Os mercados abrem suas negociações nesta semana sob o impacto de uma serie de medidas tomadas na ultima reunião dos diretores do Banco Central Europeu e no encontro de cúpula das nações que fazem parte da Comunidade Européia. Como vem acontecendo nos últimos meses as opiniões estão divididas em dois grandes blocos; o primeiro é formado pelos analistas que não acreditam que os problemas que atingem este espaço econômico comum possam ser equacionados e que a ruptura do Acordo de Maastricht – que completa agora vinte anos – é apenas uma questão de tempo. No segundo bloco estão os que ainda acreditam que os lideres políticos do Velho Continente conseguirão encontrar o caminho de reformas que corrijam, ainda em tempo, as falhas do Acordo hoje em vigor e que são conhecidas por todos.
Para os céticos, as medidas de consolidação de uma institucionalidade fiscal comum a todas as nações, usem elas ou não o euro como moeda comum, aprovadas na ultima Cúpula não são suficientes para salvar o projeto de unificação econômica. O peso das dividas publicas nacionais, em um ambiente de desconfiança dos investidores, e a política de ajuste dos déficits fiscais nos países mais endividados vai levar a uma ruptura definitiva. Para eles os mercados vão pouco a pouco se convencer do caráter irreversível deste final dramático e forçar uma rendição sem glória para o euro.
Para os menos pessimistas – grupo no qual eu me insiro – as medidas tomadas estão na direção correta embora algumas novas decisões políticas precisarão ainda ocorrer, mais à frente, para estabilizar de forma definitiva a zona do euro. Neste período os recursos financeiros já mobilizados – e que o serão nos próximos meses – serão suficientes para trazer de volta a operacionalidade dos mercados de dividas soberanas da Europa. Por outro lado, as novas regras definidas pelo BCE para prover liquidez aos bancos europeus são suficientes para estabilizar a situação sem que ocorram quebras ou liquidação forçada. Finalmente, com as novas regras fiscais que deverão ser colocadas em vigor nos próximos meses, o BCE pode ter uma posição mais agressiva nos mercados de divida soberana e trazer de volta os recursos privados.
Mas mesmo os mais otimistas reconhecem que para se chegar ao fim desta crise vários obstáculos e armadilhas terão que ser enfrentadas pelos lideres da Europa. Nos países mais envidados e sujeitos a um processo de ajuste draconiano não se sabe como reagirão a opinião publica e os partidos políticos que sustentam hoje os governos no poder. Por isto considera-se como um cenário possível nos próximos anos a retirada voluntaria de alguns países e na consolidação de uma Zona Econômica menor e mais forte. Não será mais possível deixar de lado uma alternativa legal – por mais delicada e difícil que seja – de saída de algum país que hoje pertence a este clube fechado que é a Comunidade Européia.




















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Luiz Carlos Mendonça
Paulo Pereira Miguel é sócio diretor e economista-chefe da Quest Investimentos.
Fabio Maciel Ramos é economista da Quest Investimentos.
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