Brasil no mundo

03.08.2012 - 00h40

As “Chavez” do inferno para o Mercosul

O Mercosul literalmente assumiu o seu papel definitivo, o papel de “crise”. A entrada da Venezuela no bloco já “falido” é um retrocesso do desenvolvimento econômico e democrático na região. A forma de entrada é um erro coletivo, onde Argentina, Brasil e Uruguai literalmente assinaram a falência do bloco, principalmente pela falta de alinhamento geopolítico e estrutural, principalmente para o Brasil, considerando as promessas não cumpridas por Hugo Chavez no passado. Sua perspectiva de que o Norte da Venezuela está no Sul (como referência estratégica para a aproximação), na verdade é a construção do interesse particular de “toma lá, mas não da cá”.

Chavez não cumpre com suas responsabilidades políticas, estratégicas, e principalmente em construir uma posição democrática na região, inclusive o mesmo provoca discórdias e embaraços diplomáticos constantemente, principalmente quando o tema é Brasil, seja nas fronteiras, como principalmente no cumprimento de obrigações no setor de energia como também na macroeconomia da região. Outro ponto importante, na cabeça do “caudilho bolivariano”, a estratégia de entrada pode causar um equilibrio de poder com a liderança brasileira. O mais engraçado é ver que o Brasil aceita isso de forma aberta, e não busca um alinhamento mais estratégico com a Colômbia, o Chile e o Peru, que hoje seriam parceiros mais valiosos na construção de um bloco comercial na região, e ao mesmo tempo a criação de mais valor agregado para negociar com a Europa, Estados Unidos e principalmente com o BRICS, considerando um equilibrio geopolítico para o Brasil através do Pacífico.

Outro ponto importante, a perspectiva militar de Hugo Chavez não demonstra segurança nenhuma para região, e pode causar problemas sérios na perspectiva brasileira, principalmente na busca da cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU. E na lista de inseguranças, temos todo ordenamento jurídico do Mercosul, que até o presente momento a Venezuela não mostrou sua direção e cronograma de como a mesma irá atuar para incorporar em sua legislação. O câmbio é outro ponto de retrocesso, considerando que o Bolívar perde um grande espaço para o dólar.

Os enlaces politicos do presente, efetivamente demonstram que a perspectiva é utópica, ou é uma estratégia velada para assinar definitivamente a morte do Mercosul, ou abrir as portas do inferno com as devidas chaves.

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