Blog do Management

20.06.2011 - 09h00

A Geração Y diz: Não quero trabalhar no inferno!

Era mais um daqueles dias que gostaríamos de esquecer. Logo pela manhã, o trânsito já sinalizava que as coisas não caminhariam bem. O carro da frente insistia em perambular pela rua, com uma lentidão torturante. Justo hoje que ele precisava chegar mais cedo ao escritório, para finalizar aquele relatório que, de tanta pressão que sofreu para entregar, deveria salvar o planeta.

Até mesmo ouvir o noticiário no rádio trouxe uma refinada dose de autopunição, pois cada matéria escolhida pelos jornalistas neste início de manhã revelava uma desgraça ou uma injustiça que aconteceu recentemente.

O cenário fora do carro também não era muito animador. Os ônibus e lotações passavam abarrotados de pessoas espremidas e sufocadas. Nenhum sorriso, nenhuma alegria, apenas rostos angustiados e concentrados em seus próprios universos, talvez esperando que aquele dia acabasse logo.

Ao chegar no trabalho, descobriu que, durante a madrugada, um problema nos computadores destruiu todo relatório que havia preparado durante a semana. Assim, aquilo que seria uma simples revisão se tornou um castigo imenso, comprometendo todas as suas outras atividades do dia, inclusive o almoço de reencontro com um antigo colega de escola.

Voltando para sua casa ao final do dia, sentia uma sensação de “déjà-vu”, pois os carros lentos, os ônibus lotados e os rostos angustiados, estavam novamente fazendo parte do cenário. O único pensamento que conseguia formular sobre isso era de que não havia nada de novo, tudo sempre foi assim.

Ao estacionar seu carro, encontrou um vizinho simpático que lhe perguntou:

- Como vai vizinho?

A resposta saiu sem energia e quase que automaticamente:

- Vou indo…

O vizinho não quis ampliar a conversa, talvez por receio de se contaminar com a falta de entusiasmo da resposta.

Entrando em sua casa, ele foi recebido por um garoto que não tinha altura suficiente para um cumprimento mais próximo e, sendo seu filho, sentiu-se impelido a curvar-se para dar-lhe um beijo. Este movimento revelou-se traumático, pois seu corpo, sedentário, não lhe proporcionava a flexibilidade de outros tempos.

Isto também determinou suas próximas ações, fazendo com que o prometido jogo de bola com o filho fosse novamente adiado para outra ocasião.

Digeriu o jantar durante uma nova dose de autopunição, desta vez proporcionada pelo telejornal e, depois de cochilar no sofá durante alguns instantes, entregou seu corpo à sedutora cama, começando seu sono com imagens e pensamentos das mesmas atividades que iria realizar no dia seguinte.

Muitos anos se passaram e esta rotina foi se cristalizando de tal forma, que parecia fazer todo sentido.

Quando era questionado sobre sua vida, ele sempre respondia:

- Vou indo…

Quando seu filho já tinha altura para cumprimentá-lo sem que isto representasse um esforço físico, ele foi surpreendido por uma pergunta:

- Pai, sempre vejo você cansado, chateado, esgotado. Você não me parece feliz! Pra onde você está “indo”, quando as pessoas o cumprimentam?

Ele não tinha uma resposta pronta, mas tentou esboçar um argumento que pudesse ser coerente:

- Filho, eu sigo minha vida, vou indo pra onde todos nós vamos. Gostaria de ser mais feliz, sim, mas o meu trabalho é um inferno. Quando chego de lá, estou completamente acabado. Não vejo a hora de me aposentar e sair de lá. Aí eu serei feliz!

Antes que o filho comentasse, ele perguntou:

- Mas e você, meu filho, o que pensa em fazer da vida? Pra onde vai?

O jovem respondeu:

- Pai, não sei para onde vou no futuro, mas uma coisa eu posso lhe garantir, não vou mandar meu currículo pra sua empresa, pois eu quero ser feliz antes de me aposentar. Não quero trabalhar no inferno!

Comentários (2) 

  • Termo de uso | Comentários sujeitos a moderação
  • Anônimo

    Eu tb nao quero !!! Excelente texto, parabéns ! @keepmoveiton

  • Irineu Pereira Coutinho

    Será que se trocar de emprego, sairia ou continuaria no inferno? eheheh Este é o ponto. Empresas precisam mudar o seu jeito de ser. Buscar um modelo de felic...

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