01.05.2012 - 23h53

Fundos Imobiliários e a Análise Técnica

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) chamam a atenção do mercado nos últimos meses. Além de apresentarem uma ótima rentabilidade, há um aumento de ofertas desses fundos que fazem frente a forte demanda dos investidores. Algumas características desses fundos podem explicar o sucesso:

1- A possibilidade de possuir uma pequena fração de um empreendimento ou de um título de crédito imobiliário que estaria fora do alcance do pequeno investidor para uma compra direta.

2- A isenção de IR e IOF para as distribuições de rendimentos que os imóveis/títulos geram, lembrando que há IR de 20% no caso de ganho de capital pela venda das cotas.

3- Custos mais baixos para a negociação de cotas do fundo em comparação aos custos da negociação direta com imóveis.

4- A liquidez muito maior, pois as cotas são negociadas em bolsa, ou seja, o investidor pode entrar ou sair do mercado rapidamente.

5- O bom momento que o mercado imobiliário atravessa nos últimos anos, com uma forte valorização dos imóveis.

6- Geralmente os fundos apresentam um perfil mais interessante de locatários, geralmente grandes empresas, com contratos de longo prazo e reajustes de aluguel acima da inflação.

7- A possibilidade de diversificação dos investimentos imobiliários num mesmo fundo, pois há a possibilidade de compra de diferentes imóveis e títulos imobiliários, diminuindo o risco de inadimplência.

8- O pagamento mensal de rendimentos.

Por conta dessas características temos um produto que deve ser pelo menos avaliado para fazer parte de uma carteira de investimentos, lembrando sempre que existem riscos envolvidos, como por exemplo a inadimplência do locador ou do devedor dos títulos imobiliários que fazem parte da carteira do fundo, a flutuação do preço das cotas, que podem sofrer uma desvalorização siginificativa dependendo das condições do mercado imobiliário ou da economia em geral (uma crise pode aumentar a taxa de vacância ou gerar a diminuição do aluguel pago). Já existem alguns casos de fundos que tiveram os rendimentos mensais cortados por atraso na entrega de obras ou pelo não pagamento do aluguel por parte do locatário. Esse risco aumento nos fundos que tem apenas um imóvel ou um locatário. De qualquer forma, especialmente pela isenção do IR e pelo valor alto dos rendimentos pagos associado a um cenário global de baixa de juros, eles oferecem uma relação interessante de risco x potencial de ganho.

Mas e para o trader, será que é possível utilizar os fundos como instrumento de operações de curto prazo? Creio que sim. Fiz estudos nos gráficos desses papéis, através de uma seleção daqueles que apresentam melhor liquidez. Para que a Análise Técnica seja possível em qualquer mercado, ele precisa apresentar duas características básicas: alta liquidez e livre negociação. Essas premissas são apresentadas pelos fundos imobiliários mais negociados do mercado brasileiro. Fazem parte dessa lista os seguintes fundos:

AEFI11
BBFI11B
BBRC11
XPGA11
FVPQ11
ONEF11
FFCI11
NSLU11B
KNRI11
HTMX11B
FLRP11B
FEXC11B
CNES11B
BBVJ11
BCFF11B
BRCR11B

Como essas cotas são negociadas livremente na bolsa, a variação de preço representará a mudança de expectativa dos players ao longo do tempo, assim como acontece com os outros mercados que operamos, como as ações, opções, futuros e moedas.

Para dar um exemplo utilizarei o gráfico do fundo XP Gaia (XPGA11), lançado em dezembro do ano passado. Apesar do pequeno histórico, o fundo apresenta uma boa liquidez (600 milhões de reais/dia) e uma série de padrões conhecidos pela Análise Técnica.

Após o lançamento o mercado andou numa congestão por volta de R$ 98,00 para em seguida iniciar uma tendência de baixa, com a respectiva LTB. O candle do dia 15/02 marcou o fundo histórico em R$ 92,00 com uma barra de força. Após essa barra houve uma pequena congestão e rompimento de um pivot de alta em 07/03 com outro candle de força. Em 14/03 o mercado rompeu a resistência histórica e fez belo rally até o topo em R$ 108,00. Esse topo foi marcado por uma shooting star com uma longa sombra superior, um clássico sinal de esgotamente quanto ocorre após uma alta. O sinal foi seguido por uma queda até R$ 100,00. O movimento positivo foi sinalizado pela barra de força do dia 19/04. Nos últimos candles o mercado testa a zona de R$ 108,00 como resistência. Fica estabelecida uma tendência de alta com suporte agora em R$ 100,00.

Percebi um detalhe importante nesse gráfico e outros gráficos. É importanto utlizar o gráfico não ajustado pelos rendimentos, pois como a distribuição é mensal, os suportes e resistências gerados nos gráficos são perdidos.

É muito bom poder contar com um novo mercado operável como o de Fundos Imobiliários. Além da AT poder sinalizar os melhores momentos para os trades, é possível utilizar uma eventual virada na tendência de alta desse mercado para antecipar o final do longo ciclo de alta no preço dos imóveis brasileiros em curso no momento, apesar de ainda não haver nos gráficos qualquer sinal nesse sentido.

Situação do IBOV

O mercado segue congestionado no curtíssimo prazo, dentro de uma clara tendência de baixa no gráfico diário. Por enquanto o suporte de 61300 resistiu ao ataque dos vendedores, com uma série de candles com sombras inferiores aparecendo nesse patamar. A perda do mesmo seria um sinal negativo e poderia levar o mercado para o próximo suportão nos 60 mil pontos. A resistência imediata fica na zona de 63300 e apenas o rompimento sinalizaria uma mudança na tendência baixista em vigência.

Muitos pregões com baixo volume sugerem falta de força compradora/vendedora para produir movimentos mais direcionais. Nesse cenário os swing-trades são prejudicados. Por outro lado, o mercado tem oferecido um bom cenário para as operações de day-trade.

17.04.2012 - 12h23

Como eu opero

Ao longo de mais de 14 anos de experiência no mercado eu desenvolvi um modelo de trade, com objetivo, rotinha de acompanhamento e setups específicos de swing-trade e day-trade. Para quem não está acostumado com a terminologia, as operações de swing-trade são aquelas que duram alguns dias, geralmente não mais de duas semanas, com uma expectativa de movimentação entre 3% e 12% nos preços. Já as operações de day-trade são abertas e fechadas no mesmo dia, com variações menores, entre 0,2% e não mais de 2% na maioria dos casos.

Acompanho diariamente todas as ações que apresentam uma média de mais de 100 negócios dias, além dos mercados futuros do Ibovespa, Dólar, Café e Milho. Utilizo também o mercado de opções para fazer operações de financiamento, ou como instrumento para compras e vendas com base no gráfico do ativo alvo. Sempre dou maior atenção para os mercados mais negociados.

A minha ferramenta principal de trade é a Análise Técnica (AT), utilizada dentro do escopo de um plano de trade e amparada por um modelo de controle de risco. Através da AT eu consigo identificar a tendência do mercado, as zonas de suporte e resistência além de outras informações. A partir dessa avaliação inicial traço cenários prováveis de movimentação dos preços.

O padrão básico explorado é o infinito movimento de expansão e correção que os ativos e derivativos produzem. A característica mais marcante do mercado é a constante movimentação. Felizmente existe um certo padrão nesses movimentos, eles não acontecem de forma totalmente desordenada. A premissa básica é que esses preços formam tendências ao longo do tempo e essas tendências podem ser aproveitadas.

É criado então um conjunto de instruções chamado “Setup”, onde se define a situação específica que gerará uma entrada no mercado, seja na ponta comprada ou na ponta vendida. Na maior parte das vezes eu quero operar a favor da tendência, ou seja, se o mercado está em tendência de alta busco por compras quando há o rompimento de uma resistência ou a correção até uma zona de suporte. A compra de rompimento é o meu Setup 1, a compra depois de uma correção é o Setup 2.
É produzido um plano para cada trade, com preço de entrada, stop, ponto de realização parcial e tamanho da posição, com o prejuízo máximo permitido.

Não é qualquer rompimento ou teste de suporte que é operado. Tudo depende da forma que o mercado faz tal movimento. Geralmente busco por demonstração de força compradora ou força vendedora consistente, com barras de maior amplitude, volume acima da média, fechamento próximo do extremo da barra, gaps, abertura das bandas de bollinger entre outras características.

Por melhor que sejam os setups escolhidos para fazer parte da sua estratégia, você nunca conseguirá alcançar 100% de acerto. O lucro será produzido como o saldo entre os ganhos e os prejuízos gerados nas operações. O segredo está em limitar rapidamente os prejuízos quando o mercado faz um movimento menos provável pela sua análise e deixar os ganhos crescerem quando o mercado se movimenta a seu favor.

Ainda tenho um Setup 3 para as operações de Swing-trade que envolve o conceito de mercado muito esticado. Quando há alguma movimentação rápida e profunda para baixa, por exemplo, podemos esperar alguma correção dos preços, chamada de repique. Posso entrar após uma queda dessas para um trade bem curto e com controle de risco adequado.

Dentro do meu plano geral de trade, tenho também três setups de day-trade. Eles exploram a diferença entre o fechamento do dia anterior e a abertura do novo pregão. Se um determinado mercado abre com um gap (diferença de preço) muito grande, com volume acima da média e rompendo alguma resistência ou suporte importante, ele tem uma chance maior de fazer um grande movimento naquele dia.

Nesse caso eu aguardo a primeira movimentação do mercado em questão e espero por algum rompimento dos extremos formados nesse primeiro movimento, especialmente se ele for favorável ao gap. Claro que há uma série de regras para definir a entrada exata, o stop e o quanto eu arriscarei em cada trade.

Esse é um pequeno resumo de como eu opero. Creio que o mercado oferece uma das últimas fronteiras para o trabalho realmente livre, já que não é necessário ser um empregado ou empregador de ninguém, além de não haver limitação geográfica ou temporal para essa atividade. Além disso, saber operar é primordial numa época de rentabilidades decrescentes na renda fixa e de riscos ocultos em investimentos considerados “seguros”.

Através da Análise Técnica é possível entender o mercado e operar de uma forma muito mais consistente. Pelos menos foi dessa forma que eu desenvolvi a o meu caminho de sucesso na atividade de trader e educador. Pode parecer simples, mas percebi que dentro da complexidade do mercado não é possivel ter consistência sem uma abordagem direta e simplificada. O maior desafio na verdade é não se deixar levar por todas as possibilidades de gerar ganhos e se especializar em algumas boas estratégias.

09.04.2012 - 12h52

A importância do comportamento humano na precificação das ações

Recentemente foi apresentada uma pesquisa feita pelo Citibank sobre as escolhas de investimentos feitas pelos milionários globalmente. Foi identificado um comportamento de aversão ao risco, criado após o estouro da bolha do subprime e posterior derretimento do mercado de ações em 2007. Hoje os milionários estão menos dispostos a investir em mercados considerados de risco do que algum tempo atrás, provavelmente depois de terem gerado perdas em ações no período.

É impressionante, mas a comunidade de investidores individuais, analistas, gestores e imprensa especializada entre outros participantes do mercado não entendem a importância do comportamento humano na formação dos preços dos ativos e derivativos nos mercados de bolsa. Por mais que uma empresa possa estar “barata” em termos de avaliação dos seus múltiplos, o seu valor de mercado não irá aumentar se não existirem pessoas interessadas em pagar um preço maior pelas ações e os vendedores aceitarem se desfizer dos papéis também a um preço maior. Ou seja, no final das contas, o desejo de comprar e a falta de desejo de vender são os principais fatores que produzem uma oscilação positiva nos preços. Se quem tem os recursos está com medo de comprar ações, elas não apresentarão um comportamento positivo!

Esse desejo pode ser gerado apenas por fatores emocionais, como por exemplo, o otimismo ou pessimismo. Durante uma bolha financeira, as pessoas ficam absurdamente otimistas, enquanto que numa crise o pessimismo reina. Não podemos deixar de mencionar o ciclo auto alimentado que um movimento positivo nos preços gera. Uma alta nos preços reforça o otimismo daqueles que estão comprados há mais tempo, enquanto traz mais compradores que não estavam tão convencidos assim da alta, mas frente ao movimento positivo ficam mais otimistas e finalmente compram, o que traz mais alta e mais otimismo. Geralmente as notícias seguem o comportamento dos investidores. Um topo no preço das ações quase sempre marca um pico de otimismo.

O mesmo processo auto alimentado ocorre no sentido inverso, quando o pessimismo toma conta do mercado. Quedas nos preços geram mais pessimismo que geram mais vendas e mais quedas. Os fundos serão momentos de extremo pessimismo. Os fundos de longo prazo são formados nos piores cenários possíveis.

Outro fator que exponencializa o processo é o comportamento de massa. Tendemos a nos sentir mais seguros seguindo aquilo que a maioria está fazendo. Afinal de contas, ninguém está no mercado para perder dinheiro, não é mesmo? Os próprios analistas que produzem recomendações tendem a concordar com os seus colegas numa atitude de autodefesa, visto que um possível erro de avaliação será menos questionado se todos cometerem o mesmo erro.

Além disso, existem fatores externos à saúde das empresas negociadas em bolsa, como por exemplo, as regulamentações governamentais e os ciclos de contração ou expansão do crédito levados a cabo pelas autoridades financeiras. Além de uma contração no crédito piorar as vendas das empresas, por exemplo, ela também diminuirá a capacidade de investimento dos participantes do mercado, enquanto uma expansão no crédito gera mais combustível para as tendências de alta.

Percebam quantas variáveis estão em jogo a todo momento. Por conta disso creio ser muito difícil atribuir num determinado momento o motivo correto e único de uma alta ou baixa nos preços.

Além da complexidade do quadro apresentado, ainda existem as próprias informações que alimentam os participantes do mercado, como as informações sobre faturamento, lucro, endividamento, a forma que a empresa é administrada, os lançamentos de produtos, a concorrência, as normas, a economia em geral, enfim, tudo aquilo que pode gerar um impacto positivo ou negativo na empresa e nas suas ações.

Ainda por cima essas informações chegam aos diversos participantes em tempos e formas diferentes. Às vezes uma variável extremamente importante fica escondida dos participantes ou é informada de forma mascarada nas demonstrações contábeis, enquanto em outros momentos algo não tão importante é divulgado com certo alarde, criando reações mais fortes e descabidas. Tudo no mercado é questão de percepção. Os pequenos investidores recebem com atraso informações importantes comparativamente aos grandes players.

Diante do quadro apresentado, como pode se posicionar o sujeito interessado em extrair lucros especulando ou investindo no mercado de bolsa? A pior forma possível seria seguir a sua intuição e o comportamento padrão de “pescar” algumas informações e dicas para tomar as suas decisões. Seguir o senso comum é o segredo para ser um perdedor consistente. No longo prazo, mais de 70% dos players perde dinheiro.

Uma possibilidade é aproveitar o comportamento emocional e irracional do mercado, aproveitando especialmente os momentos de extremo pessimismo para comprar ativos de bons fundamentos com desconto, como preconiza o Benjamin Graham, um dos gurus do Warren Buffet. Nesse caso você precisa desenvolver uma grande capacidade de avaliar as empresas para focar as compras naquelas que estão “baratas”. A grande limitação dessa estratégia é utilizar dados do passado para estimar resultados no futuro, além da dificuldade em saber se os dados realmente estão corretos. As quebras recentes de grandes empresas demonstram como informações importantes podem sistematicamente serem escondidas dos investidores.

Outra possibilidade é deixar todas as informações de lado e buscar os padrões de movimentação dos preços, foco de atuação do sujeito que usa a Análise Técnica para tomar as decisões. O analista técnico não quer saber se a alta nos preços é produzido por um fato positivo ou por um boato. O que importa é identificar a entrada de força compradora ou força vendedora e aproveitar tal movimento para lucrar, aproveitando o máximo do movimento.

Tal analista para virar um trader de sucesso precisa associar à análise um sistema de alocação de recursos e stops, com uma taxa de acerto e uma expectativa matemática positiva. Em nenhum momento será possível acertar 100% das vezes. A incerteza é uma característica inerente ao próprio mercado, o que importa é ter uma correta relação entre a taxa de acerto, o ganho médio dos acertos e o prejuízo médio dos erros, além de não correr um risco demasiado em cada aposta.

Coloco todas as informações na mesa, pois é importante para qualquer participante ter consciência do que está acontecendo de fato no mercado. Milhões de pessoas ao redor do globo vão para frente dos seus monitores e acompanham as piscadas positivas e negativas dos preços e não entendem o que está por trás daquele emaranhado de números. A compreensão dos principais fatores de movimentação dos preços pode aumentar a confiança e o resultado da estratégia escolhida para navegar nesses mares revoltos do mercado.

06.04.2012 - 20h21

Crescimento, morte e renascimento

Crescimento, morte e renascimento

O mercado financeiro oferece uma amostra da realidade em que estamos inseridos. O movimento dos preços segue a lei natural dos ciclos. Nada é parado e tudo está em movimento o tempo todo. Também não é possível prever com certeza nenhum tipo de oscilação. A única coisa que sabemos ao certo é que o mercado continuará oscilando, na sua dança eterna de crescimento, morte e renascimento.

O mais interessante é perceber que esses ciclos se repetem dentro deles mesmos, formando o mesmo fractal. O seja, uma perna de alta nos preços é formada por penquenos movimentos de alta e baixa, que por sua vez também são formados por altas e baixas indefinidamente.

Além disso, ao longo do tempo são diferentes ações que dominam a cena. A blue chip de hoje pode muito bem ser o mico daqui alguns anos. O próprio capitalismo segue esse preceito básico de crescimento, morte e renascimento. Dentro de cada movimento de alta há a semente da sua destruição, necessária para a evolução. A liberdade de ação dos mercados pode parecer brutal e negativa para muitos, mas ela é necessária para garantir a depuração dos negócios. A próxima geração nascerá mais forte e com melhores possibilidades.

Essa é a principal função dos especuladores. Avaliar e precificar da maneira mais justa e livre os diferentes produtos, punindo os fracos e premiando os vencedores. Infelizmente passamos por uma nova fase de intervenções, onde um punhado de “iluminados” quer defnir como devemos nos comportar, quem deve ser o vencedor. Além disso, querem acabar com o risco, com a possibilidade das coisas não darem certo. Isso é impossível, mas vamos aprender novamente da pior forma ao final do processo.

O princípio mais importante que um trader precisa aprender é o da impermanência. Ele é apresentado todos os dias e em todos os momentos para aqueles que acompanham o mercado. Aceitar a mudança e estar preparado para fazer exatamente o oposto do que estava sendo feito há instantes é necessário para poder tomar a melhor decisão possível, de defender o caminho mais justo e correto.

A tradição da Páscoa é uma ótima oportunidade para revisitar essa verdade universal. Seja através da cultura cristã, da morte e renascimento do Salvador, da cultura judaica com a liberação da escrividão para a terra prometida ou das antigas festas pagãs que celebravam o final do inverno e início da primavera com a sua explosão de vida.

Pode parecer estranho num espaço sobre Análise Técnica abordarmos o assunto, mas depois de muitos anos estudando o mercado percebo que é preciso expandir o escopo da pesquisa para conseguir de fato entender o que acontece nessa arena que representa tão bem o teatro humano.

Desejo uma Feliz Páscoa a todos. Muito mais que um feriado, uma festa religiosa ou o paraíso dos chocólatras é um ótimo momento para refletir sobre a morte e como ela pode gerar a vida.

19.03.2012 - 01h28

O especulador e o executivo

Além do mercado poder oferecer uma ótima oportunidade de ganhos financerios ele também pode desenvolver uma série de habilidades necessárias para qualquer profissional que precisa tomar decisões com frequência. Operar o mercado é um grande desafio que nos deixa mais conscientes da estrutura caótica e desorganizada da realidade.

Como traders aprendemos na prática que não temos controle sobre todas as variáveis em jogo. Na verdade, existem alguns poucos aspectos que podemos controlar durante um trade, entre eles o risco que vamos correr, o ponto que entramos no mercado e o ponto onde realizaremos a saída. Não temos controle sobre o movimento dos preços. Podemos apenas identificar os caminhos mais prováveis e operar a favor da situação mais provável, cortando logo os prejuízos quando o mercado faz o movimento menos provável.

Fico realmente chocado com a capacidade dos executivos em traçar ilusões sobre como será a economia nos próximos anos, quais serão os concorrentes e os produtos em jogo. Essa ilusão gera maior conforto para os administradores, pois gera a sensação de estarem no controle do jogo.

Mas a realidade é muito mais complexa do que parece. Existem muitas váriáveis que definirão o resultado final, muitas ameaças e oportundiades escondidas. Além disso, muita energia e expectativa é colocada num determinado projeto e menos importância é dada a outros. Talvez um projeto de menor importância seja o grande vitorioso e aquele onde colocamos as maiores expectativas não dê certo. Claro que precisamos definir as prioridades, mas não podemos rapidamente descartar idéias que inicialmente pareçam absurdas.

Operar o mercado é um exercício de humildade. Nós não temos conhecimento de todas as variáveis em jogo, tampouco sabemos o que acontecerá no futuro.
Antes de tentar controlar a realidade, não seria mais fácil aceitar a nossa incapacidade de antecipação e trabalhar mais no controle dos risos que estamos correndo e na velocidade maior de reação conforme os acontecimentos se desenrolem?

É exatamente nesse ponto que o trader experiente pode se transformar num grande executivo, pois a capacidade de gerar lucros no mercado vai depender exatamente dos seu desapego, em não tentar ter certeza do que acontecerá em seguida, mas de saber traçar as possibilidades (positivas e negativas) e agir de acordo com o andar da carroagem, cortando rapidamente as perdas e deixando os lucros crescerem quando as coisas dão certo.

Quantos recursos já não foram queimados pela arrogância de executivos ou mesmo de governantes que tinham absoluta certeza que estavam certos e por conta dessa cegueira não trabalharam um sistema de controle de risco, do que fazer se a realidade demonstrar um caminho alternativo àquele pré estabelecido?

No mercado e nos negócios aposte mais no processo de tentativa e erro do que nas certezas. Nunca tome uma decisão que tenha o potencial de gerar uma perda catastrófica e irreversível, por mais atraente que possa parecer o prêmio no caso de você acertar. Deixe espaço na sua mente para todas as possibilidades e avalie a situação constantemente, ajustando as velas sempre que possível. E caso seja necessário, não hesite em abandonar o barco!

Aprendi no mercado que deixar de lado a ilusão da certeza é libertador e gera imenso sentimento de paz, pois deixa você preparado para qualquer cenário. É engraçado, mas talvez o desenvolvimento dessas habilidades possa gerar ganhos ainda maiores para a sua vida profissional do que os resultados financeiros imediatos das operações.

Expectativa para a semana

A dúvida entre correçã ou reversão postada na semana passada foi respondida pelo mercado com o rompimento do topo anteior em 67800 pontos, ou seja, o movimente de queda anterior era apenas uma correção dentro da tendência de alta vigente.

Após o rompimento com força na terça-feira, o IBOV passou o resto da semana em correção com volume decrescente, encontrando suporte por enquanto no topo anterior rompido. No caso de continuação da correção, temos suporte na zona de 66000 pontos.

Apesar do mercado ter feito um longo e forte movimento de alta desde o fundo formado em 48000 pontos em agosto e se aproximar do final da fase historicamente mais positiva para a bolsa (outubro/abril), ainda não há nenhum sinal mais consistente de reversão.

Sigo com foco nas operações na ponta compradora, em rompimentos de topos ou correções até suportes, mas atento para sinais mais clatos de reversão, com perda de suportes importantes e pivots de baixa.

Cabe ressaltar que a alta é sustenta mais por papéis de segunda e terceira linha do que as blue chips com maior peso no índice.

05.03.2012 - 15h17

O que o mercado em 2002 pode dizer sobre o mercado em 2012

O mercado brasileiro demonstrou fôlego na semana passada ao romper a zona de resistência de 66500 pontos e dar sequência ao movimento positivo dos últimos meses. É bem verdade que o rompimento aconteceu com baixo volume, mas não há sinal por enquanto de reversão da tendência de alta em curso. O patamar rompido funciona agora como suporte no caso de correção imediata. O suporte mais forte é dado pelo fundo anterior em 65000 pontos. A perda deste patamar geraria um sinal negativo.

Pela simetria do movimento o mercado pode buscar o topo de abril/2011 em 70 mil pontos. A principal resistênca do IBOV no longo prazo é o topo histórico em 73900 pontos. Falando em simetria não podemos esquecer do movimento que o mercado produz dentro do ciclo decenial. Existe uma boa similaridade entre o movimento do mercado entre 2010/2012 e o movimento de 2000/2002. O gráfico abaixo demonstra os movimentos nesses dois períodos.

Veja que por essa perspectiva há uma chance de retomada do movimento negativo nos preços a partir de março. Isto não é uma certeza, é apenas uma possibilidade. Eu não opero uma venda por conta desta possibilidade, apesar de algumas pessoas operarem desta forma. Eu opero com base nos setups que aparecem. Mas então por que eu chamo a atenção para a possibilidade de queda? Porque muitos traders são cegados pelo desejo de ganhar caso estejam comprados ou pelo medo de perder. Há uma possibilidade simétrica de retomada da baixa. Quando você aceita a possibilidade de baixa passa a operar com mais consciência da importância do controle de risco, dos stops, do limite de alocação em cada trade. Portanto, temos uma exercício mental de cenários possíveis que facilitam o stop, caso ele seja necessário.

Se o mercado de fato iniciar uma queda, teremos inicialmente a perda de suportes, a formação de um pivot de baixa e a mudança da inclinação das médias. A partir deste ponto é que passarei a operar na ponta vendedora. Por enquanto, sigo os setups de rompimento ou correção na ponta compradora, que já deram uma ótima rentabilidade nos últimos meses.

26.02.2012 - 20h39

A barra de força

Depois de definir a tendência de qualquer mercado existem basicamente duas oportunidades de entrada: no rompimento de uma resistência ou na correção até uma zona de suporte. Particularmente prefiro operar rompimentos, especialmente quando surge uma barra de força.

O conceito não é muito complexo se entendermos a dinâmica de preços. Existem muitas influências entre os players que operam. Notícias, análises e recomendações de instituições, resultados, boatos, informações privilegiadas além do próprio movimento de preços. É muito difícil saber exatamente qual é o motivo que levam alguém a querer comprar ou vender o papel. Para o trader realmente não importa saber. O que importa é identificar que existe uma massa crítica com força de compra ou venda. Nesse ponto que surge o conceito de barra de força. É uma barra no gráfico com características que demonstram determinação dos compradores ou vendedores.

Por exemplo, no caso de entrada de força compradora observamos uma barra maior que a média, com volume e número de negócios acima da média, idealmente abrindo próximo da mínima e fechando próximo da máxima, em gap com afastamento de uma resistência rompida e abertura das Bandas de Bollinger. Quando observamos essas características numa determinada barra podemos chamá-la de barra de força.

Dependendo do movimento anterior de alta e de uma correção mínima, observo na barra de força uma oportunidade de compra, especialmente se o mercado não estiver muito esticado, sobre-comprado é o termo que os analistas técnicos usam. Uma imagem vale por mil palavras, então vamos ver um exemplo real:

Podemos ver todas as características de uma barra de força, volume de R$ 22,22 milhões, 85% maior que a média, confirmado pelos 3600 negócios, 83% maior que a média. Gap dando suporte em 10,47, o dobro da amplitude média das barras anteriores e fechamento próximo da máxima. Banda de Bollinger abre com fechamento acima da resistência de 10,90.

Levando em consideração que o mercado estava em tendência de alta por três critérios (MM21 ascendente, MM21 ascendente acima da MM50 ascendente e preços acima da MM21) e não estava muito sobre-comprado (distância dos preços para média de 21 períodos menor que 30% da volatilidade média), resolvi fazer a compra no final do pregão.

O alvo para realização de lucros foi alcançado traçado em 11,83, na distância entre o preço de entrada (11,12) até o stop (10,41) projetado a partir do preço de entrada, que foi atingido no dia seguinte.

A identificação das barras de força pode aumentar a chance de acerto nas entradas de rompimento, melhorando os resultados em modelos de momentum trade, pois temos sinais mais claros dados pelo mercado da continuação do movimento. A mesma lógica pode ser utilizada para operações na venda, em tendências de baixa com perdas de suportes.

Semana no mercado

O mercado apresentou uma semana de baixo volume e pequena movimentação dos preços por conta do feriado prolongado e de uma congestão nos últimos pregões tanto no gráfico do IBOV quanto nos mercados globais.

O IBOV apresenta uma clara zona de resistência imediata por volta de 66500 pontos. Suporte imediato no fundo e topo anterior por volta de 63900. Os últimos pregões apresentaram testes da zona de resistência. O rompimento sinalizaria continuação do movimento positivo.

A pressão vendedora em PETRO, VALE e nos bancos, que apresentam forte peso no índice foi o principal motivo da falha no IBOV em romper a resistência imediata em 66500 por enquanto. Outros papéis no setor de varejo e consumo, por exemplo, além de outros ativos de segunda e terceira linha apresentaram movimentação positiva mais intensa nos últimos pregões.

Chamou a atenção no último pregão da semana a movimentação de AMBV4 que testa um topo histórico em 68,00 após uma correção de algumas semanas e formação de um suporte por volta de 63,00. O rompimento sinalizaria a continuação do movimento positivo. O volume cresceu no papel nos últimos pregões.

GETI4 apresentou um pivot de alta após a consolidação de suporte por volta de 24,30. A última barra apresentou forte volume com enquadramento no conceito de barra de força explicado mais acima. O sinal é de reversão da tendência de baixa anterior.

De uma maneira geral o mercado apresenta papéis em boas tendências de alta e uma taxa de acerto extremamente alta para os setups de rompimento e correção que costumo utilizar na periodicidade de swing-trade. Claro que este cenário não deve permanecer indefinidamente, mas enquanto a tendência for de alta sigo com as operações na ponta compradora, sempre amparado pelas ferramentas de controle de risco, como realizações parciais, stops e alocação máxima de uma fração do capital por operação.

12.02.2012 - 21h38

Um mundo de oportunidades

O mercado brasileiro apresentou um grande crescimento nos últimos anos, com aumento no volume de giro total e também de instrumentos que podem ser utilizados, entre ações, opções e outros derivativos, como contratos futuros. É importante para qualquer trader organizar a sua abordagem com o objetivo de aproveitar as oportunidades e diversificar o risco em diferentes mercados e estratégias.

Ações

Entre as centenas de ações negociadas na Bm&fBovespa, a palavra chave para o trader é liquidez. Quanto menor a periodicidade da operação, mais importante é a liquidez. Eu utilizo um filtro de pelo menos 100 negócios por dia o que equivale mais ou menos a 1 milhão de reais de volume finaceiro dia.
Hoje são 201 ações que se enquadram neste parâmetro mínimo de liquidez. Confira abaixo o gráfico com as 20 ações com mais negócios por dia, estas são especialmente interessantes para os daytraders.

Clique aqui para baixar a lista das 201 ações que eu acompanho diariamente para operações de swing-trade. Nesse estilo operacional basicamente utilizo 3 setups (rompimento, correção e contra-tendência). Quando eu escaneio o mercado espero que um desses ativos se enquadre em algum setup trabalhado, quando faço a operação. Por exemplo, no dia 06/02 eu identifiquei o rompimento da resistência no ativo BEEF3, com as características ideais para esse tipo de setup (tendência de alta, barra ampla, gap, volume forte, abertura das bandas de bollinger, fechamento próximo da máxima). Fiz a entrada no final do pregão, com alvo para realizar 50% da posição na mesma distância até o stop.

Futuros

Diferentemente das ações, que são títulos de propriedade de uma determinada empresa, os contratos futuros são derivativos, ou seja, instrumentos financeiros que dependem da variação de um ativo ou índice ao qual estão atrelados. Por exemplo, o contrato futuro do dólar tem o seu preço baseado no valor da moeda norte-americana. Todo contrato futuro tem uma data de vencimento, ou seja, o seu preço embute a expectativa dos players para o preço no futuro do ativo em questão, seja ele uma moeda, um índice ou commodity.

Uma das grandes vantagens desse tipo de instrumento é a facilidade de operar tanto na compra quanto na venda. Os futuros podem ser utilizados tanto para fazer hedge (proteção de posições), quanto para especular.

Novamente é importante saber quais são os contratos mais negociados e as suas características. Para o trader, o contrato que ganha mais importância é o futuro do Ibovespa. Para popularizar esse instrumento, a bolsa criou um contrato mais barato para operar que é o mini índice futuro, que vem ganhando cada vez mais liquidez e hoje gira mais de um bilhão de reais por dia. Esse contrato tem vencimentos a cada mês par, seguindo o quadro abaixo:

Os vencimentos acontecem na quarta-feira mais próxima do dia 15 nos meses pares. O contrato com vencimento no dia 15/02 tem o código WING12, ou seja, esse é o código para poder comprar ou vender no homebroker. Cada ponto do índice equivale a R$ 0,20 (vinte centavos). Por exemplo, a 64.220 pontos, o contrato tem um valor financeiro de R$ 12.844,00. Mas você não precisa ter esse valor para comprar um minicontrato de índice, o que abre a possibilidade de alavancagem. Para fazer day-trades você precisa ter depositado em conta um valor próximo a R$ 1.000,00 por contrato operado e para segurar a posição por mais tempo algo em torno de R$3.000,00. Esse valor pode estar na sua custódia em ações, títulos públicos ou outros ativos na corretora como garantia.
Caso você compre um minicontrato a 64220 pontos e venda a 64520 pontos, você terá lucrado 300 pontos ou R$ 60,00. O intervalo mínimo de apregoação deste mini contrato é 5 pontos.

Já o minicontrato de dólar equivale a US$10.000,00 com a sua cotação estipulada para cada US$ 1.000,00. Os vencimentos são mensais, com o código WDO+mês de vencimento+ano. Por exemplo, vencimento para março leva o código WDOH12. No último fechamento, o dólar estava cotado a 1.730,00, ou seja, cada minicontrato de dólar há uma equivalência financeira de R$ 17.300,00. Para cada ponto de variação no dólar há uma variação de R$ 10,00. O intervalo mínimo de variação de apregoação é 0,50.

Existem ainda outros contratos negociados, como o boi (código BGI+mês de vencimento+ano), com a liquidez geralmente concentrada no vencimento de Outubro (BGIV12). O valor da cotação é por arroba, com o contrato compondo 330 arrobas.
Há ainda contratos menos líquidos como soja (vencimento mais líquido SFIK12),com cotação em dólares por saca e com contrato igual a 450 sacas, milho (vencimento mais líquido CCMH12), cotado em reais por saca e contrato igual a 450 sacas e Café (vencimento mais líquido ICFH12), com cotação em dólares por saca e contrato de 100 sacas.

Opções

No Brasil o mercado oferece maior liquidez para as opções de compra sobre ações. Uma opção de compra é um direito (não uma obrigação) de comprar o ativo alvo até uma determinada data (vencimento) a um determinado preço (strike). Por exemplo, a opção OGXPC17 representa o direito de comprar a ação OGXP3 a R$ 17,00 até o dia 19/03/2012 (código C é março, as opções vencem na terceira segunda-feira de cada mês). Essa opção era negociada no dia 10/02 a R$ 0,74.

As opções podem ser utilizadas como hedge ou como instrumento de especulação. Por exemplo, posso vender opções sobre ações que eu possuo, operação chamada de lançamento coberto ou financiamento. Ou então fazer uma operação de compra de uma opção simplesmente, chamada de compra de opção a seco, se eu acredito na alta dos preços. Posso montar uma operação que gera ganhos durante uma baixa, que consiste em vender a opção de um strike e comprar um strike acima, por exemplo, vender a OGXPC17 e comprar a OGXPC18.

Apesar dos esforços da bolsa e de bancos e corretoras para aumentar a liquidez desse mercado, ainda existem poucos papéis e vencimentos operáveis, a saber PETR4, VALE5, OGXP3 e BVMF3 com liquidez nos próximos dois vencimentos. Para operações de financiamento até é possível conseguir operar outros ativos, mas para operações mais complexas estes são os ativos que devemos ter em mente.

Quanto mais capital e experiência, mais mercados e instrumentos o trader deve operar, pois dessa forma há uma natural diversificação de riscos além do aproveitamento de mais oportunidades. Se o mercado de ações encontra-se sem tendência, talvez uma commodity esteja apresentando uma bela tendência de alta ou baixa operável. Se quero proteger uma carteira, posso lançar opções ou vender o índice. Enfim, o mercado oferece muito mais alternativas do que a usual compra de uma ação com o objetivo de vender a um preço maior. E existem centenas de outras formas de explorar as oportunidades do mercado além daquelas apresentadas acima!

Semana no mercado

Após marcar um topo em 66400 pontos o IBOV finalmente apresentou alguma correção mais intensa, concentrada no movimento de sexta-feira. O primeiro objetivo em 63800 foi praticamente alcançado, onde existe a zona de suporte do topo anterior e a retração de 0,618 do movimento anterior. A continuação do movimento negativo pode levar o mercado a testar o suporte principal, por volta de 61700/62000 pontos.

Apesar da intensidade da queda e da sazonalidade apontar algum topo além do alcance de um alvo importante(comentado na semana passada), o mercado ainda não apresentou um sinal mais forte de reversão da tendência de alta, que seria dado pela perda de algum suporte importante ou da MM21, virada da MM21 ou formação de um pivot de baixa.

A queda foi concentrada no papel mais líquido do mercado, a PETR4, que marcou um topo duplo na zona de 25,90 e perdeu o fundo intermediário por volta de 24,35 com forte volume e gap, o que sinaliza a continuação da pressão vendedora para um prazo maior.

Chamou a minha atenção a movimentação de MULT3, que produziu um candle de reversão sobre o suporte em 39,00. Acredito em retomada da alta desde que o papel não perca a mínima do candle de reversão em 38,69.

O começo do ano foi extremamente positivo para as operações de swing-trade. Sigo atento aos sinais oferecidos pelo mercado, como candles de reversão sobre suportes importantes após a correção, ainda dentro de uma tendência de alta.

06.02.2012 - 13h29

Como manter o foco no meio do caos

Ao observar um gráfico das variações de preços de um ativo ou derivativo financeiro pela primeira vez podemos ter a sensação de que se trata de um movimento randômico, sem nenhum ordenamento. Com a ajuda da Análise Técnica começamos a identificar alguns padrões. O primeiro padrão que pode ser percebido é o movimento de impulso e correção. Mesmo quando há uma tendência de alta nos preços, ela não acontece em linha reta. O mercado produz uma perna de alta e corrige, para em seguida retomar o movimento ascendente. Podemos chamar esse padrão de “zig-zag”, que produz topos e fundos pelo caminho.

Se isolarmos o primeiro “zig-zag” ascendente , temos um ciclo completo de impulso e correção. Mesmo este movimento de impulso e de correção não é produzido em linha reta. Se for dado um zoom na parte correspondente do gráfico, vamos observados também pequenos movimentos de alta e baixa. No gráfico abaixo, cada barra representa 60 minutos de movimentação.

A melhor estratégia seria comprar cada pequeno fundo formado e vender cada pequeno topo formado, aproveitando assim cada pequeno movimento. É algo que pode parecer simples olhando o comportamento passado do mercado mas extremamente difícil na prática. Portanto, o maior lucro possível estará num ponto ótimo entre capacidade de identificar os pontos de virada do mercado (índice de acerto) e a variação de preço aproveitada em cada trade. Explico: se eu consigo identificar viradas no gráfico de 5 minutos com 55% de precisão e cada trade certo gera 0,1% de lucro (cada trade errado gerando 0,1% de prejuízo) e digamos que surjam 10 dessas operações por dia. Neste caso, o lucro esperado para cada dia é de 5,5×0,1% -4,5×0,1%= 0,1%. Agora digamos que você aumente para 60% a taxa de acerto operando o gráfico diário, só que a cada acerto você gera um lucro de 8%, e para cada erro um prejuízo parecido e você fará uma operação a cada dez dias. Ao longo de 100 dias, o lucro esperado seré de 6×8% – 4×8%=16%. Ao longo de 100 dias, a estratégia no gráfico de 5 minutos gerará um lucro de 10%. Sem levar em consideração que o custo de entrar e sair do mercado dez vezes por dia pode deixar a estratégia no gráfico de 5 minutos inviável. No caso dos dois exemplos fictícios, a estratégia no gráfico diário é muito melhor.

Creio que o estilo operacional que gera o melhor retorno em relação ao aproveitamento dos “zig-zag’s” do mercado é o swing-trade, onde o trader identifica os movimentos que tem duração de alguns dias (geralmente 2 a 10 dias) com uma variação de preço de 3% a 12%. No mercado é muito importante identificar o movimento que você quer aproveitar, pois existem infinitas possibilidades e sem foco é fácil ficar perdido nas diversas periodicidades.

No caso de swing-trade é importante avaliar o gráfico, identificar o tamanho médio de cada barra, o tempo médio de duração de cada perna de impulso e correção e utilizar stops e alvos adequados para aproveitar o movimento focado. É muito comum errar por fazer operações muito curtas ou muito longas em relação ao estilo escolhido.

Descobri uma forma de permanecer focado no mesmo grau de movimento através do uso do indicador volatilidade histórica. Resumindo, a volatilidade histórica mede o quanto um mercado muda de comportamento ao longo do tempo. Mercados com baixa volatilidade são mais “comportados” enquanto mercados com maior volatilidade histórica são menos previsíveis. Para aqueles que conhecem um pouco de estatística, a volatilidade histórica nada mais é do que o desvio padrão das variações de preços esperado para um ano de mercado ou 252 pregões, baseado no seu comportamento passado.
A média da volatilidade histórica das principais blue chips gira em torno de 30% (ao ano). Eu uso o parâmetro da média da volatilidade de um determinado ativo para identificar os topos e fundos num gráfico, o movimento mínimo de impulso para poder operar um papel, um stop mínimo para aquele ativo e também um objetivo mínimo para sair da operação.

Algum tempo atrás eu utilizava um alvo fixo para realizar lucros numa operação, que era de 3%, por ser 10% da volatilidade média nas blue chips. Mas ocorre que um papel pode ser mais volátil que outro, ou estar num momento mais volátil. Por exemplo, a volatilidade média de PETR4 no momento está em 25,83% enquanto que a volatilidade média da GFSA3 está em 56,35%.

Eu não posso operar os dois papéis da mesma forma. Se eu fizer uma entrada em PETR4, meu stop mínimo será 10% da volatilidade, ou seja, 2,58% do preço. Já para a GFSA3, não poderei utilizar um stop menor que 5,63%, porque eu preciso respeitar a oscilação natural do mercado dentro da sua tendência. Só pensarei em começar a colocar lucros no bolso apenas quando o mercado oscilar pelo menos 10% da volatilidade histórica também. Posso utilizar outras ferramentas para medir a volatilidade, como o ATR, o tamanho médio das barras no diário, entre outras. O que importa é utilizar sempre a mesma régua para permanecer focado no grau da tendência correto.

Como exemplo, podemos utilizar a operação montada na semana passada em GFSA3. A regra geral é: quanto maior a volatilidade histórica, menor o tamanho das posições e mais distantes ficam stops e alvos de realização.

Semana no mercado

O IBOV retomou a tendência de alta após breve correção que deixou suporte num fundo anterior e concentração de mínimas por volta de 62000 pontos. Houve o rompimento da máxima anterior em 63800 pontos, com a busca da próxima resistência por volta de 67000 pontos. Com o movimento o mercado segue sobre-comprado, com bom afastamento da MM21. Além disso, o mercado repete a variação dos últimos rallys de alta de mais ou menos 10 mil pontos (rally de agosto a setembro de 2011 e de outubro). Existem outros fibos nesse patamar de 58 mil pontos, o que pode sinalizar um topo em breve.
A aceleração do movimento a partir de agora poderia levar a repetição dos rallys de 2009, com amplitude de 18 mil pontos, o que faria o mercado testar o seu topo histórico nos 74 mil pontos, a resistência histórica do IBOV. Ou seja, há um ponto de definição importante, o que aumenta o risco de estratégias de rompimento a partir de agora. Sigo operando da mesma forma pois há uma boa reserva de ganhos pelas boa operações oferecidas pelo mercado ao longo de janeiro. Além disso, apesar de ter alcançado um alvo importante não há ainda nenhum sinal mais claro de reversão.

O volume aumentou bem nos últimos pregões e vários ativos romperam resistências importantes, como CTIP3, CIEL3, BRML3 e BRPR3. O setor de construção e siderurgia também apresentam boas tendências de alta, apesar de esticados no curtíssimo prazo. O DJI vai em busca da máxima de 2009 por volta de 12900 pontos, também num ponto de decisão, pois o rompimento seria um sinal de continuação da tendência de alta me busca do topo histórico por volta de 14000 pontos.

Resumindo, o mercado segue em tendência de alta apesar de bastante esticado no curtíssimo prazo, com possibilidade de alguma correção. Estamos num ponto de definição, entre retomar para um cenário mais corretivo de longo prazo ou repetir um ano direcional como 2009.

24.01.2012 - 12h37

Os touros mostram a cara

O destaque técnico da semana passada foi o rompimento dos 60 mil pontos, abrindo espaço para a continuação da tendência de alta. Depois de seis dias consecutivos de alta o mercado pode apresentar alguma correção intermediária, agora a zona rompida funciona como suporte na faixa 59/60 mil pontos. A próxima faixa de resistência importante fica na zona de 64 mil pontos.

Uma série de rompimentos aconteceram em papéis destacados no post da semana passada, oferecendo bons rompimentos, como RDCD3, AEDU3 BISA3.

No fechamento da semana entrou boa pressão compradora no setor de varejo e construção. AMAR3 ofereceu o rompimento de uma faixa de resistência em 18,50, com volume acima da média. A baixa liquidez do ativo dificulta entrada com maior capital. Mantenho a expectativa positiva para o papel desde que o suporte formado em 17,90 não seja perdido. Continuo atento a CYRE3 na expectativa do rompimento da zona de 16,34 num fechamento, pois tal movimento, se ocorrer com um candle amplo e volume se enquadrará no meu setup de rompimento para uma compra. Suporte foi consolidado para o papel na zona de 14,50/14,90.

BBDC4 segue testando a resistência por volta de 32,50. Fico atento ao rompimento. Suporte imediato formado no fundo anterior em 31,08.

O DOLFUT segue a sua trajetória baixista, apesar da desastrosa intervenção do governo neste mercado através da tributação das posições vendidas. Um importante suporte em 1790,00 foi perdido, o que abre espaço para a continuação do movimento baixista no gráfico diário apesar do estado sobre-vendido da moeda norte-americana.

O rompimento mais bonito da semana aconteceu em LLXL3, é o tipo de movimento que eu mais gosto de operar. Congestão nas últimas semanas, clara resistência por volta de 3,52, barra de força produzida na quinta com volume bem acima da média, fechamento próximo da máxima com abertura das Bandas de Bollinger e gap de fuga. O próximo lavo fica na zona de 3,90(quase atingido nessa segunda).

O destaque da abertura da semana ficou por conta de PETR4, que rompeu importante resistência por volta de 24,50 apesar do estado sobre-comprado no gráfico diário. O movimento ocorreu com forte volume, o que pode gerar a manutenção da alta para os próximos períodos, agora com suporte imediato por volta de 23,90.

SUZB5 também gerou atenção pelo rompimento de uma congestão de quatro pregões com forte volume, o que sinaliza manutenção da alta desde que o fundo em 7,12 não seja perdido.

Apesar da sazonalidade sugerir um topo formado entre janeiro/fevereiro ainda não há sinal de reversão da tendência de alta consolidada no IBOV. É importante ficar atento ao suporte por volta de 59 mil pontos, pois a perda do mesmo geraria tal sinal negativo. Por enquanto o mercado segue o seu movimento positivo em busca dos 64 mil pontos.