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Mão de Obra Estrangeira no Brasil – Bom ou Mau?

Fábio Pereira Ribeiro

Até quando nós brasileiros iremos aceitar idéias, propostas e soluções paliativas? E que de alguma forma com o tempo se tornam regra geral. O governo brasileiro está a todo vapor para aprovar e colocar em prática, a facilidade de entrada dos estrangeiros qualificados para suprir a demanda de mão de obra técnica e altamente qualificada. Particularmente não sou contra, mas tenho acompanhado casos em vários continentes, onde esta prática no fim se tornou um grande problema de empregos para o cidadão nativo, e principalmente no desenvolvimento e compartilhamento de novos conhecimentos.

O Brasil não consegue resolver com velocidade, e principalmente com qualidade a formação de quadros estratégicos, e altamente capacitados para atuarem nas diversas demandas atuais, como o pré sal, inovação, indústria aeronáutica, indústria naval e outros pólos do saber.

O governo insiste em programas paliativos, e não ataca o problema de forma direta, seja com programas fortes de formação e qualificação técnica, com formação de docentes qualificados, com investimentos em pesquisas científicas e pólos de desenvolvimento tecnológico. Por exemplo, boa parte dos pesquisadores que estão no programa Ciência sem Fronteiras, quando retornarem ao Brasil não terão ambientes preparados para continuidade de suas pesquisas. Não existe uma integração forte entre as universidades públicas e as empresas privadas, salvo alguns casos específicos, a grande maioria das universidades públicas ficam a margem de um processo criativo, inovador e produtivo de desenvolvimento educacional e social. E o próprio governo, e as políticas públicas de educação geram um zona de conflitos entre universidades públicas e privadas, onde a reserva de mercado interfere diretamente na qualidade das escolas privadas, que em todos os rincões do Brasil existem pelo menos uma instituição de ensino superior com péssima qualidade, e atendendo a um grande número de estudantes, que no fim de sua jornada de formação serão profissionais analfabetos funcionais, na verdade um círculo vicioso que começou no ensino básico, com professoras mal qualificadas e alunos que fogem da escola como o “diabo da cruz”.

Outro ponto interessante, uma das barreiras do Ciência sem Fronteiras é a língua. Boa parte dos candidatos não têm o inglês como segunda língua, e fico imaginando se dos estrangeiros será exigido a língua portuguesa como fator preponderante para sua permanência em território nacional.

Mas o ponto maior é analisar o impacto do não desenvolvimento de forma agressiva de mão de obra qualificada brasileira versus a importação de mão de obra estrangeira. Países como Angola, Índia, Colômbia, Chile, Moçambique e outros, hoje sofrem em não conseguirem reverter o quadro de nacionalização da mão de obra qualificada, pois investiram na solução paliativa e não em um plano agressivo e veloz para atender a demanda crescente. Muito da mão de obra estrangeira vem de países qua sofrem pesadamente com a crise econômica internacional, e o Brasil além de ser um porto seguro econômico, se torna um paraíso tropical, que muitos nem pensam em voltar para os seus países.

Meu alerta é, se o Brasil perder a chance de avançar com a formação de mão de obra qualificada e sistematizada para atender a demanda nacional, o país dentro de 15 anos terá um grande problema de falta de empregos para uma mão de obra mediana, além da fuga de cérebros estratégicos para o desenvolvimento tecnológico nacional. O Brasil precisa de melhores professores, de uma base educacional sólida, de menos impostos na educação, de mais pólos tecnológicos, de investimentos pesados em inovação, de integração empresa/universidade, de integração universidade pública e privada, de projetos de stricto sensu com aplicações práticas, e principalmente de vontade política de resolver problemas com soluções reais e não paliativas. Estrangeiros são bem vindos, mas cuidado, esta política esconde um fantasma que muitos países hoje tentam afugentar a todo custo.

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