Sobre a quebra do sigilo fiscal de várias pessoas ligadas a José Serra, candidato à presidência pelo PSDB, o reporter Kennedy Alencar relata uma interpretação no mínimo desconcertante que colheu entre auxiliares imediatos do presidente Lula.
Eu mal havia concluído a leitura e já me lembrava do ditado predileto do deputado Ulysses Guimarães : “jabuti não sobe em pau, se tem um lá em cima, foi alguém que colocou “.
A desconcertante informação a que me referi está no portal Folha.com de hoje. Tendo em vista o período em que os sigilos foram acessados – escreve Alencar -, dois auxiliares diretos de Lula sustentam que, se houve intenção de uso político de tais informações, isso teria ocorrido em função da disputa entre Serra e Aécio Neves pela candidatura presidencial do PSDB. Seria, pois, um affair interno dos tucanos .
Antes de entrar na substância, não posso deixar de dar os meus parabéns ao presidente Luís Inácio por sua visão inovadora e seu desejo de arejar a sizuda atmosfera do Palácio do Planalto.
Contratar dois galhofeiros para a sua assessoria foi uma inovação digna de irrestrito louvor. De fato, as hipóteses que os dois aventaram refletem, por um lado, uma clara intenção de levar o público à saudável prática do riso, de outro, uma notável sutileza no terreno da análise policial e política. Senão, vejamos.
Primeiro, há uma admissão implícita de que a proximidade entre as pessoas cujos sigilos foram quebrados seja obra do acaso. Sim, a ação criminosa atingiu várias pessoas próximas a José Serra ; e daí ?
A chance de isso ocorrer por acaso é absolutamente minúscula, mas o mesmo se verifica na Mega-Sena, e esta frequentemente tem acertadores. Impossível, portanto, não é.
Outra hipótese a considerar - aqui eu tento explicitar outro pedaço do raciocínio dos dois assessores – seria a quebra ter partido do próprio José Serra.
Com o fito de prejudicar Aécio, Serra teria ordenado, como direi, uma auto-quebra, ou uma auto-devassa nas informações fiscais das referidas pessoas . Estaríamos neste caso examinando uma argúcia verdadeiramente florentina.
O tucano, ou algum graduado assessor dele, teria calculado que o dano causado à pretensão de Aécio seria inversamente proporcional à proximidade dos donos dos sigilos. Quanto mais distantes do ilustre mineiro, mais arrasador o dano.
Terceiro, e óbvia, é a hipótese de ter sido o próprio Aécio Neves o autor intelectual ou material do nefando sortilégio. Esta pista confundiria o próprio Sherlock Holmes. Quem suspeitaria que a jovialidade quase de playboy do então governador de Minas Gerais oculta uma vileza inequivocamente shakespeareana ?
O acerto de Lula ao contratar tais assessores evidencia-se, como escrevi acima, na notável combinação de bom-humor e agudeza analítica que aparentemente os caracteriza.
Eu acrescentaria que os dois referidos assessores são bem providos de senso prático e dons de observação.
Evidência disso é o testemunho deles sobre como as informações sigilosas, que deveriam ter ficado em Minas, acabaram aparecendo em Brasília .
Como escreve Kennedy Alencar, “esses dois auxiliares de Lula sustentam que o “erro político” do PT teria sido levar fatos apurados [pelo jornalista Hamilton Ribeiro] para dentro da pré-campanha de Dilma. E ambos debitam esse erro na conta de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, que teria tentado montar uma estrutura paralela na campanha”.




















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Vamos a alguns fatos: É notório que algumas agências da receita mais parecem a casa da mãe Joana. Qualquer um entra e sai, todo mundo usa a senha de todo m...
Botelho Pinto
Vamos a alguns fatos:
É notório que algumas agências da receita mais parecem a casa da mãe Joana. Qualquer um entra e sai, todo mundo usa a senha de todo mundo, computadores são deixados ligados a qualquer um que queira ter acesso, declarações vão parar em CDs que são vendidos em camelôs.
Outro fato é o uso disso pela oposição e pela imprensa para tentar colocar essa bomba no colo da candidata Dilma. É uma baixaria sem limites. Que cobrem isso do presidente Lula, que ele demita o atual secretário da Receita, agora querer vincular com a Dilma é o fato novo que a oposição tanto queria, é a bala de prata, como foi em 2006 quando conseguiram levar a eleição ao segundo turno. Será que conseguirão desta vez?
Uma coisa me deixou com a pulga atrás da orelha. Como um cara que é estelionatário profissional, procurado pela justiça e por credores em muitos estados por vários crimes cometidos e que possue em seu nome nada mais nada menos do que 5 CPFs, comete um crime contra a filha do governador de SP, um dos homens mais poderosos do país e usa o seu verdadeiro CPF? outra coisa. Como um cara que está a anos foragido é encontrado e concede entrevistas em menos de 12 horas? Lendo a entrevista concedida a FSP consegue-se notar a falta de caráter deste cidadão, que se diz com nojo da politica e que é apaixonado pelo Serra. Ele diz que agora é o seu momento de glória igual a Geyse Arruda no caso UNIBAN. Será que só eu sinto que alguma coisa nesta estória toda não cheira bem?