Observatório de Mercados Ilícitos: Inovação e Inteligência da FIESP | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
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Observatório de Mercados Ilícitos: Inovação e Inteligência da FIESP

Fábio Pereira Ribeiro

Mais uma vez, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) inova em processos de produção de inteligência e estratégia para o mercado paulista e nacional. E agora a grande contribuição está em uma das temáticas que mais atrasam o Brasil, o Mercado Ilícito.

Ontem, 16 de setembro de 2016, na sede da FIESP em São Paulo, aconteceu o lançamento do “Observatório de Mercados Ilícitos”. O Observatório é uma missão estratégica do Departamento de Segurança da FIESP (DESEG), hoje dirigido pelo Diretor Titular, Ricardo Lemer. Conforme apresentado no evento e no documento que apresenta o “Observatório de Mercados Ilícitos”, o objetivo central é: “produzir informações sobre a presença de mercados ilícitos em 9 setores industriais, revelando o tamanho e os impactos desses ramos da economia criminal no estado de São Paulo.

A presença e o crescimento da economia criminal são um gravíssimo problema público, com impactos econômicos que afetam diretamente o setor produtivo (indústria e comércio), com prejuízos e perdas de empregos e investimentos, e, sobre- tudo, impactos sociais, afetando diretamente o cidadão, pelo aumento do risco de vitimização de crimes que alimentam o Mercado Ilícito Transnacional (MIT) em São Paulo e pela degradação da qualidade de vida no estado.

O Anuário é uma contribuição do Observatório de Mercados Ilícitos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para ampliar o diagnóstico do problema, de forma a subsidiar ações de controle por parte do Estado, do setor privado e da sociedade civil. Nosso principal objetivo é “colocar luz sobre o problema” e, para tanto, informação é fundamental. Razão pela qual este Anuário sobre MIT traz informações técnicas acerca do volume de produção e do valor dos mer- cados ilícitos, pois as perdas e a violência criminal produzidas estão diretamente ligadas ao seu “vigor econômico”. Em outras palavras, a incidência epidêmica de crimes e a profunda percepção de insegurança em São Paulo estão diretamente relacionadas ao lucro dos mercados ilícitos e, principalmente, ao baixo risco que a atividade criminal possui.

Entendemos que, para reverter esse quadro, o diagnóstico é o primeiro pas- so. Identificar e analisar os principais mercados ilícitos permitirá à sociedade definir prioridades no enfrentamento do problema. Da mesma forma é fundamental revelar as especificidades que dificultam o controle dos MIT, acreditamos que a principal de- las é o fato dele ser compostos por “fases e elementos” transnacionais, e que, portan- to, requerem atuação de controle dentro e fora dos limites do estado. Após avançar a fase de diagnóstico, precisamos empreender esforços para seu controle. Neste aspecto está na agenda do Observatório organizar fóruns de soluções, com o objetivo de construir, em conjunto com a sociedade civil, o setor privado, os agentes públicos e até organismos transnacionais, uma agenda pragmática de enfrentamento e controle dos MIT no estado de São Paulo e no Brasil”.

É notória e cansativa a discussão sobre violência e seu avanço, mas nunca entendemos de fato o impacto econômico para o futuro do Brasil, tampouco entender como realmente podemos neutralizar a mesma.

A FIESP deu um salto em inovação para a área de inteligência e segurança, e ao mesmo tempo confirmou seu trabalho e legado em se preocupar com os grandes problemas, que de alguma forma atrasam o desenvolvimento do país nas áreas econômicas, sociais e de competitividade.

O debate da tarde desta sexta-feira (16/09) no lançamento do Observatório de Mercados Ilícitos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O debate da tarde desta sexta-feira (16/09) no lançamento do Observatório de Mercados Ilícitos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nos preocupamos em entender os motivos da existência do Mercado Ilícito no Brasil, mas na verdade é muito óbvio, e muito por culpa do próprio brasileiro. Além do descrédito da Educação, o Estado é o maior estuprador da lógica empresarial brasileira, e o brasileiro vive em estado passivo e de extremo aceite de qualquer coisa. O Estado tudo quer, mas nada oferece. Os impostos são exorbitantes para alimentar um custeio estatal desenfreado e de pouco retorno para investimentos estratégicos. O cenário é mais do que propício para o desenvolvimento do Mercado Ilícito.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) define Mercado Ilícito Transnacional como a “oferta compartilhada, em escala regional ou internacional, de drogas, armas, produtos roubados, furtados, contrabandeados, de contrafação ou pirateados, que atentem a demanda interna ou externa do país destinatário, formando uma economia criminal transnacional, interdependente, além de relação lucro X violência”.

A FIESP toma como base este preceito para a construção e desenvolvimento do Observatório. E uma das grandes preocupações da FIESP está no fato de que o Brasil, Estado e iniciativa privada, nunca aprofundou o processo de inteligência para apresentar soluções concretas, principalmente em compreender que realmente existe um mercado ilícito maior que o mercado formal e lícito, principalmente em alguns seguimentos.

Segundo a FIESP , “a análise considera 9 setores da indústria paulista – alimentos, automóveis, brinquedos, eletrônicos, higiene e perfumaria, medicamentos, químicos, tabaco e vestuário – e revela que o mercado ilegal movimentou R$ 13,2 bilhões em 2015. Com isso, deixaram de ser gerados 111.598 empregos formais e R$ 3,02 bilhões em renda (salários e lucro). A perda do governo federal em arrecadação chegou a R$ 2,81 bilhões – o suficiente para custear 1.522 escolas de ensino básico, 1.232 hospitais ou montar uma nova corporação para a Polícia Rodoviária, do mesmo tamanho da atual”.

A FIESP apresenta um trabalho de suma importância para que o Estado Democrático de Direito de fato aconteça, e não só no conceito. Quando observamos o mercado ilícito sobressair o mercado formal e lícito, de fato percebemos que a sociedade estará refém da violência, e pagará um alto custo em impostos e no próprio desenvolvimento das relações sociais, quiçá da vida humana.

Para saber mais:

http://www.fiesp.com.br/noticias/pesquisa-da-fiesp-revela-47-das-industrias-foram-alvo-de-crimes-e-mercado-ilegal-movimentou-r-13-bilhoes-em-2015/

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