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Blog do Bolívar Lamounier

17.08.2010 - 17h12

Sim, a eleição deste ano envolve certo risco autoritário

Quem examinar o quadro brasileiro neste momento poderá  estranhar minha preocupação com efeitos possivelmente mexicanizantes e autoritários do presente processo eleitoral. Mas política, para invocar o mais gasto dos chavões, é como nuvem. As formas que ela está assumindo hoje poderão não se repetir daqui a seis meses, um ano ou dois anos.

“Mexicanização” não significa supressão pela força das  liberdades e garantias constitucionais. Não é (nem requer necessariamente) um golpe de Estado. 

É, isto sim, uma supressão da competição politica e eleitoral.  A “mexicanização” pode conviver com certo grau de pluralismo político, desde que controlado ou consentido- como aliás ocorreu nas 6 décadas durante as quais o PRI exerceu incontrastado domínio sobre a vida mexicana.

Um país pode chegar (ou cair) em tal situação por diversos caminhos. Atentos à conjuntura latinoamericana – especialmente ao que se passa na Nicarágua, na Venezuela e na Bolívia -, alguns analistas temem a instauração entre nós de um “chavismo branco” . Fazendo ampla maioria no Congresso, o governo poderia, por exemplo, implementar uma adrede concebida reforma política, com o objetivo de assegurar por muito tempo a posição dominante da aliança partidária PT-PMDB, que o respalda.  

Eu tenho ponderado que um processo desse tipo talvez nem seja necessário. O que uma estratégia “mexicanizante” ou “chavista” requer é a esterilização política da oposição. Isto é óbvio : o cerne da democracia é a possibilidade da alternância no poder. Onde não há uma oposição com chances reais de ascender ao comando do Estado, não há democracia.

Atualmente, no Brasil,  a possibilidade de uma oposição eficaz passa necessariamente pelo PSDB.  Um projeto de poder de longo prazo, hegemônico, requer o virtual aniquilamento politico-eleitoral dos tucanos.

Como já se notou, um país pode ser “levado” à uma situação mexicanizada, ou pode “cair”  simplesmente nela.  A esterilização da oposição pode resultar de uma estratégia do poder momentaneamente existente ou de uma conjunção de erros, acidentes de percurso, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas.

O ponto que eu mais tenho martelado diz respeito à estratégia eleitoral montada pelo presidente Lula, nem um pouco sutil em seu objetivo de alvejar em cheio a oposição tucana.

Tenho também ressaltado a maleabilidade clientelista que praticamente anula a vitalidade democrática porventura existente no PMDB, e certos traços ideológicos dos quais o PT parece longe de se livrar, e que emprestam a esse partido uma coloração indisfarçavelmente autoritária.

Último comentário por Bolívar Lamounier : De sua mensagem, Botelho, a parte que me parece mais útil é a frase final : sua admissão de que ...

Comentários (4) 

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  • Caio Rodrigues Góes

    Não existe nada de autoritarismo. Apenas o excelente trabalho de Lula. Que Dilma vai continuar, com a maioria dos votos do povo brasileiro.

  • Bolívar Lamounier

    Queira Deus que você tenha razão.Eu temo que não. [WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us '0 which is not a hashcash value.

  • Botelho Pinto

    Esse autoritarismo que você tem medo começou com a compra escandalosa de votos para mudar a lei brasileira e permitir a reeleição. E conseguiram. A polític...

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