17.05.2013 - 15h31

Importar mão de obra resolve?

O Brasil insiste em postergar continuamente soluções para os seus problemas. Nós brasileiros insistimos em não encontrarmos soluções, ou pelo menos em trabalhar nas saídas que possam resolver efetivamente alguns sérios problemas do país.

Nos últimos dias a polêmica sobre a importação de 6000 médicos cubanos tomou conta do noticiários, e dos grandes debates sobre o gargalo de falta de mão de obra qualificada no país. Entre as brigas dos Conselhos profissionais e de classe e governo federal, a grande questão é efetivamente a formação de mão de obra qualificada para atender as diversas demandas estratégicas do país. O governo recuou levemente com o foco nos médicos cubanos, e agora abriu a “porteira” para a importação de mão de obra estrangeira em praticamente todas as profissões. Inclusive na data de hoje (17 de maio de 2013) foi publicado no Diário Oficial da União os termos que organizam as novas emissões de vistos para estrangeiros com foco em trabalho. O governo federal defende a idéia de profissionais que estão em países que estão sofrendo com a crise internacional, e ao mesmo tempo tem um grande quadro de profissionais bem qualificados, como por exemplo Portugal e Espanha. Outro ponto, é a defesa histórica que o governo trabalha, considerando que o Brasil no passado já recebeu muitos estrangeiros. Defesa até correta, mas irreal para o momento histórico que o Brasil vive. E, alem disso a defesa de que os profissionais brasileiros não querem trabalhar em regiões inóspitas do país, principalmente no norte e nordeste, é um dos fundamentos para efetivarem os médicos cubanos no país.

Agora o que é efetivo não se discute, a formação de mão de obra qualificada no país. Não se discute a formação com alta qualidade. Não se discute a contínua fuga de cérebros do Brasil. Não se discute, como um país como Brasil, que navega entre a quinta e sexta posição na economia mundial, e tem os piores indicadores de educação, tem ao mesmo tempo o maior grupo educacional do mundo?

Até agora sobrevivemos e crescemos sem profissionais estrangeiros. Por quê o governo não concentra seus esforços em formar em escala, e com qualidade superior, considerando a demanda nacional? Eu particularmente não sou contra a mão de obra estrangeira, principalmente aquela que contribui, e compartilha conhecimento. Mas sou contra em empurrarmos para frente o problema de formação com qualidade no país, seja ela superior, técnica ou de base.

É pífio o investimento em inovação no país. O Brasil investe 1,16% do PIB em inovação, enquanto a média mundial é de 2,3% segundo a OCDE. Durante anos nossa base de comércio internacional é de commodities. Somos reféns disso, não exportamos tecnologia, não temos economia criativa, e ainda perdemos cérebros. O Brasil sofrerá o problema de nacionalização de mão de obra no futuro. Hoje temos 6,4 milhões de alunos matriculados no ensino superior, e já formamos mais de 15 milhões nos últimos 10 anos, temos indicadores de crescimento de desemprego, somado à inflação e queda da balança comercial, assim a equação educação x mão de obra qualificada tem algum desvio?

Com tantas “bolsas”, de todos os gêneros, investidos e ofertados para milhões de brasileiros, que para muitos o grande afã da distribuição de renda no Brasil, o governo brasileiro deveria ter um plano efetivo de exigência e controle de qualidade na educação com estes milhares de brasileiros. Pois educação e formação são responsabilidades de todos nós.

75% dos alunos matriculados no ensino superior, estão em universidades privadas. Seja por meios financeiros próprios, ou financiamentos governamentais, o brasileiro que busca uma formação superior, efetivamente busca uma posição no mercado. Não consigo imaginar, que tanto investimento no ensino não consiga formar quadros para atender a necessidade efetiva do país.

Quando o Brasil estava em fases iniciais de crescimento e desenvolvimento, muitos brasileiros que foram tentar a vida no exterior, literalmente foram “atropelados e desrespeitados”, e hoje nós somos a solução para a crise européia, ou a desgraça “cubana”?

Pode importar mão de obra, mas tenho certeza e aposto, que isso não trará solução. O Brasil deve concentrar esforços em aprimorar sua educação, seus projetos pedagógicos, investir em escolas de engenharia, ampliar as escolas de medicina pelos seus rincões. Investir em inovação, desenvolver a economia criativa, apoio micro empresários na qualificação de seus quadros, trazer os quadros brasileiros que foram estudar no exterior, desenvolver estágios para estudantes nas regiões mais necessitadas (lembrem o caso Rondon). Não simplesmente importar. Importar é postergar o que realmente pode ser solução para demanda. E um aparte final, é bem provável que médicos cubanos que sofram do impacto da ditadura dos irmãos Castros, quando chegarem na Amazônia para servir, os mesmos fujam para o sudeste buscar melhores condições de vida, mesmo que para isso deixem a medicina de lado. Pois em Cuba um médico vive com menos de US$ 50,00 por mês. A tentação do capitalismo mudará a opinião do mesmo.

Educação e Inovação resolverão as demandas do Brasil!

14.05.2013 - 18h16

Ohio State University no Brasil, e o Brasil em Ohio

Com o crescimento do mercado educacional brasileiro, e a grande demanda de mão de obra qualificada no país, muitos grupos educacionais, e universidades de referência estão observando e analisando o mercado brasileiro com mais sensibilidade. Depois da criação do maior grupo educacional do mundo, e brasileiro, Kroton / Anhanguera, o mundo está de olho no Brasil.

Hoje são 6,4 milhões de estudantes matriculados na graduação, e isso ainda é pífio pela demanda de mão de obra superior no país, principalmente quando falamos em termos de alta qualificação. Não é a toa que grandes empresas brasileiras como Vale, Embraer, Natura, vão buscar conhecimento e inovação no MIT em Boston, Estados Unidos. Assim, grandes universidades americanas e européias estão percebendo a necessidade. Recentemente a própria Columbia University, uma das melhores do mundo, instalou escritório no Rio de Janeiro, e mantém em sua escola de política internacional em Nova York, o BRIC LAB, que por sinal tem um brasileiro no comando, o diplomata Marcos Troyjo.

Mas recentemente, outra universidade de renome, e com grande experiência em pesquisa agrícola, e engenharias esteve no Brasil para ampliar sua participação, e principalmente estudar as novas demandas do mercado brasileiro. O reitor da Ohio State University, Dr. E. Gordon Gee, visitou o país com um agenda acadêmica intensa, e principalmente em ampliar a própria aproximação da universidade em território brasileiro. Suas expectativas, além de levar estudantes brasileiros para os Estados Unidos, é trazer o máximo de alunos e professores americanos para compreenderem o Brasil com maior intensidade.

O Reitor E. Gordon Gee, deu entrevista exclusiva para este blog sobre sua visita e percepção em relação ao Brasil.

Brasil no Mundo: Com a grande demanda de mão de obra qualificada no Brasil, e com as iniciativas da Ohio State University no país, como a universidade aproveitará esta oportunidade? Quais são os focos de atuação da Ohio State University?

E. Gordon Gee: Nos Estados Unidos também existe uma crescente necessidade de diplomados altamente qualificados nas áreas de ciência, engenharia, matemática e tecnologia. Estamos trabalhando duro para produzir mais graduados nessas áreas, bem como chegar até escolas de ensino médio em nossa região para que as pessoas mais jovens estejam interessados ​​nesses programas. Estamos estudando cuidadosamente as necessidades do Brasil para a mão de obra qualificada, e de formação, para entender que projetos podemos aplicar a partir de nosso trabalho nos Estados Unidos para o mercado brasileiro. É provável que as necessidades do Brasil sejam semelhantes, mas queremos explorar as questões com as universidades e empresas brasileiras para ver como podemos colaborar.

 

Brasil no Mundo: Recentemente a Ohio State University veio ao Brasil para desenvolver uma aproximação com as universidades brasileiras, além de operar programas no país. Quais são os planos da Ohio State University para os próximos anos no Brasil?

E. Gordon Gee: Recentemente visitei o Brasil como parte de uma viagem para me reunir com os nossos atuais parceiros educativos, conectar-se com ex-alunos, e aprender sobre os desafios e oportunidades no Brasil. O Brasil é um país maravilhoso! Na verdade, Ohio State University tem uma longa história com várias universidades brasileiras, incluindo ESALQ / USP, onde partilhamos quase uma parceria de 50 anos do programa agrícola. Estamos estudando a possibilidade de abrir um escritório Ohio State Global Gateway no Brasil (existem outros escritórios globais Gateway em Xangai e Mumbai). Nosso escritório Global Gateway seria uma espécie de embaixada da Ohio State University no Brasil, uma base a partir da qual podemos ampliar o nosso trabalho no país, através da construção de novas parcerias, fortalecer os laços existentes, e também o recrutamento de estudantes brasileiros para programas de extensão. Temos poucos estudantes brasileiros no Estado de Ohio, por isso temos espaço para muito mais! Nós gostaríamos de ter mais alunos brasileiros no Estado de Ohio. E também, nós gostaríamos de enviar mais alunos e professores da Ohio State University para passar um tempo acadêmico no Brasil.

Brasil no Mundo: Quais são os grandes números sobre a Ohio State University?

E. Gordon Gee: Nós somos o centro de ensino mais abrangente e de pesquisa universitária dos Estados Unidos, com 14 faculdades que oferecem 12.000 disciplinas, em 168 cursos com cerca de 50 mil alunos de graduação, e 14.000 alunos de pós-graduação, além de formação executiva e profissional. Dentro de cada faculdade, há um conjunto de cursos e ofertas acadêmicas para os alunos selecionados, por exemplo em nossa Faculdade de Engenharia, que oferece 14 programas independente do curso principal, que cobrem desde soldagem para aviação à altos estudos de engenharia.

Outro exemplo, da diversidade de ofertas de cursos dentro de uma faculdade é a nossa escola de nutrição e gastronomia, com os programas de recursos agrícolas e naturais, que oferecem quase duas dezenas de cursos distintos na produção agrícola e de agronegócios.

Embora sejamos uma grande universidade com oportunidades ilimitadas, nós nos esforçamos para manter turmas pequenas, e 73% das nossas turmas são de 50 alunos ou menos.

Além do ensino que fazemos todos os dias, também estamos orgulhosos de nossa dedicação aos programas de pesquisas de ponta, onde geramos mais de  US$ 828 milhões anualmente em descobertas em laboratórios e de campo.

Brasil no Mundo: Quantos estudantes brasileiros estudam na Ohio State University? Em quais áreas? Como você avalia os estudantes brasileiros?

E. Gordon Gee: Não temos tantos, como gostaríamos. Neste momento, temos oito alunos brasileiros, e estamos ansiosos para ter muitos mais. Não há realmente nenhum curso típico de estudo para os estudantes brasileiros aqui. Eles estão estudando uma ampla gama de assuntos, incluindo medicina veterinária, planejamento urbano e regional, ciência política e engenharia elétrica.

Os estudantes brasileiros que conheci na Ohio State University são dignos embaixadores do Brasil. Como os brasileiros que conheci na minha viagem, eles são alegres, tem um calor humano diferente e são muito envolventes, com um entusiasmo pela vida e uma sede de mais conhecimento. O seu país tem um futuro brilhante, e isso se reflete nos estudantes que vêm para o nosso campus.

Brasil no Mundo: Por que o Brasil é importante para a Ohio State University? Qual é a visão de longo prazo da Ohio State University em relação ao Brasil?

E. Gordon Gee: O Brasil tem sido importante para a Ohio State University por causa das parcerias de longa data que temos com ESALQ/USP, e outras universidades brasileiras em ciências agrárias, e até mesmo em outras áreas.

O Brasil teve um rápido crescimento econômico nos últimos anos, e tornou-se um grande exemplo para o resto do mundo, como uma sociedade democrática multi-racial e próspera. Com os ganhos econômicos, o Brasil tem percebido recentemente, a necessidade de oportunidades e parcerias para os jovens brasileiros. Esperamos que a Ohio State University se torne um lugar para que milhares de estudantes brasileiros chamem de casa. Juntos, tenho certeza de que resolveremos os complexos problemas globais.

Reitor da Ohio State University - E. Gordon Gee Fonte: OSU

Dr. E. Gordon Gee is president of The Ohio State University, a world-class public research institution and one of the nation’s most distinguished land-grant universities.  As chief executive officer, he oversees Ohio State’s six campuses, 63,000 students, and 42,000 faculty and staff. Gee is among the most highly experienced and respected leaders in higher education, having been named in 2009 by Time magazine as one of the top 10 university presidents in the United States. Prior to his service at Ohio State, he led Vanderbilt University (2001-2007), Brown University (1998-2000), The Ohio State University (1990-97), the University of Colorado (1985-90), and West Virginia University (1981-85).

http://president.osu.edu/bio.html

 

14.05.2013 - 00h41

Santos F.C. – um código cultural e diplomático do Brasil no Mundo

O Brasil tem diversas marcas geram aderências interessantes ao seu jeito de ser, o jeito brasileiro de ser. O país, nos últimos 10 anos vive um momento positivo de crescimento, claro que com algumas incertezas, e até mesmo pontos que possam dar uma “perda” de rumo. Mas ao mesmo tempo, as empresas brasileiras, que enfrentam tantas “barreiras internas”, desenvolvem iniciativas positivas no exterior. Buscam inovação e mercados, e as mesmas conseguem uma posição de “embaixadoras” da marca Brasil.

Se analisarmos alguns exemplos internacionais, dos Estados Unidos, da Europa e da própria Ásia, muitas companhias são praticamente representantes oficiais da política externa dos países, sem contar a criação de uma identidade própria da empresa e de seus produtos que representam efetivamente o lado cultural e social do país. Verdadeiros embaixadores, diplomatas do comércio internacional, e do próprio marketing internacional.

Eu considero como um “Código Cultural”, seguindo os ensinamentos do psicanalista e antropólogo cultural Clotaire Rapaille, CEO da consultoria Archetype Discoveries Worldwide, e autor do renomado livro “O Código Cultural” (Editora Campus), “as pessoas e as marcas geram impressões marcantes”, como um código cultural. Um código que marca efetivamente o comportamento, e a própria identidade dos seres humanos, das instituições, e quiça dos países. Esse código cultural, é a própria imagem inconsciente de como nós seres humanos percebemos o valor de uma marca, ou identidade.

Imagina o código cultural que Elvis Presley gerou nos anos 50-60, quando o mesmo foi servir o Exército Americano na Alemanha, ou quando as garrafas de Coca-Cola foram enviadas aos milhares de soldados americanos nos Fronts da Segunda Grande Guerra Mundial. Sem contar o Cadillac como ícone de automóvel / luxo / velocidade, ou a Ferrari como visão de liberdade e luxo, ou a Mercedes, como marca de segurança e qualidade, mas ao mesmo tempo todas com uma identidade de representação efetiva do país de origem. Elvis e Coca-Cola identidades da cultura americana, Ferrari código cultural italiano, Mercedes representação máxima da Alemanha, e para acrescentar, a luxuosa marca Louis Vuitton, como código da moda francesa. Elvis o Rei do Rock, e embaixador do “jeito americano de ser”.

Marcas, identidades e códigos que geram conexões e comportamentos de uma forma de viver.

O Brasil tem muitas marcas para tais conexões, principalmente atrelados aos códigos naturais, tais como samba (música), futebol (esporte) e carnaval (festa). Por natureza nosso código é a Alegria. Felicidade e calor humano são representações do povo brasileiro.

Com respeito à todas as marcas brasileiras, através do futebol criamos um código cultural forte de representação da identidade brasileira. E por quê não, como grande exemplo, o Santos Futebol Clube (F.C.) não ter esta representação. Time de longa história, são 101 anos, nascido no dia 14 de abril de 1912, na cidade de Santos, em São Paulo. O Santos F.C. está entre os times mais populares do Brasil, mas acredito que sua popularidade é maior ainda no mundo. Sua representação enquanto equipe, já conquistou uma identidade própria, diferente de todos os times mundiais. Independente de sua principal história, a chamada “Era Pelé”, o Santos F.C. é visto como o time jovem, alegre, garoto, moleque, no mais singelo significado da palavra. Representa um código cultural do brasileiro. E o mais interessante, sua identidade tem conexão com todo o Brasil. Os torcedores de outros times já foram diversas vezes assistir o Santos F.C. em conexão com suas equipes. Quem no passado não foi assistir Pelé, Robinho, Diego, Neymar Jr., entre outros pela arte de jogar futebol de forma alegre e jovial?

Sabe como se para uma guerra? A resposta, com outra guerra. Os grandes teóricos da guerra e da política já falavam, “a guerra é um instrumento da paz”. E o futebol? Uma guerra de 90 minutos, que termina em paz e alegria!

O Santos F.C., time alvinegro praiano, por uma definição popular, é o time mais “carinhoso” do Brasil, e quiça para muitas partes do mundo, a própria identidade do Brasil. Não é o time de maior torcida, mas com certeza é o time mais famoso do mundo.

A história do Santos F.C. é muito interessante. Dos primeiros goleadores, como o famoso Araken Patusca, ao grande “Rei mundial Pelé”, e ao “menino da Vila” senhor Neymar Jr.

Foi eleito pela Federação Internacional de Futebol com a Melhor Equipe de Futebol das Américas do Século XX. Ganhou dois campeonatos mundiais (62-63), tem o atleta do século, o Rei Pelé, conquistou vários títulos ao redor do mundo. Do Santos F.C. que saiu o primeiro jogador brasileiro para um time estrangeiro, o artilheiro Araken Patusca, filho do primeiro presidente do time, Sizimo Patuska. O time, na Era Pelé, passou pela África em 1969, e com a Guerra de Biafra, Benin, Nigéria, o time através de amistoso conseguiu parar uma Guerra. O único exemplo de time realizou tal façanha até hoje. O mesmo modelo do Santos F.C. foi exemplo para o Amistoso da Paz realizado em 2004, pela seleção Brasileira no Haiti.

Eu particularmente já tive uma experiência interessante com a marca do Santos F.C.. Em muitos lugares que visitei na África e na Ásia, quando falava do Brasil, muitos não conheciam o país, mas quando falava em Santos F.C., Pelé e Robinho, aí a coisa mudava de figura. Uma vez na China, em Ningbo, cidade irmã de Santos, fui abrir convênio de uma universidade de Santos com a Ningbo University, e a troca de presentes, ritual diplomático natural foi interessante, quando o Presidente da universidade viu que o presente dele era a camisa 10 do Santos F.C., praticamente a universidade era mim, tanto o êxtase do mesmo em ter a camisa do Santos F.C. e do Pelé.

Com tanta conexão, percepção de valor, por quê o governo brasileiro, enquanto estratégia de política externa não potencializa estas empresas e clubes que realmente mostram a identidade do Brasil? A lista ainda é pequena, mas é importante para mostrar o quanto o Brasil é jovem, alegre, tem garra, tem força. O Santos F.C. deve potencializar sua história enquanto estratégia de marketing. Deve enaltecer e buscar no exterior valores para decolar sua marca além, pois as bases já estão constituídas, como representação e código cultural do Brasil.

Teremos três grandes eventos esportivos. A marca Brasil está em evidência. O momento do esporte é único. E o nosso código cultural para os próximos anos? Precisamos de novos embaixadores.

Citei o exemplo do Santos F.C., mas defendo a participação e identidades de outras empresas brasileiras, como Natura, Vale, Petrobras, Embraer, Havaianas, entre outras, inclusive universidades, que possam demonstrar o estilo de um país, que além de desigualdades sociais, corrupção, e políticos desorientados para um projeto de país, as marcas e as empresas podem efetivamente formar um Projeto de Brasil.

 

11.05.2013 - 00h20

Perdemos o rumo?

Hoje No meio empresarial é perceptível e, mais intenso que exista um alto grau de desconfiança e preocupação com o rumo do Brasil. A volta da inflação, a carga tributária galopante e a estrutura fiscal destruidora dos modelos de gestão, o ambiente altamente burocrático, o endividamento contínuo da máquina pública (considerando crise internacional, o momento seria de redução de custos), e somado a tudo isso, uma crise institucional do governo, principalmente em perder inclusive força na base, o atual momento na visão de empresários, executivos, investidores (nacionais e internacionais), acadêmicos, e de uma forma geral, a própria sociedade é de risco, e principalmente em estarmos em um momento de descontinuidade do crescimento, com altos riscos institucionais.

Somado a tudo isso, podemos avaliar o impacto de imagem que o Brasil sofre com a violência, a falta de infra estrutura, o gargalo logístico, a queda vertiginosa na balança comercial, o alto índice de corrupção, os atentados políticos contra instituições da sustentação da democracia (veja o caso STF e Ministério Público), assim o rumo do Brasil está em “frangalhos”. Sempre fui muito confiante no país, mas quando analisamos as visões do empresariado, de investidores nacionais e internacionais, de políticos sérios, e das dificuldades que a sociedade vêm enfrentando, eu como brasileiro literalmente me preocupo demais.

De todas as agendas, gostaria de falar de uma que demonstra uma perda de rumo, a inovação. A cadeia da inovação sempre está atrelada ao processo educacional e de geração de conhecimento, ou melhor de uma economia voltada para o conhecimento. O Brasil tem boas referências empresariais, e até mesmo públicas, mas quando falamos em educação o mesmo perde o rumo de forma trágica, inclusive com os últimos dados do Fórum Econômico Mundial, o Brasil está nas piores posições na questão educacional, uma literal incongruência, quando falamos da sua economia, e até mesmo considerando que o país hoje tem o maior grupo educacional do mundo (considerando seu valor patrimonial).

E a incongruência continua, pois o Brasil tem uma das maiores demandas por profissionais altamente capacitados, mas é obrigado a “importar” essa mão de obra, e literalmente estamos vivendo uma nova invasão de imigrantes – expatriados, principalmente da Europa (Portugal, Espanha e Itália). Literalmente estamos formando, mas não efetivamente como o mercado necessita. Mas o mercado não perde tempo. As empresas brasileiras que efetivamente desenvolveram inovação, buscam nas grandes universidades americanas, conhecimento, pesquisas e pessoal para atender esta demanda.

Um exemplo é o caso de empresas como Natura, Vale, Embraer entre outras, que vão buscar nos Estados Unidos, e principalmente no MIT (Massachusetts Institute of Tecnology) conhecimento avançado para o desenvolvimento do futuro, e em conseqüência, a estratégia da cadeia de inovação. Um aparte, lembro que no próprio MIT, acontece todos os anos o Latin Conference, onde empresas brasileiras trocam experiências e conhecimentos com acadêmicos para o desenvolvimento da América Latina, inclusive eu que vos escrevo já ministrei palestra no evento, e pude perceber o alto nível de estratégia e inovação presente nas discussões.

Não sou contra em buscar o conhecimento fora, inclusive acredito que isso deva ser contínuo, mas os caminhos que o país escolhe no momento não demonstram que o processo de educação e inovação trarão no futuro uma vantagem competitiva. Nesse ponto tenho medo da frase do economista John Maynard Keynes, “a longo prazo todos estaremos mortos”.

Mas avaliando alguns dados, o Brasil ainda “patinha” no tema, e não falamos efetivamente falta de recursos por parte do governo, mas sim falta de políticas claras de inovação, da burocracia que emperra o desenvolvimento, e por seqüência o enfraquecimento da indústria. O processo de inovação perde muita força, pois para se investir e desenvolver, muitos analisam a perspectiva do “custo Brasil”, o país é caro, e não necessariamente estamos falando só dos aspectos monetários / financeiros.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e também dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil hoje investe 1,16% do PIB em inovação, enquanto a média segundo a OCDE é de 2,4% do PIB, e para se ter outros exemplos, os Estados Unidos investem 2,9% do PIB, Dinamarca 3,06%, Finlândia 3,87%, Israel 4,4%, Coréia do Sul 3,74%, França 2,26% e Alemanha 2,82%.

Para muitos empresários e empreendedores de médio e pequeno porte, a burocracia governamental atrapalha o desenvolvimento da cadeia de inovação, pois para tudo os mesmos precisam oferecer garantias. E neste ponto, se considerarmos “start up”, nunca existirão garantias. E as grandes empresas que estão afetadas pela cadeia tributária, pelos custos e pela burocracia, perde em iniciativas e investimentos para o mesmo processo.

Na base teórica, a cadeia da inovação tem um fator preponderante, a produtividade. Com inovação somos mais inteligentes, fazemos e entregamos melhor. Somos mais competitivos, e temos um melhor posicionamento. Quando o Brasil não desenvolve este processo, a sua marca “BRASIL” fica atrelada ao componente básico da economia, os commodities. Exemplo é a redução drástica das exportações, principalmente no quesito de produtos de valor agregado. Estamos importando muito. É uma falácia quando noticias abordam os navios esperando na entrada da baía de Santos. Na verdade, boa parte dos navios que aguardam no Porto, já descarregaram produtos importados, e aguardam para levar mercadorias e não voltarem sozinhos. Somado a este “custo de espera”, o famoso “Custo Brasil do Porto de Santos”.

Mas percebemos iniciativas importantes. Inclusive este ano no XXV Fórum Nacional, que acontecerá no BNDES, um dos temas centrais será sobre a Economia do Conhecimento. É o rumo para a construção de uma cadeia efetiva de inovação, esperamos que o Fórum não fique no debate teórico. Quando falamos em economia do conhecimento, a abordagem é o capital intelectual, mas nesse ponto, o Brasil está bem distante da média mundial. Considerando dados da OCDE, do Banco Mundial, do próprio BNDES, e segundo os consultores Claudio Frischtak, Katharina Davies e Victor Chateaubriand, ambos da Inter B Consultoria em referência do artigo produzido sobre Inovação sem fronteira: a economia do conhecimento, publicado no Jornal Valor, a média mundial produz 31,24 patentes e 226,81 publicações internacionais de relevância, enquanto o Brasil está no indicador 2,18 em patentes e 134,48 em publicações. Em análise da própria consultoria, existe uma grande distância das universidades em relação às empresas. Essa distância significa, integração entre pesquisa e prática produtiva, ou pesquisa aplicada, e integração do próprio corpo discente em projetos estratégicos, levar a teoria da sala de aula para a prática empresarial.

A perda é violenta, pois o Brasil, enquanto potência mundial, parece se mostrar somente um mercado consumista, e não um país com um “projeto estratégico”, com uma perspectiva efetiva de crescimento sustentável. No futuro poderemos ter um alto custo com esta falta de projeto de país. Outro ponto importante, com tantos gargalos, por quê insistimos em investir pesadamente em países que mais nos maltratam? Por exemplo Venezuela, Bolívia e Cuba. São custos inerentes do passado recente?

Se o Governo Federal, e a própria população concentrassem esforços em educação, com certeza o processo estaria melhor. A educação é a solução para o combate à violência, para suprir a falta de mão de obra, para desenvolver uma cadeia de inovação efetiva, para resolver problemas sociais, para nos tornarmos mais competitivos, para sermos mais fortes no BRICS, para termos indústrias de peso e competitivas, e principalmente para mostrar que o Brasil é o país da alegria, e não da violência e da falta de educação.

Educação combate corrupção. Educação transforma jovens em seres humanos produtores e transformadores da sociedade. Educação gera inovação. Educação e conhecimento geram empresas mais competitivas. Um dia conversando com um grande especialista em estratégia empresarial, Fernando Luzio, CEO da Luzio Strategy Consulting, o mesmo afirmou “investimos muito em educação e conhecimento, e nossos frutos sempre são em curto prazo”. Educação é resultado no curto prazo, e a falta de educação é atraso em longo prazo. Como podemos aceitar três grandes eventos esportivos internacionais no Brasil, e os mesmos não deixarão legado algum? Sem contar, as suspeitas de corrupção.

Educação gera ética!

Educação combate a pobreza. Educação equilibra a sociedade. Educação controla a natalidade desenfreada. Educação salva.

Mas devemos pensar na educação estruturada, e considerando o peso econômico do Brasil no mundo, a mesma deve produzir inovação. Não podemos perder o rumo, principalmente neste quesito. Mas infelizmente com os últimos acontecimentos, espero que “a esperança não seja a última que morra”.

Se o Brasil fizesse pelo menos um 1/3 do que fez Índia e a Coréia do Sul com a educação, e se muitas famílias brasileiras também cobrassem mais de seus filhos com o rigor da educação, acredito que teríamos um Brasil mais competitivo, mais seguro e com uma alegria que confirma que Deus é brasileiro, em fevereiro tem carnaval e futebol sempre será a alegria do povo!

Governantes, deixem um legado. Reduzam os gastos públicos, invistam em educação, tenham um projeto de governo efetivo para um projeto de país, revejam a carga tributária e a estrutura fiscal, e pensem o Brasil enquanto mundo e potência, por quê senão, o Brasil será engolido pelo mundo.

07.05.2013 - 22h05

B de Brasil, B de BRICS, B de OMC

E o Brasil conquistou uma grande vitória no dia de hoje. O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, 55 anos, comandará como diretor geral a Organização Mundial do Comércio (OMC). Um sonho conquistado pela diplomacia brasileira, e o mesmo sonho que coloca o Brasil agora em uma posição altamente estratégica, inclusive para mostrar sua liderança efetiva, e buscar forças para a diplomacia nacional na liderança global. É uma grande conquista na balança de poder, e coloca o Brasil como chancela efetiva de importância mundial. Os desafios são grandes, principalmente em consolidar o crescimento brasileiro no sistema internacional, além gerar um peso estratégico da imagem do Brasil na política internacional.

A OMC é uma entidade herdada do sistema Bretton Woods, e pela primeira vez o Brasil comandará efetivamente um posto altamente estratégico, tanto para diplomacia brasileira, como de forma direta para o governo federal.

A nomeação do embaixador Azevêdo corrobora, que o sistema internacional já tem um peso e confiança maior depositados no Brasil, e também confere ao embaixador um respeito e reconhecimento, inclusive pelos trabalhos já desenvolvidos na OMC desde 2008.

Os desafios de liberação do mercado mundial, a revisão de tributações, o respeitos pelos contratos internacionais, são alguns dos grandes desafios da OMC, e por seguinte do próprio diretor geral. A grande preocupação é que o embaixador tenha força para evitar retrocessos no comércio global, segundo sua própria afirmação.

O momento do Brasil é oportuno, e ao mesmo tempo em posição de xeque, pois muitos problemas estruturais e sociais, ainda geram dúvidas do sistema mundial em relação ao Brasil, inclusive no crescimento do país nos próximos anos. Outro ponto importante, como será a relação do comando da OMC, com o BRICS (bloco Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)? Considerando que dois países do bloco ainda têm agendas pesadas com o órgão.

De qualquer forma, a escolha do embaixador Roberto Azevêdo é uma vitória para o Brasil, e demonstra que a liderança de um órgão de suma importância na economia mundial, e principalmente no momento econômico que vivemos (crise européia), gera para o país o grande desafio de mostrar que realmente somos importantes, e temos responsabilidades na construção de novas relações comerciais efetivas, além de criarmos uma nova geração do processo de globalização.

07.05.2013 - 00h45

Segurança brasileira é debatida nos Estados Unidos

11 de setembro de 2001 e o atentado de Boston, não chegam nem perto das tragédias diárias que nós brasileiros sofremos continuamente na terra do povo mais alegre do mundo, que em fevereiro tem carnaval, Deus é tido como brasileiro e tudo sempre é uma enorme festa.

Mas os americanos, com suas tragédias, e as mesmas que cometem com o mundo, querem discutir, e perceber o que está acontecendo com o Brasil. Neste mês, dois grandes eventos internacionais acontecem em território americano, que discutem sobre a pauta de segurança empresarial, e integrada com a segurança pública e internacional. E no quesito, segurança no Brasil, o tema é sobre a segurança de grandes eventos, e para estes simpósios o brasileiro Igor Pipolo foi escolhido pela sua vasta experiência com grandes eventos, e atividades com grandes empresas brasileiras.

No dia 01 de maio, aconteceu a conferência internacional dos diretores e líderes de segurança das cidades e Estados americanos, o especialista brasileiro abordou os temas referente aos problemas de segurança no Brasil, os últimos eventos, e principalmente os próximos eventos esportivos que acontecerão no país. O evento aconteceu no Bergen County Law & Public Safety Institute em Mahwah, New Jersey.

Já no dia 09, em Nova York, o especialista brasileiro irá ministrar palestra sobre o tema de segurança em grandes eventos no maior simpósio americano da sociedade americana de segurança, onde os temas de terrorismo e utilização de grandes eventos como foco e objetivos serão tratados como prioridades. A palestra do brasileiro tem um enfoque especial considerando os próximos eventos no Brasil, e para muitas agências de inteligências e governos, o Brasil tem um contínuo conjunto de erros e riscos. Para muitos a segurança pública brasileira favorece o desenvolvimento de atividades terroristas, e de grupos criminosos internacionais que podem utilizar os próximos eventos como chamariz de um movimento de terror mundial.

O mundo está preocupado demais conosco, será que nós estamos da mesma forma?

 

 

04.05.2013 - 18h14

Ozires Silva, uma visão estratégica sobre educação e inovação

Com tanta violência, perda de competitividade, gargalos logísticos, falta de planejamentos operacionais, baixos indicadores de qualidade na educação, crianças brasileiras que não sabem matemática, jovens criminosos, e políticos corruptos / racistas e preconceituosos, os caminhos do Brasil, para muitos no futuro, é incerto. Em alguns fóruns internacionais, o Brasil já é visto com preocupações, pois tem um grande valor estratégico para o sistema internacional, mas ao mesmo tempo apresenta fissuras em seu rumo político, e até mesmo econômico.

Muitos analistas são categóricos, e eu me incluo nesse rol, os problemas atuais são resultados efetivos com o descaso de políticas públicas, e também privadas voltadas para educação e inovação. Não falo diretamente em aspectos de investimentos, mas sim de ações práticas que realmente gerem iniciativas concretas para melhoria dos resultados, ou do próprio crescimento do país.

Temos um sentimento de retrocesso, onde a falta de educação, e os baixos indicadores de inovação no Brasil, literalmente nos levam a um retardamento, processual e até mesmo mental, onde estamos vendo diariamente erros contínuos nos processos evolutivos da sociedade brasileira, sem contar que fantasmas de um passado não pouco distante, ainda rondam na democracia brasileira. Deputados que questionam as instituições democráticas, como um ato vingativo e de instalação de um Estado anti-democrático de direito. Mobilizações nas redes sociais são categóricas, ronda no ar um sentimento de um novo AI5 (ato institucional número 5 da ditadura), que priva a liberdade da sociedade brasileira. Tudo isso é consequência efetiva da falta de projetos de educação e até mesmo de Brasil, projeto de país.

Recentemente participei de eventos na Columbia University e no MIT nos Estados Unidos, em fóruns de discussão sobre a América Latina e BRICS, e a discussão é bem centrada no Brasil, e para muitos analistas políticos, empresários, executivos e diplomatas, o Brasil vive em um momento divergente, onde o crescimento econômico não dá sustentação para um crescimento do “conhecimento”. O que crescemos em economia, não crescemos em educação, e principalmente em inovação. É de contar nos dedos, a quantidade de empresas brasileiras que realmente são inovadoras, tanto que o Brasil está na posição 60 no quesito inovação conforme o Fórum Econômico Mundial.

Quando penso em educação e inovação, penso em uma agenda altamente estratégica para o Brasil, e neste ponto sempre lembro dos aprendizados que tive com o aviador e engenheiro Ozires Silva, que em minha singela opinião, é o Brasileiro, que em tempos primários de desenvolvimento, sempre teve a educação como alavanca do crescimento de um país, e da sua própria agenda de inovação. O mesmo, sem as ferramentas necessárias para o desenvolvimento tecnológico no país, percebeu que só com educação, e muita ação o mesmo poderia ajudar na criação de uma empresa de engenharia aeronáutica 100% brasileira, e hoje temos o legado de Ozires Silva através da EMBRAER, que é uma das maiores empresas mundiais, e grande referência na engenharia aeronáutica. Ozires desde o projeto inicial de formação da EMBRAER sempre teve a preocupação de que o Brasil deveria ter quadros mais avançados, e hoje vemos que seus ideais estavam mais do que certo. Como posso imaginar um Brasil forte hoje, se não tenho mão de obra qualificada para atender a demanda interna e mundial? Vejam o que está acontecendo hoje?

Em entrevista exclusiva para este blog, Brasil no Mundo, o engenheiro Ozires Silva apresenta suas idéias e visões. Ozires Silva hoje exerce a função de Reitor da UNIMONTE em Santos, e também participa de vários conselhos de administração de grandes companhias, além de ser um batalhador diário no processo de inovação e educação. O mesmo tem levantado a bandeira de redução de tributos na educação.

Brasil no Mundo: Considerando o crescimento da economia do Brasil nos últimos 10 anos, e a grande necessidade de mão de obra altamente qualificada, percebemos que o Brasil do ponto de vista educacional não cresceu nos mesmos níveis. Na sua visão quais os fatores que levaram a isso?

Ozires Silva: Realmente, se levarmos em consideração a complexidade e a sofisticação dos produtos que atualmente são colocados no mercado mundial, quebrando paradigmas e rompendo com as tecnologias do passado, constatamos que especialistas capazes e treinados, de alto nível, foram utilizados para que os objetivos comerciais dos produtores pudessem ser atingidos. Também está bem claro que muitos desses produtos não estão tendo origem somente nos territórios dos países tradicionalmente desenvolvidos da América do Norte, da Europa e do Japão. Os chamados “emergentes” estão ocupando novos espaços competitivamente com aquelas nações com as quais nos habituamos a comprar e satisfazer nossas necessidades, existentes ou por existir. Como resultado dessas observações  também constatamos que as estruturas educacionais, nos países que venceram no passado e que estão vencendo no presente, são bastante superiores a que, em média, é oferecida no Brasil para os brasileiros. A pergunta sobre “quais os fatores que levaram a isso” no nosso Brasil exige respostas amplas, ainda sem respostas. Mas se procurarmos resumir, com todas as falhas conhecidas e demonstradas pelos insuficientes índices de aprendizado dos nossos jovens, é que a Educação no Brasil não tem sido, e não é, uma prioridade fundamental, contrariamente ao observado naquelas nações ou regiões que estão na vanguarda das realizações técnicas e tecnológicas. Essa prioridade deveria se concentrar na excelência do aprendizado e que os investimentos, prioritariamente fossem voltados aos alunos, e não à pesada infraestrutura administrativa que mais tenta controlar todas entidades de ensino do que desenvolver novos e atrativos métodos que motivem nossos estudantes.

Brasil no Mundo: Nos últimos 02 anos, o Brasil recebeu um grande número de estrangeiros para suprir a falta de mão de obra qualificada. Considerando que temos hoje mais de 6 milhões de brasileiros matriculados no ensino superior, e já formamos mais de 15 milhões de profissionais nos últimos 10 anos, será que o mercado brasileiro é muito grande, ou não estamos formando profissionais com os níveis exigentes do atual mercado?

Ozires Silva: Devemos considerar normal ao nosso país, e aos outros, receber estrangeiros para suprir a falta de mão de obra qualificada. Não podemos falar desses talentos como pessoas que generalizadamente possamos encontrar em qualquer sociedade humana, mesmo por que eles não são encontrados com facilidade. No passado, em várias áreas do conhecimento e da produção brasileira, mão de obra estrangeira desembarcou no país e certamente tem colaborado com nosso setor produtivo. O que deve nos preocupar é que não podemos aceitar, sem discutir a formação e a graduação local dos brasileiros, sob a suposição de que não possamos produzir esses especialistas entre nós. O correto seria supor que jamais poderemos fazer algo de valor e ganhar posições no mercado mundial, somente com estrangeiros, esperando que eles possam cobrir todas as necessidades nacionais. Assim, temos de assegurar que o nosso sistema educacional seja capaz de formar os especialistas necessários em quantidade e em qualidade suficientes.

Brasil no Mundo: Muito se tem discutido sobre o baixo investimento em inovação no Brasil. Será que o problema da inovação no Brasil é investimento, ou projetos consistentes de inovação e base tecnológica?

Ozires Silva: O Brasil não tem se destacado na conquista competitiva de inovações que gerem marcas e presença nos mercados doméstico e internacional. Nosso país gasta uma boa quantidade de recursos financeiros nos temas ciência e tecnologia, todavia os resultados são claramente fracos, quando comparados com o que ocorre na atualidade no mundo. As razões são muitas, mas algumas podem ser destacadas. Gastamos muito com:

a) as estruturas administrativas para gerenciar os programas de inovação. Temos um Ministério da Educação pesado e caro, os Governos Estaduais, e mesmo algumas Prefeituras de cidades importantes, também instalaram pesadas Secretarias de Ciência e Tecnologia. O que parece necessitarmos é fazer com que tais estruturas estatais sejam capazes de produzir resultados, focando na necessidade de criar métodos e processos de estímulo às  inovações, envolvendo o setor produtivo.

b) os recursos com origem em fundos públicos são de forma maciça orientados para Universidades ou Entidades Governamentais de P&D, numa crença que a criatividade está nas Instituições de Ensino. O mundo está demonstrando que, em média, mais de 80% das inovações têm origem nas empresas produtivas, ou seja, no setor privado. E no Brasil não há mecanismos para financiamento de risco em P&D para o setor privado, e as alternativas criadas pelos governos (Federal e Estaduais) são irrisórias. Já o setor privado não se inclina para esses financiamentos devido às altas taxas de juros, adicionados à falta de apetite pelas naturais características incertas dos resultados. Enfim, temos de quebrar uma crença generalizada de que P&D é uma despesa e não um investimento produtivo do maior valor;

c) devido às características de nosso sistema financeiro, as chamadas “venture capital companies” não conseguem florescer.

Brasil no Mundo: Lembro muito que o senhor sempre falou que a base de constituição da Embraer começava pela educação, principalmente em formar engenheiros. Por quê o Brasil sofre tanto hoje com a falta de engenheiros? E como deveríamos solucionar isso?

Ozires Silva: Aqui temos uma boa notícia. A procura da especialização de engenharia, nos últimos anos no Brasil tem crescido intensamente. Consta que na maioria dos vestibulares das Universidades brasileiras, tanto públicas como privadas, os jovens interessados por engenharia superaram a demanda por cursos de direito pela primeira vez, neste ano de 2013. O que podemos desejar é que essa tendência se mantenha, pois o Brasil gradua a cada ano números alarmantemente menores do que os países de êxito econômico, comercial e cultural. Assim, o principal ingrediente para formarmos mais engenheiros parece que os jovens estão nos oferecendo como solução. O que precisamos é reagir positivamente e aumentar os investimentos para a inovação de modo a gerar mais e mais demandas sob a forma de postos de trabalho. Ou seja, produzir demanda de engenharia para que os jovens graduados possam exercer suas atividades como engenheiros e não derivarem para outras atividades profissionais. O caso da EMBRAER é muito claro. Se não fosse a instituição do ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, pelo Governo Federal através da Força Aérea, formando desde 1950 engenheiros, hoje não teríamos a comemoração válida de que aviões brasileiros, de criação, projeto, propriedade intelectual e marcas nacionais, estejam voando com sucesso em mais de 90 países, dos cinco continentes, registrando um sucesso marcante de exportação global de produtos complexos de alto valor agregado!

Brasil no Mundo: Quando analisamos o BRICS, percebemos que o Brasil fica muito atrás no quesito inovação, e nisso gera uma perda efetiva de competitividade. Como o senhor vê a participação e preocupação das empresas brasileiras com a inovação, e também com suas participações no BRICS?

Ozires Silva: As empresas brasileiras têm interesse, e muito, em relação às inovações e procuram praticá-las. No entanto, devido aos riscos e às insuficiências dos sistemas financeiros de risco e apoio às inovações no Brasil, elas rotineiramente, com poucas exceções, transferem para o nosso mercado as inovações de sucesso, produzidas no exterior. Ou seja, não correm riscos, pois adotam produtos que venceram nos mercados internacionais, comprando licenças para a produção local. Entre as desvantagens de tais procedimentos é que as licenças normalmente vêm acompanhadas de pesadas restrições. Entre muitas, a mais importante é a interdição às exportações, garantindo que os produtos comprados, sob licenciamento, estão somente autorizados a produzir para o mercado doméstico brasileiro.

Brasil no Mundo: Pelas suas diversas participações em Fóruns mundiais, qual a sua visão de como o mundo vê o Brasil hoje?

Ozires Silva: Correndo o risco de não ser compreendido respondo que o mundo vê o Brasil como um mercado de quase 200 milhões de habitantes. Vê que os brasileiros mostram significativa tendência de gastar, com grande ênfase no interesse pelas inovações. Mas, diferentemente do que muitas vezes tem sido publicado, também vê o Brasil não como um país do futuro, participando do mercado mundial, como tem sido os casos da Coréia do Sul e, agora, da China. O Brasil tem imagem de um país comprador e isto vem sendo demonstrado pelo nosso balanço do comércio exterior que está mostrando um acelerado crescimento do seu déficit, importando mais do que consegue exportar. Isso também é uma consequência direta do fato que exportamos mais “commodities” e importamos mais produtos de alto valor agregado, obrigando-nos a lotar navios com a exportação de produtos de baixo preço, comprando fora de nossas fronteira os mais valiosos equipamentos.

Brasil no Mundo: Na época da fundação da Embraer, o mercado educacional, e a própria inovação no Brasil ainda andavam em passos lentos, e o senhor desbravou um caminho muito duro e conseguiu. Hoje que temos um nível de informação muito mais amplo, mais universidades, mais acesso à investimentos, mais acesso aos conhecimentos de grandes centros de pesquisa, por quê ainda “patinhamos” no quesito educação e inovação? O Brasil, segundo o Fórum Econômico Mundial está na posição 116º referente à educação, e na posição 60ª em inovação. O que nos leva a isso?

Ozires Silva: No Brasil a legislação básica e fundamental não é estável e confiável. Os regulamentos são alterados somente por iniciativa dos governantes, sem consultas ao setor produtivo, como acontece lá fora. E isso acontece com extraordinária velocidade, comumente surpreendendo os investidores, que têm seus cenários garantidores dos resultados dos seus investimentos modificados com frequência. Nossas autoridades não têm o hábito de consultar o setor produtivo para estabelecer regras e regulamentações, ao contrário dos países tradicionais e os novos emergentes, que alteram suas estruturas legais e regulatórias em consonância com as necessidades de se manter as empresas locais competitivas. O que se nota é que há sempre o cuidado das empresas nacionais de avançar com coragem em empreendimentos. No capítulo das inovações,  como respondido anteriormente, quase tudo é trazido de fora do país. A nossa legislação deveria estimular às nossas empresas a formar e treinar sua força de trabalho, o que não ocorre na atualidade. Como os empresários estão conscientes e sabem que, quando custeiam educação e treinamento para seus colaboradores, o INSS recolhe encargos sociais, sob o pretexto de que tais despesas são salários indiretos concedidos à sua força de trabalho.

Brasil no Mundo: Que conselho o senhor daria para os jovens estudantes de hoje, principalmente em termos de inovação?

Ozires Silva: Eu diria que “prestem atenção às inovações” pois elas estão mudando o mundo e continuarão a fazê-lo. Vejam o exemplo do Steve Jobs que, através da inovação, produziu produtos que nenhum de nós no passado imaginávamos que deles precisaríamos. Com suas estratégias recuperou a APPLE num surpreendente curto período de tempo. Vejam também o exemplo dos Estados Unidos que, como acentuou recentemente o Presidente Obama, sairá da crise financeira internacional por força do poder inovador do povo americano. Diria aos jovens, procurem ser criativos, não somente na escolha dos produtos, mas na forma de conduzir suas empresas e liderar seus colaboradores, motivando a todos a serem e fazerem melhor. E, confiando na sempre na força da renovação que, como regra, normalmente impregna os jovens, e, com coragem e discernimento, procurem o “novo” e façam dele seu sucesso e a riqueza das empresas e de seus colaboradores!

 

03.05.2013 - 20h48

Pré Sal – a estratégia e a competitividade do Brasil

Para muitos o Brasil passa por um novo posicionamento estratégico. O Pré Sal é a nova riqueza. Para o mundo é o novo, e real valor do país no sistema internacional. Considerando as riquezas que o país vem desenvolvendo, e suas novas oportunidades que o mesmo está constituindo no exterior, como efetivamente o país exercerá sua posição enquanto potência mundial?

Em conversa com o professor de economia Jorge Arbache, grande especialista na pauta, e que tem acompanhado de perto do desenvolvimento da nova riqueza brasileira, o posicionamento do país pode avançar muito, e colocar no futuro o Brasil como um dos maiores interlocutores do diálogo mundial.

Brasil no Mundo: Considerando o Pré Sal como grande cenário estratégico e de crescimento do Brasil, como você vê os próximos passos do projeto no país?

Jorge Arbache: O Pré-Sal é uma oportunidade única. Menos por causa do petróleo e dos royalties, e mais porque ele abre uma longa e rica avenida de oportunidades de investimentos em tecnologia e inovações, capacitação de pessoas e desenvolvimento industrial. O pulo do gato são os potenciais efeitos de transbordamento das tecnologias, inovações e capacitação de pessoas ligadas ao pré-sal para outros setores industriais e de serviços. Refiro-me à similaridade com a corrida espacial dos anos 60 e 70, em que as tecnologias desenvolvidas pelos americanos foram parar em vários outros setores abrindo, assim, grandes oportunidades de desenvolvimento econômico, capacitação de mão de obra e negócios para o setor privado. Quanto aos próximos passos, o ideal seria adequar o ritmo de desenvolvimento do pré-sal para permitir maior participação das universidades, centros de pesquisa e indústria no (não do) Brasil no projeto. A Noruega soube aproveitar as oportunidades trazidas pelas descobertas do petróleo no Mar do Norte para desenvolver toda uma indústria de bens e serviços de apoio à indústria do petróleo – é dali que eles tiram os maiores benefícios. Como as tecnologias e requerimentos logísticos e de pessoal para se explorar o petróleo do pré-sal ainda estão em desenvolvimento, temos uma oportunidade única e não podemos deixá-la escapar. O pré-sal pode ser a porta de entrada no que tenho chamado de “a nova geografia da produção e da inovação”.

Brasil no Mundo: Como o Pré Sal coloca o Brasil no Mundo?

Jorge Arbache: O Pré-Sal pode nos colocar no mundo através de três canais de transmissão. Primeiro, através do benefício que ele terá nas contas externas com a auto-suficiência e exportações de petróleo e derivados. Segundo, e mais importante, através das possibilidades de desenvolvimento tecnológico, inovações e  desenvolvimento de capacidades que poderão levar nossa a indústria e o setor de serviços para um novo patamar de inserção internacional, com mais valor agregado e geração de bons empregos e renda. E terceiro, claro, através do aumento das receitas fiscais dos Governos. Se bem utilizados, os recursos dos royalties poderão colaborar não apenas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas para aumentar a competitividade da economia e reduzir a volatilidade do crescimento econômico, o que terá impactos na nossa inserção internacional e no crescimento de longo prazo.

Brasil no Mundo: Quais são as nossas grandes demandas com e para o Pré Sal?

Jorge Arbache: São muitas as demandas. Desde dezenas de milhares de pessoas qualificadas, passando por infra estrutura de logística, construção de sondas, embarcações, máquinas e equipamentos de toda sorte, fornecimento de serviços especializados e por aí vai. São centenas de bilhões de dólares em compras e contratos. Como ainda não estamos capacitados para desenvolver todas as tecnologias e inovações e muitos dos equipamentos e serviços requeridos, estamos importando muito do que precisamos e/ou usando políticas de conteúdo local que, embora importantes, estão explorando essas oportunidades e benefícios potenciais apenas parcialmente. Afinal, o grande benefício está nas oportunidades de desenvolvimento tecnológico e de inovações e no transbordamento para outros setores e não apenas na produção de equipamentos e navios. É nisso que deveríamos focar a nossa atenção. As conseqüências em termos de desenvolvimento industrial e geração de riquezas serão decorrências naturais. O princípio que deveria nortear as políticas do pré-sal é que seu objetivo é pavimentar a nossa jornada para o futuro. A partir disso, trilharíamos caminhos mais promissores e de maior retorno para o país.

Brasil no Mundo: Será que um dia o Brasil se tornará uma potência energética?

Jorge Arbache: O Brasil já é uma potência energética. Afinal, quantos países têm a matriz energética que temos e o grande potencial de desenvolvimento de energia limpa, sem falar no pré-sal? Muito poucos. O que nos falta é realizar esse potencial através do uso estratégico das riquezas que temos e dentro de um projeto viável e equilibrado de desenvolvimento sustentado.

Jorge Arbache é economista. Tem longa experiência nas áreas governamental, setor privado, organizações internacionais e academia. É especialista em economia brasileira, economia africana e economia internacional. É Assessor Econômico da Presidência do BNDES e Professor de Economia da Universidade de Brasília. Foi Economista Sênior do Banco Mundial em Washington, DC, onde dirigiu várias edições do relatório anual para a África. Tem vários livros e dezenas de artigos científicos e capítulos de livros publicados, incluindo estudos nas áreas de crescimento econômico, economia internacional, economia do trabalho, economia industrial e pobreza. Tem se dedicado à agenda de produtividade, competitividade, comércio internacional, demografia, energia, crescimento econômico e relações econômicas entre Brasil e China. Seu último livro é “Gender disparities in Africa’s labor markets” (The World Bank, Washington, DC, 2010).

02.05.2013 - 19h23

Jim O’Neill – aposentadoria e tristeza com o Brasil

O economista chefe e presidente da Goldman Sachs Asset Management Jim O’Neill, que em 2001 cunhou o termo BRIC, o bloco formado inicialmente por Brasil, Rússia, China e Índia, e que depois teve um anexo, a África do Sul realizou sua aposentadoria dos mercados internacionais. O’Neill que durante anos defendeu o bloco, e também o direcionamento de investimentos para o mesmo, em sua aposentadoria mostrou-se descontente com sua criação, e principalmente com o Brasil.

Em sua despedida, Jim O’Neill deixou o texto “THE WORLD”, que além de apresentar suas visões estratégicas sobre o mundo, o mercado, o BRICS, e afirma que espera um crescimento forte e rico na próximas décadas, mesmo que ainda tenhamos que passar por turbulências sobre a economia européia.

O mesmo é categórico em afirmar que as “novas economias”, e principalmente o BRICS têm uma força de crescimento muito importante, considerando inclusive sua nova importância no sistema mundial, mas ao mesmo tempo acredita que o Brasil não exerce a força que o mesmo tem. Considerando inclusive que o país “patinha” no seu próprio crescimento. Para muitos, as respostas disso estão ligadas diretamente à falta de competitividade, os altos tributos, o exagero fiscal, a falta de mão de obra qualificada, os gargalos logísticos e portuários, e agora com um tom maior a violência.

Outro ponto importante pela tristeza com o Brasil é a falta de projeto consistente para inovação. Como ele mesmo afirma, “ser grande não significa riqueza”, e neste ponto o Brasil com a sua grandeza não consegue uma posição mais consolidada, e coloca em risco tudo o que conquistou até agora.

Para ele, o futuro demonstrará novos blocos, e pela sua percepção, o Brasil pode estar fora. Poderá acontecer um novo contraponto ao BRICS, com a criação do NEXT 11 ou N11, um bloco formado por cidades e países, em equilíbrio entre América, África e Ásia, com economias em franca expansão e consolidação de mercados. Claro que o mercado já está acostumados com grupos, blocos, ou siglas, mas efetivamente o Brasil, e o próprio BRICS ainda têm um espaço muito grande na balança de poder mundial.

Jim O’Neill, boa aposentadoria, e não fique triste com o Brasil.

02.05.2013 - 00h15

General Brasileiro comandará missão no Congo

General Santos Cruz - Fonte: Microtape

A República Democrática do Congo, com mais de 70 milhões de habitantes, sofre a tragédia da guerra civil neste momento, e tem a necessidade efetiva de aplicação das Missões de Paz da ONU para estabelecimento da ordem, da segurança pública, e principalmente da presença da paz para re organização do país.

A ONU com a sua Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo (Monusco, na sigla em inglês), contará com o comando do General Brasileiro Carlos Alberto do Santos Cruz (60 anos), para comandar 20 mil militares de 20 países distintos.

O General Santos Cruz, que tem 44 anos de serviços à Força Terrestre do Exército Brasileiro, já é um veterano em Missões de Paz, e com grande presença da participação brasileira, o mesmo comandou a força na Missão de Paz no Haiti. Para muitos, tanto no Brasil como na própria ONU, a escolha do General Santos Cruz é uma resposta e reconhecimento ao belo trabalho desenvolvido no Haiti, principalmente pela sua visão estratégica, e de estabelecimento da ordem e paz. O mesmo tem grande diálogo com as tropas, e ao mesmo tempo grande visão política.

O General Santos Cruz já vem se preparando para a árdua tarefa, pois o país vive literalmente um caos, com grande violência, terror, e falta de estruturas básicas para o mínimo de condição humana.

A presença de um General brasileiro na África é sempre visto com bons olhos, pois os brasileiros são muito bem quistos no continente, principalmente com as boas participações do Brasil em Angola e Moçambique.

A presença do General Santos Cruz no comando da tropa da ONU no Congo, é um ponto mais do que estratégico do Brasil enquanto presença no Conselho de Segurança da ONU, e demonstra que o país tem quadros de qualidade superior para ações complexas como esta.