Quem examinar o quadro brasileiro neste momento poderá estranhar minha preocupação com efeitos possivelmente mexicanizantes e autoritários do presente processo eleitoral. Mas política, para invocar o mais gasto dos chavões, é como nuvem. As formas que ela está assumindo hoje poderão não se repetir daqui a seis meses, um ano ou dois anos.
“Mexicanização” não significa supressão pela força das liberdades e garantias constitucionais. Não é (nem requer necessariamente) um golpe de Estado.
É, isto sim, uma supressão da competição politica e eleitoral. A “mexicanização” pode conviver com certo grau de pluralismo político, desde que controlado ou consentido- como aliás ocorreu nas 6 décadas durante as quais o PRI exerceu incontrastado domínio sobre a vida mexicana.
Um país pode chegar (ou cair) em tal situação por diversos caminhos. Atentos à conjuntura latinoamericana – especialmente ao que se passa na Nicarágua, na Venezuela e na Bolívia -, alguns analistas temem a instauração entre nós de um “chavismo branco” . Fazendo ampla maioria no Congresso, o governo poderia, por exemplo, implementar uma adrede concebida reforma política, com o objetivo de assegurar por muito tempo a posição dominante da aliança partidária PT-PMDB, que o respalda.
Eu tenho ponderado que um processo desse tipo talvez nem seja necessário. O que uma estratégia “mexicanizante” ou “chavista” requer é a esterilização política da oposição. Isto é óbvio : o cerne da democracia é a possibilidade da alternância no poder. Onde não há uma oposição com chances reais de ascender ao comando do Estado, não há democracia.
Atualmente, no Brasil, a possibilidade de uma oposição eficaz passa necessariamente pelo PSDB. Um projeto de poder de longo prazo, hegemônico, requer o virtual aniquilamento politico-eleitoral dos tucanos.
Como já se notou, um país pode ser “levado” à uma situação mexicanizada, ou pode “cair” simplesmente nela. A esterilização da oposição pode resultar de uma estratégia do poder momentaneamente existente ou de uma conjunção de erros, acidentes de percurso, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas.
O ponto que eu mais tenho martelado diz respeito à estratégia eleitoral montada pelo presidente Lula, nem um pouco sutil em seu objetivo de alvejar em cheio a oposição tucana.
Tenho também ressaltado a maleabilidade clientelista que praticamente anula a vitalidade democrática porventura existente no PMDB, e certos traços ideológicos dos quais o PT parece longe de se livrar, e que emprestam a esse partido uma coloração indisfarçavelmente autoritária.


















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Não existe nada de autoritarismo. Apenas o excelente trabalho de Lula. Que Dilma vai continuar, com a maioria dos votos do povo brasileiro.
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Bolívar Lamounier
Queira Deus que você tenha razão.Eu temo que não. [WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us '0 which is not a hashcash value.
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Botelho Pinto
Esse autoritarismo que você tem medo começou com a compra escandalosa de votos para mudar a lei brasileira e permitir a reeleição. E conseguiram. A polític...
Botelho Pinto
Esse autoritarismo que você tem medo começou com a compra escandalosa de votos para mudar a lei brasileira e permitir a reeleição. E conseguiram. A política empregada pela elite, aliada a pessoas como você e outros milhares de jornalistas que fazem o jogo dos patrões tentou e tentará manter a hegemonia da classe dominante em detrimento da população. Mas chega uma hora que não dá para esconder as mazelas, por isso Serra perdeu em 2002 apesar de todo o apoio da mídia. Enquanto existir pobres, a questão social irá prevalecer. E pelo ritmo que estamos crecendo, logo logo o número de pobres será inferior a classe média. Nessa hora, eles esquecerão de onde vieram, como chegaram nesta condição, e a direita conservadora voltará ao poder para o seu delírio. Por isso é importante a politização das pessoas que estão subindo na vida, para que elas saibam quem realmente os levou a chegar lá. Só assim a esquerda terá chances de se manter no poder.