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Blog do Bolívar Lamounier

01.09.2010 - 12h29

Quebras de sigilo fiscal : ” jabuti não sobe em pau, se tem um lá em cima, foi alguém que colocou”

 

Sobre a quebra do sigilo fiscal de várias pessoas ligadas a José Serra, candidato à presidência pelo PSDB, o reporter Kennedy Alencar relata uma interpretação no mínimo desconcertante que colheu entre auxiliares imediatos do presidente Lula. 

Eu mal havia concluído a leitura e já me lembrava do ditado predileto do deputado Ulysses Guimarães : “jabuti não sobe em pau, se tem um lá em cima, foi alguém que colocou “. 

A desconcertante  informação a que me referi  está no portal Folha.com de hoje.  Tendo em vista o período em que os sigilos foram acessados – escreve Alencar -,  dois auxiliares  diretos de Lula sustentam que, se houve intenção de uso político de tais informações,  isso teria ocorrido em função da disputa entre Serra e Aécio Neves pela candidatura presidencial do PSDB. Seria, pois, um affair interno dos tucanos .  

Antes de entrar na substância, não posso deixar de dar os meus parabéns ao presidente Luís Inácio por sua visão inovadora e seu desejo de arejar a sizuda atmosfera do Palácio do Planalto. 

Contratar dois galhofeiros para a sua assessoria foi uma inovação digna de irrestrito  louvor. De fato, as hipóteses que os dois aventaram refletem, por um lado,  uma clara intenção de levar o público à saudável prática do riso, de outro, uma notável sutileza no terreno da análise policial e política. Senão, vejamos.

Primeiro, há uma admissão implícita de que a proximidade entre as pessoas cujos sigilos foram quebrados seja obra do acaso.  Sim, a ação criminosa atingiu várias pessoas próximas a José Serra ; e daí ? 

A chance de isso ocorrer por acaso é absolutamente minúscula,  mas o mesmo se verifica na Mega-Sena, e esta frequentemente tem acertadores. Impossível, portanto, não é.    

Outra hipótese a considerar  - aqui eu tento explicitar outro pedaço do raciocínio dos dois assessores –  seria a quebra ter partido do próprio José Serra.

Com o fito de prejudicar Aécio, Serra teria ordenado, como direi, uma auto-quebra, ou uma auto-devassa nas informações fiscais das  referidas pessoas . Estaríamos neste caso examinando uma argúcia verdadeiramente florentina. 

O tucano, ou algum graduado assessor dele, teria calculado que o dano causado à pretensão de Aécio seria inversamente proporcional à proximidade dos donos dos sigilos. Quanto mais distantes do ilustre mineiro, mais arrasador o dano.     

Terceiro, e óbvia, é a hipótese de ter sido o próprio Aécio Neves o autor intelectual ou material do nefando sortilégio.  Esta pista confundiria o próprio Sherlock Holmes. Quem suspeitaria que a jovialidade quase de playboy do então governador de Minas Gerais oculta uma vileza  inequivocamente shakespeareana ? 

O acerto de Lula ao contratar tais assessores evidencia-se, como escrevi acima, na notável combinação de bom-humor e agudeza analítica que aparentemente os caracteriza.

Eu acrescentaria que os dois referidos assessores são bem providos de senso prático e dons de observação. 

Evidência disso é o testemunho deles sobre como as informações sigilosas, que deveriam ter ficado em Minas, acabaram aparecendo em Brasília .  

Como escreve Kennedy Alencar, “esses dois auxiliares de Lula sustentam que o “erro político” do PT teria sido levar fatos apurados [pelo jornalista Hamilton Ribeiro]  para dentro da pré-campanha de Dilma. E ambos debitam esse erro na conta de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, que teria tentado montar uma estrutura paralela na campanha”.

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Comentário (1) 

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  • Botelho Pinto

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