Crise amedronta e pode empobrecer as escolhas | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
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Crise amedronta e pode empobrecer as escolhas

Alfredo Duarte

Tanto se falou nestes últimos anos no Brasil “nunca antes nesse país” que acabou vindo uma crise, essa sim, nunca antes com a amplitude, alcance, duração e, ainda vamos aprender a contar e dimensionar seus efeitos altamente negativos. Oh, boca!

Contando até agora, são pelo menos 18 meses de jogo duro. É tempo demais.

Mutatis mutandis, pode ser nossa grande oportunidade de, voltando a normalidade e o crescimento, superarmos as razões, motivos e interesses que nos enfiaram nessa camisa de força.

Mutatis mutandis parece antigo e parece chique, mas é perfeito. Vi na WEB: expressão latina que significa mudando o que tem de ser mudado.

Crise, erros e situações problemáticas de toda ordem são eventos que produzem vários males, cobram preços muito altos, mas também funcionam como professores de qualidade incomparável, se formos capazes de superar o medo e o condicionamento.

O medo tem potencial para ser a maior e pior dimensão da crise: a gente não muda!

A gente se encolhe, se recolhe, tire o time de campo e fica torcendo para não perder o jogo. O problema do medo é que ele é inerente. O medo de perder faz perder.

Você que tem sentido mais os efeitos da crise tem também percepção de como o medo é causa e não circunstância dos resultados?

Medo, dizem os entendidos, até certo ponto nos deixa atentos. Mesmo com medo, ficamos de prontidão, isto é, prontos e dispostos. Bendito medo!

Mas passando do ponto, o medo é letal. A gente espera, evita, recua, cede, foge. E pode reagir muito tarde quando o vetor da crise mudar. Medonho!

Crises também são ruins porque alteram a lógica do processo decisório e, por extensão, a qualidade de nossas escolhas.

Em situações normais é altamente conveniente padronizar posturas e respostas para problemas e demandas similares e que se repetem com frequência. São os famosos planos permanentes, que economizam tempo, dinheiro e decisões casuísticas.

Nas situações de crise não tem como usar soluções padronizadas.

O jogo agora tem que ser caso a caso, às vezes ponto a ponto, o que nos deixa muito perto das armadilhas que empobrecem as decisões: concluir por intuição, decidir pelo caminho mais curto, contentar-se com uma única solução, isolar-se com o problema e, fator recorrente, desprezar os detalhes.

18 meses é tempo demais. Quanto está próximo o ponto da virada?

Quando sair na mídia já não será mais novidade. Quem pular a barreira primeiro, mesmo com um pouco de medo, e evitar decisões condicionadas, sai em vantagem.

AlfredoDuarte

 

 

 

 

 

Alfredo Duarte
Consultor e Palestrante parceiro do Grupo Empreenda.
É colunista do Blog do Management da EXAME.com
http://grupoempreenda.com.br/alfredo-duarte/

A Empreenda presta serviços de consultoria em:

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