção que tenho é de que o interesse econômico tem guiado todos os
esforços (o que faz sentido, naturalmente). Este interesse tem demorado um
pouco a reflectir-se na esfera política e intelectual. Por exemplo, como
acadêmico, noto que não existe ainda um interesse claro em estudar África
da parte dos muitos pesquisadores de topo baseados no Brasil. Julgo no
entanto que a tendência será sempre de recrudescimento deste interesse.

Pedro Vicente é professor de economia na Universidade Nova de Lisboa e
consultor do Banco Mundial. Ele é um pesquisador na área de economia do
desenvolvimento, com um claro enfoque em economia política e com ênfase
geográfico em África. O Pedro tem uma Licenciatura em economia pela
Universidade Católica Portuguesa, um mestrado em economia pela London
School of Economics, e mestrado e doutoramento em economia pela
Universidade de Chicago. Ele leccionou na Universidade Católica
Portuguesa, Universidade de Chicago, Universidade de Oxford, e Trinity
College Dublin. Actualmente, o Pedro é ainda pesquisador associado do
Centro de Estudos em Economias Africanas da Universidade de Oxford, e está
afiliado no BREAD, uma rede de investigadores internacional na área da
economia do desenvolvimento. Ele tem publicado artigos em revistas
científicas de topo no seu campo como o Journal of Development Economics
e o World Bank Economic Review.

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