Brasil no mundo

09.06.2012 - 22h34

Sinais perigosos do Brasil para o BRICS

Jim O’Neill, Chairman da Goldman Sachs Asset Management, que em 2001 criou o famoso termo BRIC para a referência de um novo bloco de poder econômico para o século XXI, validando assim o crescimento do Brasil, Rússia, Índia, China, sendo que o mesmo ganhou um novo aliado o S através da África do Sul, confirmaria anos mais tarde um visão partidária de que o Brasil poderia dar problemas no desenvolvimento do bloco. Mesmo considerando que todos os países envolvidos no conceito do BRICS teriam diversos problemas estruturais, o Brasil ainda precisaria de muito esforço para realmente mostrar ao mundo sua força de potência em crescimento, diferente do que todos falam de país em desenvolvimento.

No seu último livro “O mapa do crescimento” editado no Brasil pela Editora Globo, O’Neill apresenta as falhas do Brasil, ou a falta de estruturas sólidas no país que de alguma forma atrapalhariam o seu crescimento, principalmente considerando as crises econômicas. O autor referenciou isso no sentido de alertar, que mesmo considerando a falta de tecnologia, o alto índice de corrupção, a falta de formação de alto nível para a produção, falta de processos produtivos inovadores, uma plataforma de comércio internacional centrada em commodities, o país ainda teria chances de se tornar uma potência em crescimento. Mas claro sua visão estava certa, dentro dos 8 anos de governo do ex-presidente Lula, mas o problema do crescimento não é o início, e sim a sustentabilidade, ou melhor a manutenção do crescimento, e neste sentido, o governo Dilma começa a sofrer os grandes questionamentos do mercado nacional e internacional, o crescimento brasileiro “arrefeceu”?

Recentemente a Revista Exame realizou levantamento com 50 executivos das maiores empresas brasileiras (nacionais e multinacionais), e na cabeça da grande maioria arrefeceu, e o país precisa de um novo modelo para avançar. A tributação ainda é o grande fantasma interno, e também externo pois afugenta grandes investimentos, mas o mais preocupante ainda é ver que o país anda em curtos passos para o desenvolvimento de uma política de inovação e formação de alta capacidade para atender a demanda de produção, a mesma que gera “fantasmas” para que empresas estrangeiras invistam no país.

Por exemplo, segundo levantamento da consultoria Manpower Group 34% das companhias têm problemas de preenchimento de vagas pelo mundo, o Brasil é o segundo país que mais sofre pela falta de profissionais, e neste ponto, os profissionais de engenharia e tecnologia são os que mais faltam no processo.

As falhas do passado que ainda não foram corrigidas para um Brasil do século XXI serão os principais fantasmas do governo Dilme, e ao mesmo tempo sinais perigosos para o desenvolvimento do BRICS. O Brasil no momento é uma “bola da vez”, mas suas falhas estruturais precisam ser resolvidas de forma cirúrgica, e não adianta reduzir IPI de carros e aquecer consumo desenfreado, pois podemos entrar em um sub-prime sem precedentes, como nos Estados Unidos. Se é para mexer em tributação, resolve a cadeia toda. O crescimento não pode parar, pois o Brasil se tornou fiel de uma crise, e o sistema internacional apostou fichas aqui.

E para terminar, se educação e formação são pontos estratégicos para o crescimento do país, por quê o governo insiste em tributar isso? Recentemente o governo federal baixou norma para tributar as bolsas de estudos pagas pelas empresas. Justificativa, muitas empresas estão abusando do atributo. Então é mais fácil tributar todos, em vez de ter uma fiscalização mais eficiente e inteligente? Se tributação criasse riqueza no Brasil, nós seríamos a primeira potência mundial.

 

 

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