Blog do Management

09.08.2012 - 06h55

Um Vendedor Chamado Menser

Conta a lenda que em tempos nem tão remotos assim, quando ainda era admissível vendedores espertos, tinha um sabido que vendia anúncios em catálogos usando a isca do preço absurdamente baixo.

Ao visitar um novo cliente, apresentava todas as excepcionais vantagens do posicionamento da empresa no catálogo e então apresentava o preço. Apenas apresentava, não dizia se era por mês ou pelo contrato anual.

Surpreendido pela aparente e exuberante vantagem, muitos clientes se prontificavam a assinar o contrato. Nesse momento, o vendedor pedia que o cliente, num campo próprio e de próprio punho, escrevesse o nome do vendedor. Menser.

E estava feito o jogo.

Como é próprio da natureza humana, alguns deixavam passar e pagavam todo mês o valor do anúncio, seja por acharem o preço justo, seja simplesmente para não provocarem o confronto. Mas havia, também, quem botasse a boca no trombone.

Esses eram atendidos por outro vendedor, que procura contornar a insatisfação e agora vendia valor. O cliente, antes, havia comprado preço; agora, precisava comprar a ideia. Se a coisa apertava, valia o contrato. “X$” menser, isto é, mensais.

Os tempos mudam, as pessoas e os profissionais aprendem, o mercado tende a ficar e a permanecer mais inteligente e mais civilizado. O ritmo às vezes é ou parece lento; a intensidade, pouco expressiva. Mas o movimento é contínuo, a direção correta. É a evolução.

Em vendas cada vez há menos espaço e menos tolerância para a esperteza, para a vantagem espúria, para a mentira. Menser virou alegoria politicamente incorreta e exemplo de comportamento que acaba com carreiras e com empresas.

Negócios ocorrem com mais naturalidade, com melhor rentabilidade e por mais tempo quando as partes se compreendem, se respeitam, se ajudam.  É a lógica da co-criação, a mágica da parceria.

Vendedores conscientes sabem que precisam atuar sempre em duas frentes. No cliente, trabalham e defendem os interesses legítimos da empresa que representam. Na empresa, trabalham e defendem as necessidades e soluções desejadas pelos clientes, que agora também representam.  E não é “menser”, é sempre, é todo dia.

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