Mudar, isso mesmo mudar. Depois de 100 anos de sucesso em seus MBA’s, a escola de negócios de Harvard, uma das melhores do mundo resolve mudar. Mas por quê mudar? Simplesmente por entender que o mundo mudou, que os negócios são globais, por mais que achem que os Estados Unidos é a única potência efetivamente mundial, e que sua força depende de novos contextos, principalmente em entender que novos países farão parte de um novo cenário global, sem considerar o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas também os países do chamado “Segundo Mundo”, países em crescimento através de condicionantes de política externa, tais como energia e consumo interno.
Claro que depois de quebrar barreiras com os tradicionalistas, o novo reitor, o indiano Nitin Nohria mostrou que a revolução para evolução é a mudança, primeiro por ser o primeiro estrangeiro a ocupar o cargo, depois por realizar a drástica e positiva mudança, e mostrar aos acadêmicos que o mundo é diferente e precisa de pessoas que realmente enxergam o mundo.
A escola saiu do seu modelo tradicional de “estudos de casos” para uma visão mais ampla de mundo e principalmente de imersão de seus alunos, onde os mesmos geram idéias e criam empresas, além de vivenciar o que realmente acontece em um país emergente, e neste caso estamos falando dos países asiáticos, África do Sul e Brasil.
A escola de negócios ensina que o mundo precisa ser visto de forma diferente, e que os negócios e a aprendizagem precisa ter uma nova forma de olhar. Em recente matéria de Cristiane Mano, diretamente de Boston-USA para a revista Exame, Harvard efetivamente nem parece Harvard. Isso mesmo caro leitor, Harvard tem razão. A mudança feita sob os paradigmas da tradição mostram que o sucesso depende de idéias novas, e não de tradição e passado, literalmente, o sucesso do futuro não depende do sucesso do passado.
As formas de estudar e pensar negócios foram mudadas. As salas de aulas mais práticas, mais visionárias, menos teóricas, mais projetos, menos artigos, mais vivências menos estudos de casos, e principalmente “debate de idéias”, isso mesmo debate para entender como o jovem executivo pensa o mundo e os negócios. E para avançar, o que era optativo passou a ser obrigatório, as viagens internacionais para um país emergente, além das visitas técnicas, sendo assim mais acertivos na visão de negócios internacionais.
Alguns brasileiros estão aproveitando este novo modelo, e com certeza tendo uma experiência única, e aí vai a pergunta, considerando mais de 50 dias de greve de universidades federais, modelos ultrapassados de ensino de gestão nas universidades brasileiras, sem contar o número gigantesco de universidades e faculdades com notas 3 e abaixo da mesma média para atender a grande massa brasileira, como será o gestor brasileiro do século XXI, do pré sal e do crescimento econômico? Bom, com toda sinceridade, não será, e temos uma resposta clara, cada dia que passa as grandes empresas brasileiras contratam um número grande de expatriados americanos e portugueses bem formados para atenderem a nova riqueza brasileira, que infelizmente não é conhecimento.
Educação é a solução do Brasil, basta investir pesado e sério, que com certeza no futuro teremos muitas Harvard’s aqui, e isso nos trará muitos frutos, além de medalhas e a copa.


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Fábio Pereira Ribeiro
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