Para deleite dos fans do gênero, está entrando em cartaz o esperado ”The aloprated”, outra memorável produção do cinema subpolítico.
Contar filme é uma prática abominável. Acho até que é falta de educação. Neste caso, porém, eu não vejo nenhum mal, p0is a trama é facilmente previsível, do começo ao fim.
Numa pequena cidade de Minas, um rapaz, Gilberto, funcionário da Receita Federal, resolve se deslocar até o município vizinho a fim de acessar dados sigilosos de determinado contribuinte, Eduardo.
À medida em que os letreiros iniciais vão aparecendo, o espectador já é informado de que Gilberto não é apenas um dedicado funcionário público. É também militante de um partido. Faz as duas coisas com grande zelo.
Por notável coincidência, o contribuinte-alvo, Eduardo, também se interessa por política ; ocupa, aliás, uma posição de destaque na direção do partido que Gilberto combate.
O ônibus estaciona e Gilberto chega a seu destino. A cena é uma ode ao dinamismo do cinema moderno.
Na vida real, nós todos sabemos que as repartições públicas são em geral lentas, diria até paquidérmicas. Pensamos que Gilberto vai precisar de um tempão para fazer aquilo a que se propôs (ou que lhe foi proposto ). Qual nada, aqui estamos falando de uma obra-prima da ficção subpolítica : Gilberto faz 10 acessos em menos de 1 minuto.
Surgem, então, duas possibilidades. De um lado, a de que Gilberto agiu sozinho, levado tão-somente por sua curiosidade . Tomadas em flash-back reforçam esta hipótese, mostrando a insaciável curiosidade do rapaz por tudo e todos que o cercam. Desde a infância, ele se interessa pelos mais variados assuntos, em diversas áreas , por países distantes, tudo.
A segunda hipótese é a de que ele tenha sido orientado ou quem sabe até contratado por terceiros. Algum superior hierárquico amedrontado com a possibilidade de deixar algo registrado no computador. Ou alguém estranho à Receita, mas quem poderia ser ? Algum chantagista ? Ou pessoas bem situadas na máquina de seu partido, eventualmente até na campanha eleitoral em curso.
A imprensa obviamente se interessa pelo caso e acha tudo muito estranho. Inclina-se pela segunda hipótese, quando nada porque outras violações de sigilo ocorreram no país, de forma parecida e mais ou menos na mesma época.
Preocupada, a alta direção nacional do partido de Gilberto trata de contestar o que os jornais vão publicando. Teme a repercussão eleitoral do fato. Diz que é tudo notícia requentada.
No partido de Eduardo, como seria de esperar, prevalece o ponto de vista de que gilbertos não agem de forma isolada. E, realmente, como atribuir ao acaso a quebra quase simultânea do sigilo fiscal de várias pessoas ligadas à direção nacional e ao próprio candidato presidencial da agremiação ?
O partido e o próprio Eduardo denunciam, protestam e exigem celeridade nas investigações .
Suspense total. O espectador pressente que a trama caminha para um desenlace dramático.
O que ocorre, no entanto…
Não, não vou relatar o final ; pensando bem, seria mesmo uma grande falta de educação.


















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marly winnie soares rangel
Somos obrigados a ser espectadores desse filme abominável e, pior, de final previsível!!! Deveríamos e poderíamos ter o direito a nunca mais assistir filmes...
marly winnie soares rangel
Somos obrigados a ser espectadores desse filme abominável e, pior, de final previsível!!! Deveríamos e poderíamos ter o direito a nunca mais assistir filmes dessa qualidade. Será que é pedir demais?