O conhecido e mal afamado princípio de que os fins justificam os meios costuma ser usado para separar, nas visão dos negociadores “maquiavélicos”, os meninos dos homens.
Nicolau, do túnel do tempo, franze a testa e tenta se lembrar se foi isso mesmo o que disse.
O princípio maquiavélico que interessa à negociação é “enuncie cada ação em função dos resultados que se pretende obter”. Em vez do forçado conflito entre meios e fins, associa intenção e ação. Em linguagem de hoje, foco.
Na situação negocial, o desvio ético que subordina meios a fins direciona a negociação para o ganha-perde, conta que cada vez é mais difícil de fechar, especialmente quando o interlocutor a quem se destina o “perde” pode considerar outras alternativas, entre elas interagir, agora ou no futuro, com um interlocutor mais confiável.
O problema é ainda mais grave quando um e outro negociador, reconhecendo a tática do opositor, resolvem pagar para ver. O que se vê geralmente é maldade dez, inteligência zero. As cartas são marcadas com mentira, trapaça, chantagem. Nesse jogo é a borboleta que vira lagarta, o ganha-perde que maximizaria um dos lados se transforma em perde-perde. Neste, o dano de um não compensa o dano do outro. Ficam os dois danados.
O que faz isso acontecer? O que distorce nossa percepção, a ponto de ignorarmos a interdependência que compõe as situações negociais?
O princípio fundamental da negociação é a interdependência. Quem pode tudo não precisa negociar, quem nada pode não tem o que negociar. A negociação se impõe quando as partes, mesmo com status e potencial diferentes, se completam. Nesse contexto, acreditar em parceria é essencial e adotar práticas construtivas junta meios e fins comuns para co-criar resultados possíveis e desejados.
A negociação em que se co-cria não tem nada a ver com o popular “nem prá mim, nem prá você”, em que as partes desistem de negociar e simplesmente somam as ofertas e dividem o todo por dois. A negociação criativa aposta no prefixo “cria” e então procura incrementos e identifica ganhos potenciais que não haviam sido inicialmente considerados. Pode não ser fácil nem simples, mas se o todo é mesmo maior que a soma das partes, no insight da Gestalt, integrar meios e fins gera acordo e ganhos, subordinar gera conflito e perdas. Help, Nicolau.


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César Souza é um dos mais respeitados consultores sobre estratégia, gestão e liderança. Escritor e palestrante, preside o Grupo Empreenda. Dentre seus best-sellers acaba de lançar o livro "A NeoEmpresa".
Alfredo Duarte escreve sobre Negociação e Vendas, sua especialidade. Consultor, escritor e palestrante associado da Empreenda, é professor no MBA Madia Marketing School.
Eduardo Najjar expert brasileiro emFamily Business. Consultor e palestrante associado da Empreenda, coordenador do Grand Tour Family Business Internacional. É professor na ESPM.
Isaac Edington escreve sobre Sustentabilidade empresarial. Consultor associado da Empreenda, é presidente do Instituto EcoD e publisher do portal Ecodesenvolvimento.
Robson Henriques é Nexialista, Historiador de Ideias e Especialista em Criatividade Combinatorial. Consultor Associado da Empreenda, lecionou no Istituto Europeo Di Design.
Airton Carlini escreve sobre Change Management, sua especialidade. Consultor, escritor e palestrante associado da Empreenda. É coaching certificado pelo Instituto ISOR
Tadeu Pagliuso expert em Modelos de Gestão e Processos voltados a Excelência Empresarial. Consultor associado da Empreenda, atuou como superintendente da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).
Milton Camargo sócio diretor do Grupo Empreenda e coordenador do Blog do Management.
André Torreta expert e profundo conhecedor dos comportamentos e hábitos da "Nova Classe Média Brasileira". Consultor associado da Empreenda e autor dos livros "Mergulho na base da Pirâmide" e "Agora Vai"
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Augusto Barbosa Lima
Alfredo, O bicho Homem é a espécie, do reino animal e de todas as espécies que compõe o ecossistema, a que verdadeiramente preda; as outras, não. As demai...
Augusto Barbosa Lima
Alfredo,
O bicho Homem é a espécie, do reino animal e de todas as espécies que compõe o ecossistema, a que verdadeiramente preda; as outras, não. As demais espécies – mal ditas irracionais, agem e funcionam pelo equilíbrio dinâmico.
Vamos desaparecer sem poder comprovar e experimentar a assertiva de que o todo para ser vantajoso, forte e consistente, tem que ser maior que a soma das partes.
É, Alfredo, borboletas continuarão virando lagartas – continuaremos sempre no retrocesso. Assim, posto pelo seu exposto, ou mudamos de pensamentos e entendimentos, ou desapareceremos. E não há Maquiavel que resolva.