Brasil no mundo

22.07.2012 - 21h19

Por que somos tão maltratados pelo fisco?

Em meus artigos insisto continuamente no desenvolvimento e crescimento do Brasil. O Brasil do Pré Sal, da Amazônia verde e azul, o Brasil do “boom econômico”, o Brasil da diversidade, da alegria, do povo cordial e feliz, o Brasil que tenta e consegue ainda em pequenos frutos uma melhoria na educação, o Brasil que mesmo de forma assistencialista melhorou a condição humana de milhares de cidadãos, o Brasil que tem uma Copa do Mundo pela frente, o Brasil que tem as Olimpíadas pela frente, o Brasil que tem a chance de ser a quarta economia mundial, mas tudo isso se perde pela falta de capacidade, desenvolvimento e viver em sociedade de todos os brasileiros, sejam eles civis comuns, como também servidores públicos.
É irreal como o brasileiro é tratado, e como os próprios brasileiros se tratam, seja nas relações em sociedade, como também em tratar os brasileiros que constroem este país diariamente como pessoas do mal, e não do bem.
O excesso de tributação no país, que acaba levando milhares de brasileiros em suas férias para aproveitar das compras internacionais com significativos 300% de descontos em relação aos mesmos produtos no Brasil, e no fim estes brasileiros são tratados literalmente como “bandidos” quando regressam ao país pela garra feroz do leão, que de forma arbitraria na sua maioria das vezes autuam cidadãos brasileiros como se fossem traficantes ou contrabandistas, e na maioria das vezes esses mesmos cidadãos só estão usufruindo de um benefício do poder de compra, graças ao seu suor do trabalho e pelo crescimento do país. Fico imaginando o quanto a Receita Federal perde em arrecadação nos aeroportos do Brasil com as mercadorias compradas por cidadãos comuns? Mas é claro que a despesa do Estado não cresce na mesma proporção. Eu em particular passei por um situação bem desagradável, onde depois de trazer um Ipad fui literalmente “esculachado” pelo Fisco no aeroporto de Manaus, que por sinal, onde este aeroporto será base para receber delegações e estrangeiros na Copa do Mundo? Um aeroporto com uma área de desembarque internacional pior do que qualquer aeroporto do centro da África, e olha que conheço muitos. Sem contar na falta de qualificação da mão de obra que trabalham nos aeroportos, isso sim será a situação critica nos grandes eventos, pois nem português o povo sabe falar direito imagina o inglês, em vez de To Be será TOBE.
Mas voltando no Fisco, eu fui parado, para fiscalização, até aí tudo bem, é o procedimento. Mas quando abre a mala e vê que não tem nada e precisa dar um jeito para justificar os seus R$ 25.000,00 em salários e dizer que fez uma grande autuação, um mísero Ipad, que mesmo pagando o imposto no aeroporto, o mesmo produto saiu mais barato que em qualquer loja no Brasil. Mas a bronca é a forma de como nós brasileiros de bem somos tratados, literalmente como marginais. Declaro imposto de renda, servi o Exército Brasileiro, pago literalmente 6 meses da minha vida em tributos, e sou recebido de volta como bandido, e hoje no Brasil que tem um pouco mais de dinheiro para usufruir uma viagem internacional é tratado como bandido. Sem contar que depois de tudo, o mesmo fiscal ainda tentou me tributar no meu laptop, de mais de 2 anos de uso, comprado no Brasil, com cara de extremo uso, o mesmo ainda teve a audácia de me pedir a nota fiscal, qual cidadão carrega com si uma nota fiscal depois de 2 anos de uso? Acredito que nem o Fiscal. Desculpa Receita Federal, onde vocês instruíram a sociedade com esta informação? No site só? Pois nos próprios aeroportos os agentes dizem que não precisa mais declarar nada. Mas tudo isso é procedimento, tudo bem, mas cara Presidente Dilma, com o crescimento e desenvolvimento dos brasileiros até quando iremos manter a cota de US$ 500,00 para entrada de mercadorias? Querida Presidente, você acredita mesmo que a possível evasão de tributos nas fronteiras dos aeroportos brasileiros afeta tanto a receita do Estado? Monta uma estrutura tributária mais inteligente, que com certeza muitos brasileiros comprarão mais, e menos se endividarão com suas compras e tributos.
Este exemplo deve ter acontecido com muitos brasileiros, que depois de regressarem de países desenvolvidos ficam cada vez mais desacreditados com o crescimento do país. Um país que ainda não investiu de verdade em educação, em tecnologia, que entrega a formação para políticas ultrapassadas e licença educacionais para escolas que não conseguem formar o básico para os futuros profissionais do Brasil do Século XXI, ou o Brasil do Pré Sal.
Outro ponto é passividade do povo brasileiro em não cobrar educação, em não cobrar dignidade tributária, em não cobrar eficiência do sistema público de gestão (pois quanto pior a máquina mais tributos precisará para manter – eficiência é melhoria de custos), esta passividade de aceitar tudo de forma “aconteceu”, “tadinho”, “que coisa né”, e depois sermos literalmente assaltados em nossas dignidades e bolsos. Mas é para o povo brasileiro aprender que votar, e ter o exercício da cidadania significam garantia de seus direitos.
E juntando tudo isso, o micro poder instalado em cada brasileiro que nunca pensa em sociedade, e sim no seu interesse particular, como diria uma teoria das relações internacionais, “a natureza humana é sempre maldosa”, se precisar atacar o próximo em defesa do interesse particular, ataque. É o segurança do aeroporto que acha que tem poder de policia, é o fiscal da Receita que não analisa o contexto e te trata com arrogância (e o mais engraçado você ver dúzias de sacoleiras passando sem pagar um mínimo de imposto, e imagino o quanto paga de IR por ano, ZERO), são enfermeiros e médicos em hospitais públicos que tratam pacientes como “morimbundos” e seus salários em dia, é a justiça tarda e falha, é a segurança pública que já perdeu seu rumo (por quê o Brasil não tem uma política de TOLERÂNCIA ZERO), é forma que o brasileiro que ganha um pouco mais e consegue crescer na vida é visto como “potencial bandido”, é a forma de tratar “bandido de verdade” em celebridade, é a forma como direitos humanos neste país trata os bandidos com carinho e esculacha com os policiais, é a forma com o professor um verdadeiro herói é desqualificado, é a forma que nossas relações exteriores se posicionam com nossos vizinhos, é a falta de investimentos agressivos em educação e formação, é a falta de infra-estrutura no país inteiro para atender a sociedade, é a falta de universidades com perfil internacional para atender o novo contexto internacional do Brasil, e aí vai uma lista de faltas e falhas que no micro poder atrasam o desenvolvimento do Brasil.
E quando falamos em BRICS, o famoso bloco potencial de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, literalmente estamos perdidos. As relações ainda estão atrasadas, faltam políticas claras e esforços multilaterais para o desenvolvimento do bloco, sem contar a força de poder bélico desequilibrada para o Brasil. A China e a Índia durante muito tempo viveram no passado, mas perceberam que educação agressiva daria um novo rumo, hoje são as novas potências, e o Brasil? Ainda acredita que construirá seu potencial econômico atravessando “marolinhas” e calcando seu crescimento no consumo interno, ou melhor endividamento interno?
Bom para terminar, ainda acredito muito no Brasil e no seu sucesso, por sinal estou trabalhando muito para isso e pagando muitos impostos também. Tenho certeza que por este artigo serei criticado, desqualificado, perseguido, e outras “cositas mas”. Mas como vivo em uma democracia, tenho liberdade de expressar minha indignação com coisas que não fazem o país andar. Tenho consciência que devemos pagar tributos, mas devemos cobrar pelo resultado dos mesmos como a Constituição Brasileira manda.
Espero que os R$ 1.000,00 em impostos que paguei no Aeroporto de Manaus para a Receita Federal seja bem utilizados na educação brasileira, pois isso precisamos e muito.

P.S.: este texto foi escrito esperando vôo para São Paulo no aeroporto internacional de Manaus e logo após ter recolhido uma DARF de R$ 1.000,00.

Último comentário por Cleyton Alberto Vieira : É meu caro Fábio, nosso país é terra do fisco (apenas)

Comentário (1) 

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  • Cleyton Alberto Vieira

    É meu caro Fábio, nosso país é terra do fisco (apenas)

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