Nesta era eletrônica, notícias e rumores tem a capacidade de espalhar como incêndio ao redor do mundo, o que aumenta a volatilidade dos mercados na medida em que os mercados reagem em tempo real. Pode ser difícil para um investidor ver o cenário mais geral com tantos detalhes, especialmente enquanto ele tenta evita os perigos imediatamente à sua frente, o que pode gerar, algumas vezes, equívocos causados por precipitações. Na medida em que a minha equipe de mercados emergentes participou de uma série de conferências profissionais europeias, ficou claro que o desafio de investir com foco em longo prazo em um mundo de curto prazo é um dos temas cruciais. Na nossa última parada em Londres, eu convidei Tom Wu, vice-presidente, diretor sênior da Templeton Asset Management Ltda. e um veterano com mais de duas décadas na nossa equipe de mercados emergentes, a postar em meu blog detalhando a sua visão sobre as perspectivas de investimento em longo prazo em um mundo de curto prazo. Acompanhe esse post feito por um convidado lendo abaixo.
Estamos ficando, cada vez mais, devotos digitais na nossa vida cotidiana. As redes eletrônicas nos conectam com amigos, familiares e colegas, e nos fornece um fluxo constante de notícias, 24 horas por dia. Na medida em que as manchetas percorrem o globo em segundos, elas podem motivar os investidores a tomar decisões baseadas na emoção e os mercados a ter movimentações dramáticas. Quando os mercados financeiros parecem estar em crise, nós vimos uma tendência dos investidores de correr rapidamente daqueles mercados ou da classe de ativos que eles acreditam ser “arriscados” em busca de algo que eles consideram ser mais “seguro.” Essa movimentação de “risco-on,” “risco-off” frequentemente ocorre mesmo antes de ter todas as informações sobre o caso —normalmente é caso de “atire primeiro, faça as perguntas depois.”
Na minha opinião, isso geralmente é a pior coisa que pode ser feita. A nossa estratégia está em perguntar primeiro e depois agir. Mark e o restante da equipe da Templeton aprendeu bastante com o sábio Sir John Templeton, que acreditava que a manutenção de uma perspectiva de investimento de longo prazo era algo essencial para ter sucesso em longo prazo. Essa abordagem foi testada muitas e muitas vezes pelos anos que nós estamos atuando em mercados emergentes. E vimos os mercados emergentes registrarem ganhos em dígitos duplos, ou perdas desse tamanho, em espaços de meses!
As lições que aprendemos durante esses períodos voláteis estão relacionadas com olhar com calma a situação pelo viés de longo prazo, confiar em nossa pesquisa e base para investimento, e nas nosas análises no dia a dia das companhias individualmente. Acima de tudo, aprendemos a não reagir motivado por notícias de curto prazo, não raro, sensacionalistas. Temos, evidentemente, conhecimento sobre o clima macroeconômico, mas ele não é o principal motivador para o nosso processo de tomada de decisão quando estamos olhando para um investimento específico. Sempre buscamos empresas em que encontramos forte fluxo de caixa e um histórico de devolver dinheiro via dividendos aos acionistas. Nós analisamos e fazemos reuniões com o time executivo e os gestores financeiros de cada companhia, sempre que possível. Quando encontramos o que vemos como uma barganha de investimento, nós normalmente nos mantemos fiéis enquanto acreditamos que as perspectivas para futuro crescimento seguir forte.
Para o investidor médio, encontrar o tempo certo no mercado é uma tarefa difícil, senão impossível. O melhor conselho que podemos dar para os investidores para ajudar a enfrentar as flutuações de curto prazo está na diversificação por várias classes de ativos tanto domesticamente quanto internacionalmente, ainda que não haja garantias que a diversificação garanta lucros em um cenário de perdas.
Na medida em que um evento específico não vai causar impactos em todos os mercados da mesma maneira, no mesmo momento, acreditamos que é fundamental investir ao redor do mundo, conseguindo exposição em economias em que as perspectivas de crescimento parecem atraentes. A edição de 2012 da Pesquisa Global do Sentimento do Investidor da Franklin Templeton mostrou que vários investidores possuem um forte viés pelo seu “país natal”, preferindo manter os seus ativos nos seus próprios mercados locais, mas diversificação geográfica estimula a possibilidade de expandir além das fronteiras da sua terra natal, seja onde for, e pensar globalmente.
É evidente que os investidores iriam preferir resultados positivos em todas as semanas, durante todos os meses e todos os anos, mas todos sabemos que isso é simplesmente impossível. Se nós nos focamos nos resultados de curto prazo, é bem provável que sejamos varridos pela volatilidade do mercado e os resultados dificilmente serão o que nós esperávamos. Por mais que o desempenho no passado não seja um indicativo para resultados futuros, nós testemunhamos uma tendência geral para os de tendência altista (bull markets) durar mais e aumentar acima em termos porcentuais, enquanto os de tendência baixista (bear markets) geralmente tendem a ser mais curtos e cair menos em porcentagem. Contudo, diversos investidores lembram-se apenas da dor forte da perda súbita, em vez da lenta subida.
Colocando em Prática: A Tailândia e a Zona do Euro
A experiência da Tailândia em 2011 com desastres naturais é um exemplo de como colocar a visão de longo prazo em prática. Inundações quase destruíram o país naquele ano e, investidores olhando apenas pelo viés de curto prazo previram apenas desastre financeiro e problemas. Independente disso, o mercado tailandês suportou bem os eventos, se recuperando no primeiro trimestre de 2012 acompanhando com um salto nos gastos dos consumidores e com os esforços de reconstrução governamentais, e no estímulo de medidas políticas como o aumento no salário mínimo ajudou a reforçar o progresso feito desde o fim das enchentes. O Fundo Monetário Internacional projeta, agora, que o produto interno bruto da Tailândia vai crescer aproximadamente 5.5% em 2012 e 7.5% in 2013,1 o que parece uma perspectiva bastante favorável em comparação com outros mercados desenvolvidos.
A crise da dívida na Europa parece ser outro exemplo de um cenário de desastre financeiro e problemas nas manchetes jornalísticas, e a incerteza inegavelmente já teve efeitos em inúmeros mercados ao redor do mundo. Acredito que a crise na Zona do Euro vai, eventualmente, se nivelar, especialmente porque os líderes lá parecem resolutos em resolver o problema do déficit fiscal e impuseram disciplina em países que não cumpriram com as suas obrigações. Agora, apesar de ser verdade que várias das medidas de austeridade recomendadas não vão ser adotadas —seja por falta de vontade política dos governos locais ou seja pela burocracia envolvida— acreditamos que os líderes estão caminhando no sentido correto ao reconhecer que o que é doloroso para muitas pessoas em curto prazo pode resultar em um cenário de longo prazo mais positivo para todos.
Esta é, de fato, a mensagem principal aqui (e é o meu lema pessoal): o mundo pertence aos otimistas.
1. Fonte: Fundo Monetário Internacional, World Economic Outlook, April 2012. © By Fundo Monetário Internacional. All Rights Reserved.



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O americano Mark Mobius, um dos investidores mais respeitados do mundo, é o chairman executivo do Templeton Emerging Markets Group.
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