08.05.2013 - 15h16

O lado cult da Análise Técnica

“1 – A matemática é a linguagem da natureza.

2 – Tudo ao nosso redor pode ser representado e entendido através de números.

3 – Se você apresentar os números em forma de gráficos padrões aparecerão.

Portanto existem padrões perceptíveis em todo lugar.

Evidência: o ciclo de epidemias, o crescimento e diminuição da população de Caribus, o ciclo das manchas solares, as cheias e secas do Nilo. E o mercado de ações. O universo de números que representa a economia global. Milhões de mãos trabalhando, milhões de cabeças. Uma imensa rede, gritando com vida. Um organismo. Um organismo natural.

Minha hipótese: dentro do mercado de ações também existe um padrão, bem na nossa frente. Escondido através dos números. Sempre esteve.”

Esta é a introdução feita no filme Pi (1998, diretor Darren Aronofsky, Trailer) pelo protagonista Maximillian Cohen (Sean Gullete). Na peça, Max é um gênio da matemática com sérios problemas psicológicos. Implicitamente podemos compreender que ele busca, através do estudo da flutuação dos preços das ações, a montagem de um modelo matemático que explique a realidade, ou seja, as regras básicas de funcionamento do universo.

Eu passeava pela lista sugerida do Netflix quando me deparei com o filme. Doce acaso. O tema é fantástico. Identifiquei-me com o personagem, não pela sua doença e esquisitice, mas pelas amplas possibilidades filosóficas que o estudo do mercado oferece. Num primeiro momento somos atraídos pela bolsa pela possibilidade de gerar lucros, mas conforme a experiência se desenrola, surge um subproduto fascinante dessa atividade: uma percepção mais profunda sobre como o mundo realmente funciona. E, para compreender, é preciso estudar as diferentes áreas do conhecimento.

A análise técnica é baseada na identificação de padrões de movimento dos preços com o auxílio de gráficos, indicadores e outros estudos estatísticos. Como Max coloca, esse grande organismo chamado mercado pode representar precisamente o comportamento humano e os seus padrões e, por conta disso, temos no estudo do mercado a possibilidade de uma compreensão maior da nossa realidade social.

Claro que existem limites. No filme Max tem uma única relação social, com o seu mestre Robeson, também matemático, que estudou a vida inteira a relação Pi. No cálculo da famosa relação entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro, Robenson tentava encontrar um padrão para a repetição das infinitas casas decimais que formam o número. Depois de décadas na busca do padrão, ele abandonou o trabalho, defendendo a ideia que não haveria ordem ali, apenas o caos.

Do ponto de vista de mercado, o professor de Max representa os teóricos do Random Walk, ou seja, do passeio aleatório que os preços do mercado faria. Por tal visão, tanto a Análise Técnica quanto a Análise Fundamentalista seriam ferramentas inúteis para buscar um maior lucro no mercado, sendo que a opção mais inteligente seria apenas comprar fundos passivos que seguem um índice, já que o movimento do mercado seria, no final das contas, randômico. A minha crença pessoal está no ponto de equilíbrio entre estes dois extremos: nem o mercado é totalmente randômico e nem sempre gera padrões claros. A busca de Max por uma fórmula para explicar toda a realidade é comparável a busca dos traders pelo Santo Graal, expressão utilizada no mercado para descrever um sistema perfeito, com 100% de acerto.

No desenrolar da história, uma mulher que é apresentada como representante de uma firma de Wall Street pressiona Max para desenvolver um trabalho para a firma. Quando os métodos tradicionais de contratação falham, ele é ameaçado para dar a “fórmula completa”, já que a solução parcial que a firma teve acesso produziu um crash na bolsa. Em tal passagem é demonstrado como um sistema perfeito é impossível na prática, visto que ele seria autodestrutivo.  Se eu tivesse uma fórmula perfeita, passaria a ter, em cada operação, um patrimônio maior. Quanto maior o patrimônio, mais liquidez seria sugada do mercado em cada operação, modificando a própria dinâmica de preço. É a influência do observador na observação – tão explorada na física quântica. No final do filme fica muito claro como a busca pelo Santo Graal pode gerar dor e loucura.

Outro padrão que é exposto na obra é a sequência de Fibonacci, que gera relações presentes desde em pequenas estruturas, como o DNA, até nas espirais que formam as galáxias. Tais relações são amplamente utilizadas na análise técnica para identificar alvos para o movimento dos preços.

Enfim, para quem está procurando um filme original sobre a aplicação de modelos matemáticos no mercado, fica a dica.

P.S: Talvez o sujeito que tenha chegado mais perto do Santo Graal, na vida real, seja o gestor “Jim” Simons, fundador da Renaissance Technologies (que gere o legendário Medallion Fund). O fundo ofereceu retorno de dois dígitos por mais de 20 anos sem nenhum ano negativo, e tem na sua equipe vários cientistas renomados das mais diversas áreas do conhecimento, desenvolvendo modelos matemáticos para operar todos os mercados líquidos do globo. A Renaissance chega a representar 25% do volume negociado na Nasdaq em alguns pregões.

16.04.2013 - 19h58

O esvaziamento da bolha Brasil

A pergunta mais freqüente dos participantes do mercado nos últimos tempos é sobre o comportamento diferente do Ibovespa em relação a outros mercados globais. Por exemplo, enquanto observamos o mercado americano testando e rompendo topos históricos em vários índices por aqui o mercado patina. Só em 2013 o Dow Jones apresenta 10,62% de alta, enquanto o IBOV amarga 11,28% de queda.

Historicamente o mercado brasileiro apresenta variações maiores mas usualmente na mesma direção do mercado americano. É um mercado com beta maior do que 1 em relação ao mercado americano. Tende a subir mais nas altas e cair mais nas quedas, mas não costuma trabalhar em direção contrária.

Fica mais fácil observar o comportamento utilizando um gráfico de longo prazo com IBOV(azul) e S&P 500 (vermelho) traçados, desde 1970 até 2012.

A alta mais forte no final do gráfico representado pela linha em azul é o período correspondente a 2002 – 2008, quando o IBOV produziu uma alta de 800% em dólar, contra uma alta de 100% do S&P. No crash de 2008 o mercado brasileiro caiu um pouco mais que o americano, fazendo uma recuperação em seguida e alcançado o maior afastamento do S&P em 40 anos. A partir de 2010 é que houve uma inversão de movimento, mesmo assim a distância de rentabilidade ainda é grande.

Ou seja, ainda existe espaço para correção de valor. Se pegarmos como base o valor de jan/1970 como 1 para 1 e traçarmos um gráfico da correlação iremos perceber que o mercado brasileiro ainda está “caro” em termos históricos.

O movimento natural dos recursos no mercado global é a busca de mercados mais arriscados em tempos de euforia e fuga para mercados “seguros” nos tempos de medo e pessimismo. O porto seguro do capital internacional continua sendo os EUA apesar de todo endividamento e crise dos últimos anos. Tivemos no Brasil um retorno fantástico na década passada e seria normal uma correção em algum momento. De uma certa forma podemos dizer que houve uma bolha Brasil na primeira década do segundo milênio.

Alguma correção seria normal mas o problema seria o mercado produzir uma correção mais alongada, como foi a da década de 70, depois do “milagre econômico”. Do ponto de vista dos fundamentos econômicos brasileiros perdemos uma oportunidade de ouro. Com um mercado interno gigante, recursos naturais fartos, uma população jovem e reformas que modernizaram o sistema financeiro e mataram o flagelo da hiperinflação o capital externo migrou em massa esperando que acontecesse aqui o que aconteceu na Coréia do Sul, ou seja, o Brasil finalmente sair da lista dos subdesenvolvidos para ocupar um lugar entre as economias mais avançadas. O auge do otimismo com o Brasil foi a capa da prestigiada revista The Economist em novembro de 2009 com o Cristo “decolando”.

Micou. Novamente provou-se a lógica do mercado ser movido por expectativas e não por fatos. E quando os fatos não se comprovam, as expectativas esvaziam como um balão murchando. Uma bolha no mercado financeiro pode ser resolvida assim, não necessariamente com um crash. O Japão que o diga com os 23 anos de correção do Nikkei desde o seu topo histórico em 1990.  É o velho ciclo de expansão e retração.

Tivemos alguns avanços imporntantes, mas perdemos a chance. O período de maior bonança global de todos os tempos mascarou (e ainda mascara) as deficiências. Faltou a visão política certa para abrir de vez a economia, acabar com as famigeradas leis trabalhistas abusivas, reforma tributária, corte de gastos do governo, investimento em infra-estrutura, reforma do judiciário e na educação. Além da reforma política e da intransigência com a corrupção. Ao invés disso regredimos ao mundo pré muro de Berlim e adotamos um regime que pratica o centralismo econômico. A sanha intervencionista atingiu diretamente ou indiretamente todos os setores, especialmente a gigante PETRO, VALE, setor elétrico, entre outros. A idéia de mega empresas brasileiras financiadas pelo BNDES já se provou um grande erro, mas é repetida. O governo destrói um dos grandes avanços institucionais que foi a lei da responsabilidade fiscal fazendo repasses diretos para o BNDES e para os grandes bancos. No final do ano passado o negócio foi maquiar os números mesmo, sem pudor. Agora a inflação embala. E não há sinal de mudança na trajetória.

Apesar de estarmos num momento propício para altas nas ações, como prediz o ciclo decenal e confirma o mercado global, patinamos. Claro que o mercado brasileiro pode reverter e geralmente reverte nos momentos de menor esperança. Mas por hora não há sinal, nem nos gráficos e nem nos fundamentos. O especulador, especialmente aquele que segue uma estratégia baseada em gráficos e estatísticas derivadas do preço nem deve se perguntar os motivos, apenas operar os sinais, tanto nas compras quanto nas vendas seguindo a tendência. Assim eu opero e dá para gerar lucro nas altas e nas baixas.

Mas como também me preocupo muito com o país quero explicar os motivos e defender as soluções. Não apenas para poder surfar mais uma bela tendência de alta, mas principalmente para ver toda a sociedade enriquecendo através de um mercado livre que gera maior eficiência e está ligado a um maior nível de liberdade individual. Não me satisfaz um país classe C, eu quero um país classe A. Ainda há tempo para mudar o rumo.

25.01.2013 - 19h05

O grande segredo para montar um sistema vencedor

Muitos traders falham em produzir um resultado positivo consistente no mercado por não compreenderam a natureza do desafio. Acreditam que para ganhar dinheiro é preciso acertar todas as operações montadas. Psicologicamente a necessidade de controle total sobre a realidade é um grande gerador de ansiedade. As pessoas preferem gerar uma ilusão de controle ao invés de aceitar que algumas coisas são impossíveis de controlar e trabalhar mais no sentido de controlar o risco e montar planos B, C, D….

A natureza caótica do mercado pode ser extremamente desagradável para aqueles que não estão acostumados a pensar em termos de possibilidades mas sim de certezas. Por outro lado o mercado pode oferecer um ótimo treino para a vida. Desde que comecei a operar mudei completamente a minha forma de enxergar o mundo. Nos últimos anos, com a aceleração da evolução tecnológica a realidade está cada vez mais parecida com o mercado: caótica. Em tal ambiente é mais fácil (e seguro) aceitar a incerteza e lidar com ela do que dar uma de avestruz em perigo. Não enxergar o perigo não quer dizer que ele fique menos próximo. Ao contrário, a ilusão da segurança pode impedir que sejam tomadas medidas de prevenção em relação a algum risco.

Voltando ao mercado, o primeiro passo para aumentar as chances de sucesso é aceitar a incerteza. Nenhum trader ou investidor acertará todas as suas operações. O resultado positivo será dado pelo saldo entre lucros e prejuízos. Nesse contexto podemos utilizar a matemática para avaliar a nossa forma de operar.

A primeira variável a ser avaliada é a taxa acerto (TX). Se a taxa de acerto é de 50%, podemos dizer que TX=0,5.

O segundo conceito é o payoff(PO). O payoff é a divisão entre o ganho médio por trade vencedor dividido pelo prejuízo médio por trade perdedor.
PO=(Ganho Médio)/(Prejuízo Médio)

Usaremos tais fatores para calcular a Expectativa Matemática(EM), que dará qual é a expectativa de ganho/prejuízo para cada operação. Por exemplo, se o meu sistema tem uma taxa de acerto de 50% e na média eu ganho R$ 100,00 quando acerto uma operação e perco R$ 50,00 quanto erro, o meu payoff será de 2. Neste caso a expectativa matemática será de:

No caso do mercado, como temos apenas duas possibilidades, lucro ou prejuízo, a fórmula fica da seguinte forma:

EM=Ganho Médio×Percentual acerto-Prejuízo Médio×Percentual erro

Neste caso, utilizando os dados do problema proposta, temos a seguinte expectativa matemática:

EM=0,5×R$100-0,5×R$50
EM=R$ 25,00

Podemos dizer que utilizando este sistema no mercado a expectativa matemática é gerar R$ 25,00 por operação.

É preciso entender a limitação do uso deste modelo para avaliar os sistemas de trade. Tal fórmula é bem interessante para calcular as chances em sistemas onde existem resultados possíveis finitos e determinados. Por exemplo, o cálculo da expectativa matemática para jogar um número por jogada na roleta seria:

EM=1/38×35+37/38 ×(-1)
EM= -0,052631

Ou seja, perder R$ 0,052 por tentativa e aposta de R$ 1,00.

No mercado existem condições que mudam a cada período. Além disso, um sistema pode não ser totalmente mecânico, ou seja, podem existir critérios subjetivos para se definir entre fazer a operação ou ficar de fora. Sem contar os erros operacionais e a situação emocional do trader que pode mudar a sua forma de operar.

Quanto mais sistemático for o trader e maior for o prazo que ele aplica o seu método de operar, mas preciso será o resultado da expectativa matemática para definir o potencial de um sistema.

Aqui precisamos colocar outra questão controversa. Alguns teóricos defendem que o mercado é totalmente randômico e neste caso ele não apresenta nenhum padrão de comportamento. Por esta visão não seria possível criar um sistema que gere ganhos consistentes ao longo do tempo. O excesso de ganho num determinado momento se daria simplesmente por sorte e seria compensado por um excesso de prejuízo em algum momento. Mais ou menos como ter um golpe de sorte num jogo de cara ou coroa e acertar dez vezes em sequência. Num número maior de lançamentos, se a moeda não for viciada a taxa de acerto deve voltar para 50%.

Acredito, como os analistas técnicos, que o mercado não é sempre randômico. O mercado pode formar alguns padrões por conta do comportamento dos seus participantes. Assim a variações dos preços seguiria maios ou menos os mesmos padrões ao longo do tempo, portanto a colocação em prática de um sistema oferecia resultados também mais ou menos consistentes.

O primeiro passo para entender tais conceitos é fazer o cálculo da expectativa matemática dos seus trades. Para tanto é preciso saber a taxa de acerto, o ganho médio por trade vencedor e o prejuízo médio por trade perdedor.

EM=Ganho Médio×Percentual acerto-Prejuízo Médio×Percentual erro

Se você não desenvolveu um sistema para operar, ou seja, opera de maneira aleatória, este número não terá nenhum significado.

Por outro lado, caso você opere de forma mais sistemática ele pode ajudar você a identificar um modelo a ser mantido ou a ser trocado. Caso o tempo avaliado for muito pequeno, é necessário estender a pesquisa através de backtests (simulações de operações utilizando o sistema no passado). Quanto mais tempo for utilizado para a pesquisa, melhor.

O principal equilíbrio de um sistema está entre taxa de acerto e payoff. Se a taxa de acerto é baixa o payoff precisa ser alto e vice versa. Por exemplo, se eu utilizo uma estratégia de sair rapidamente de uma operação vencedora e tenho stops muito longos de uma maneira geral tal sistema está fadado ao fracasso.

Outros cuidados que precisam ser tomados é evitar otimizações excessivas no backtest (deixar um sistema muito bom para apenas um conjunto de dados) e usar premissas não realistas como por exemplo não levar em conta limitações de liquidez de cada mercado, custos e impossibilidade de alavancagem.

Mesmo um sistema com expectativa matemática muito positiva pode gerar a quebra de um trader caso não seja utilizada alguma política de controle de risco, pois vários trades ruins em sequência podem gerar um grande prejuízo em relação ao capital operacional.

De qualquer forma, não há salvação para um sistema com expectativa matemática negativa que tenha sido testado no longo prazo com regras bem estabelecidas em diferentes condições de mercado e levando em consideração premissas realistas e custos operacionais. Para tais sistemas a curva de capital deve apontar para zero em algum momento. Mesmo o uso do controle de risco nestes casos apenas diminuirá o ritmo de perda de capital.

Bibliografia:
www.testtrader.com.br
The Handbook of Portfolio Mathematics, Ralph Vince

13.12.2012 - 18h31

Os caminhos da Análise Técnica

A Análise Técnica (AT) reúne um conjunto de ferramentas utilizadas para avaliar o comportamento dos preços dos ativos e derivativos negociados em bolsa. Para que seja possível utilizar a AT é preciso observar duas condições básicas em qualquer mercado: liquidez e liberdade de negociação. Quanto mais líquido for um ativo, mais consistentes serão os padrões presentes nos gráficos. Se um mercado tiver o seu preço controlado será difícil identificar tais padrões. Temos mercado semi controlados como o dólar, onde mesmo assim é possível utilizar a AT.

Ao longo dos últimos anos a AT evoluiu muito, inclusive sendo chamada de análise quantitativa, que nada mais é do que a busca de padrões nos preços que permitam a formulação de estratégias vencedoras utilizando a capacidade computacional atual e reunindo muitas áreas do conhecimento para definir modelos de comportamento do mercado. Por exemplo, modelos de propagação de doenças podem ser utilizados para identificar a força e duração de uma tendência. Tais estratégias são operadas no mercado com a ajuda de robôs que podem produzir milhares de ordens num curto intervalo de tempo. São os famosos sistemas de alta frequência. Para alcançar o lucro tais sistemas são dependentes de baixíssimos tempos de latência. As bolsas lucram alto hoje com a oferta de slots para que os servidores de corretoras e assets ficarem mais próximos dos servidores de negociação e com isso diminuindo a latência das operações.

Tais mudanças já geram impactos no mercado e ninguém sabe muito bem o resultado final do processo. O que sabemos hoje é que ficou impossível para um operador de carne e osso manualmente enviar ordens de compra e venda com o objetivo de lucrar centavos, como faziam algum tempo atrás os scalpers nos pregões viva voz. Tal espaço está dominado para sempre pelos robôs. Outro comportamento observável é a velocidade com que a liquidez aumenta e diminui. Num espaço de poucos segundos o mercado pode ir de milhões de ações/contratos negociados para zero. Com isso podem ser gerados flash crashes ou flash booms nos preços. Surgem também dúvidas sobre a legalidade dos sistemas. Algumas agências reguladoras já trabalham para colocar limites nos sistemas de alta frequência até para evitar a sobrecarga nos canais de negociação. Recentemente um único sistema que opera na NYSE foi capaz de enviar e cancelar tantas ordens que 30% de toda a banda contratada da bolsa foi utilizada! Tenho dúvidas sobre a capacidade dos reguladores em coibir essa forma de negociação e nem é o objetivo do artigo avaliar as questões éticas da nova fronteira de trading.

O propósito é avaliar a validade da Análise Técnica tradicional frente às mudanças sofridas no mercado. Essa não é uma dúvida nova. Quando surgiu o telégrafo como ferramenta de difusão de cotações também se acreditava em mudanças radicais no comportamento dos preços, o que não aconteceu. Depois veio o computador e as redes com a possibilidade de enviar ordens eletronicamente e também não foram geradas grandes mudanças nos padrões. Até agora quem mais sofreu com todas as mudanças foram os intermediários, como os brokers, market makers, especialistas, corretoras e a própria bolsa. O mercado era mais lento e fechado. Isso permitia a formação de certos feudos, além de um maior uso das informações privilegiadas. Com as informações oferecidas em tempo real para o mundo todo pela internet e as operações abertas ao público nos sistemas eletrônicos ficou mais difícil ter uma vantagem. O mercado ficou mais eficiente, apesar de práticas ilícitas continuarem a fazer parte do jogo, infelizmente.

Mesmo assim, as mudanças recentes nos sistemas automáticos de trading mudam um pouco as coisas. Até então as decisões de compra e venda eram humanas e dependiam portanto do comportamento altamente irracional mas previsível desses seres. A Análise Técnica nada mais é do que a representação gráfica do comportamento humano nos preços dos mercados de bolsa. O que acontece quando são máquinas e não humanos tomando decisões?

Antes de responder essa pergunta precisamos admitir que as máquinas apenas seguem a programação feita por humanos, portanto o comportamento não está tão distante assim. As inteligências artificiais ainda não são tão inteligentes assim a ponto de ter toda a capacidade e sensibilidade humana para avaliar um sistema complexo como o mercado. Dito isso surge o verdadeiro problema: a ação dos sistemas cria pequenas mudanças no comportamento dos preços. Existe um componente quântico em cada estratégia de trade: ela acaba interferindo no mercado. A observação depende do observador. Muitos sistemas já trabalham no sentido de tentar descobrir o que outros sistemas estão fazendo para explorá-los dando ainda maior complexidade ao problema. O resultado são ciclos de alta e baixa cada vez mais velozes e cheios de ruído.

Apesar disso, tirando a impossibilidade de fazer manualmente trades de curtíssimo prazo, vejo ainda as ferramentas clássicas da AT funcionando muito bem. O mercado segue se movimentando em tendências, produzindo zonas de suporte e resistência e os rompimentos destes patamares produzem movimentações operáveis. Claro que existem rompimentos falsos e mudanças abruptas de tendência, mas elas sempre existiram, desde a época em que os pais da AT faziam os seus gráficos com papel milimetrado de olho nas cotações que saiam do telégrafo.

Talvez isso seja explicado pela natureza imutável do comportamento dos preços que está associada aos ciclos de expansão e contração dos negócios. Se uma empresa desempenhar bem a sua função e tiver lucros crescentes ao longo do tempo, além de não sacanear o pequeno acionista, suas ações serão valorizadas independentemente dos robôs que compram e vendem tais ações. O inverso também será verdadeiro, más empresas terão o preço das suas ações diminuídas. O mesmo se aplica às commodities operadas em bolsa com suas oscilações de oferta e demanda que dependem de inúmeros fatores. Sem contar os ciclos de expansão e contração de crédito levados a cabo pelos bancos centrais, quase sempre por motivos políticos e que interferem diretamente nos preços dos ativos. Em última análise os preços estão ancorados nos seus fundamentos.

Quer dizer que você agora virou fundamentalista Leandro? Não. Por alguns motivos. O primeiro é o timing. Geralmente o mercado anda na frente dos dados que são divulgados. Como a recompensa para o acerto de uma avaliação de preço bem feita é muito grande existem players armados com poderosas ferramentas e extraindo todas as informações possíveis, legal e ilegalmente sobre um determinado mercado e isso aparece no movimento produzido por estes players, no gráfico. Em segundo lugar, pela falta de consistência nesses dados. De uma maneira geral os dados oferecidos pelas empresas, governos e outras instituições e utilizados pela análise fundamentalista são imprecisos na melhor das hipóteses e simplesmente incorretos na pior. Mas o fato é que o mercado tem uma âncora na realidade. Mesmo quando há um exagero de preços para cima ou para baixo, em algum momento a realidade se impõe.

Resumindo, apesar dos sistemas automáticos de trade poderem gerar maior ruído no mercado e acelerar movimentos, especialmente no curtíssimo prazo, eles não devem modificar a natureza mais profunda de movimentação dos preços.

Acredito no aumento do uso de automação para avaliar e operar o mercado, mesmo que não seja em alta frequência. Não há como escapar. Mas não vejo isso sendo mais importante do que a genialidade humana para entender o contexto geral de uma situação e tomar a melhor decisão. Nem que seja na hora de programar o robô ou reprogramá-lo de tempos em tempos.

08.10.2012 - 01h07

As verdadeiras raízes da crise

Muitos documentários já foram produzidos para explicar a crise, sempre colocando a culpa do episódio na falta de regulamentação do mercado, na especulação financeira e no capitalismo. Apesar de trazerem informações interessantes sobre o maior terremoto financeiro em décadas, tais documentários falharam em identificar as verdadeiras raízes da crise: o controle estatal sobre o crédito e as taxas de juros, além da capacidade infinita de criação de moeda dos bancos centrais e bancos adjacentes sem lastro na poupança real. Confira no link abaixo:

Fraude. Explicando a grande recessão.

25.09.2012 - 00h03

Cuidado, o seu investimento “conservador” pode gerar prejuízos!

Passamos pela maior mudança no mundo dos investimentos desde a implementação do plano real e o fim da hiperinflação no país, em 1994. A diminuição das taxas de juros deve tirar o brasileiro da zona de conforto proporcionada pelos altos juros em investimentos de baixo risco, como os fundos DI, que basicamente investem seus recursos em títulos do governo federal.

Hoje, este tipo de investimento pode gerar uma rentabilidade real negativa facilmente, pois apesar da hiperinflação não estar mais presente no cenário, há uma inflação persistente em patamares altos fazendo uma comparação com os países mais desenvolvidos. Por exemplo, a inflação projetada pelo mercado para os próximos 12 meses é de 5,6%. Com uma Selic a 7,5%, se descontarmos o IR e a taxa de administração de 1% (abaixo da média de um fundo DI típico), teremos uma rentabilidade real igual a zero praticamente. Para uma taxa de administração maior, a rentabilidade real será negativa! Ou seja, fazendo aquilo que a maioria dos investidores faz (investindo em poupança, fundo DI ou CDB’s tradicionais) você estará empatando ou perdendo dinheiro!

Chegou o momento de mudar a cultura do país em relação aos investimentos. Será necessário estudar as alternativas, dedicar algum tempo ao tema. A boa notícia é que existem muitas alternativas no mercado financeiro.

Em primeiro lugar precisamos entender como o mercado funciona. Basicamente o objetivo do mercado financeiro é aproximar os poupadores dos tomadores de recursos. O sujeito que gastou menos do que recebeu num determinado período teve uma sobra, virando um poupador. Ou sujeito, família, empresa ou governo que gastou mais do que recebeu precisa de recursos para continuar as suas atividades. Precisa portanto tomar recursos no mercado e pagará um preço por isso.

Geralmente existe uma instituição financeira que liga essas duas pontas e cobra uma parte da diferença para fazer o serviço. É o famoso spread. Se o poupador aloca o seu recurso numa caderneta de poupança, por exemplo, receberá 70% do CDI mais TR, hoje algo em torno de 5,25% ao ano. A instituição financeira capta esse recurso e empresta a uma empresa a 15,25% ao ano, por exemplo. Essa diferença é o spread e deve bancar a inadimplência de quem tomou os recursos do banco e gerar o lucro do banco. O objetivo de qualquer banco é tomar os recursos ao menor custo possível e cobrar o máximo possível dos tomadores de recursos. Os bancos tomam recursos através da caderneta de poupança, certificados de depósito, letras de crédito, certificados de recebíveis, entre outros. Vale a pena comparar cada um desses veículos de investimento para descobrir as melhores alternativas. Você descobrirá, por exemplo, que uma letra de crédito imobiliário geralmente oferece uma rentabilidade maior com o mesmo nível de risco. Marque bem essa palavra que permeia qualquer decisão de investimento: RISCO. Sempre que você for investir, avalie qual é o risco que você está correndo. Por exemplo, quando você investe em poupança até R$ 70.000,00, está correndo o risco do banco e o risco do fundo garantidor de crédito. Em outras palavras, se o banco quebrar, você ainda terá um fundo especial para cobrir investimentos de até R$ 70.000,00 naquela instituição. O mesmo risco é oferecido para as letras de crédito imobiliário, por exemplo.

O investimento em um fundo gera uma outra dinâmica. Os recursos são alocados num condomínio de investidores, onde o gestor recebe autorização específica para tomar as decisões de investimento. O regulamento do fundo determina quais ativos o gestor pode buscar, os riscos que podem ser tomados, o benchmark a ser buscado, as taxas cobradas, entro outros detalhes. Aqui novamente fica envidenciada a importância de ter conhecimento sobre o mercado para entender o regulamento do fundo e a estratégia que o gestor utilizará, com os riscos inerentes. Os fundos imobiliários tem feito muito sucesso ultimamente, porque agregam alta rentabilidade com isenção tributária, apesar de poderem trazer uma volatilidade maior nas suas cotas. Sugiro um estudo profundo neste mercado, pois é a evolução do antigo investimento direto em imóveis para renda com aluguel. É um mercado que ainda deve crescer muito no país.

Existem ainda investimentos diretos, que aproximam os tomadores de recursos dos poupadores e por isso mesmo são mais interessantes para ambos, pois acabam existindo menos intermediários no caminho, o que diminui os custos dos tomadores e pode aumentar a rentabilidade dos investidores. Por exemplo, algum tempo atrás o governo federal lançou o programa Tesouro Direto que permite a investidores individuais comprar títulos diretamente do governo. É uma alternativa ao investimento em fundos que compram esses títulos e pode gerar um negócio mais rentável para o poupador.

Outro tipo de investimento direto é a compra de uma ação de uma determinada empresa. Se você compra as ações de uma empresa através de uma oferta pública os recursos investidos vão direto para o caixa da empresa. Quando você compra a ação da empresa no mercado secundário, na bolsa de valores, os recursos não vão diretamente para a empresa, mas as beneficiam pois aumentam o valor da empresa e facilitam novas emissões caso a empresa queira expandir a sua atividade. Esse é o tipo de investimento mais presente nos países desenvolvidos, pois pode ser a forma mais barata de uma empresa levantar recursos e também pode oferecer retornos estratosféricos aos investidores, obviamente com riscos envolvidos. Quanto mais forte for o mercado de ações de um país, mais dinâmica e geradora de riqueza será a economia deste país.

Existem basicamente duas formas de atuar em bolsa: como investidor ou como especulador. O investidor busca empresas bem administradas, bem posicionadas no mercado onde atuam e com potencial de geração de lucro (que será distribuído para os acionistas em forma de dividendos). Além dos dividendos, o aumento do preço dessa ação ao longo do tempo pode gerar ganho ao acionista. O horizonte de tempo do investidor é longo, pode ficar anos ou mesmo décadas segurando os papéis dessas empresas.

Já o especulador busca oportunidades de curto prazo para ganhar na diferença entre o preço de compra e o preço de venda. Ele estuda a dinâmica de preços das ações ou de qualquer outro ativo/derivativo para definir o melhor momento para fazer a operação. A Análise Técnica ou Quantitativa pode ser a ferramenta utilizada para ajudar a entender o mercado e definir as estratégias. O que está por trás do movimento dos preços é o comportamento dos participantes do mercado. Pessimismo ou otimismo exagerado podem gerar mercados irracionalmente baratos ou caros em determinados momentos, por exemplo, gerando oportunidades de compra ou venda. Essa é a típica visão do especulador.

Existem ainda contratos mais complexos, como futuros ou opções que podem ser utilizados para montar operações, não necessariamente arriscadas. Algumas das operações mais conservadoras do mercado podem ser montadas usando estes instrumentos. Não fique com medo de estudar mais sobre esses instrumentos por eles serem muito complicados, porque na verdade eles não são, só é necessário um pouco de esforço.

Recentemente a receita americana divulgou um estudo sobre a renda dos seus 400 maiores contribuintes. Apenas 16% da renda dos super ricos vem de salários. A maior parte vem dos seus investimentos. Se você quer ter uma renda maior ao longo da sua vida e ter acesso a melhor educação, saúde, segurança, liberdade e diversão não adianta apenas trabalhar duro. É preciso saber investir da melhor forma possível. Comece agora mesmo! Cada pequeno aumento na rentabilidade real mensal pode fazer uma diferença gigantesca no longo prazo.

* O presente artigo não representa análise ou recomendação de investimento de qualquer espécie. Operações com instrumentos financeiros, especialmente com ações e derivativos podem gerar perdas substanciais. Esteja atento ao risco presente em qualquer tipo de investimento.

17.09.2012 - 22h23

O poder preditivo da Análise Técnica

Nos últimos pregões houve forte movimentação baixista no setor elétrico, como reflexo de medidas governamentais que forçam a revisão tarifária dos contratos de concessão para baixar o preço da energia para consumidores domésticos e industriais. Independentemente da avaliação das medidas do ponto de vista do seu resultado final para a economia (que eu acredito serem negativas pela forma que foram levadas a cabo), será que a Análise Técnica poderia auxiliar algum trader ou investidor que possuía posições compradas nas ações que fazem parte desse setor?

Antes de tentar responder a essa indagação de forma consistente, darei um passo atrás para avaliar as teorias que tentam descrever a movimentação dos preços dos ativos financeiros. Num extremo temos a teoria da “random walk”, que defende uma total incapacidade de prever qualquer movimento dos preços no futuro. Tal hipótese está ancorada em alguns preceitos, como a simetria de informação entre os participantes do mercado (receberem as mesmas informações ao mesmo tempo), a tomada de decisão racional em busca do maior lucro possível e a não existência de custos para transacionar os ativos. Ou seja, nada mais afastado da realidade do mercado. No outro extremo temos a Análise Técnica, que defende a existência de padrões de movimentação de preços que podem trazer uma certa previsibilidade no movimento futuro dos preços ou a Análise Fundamentalista que prediz uma maior chance de alta para um ativo que esteja negociado abaixo do seu “valor justo”, por exemplo. A verdade é que cada uma dessas teorias tem um pedaço do quebra-cabeça para tentarmos explicar o movimento dos preços.

Em situações como a queda das elétricas nos últimos dias podemos avaliar a utilidade destas teorias. Do ponto de vista da “random walk” o movimento de queda está dentro das possibilidades de movimentação de qualquer percentual de variação no preço em qualquer tempo. Mas utilizando uma distribuição normal para definir a chance dessa queda (muitos modelos de controle de risco utilizados por gestores usam essa abordagem), chegaríamos a conclusão que seriam necessários mais de dez mil anos de mercado para tal movimento acontecer uma única vez! Em outras palavras, existe um sério problema na forma que os gestores estão controlando o risco das suas carteiras. Já do ponto de vista da Análise Fundamentalista, os papéis do setor eram considerados seguros por muitos analistas, já que as suas receitas eram previsíveis e estáveis. Entre muitos players estes eram considerados papéis defensivos…

Já do ponto de vista da Análise Técnica, os papéis já haviam saído de uma tendência de alta muito antes das notícias virem a público. Esta é mais uma evidência da assimetria das informações entre os participantes do mercado, ou seja, alguns recebem as informações antes dos outros. Logicamente podemos imaginar que os maiores players, por terem mais contatos e recursos conseguem as informações antes do público geral e portanto produzirão compras ou vendas de maior vulto no mercado, o que será notado pelos analistas técnicos. Foi provavelmente o que aconteceu com as elétricas.

Podemos utilizar o gráfico de um ativo do setor com boa liquidez para fazer uma avaliação, por exemplo, CMIG4. O papel vinha em bela tendência de alta no ano, com uma variação positiva de mais de 50%. No dia 23/08 houve a primeira movimentação “estranha”, quando o papel chegou a cair mais de 6% no dia, com forte volume. Neste ponto já havia sido produzida a perda da média de 21 períodos e de fundos anteriores, primeiros sinais de mudança de tendência.

Alguns dias depois, em 31/08 foi divulgada a MP que permitia a intervenção do governo nas elétricas em dificuldades financeiras e o papel confirmou graficamente uma tendência de baixa, com topos e fundos descendentes. A partir deste ponto, qualquer trader que utilizasse a Análise Técnica para tomar decisões não poderia mais estar comprado no papel.

Após alguns dias de movimento lateral, o papel perdeu o fundo anterior no dia 11/09 com aquilo que chamo de uma barra de força, sinalizando a continuação do movimento negativo. No dia posterior, o desastre foi confirmado com um gap de baixa de 13%!

Não estou defendendo a possibilidade da AT ter antecipado exatamente uma forte queda, mas sim a capacidade da ferramenta para identificar uma força vendedora crescente e a maior chance de continuação da queda. Os grandes players podem esconder do público as informações possuídas para tomar decisões, mas eles não tem como esconder as suas compras e vendas que movimentam os preços e sensibilizam os gráficos.

O mesmo aconteceu no passado em quedas históricas. As ações da Enron, por exemplo, apresentavam forte tendência de baixa mesmo com os seus múltiplos excelentes. Depois de cair desde o topo histórico na casa dos US$ 90,00, o papel produziu uma congestão na faixa de US$ 27,00, quando muitos bancos de investimentos soltaram relatórios para os seus clientes, defendendo a maior oportunidade de compra nas últimas décadas, já que o papel estava muito barato, ou seja, o seu preço justo era muito maior do que aquele oferecido no mercado. Logo em seguida veio a tona o escândalo de adulteração dos balanços e a empresa quebrou. No processo judicial seguinte, ficou claro que os maiores sócios estavam vendendo as ações e tais vendas produziram a tendência de baixa desde os US$ 90,00, muito antes que as informações negativas viessem a público. Mais uma evidência da capacidade da Análise Técnica em deixar o trader “bem informado” sobre as maiores chances de movimentação no futuro. Quem operou seguindo a tendência deixou de perder dinheiro na pior das hipóteses ou ganhou muita na venda a descoberto na melhor das hipóteses.

Não creio que exista qualquer abordagem capaz de gerar uma taxa de acerto de 100% nas operações, mas acredito que a Análise Técnica pode dar uma vantagem ao trader na identificação do movimento mais provável na maior parte das vezes. Na verdade, um trader experiente descobre que nem é preciso estar correto na maior parte das vezes, mas sim deixar as operações vencedores seguirem por mais tempo e por maior percentual de variação de preço que as operações perdedoras para alcançar o sucesso. A partir deste nível de compreensão do mercado o grande desafio passa a ser conseguir controlar a carga emocional para cortar logo prejuízos pequenos e deixar os lucros crescerem em cada trade.

10.09.2012 - 01h06

Sushi para traders

Recentemente assisti o documentário “Jiro Dreams of Sushi”, contando a história do mestre de Sushi Jiro Ono. Para minha grata surpresa o documentário aborda muito mais do que a culinária japonesa. A trajetória de Jiro ajuda a entender um pouco melhor a cultura que transformou uma ilha sem nenhum recurso natural numa das maiores potências econômicas do planeta. A busca obstinada pela perfeição, a noção de honra acima da própria vida e a devoção ao trabalho são diretrizes para ao povo japonês ao longo dos séculos.

A própria Análise Técnica deve muito ao Japão. Foi o primeiro mercado de bolsa organizado no mundo, onde a principal commodity operada era o arroz. Não era operado apenas o arroz físico, mas também os contratos futuro de arroz, isso em 1710! Para operar neste mercado os traders japoneses desenvolveram uma técnica de avaliação específica: o candlestick (expressão em inglês para candelabro, cada dia de pregão é representado por uma vela e o formato de uma vela ou conjunto de velas gera uma interpretação da situação do mercado). Tal conhecimento foi trazido ao ocidente por Steve Nison na década de 90 e hoje é o gráfico mais utilizado pelos analistas técnicos ao redor do globo. Lembre que a Análise Técnica ocidental foi inicialmente desenvolvida por Charles Dow apenas no final do século XIX.

Mas não quero abordar aqui as técnicas com candles e sim utilizar a experiência de Jiro para entender como se alcança a excelência numa determinada atividade. Creio que a atividade do trader se aproxima mais da arte do que de uma ciência exata, assim como acontece com a atividade um grande Chef. O que Jiro pode nos ensinar sobre trading?

Jiro é proprietário de um pequeno restaurante em Tóquio chamado Sukiyabashi Jiro, com espaço para menos de 10 clientes num balcão e sem um banheiro próprio. Jiro é considerado o maior mestre de Sushi de todos os tempos. É preciso fazer reserva no seu restaurante com mais de um mês de antecedência. Pessoas vêm de todo o mundo para experimentar o Sushi de Jiro. O exigente guia francês Michelin atribuiu três estrelas ao restaurante, sua maior nota. Normalmente o guia trás apenas restaurantes badalados e luxuosos. Não é o caso do Sukiyabashi. O fato é que o seu sushi é tão excepcional que os críticos não se importam com esse detalhe. Como ele atingiu tal patamar de excelência? Veja o seu relato:

“Uma vez que você tenha decidido a sua ocupação, você deve se entregar ao trabalho, você deve se apaixonar pelo seu trabalho. Nunca reclame dele. Você deve dedicar a sua vida para dominar a sua habilidade. Esse é o segredo do sucesso e a chave para ser considerada uma pessoa honrada.”
No mercado financeiro, um ambiente complexo e altamente competitivo, será necessária muita dedicação, muita energia para alcançar algum resultado. A única forma de conseguir encarar uma rotina extenuante é ser apaixonado por aquilo que se faz.

Youshikazu é o filho mais velho e trabalha há mais de 30 anos com o pai. O seu relato sobre a missão deles:

“Não tentamos ser exclusivistas ou elitistas. As técnicas que utilizamos não são grande segredo. O que fazemos aqui é um esforço concentrado. Repetimos as mesmas coisas todos os dias. Há algumas pessoas que nascem com um dom natural. Alguns possuem um paladar e olfato sensíveis. Isso é o que você pode chamar de talento natural. Sem talento, se você levar a sério o que você está fazendo se transformará num especialista. Agora, se você realmente quer deixar uma marca nesse mundo terá que ter talento e o resto dependerá do quanto você está disposto a dar duro. Meu pai repete a mesma rotina todos os dias. Ele espera o trem na mesma posição. Ele não gosta de férias, é tempo demais longe do trabalho. Isso é impensável para a maioria das pessoas.”

Aqui temos a maior lição para os traders: a repetição é a mãe do aprendizado. Muitas pessoas entram no mercado com a expectativa de altos ganhos, sem muito esforço nem conhecimento. Dessa forma elas arriscam demais e perdem tudo antes de terem a oportunidade de sequer entenderem a dinâmica dos preços e as principais características do mercado. Veja que Youshikazu ressalta o uso de técnicas conhecidas. Da mesma forma no mercado existem estratégias de conhecimento público, mas que precisam de tempo para serem assimiladas e dominadas por alguns traders. Este é o principal ponto!

Ainda sobre essa questão temos o relato de alguns colaboradores de Jiro:

“O nosso negócio não tem a ver com dinheiro. Nestes dias os jovens querem um trabalho fácil, querem muito tempo livre e muito dinheiro. Mas eles não estão preocupados com a construção das suas habilidades. Quando você se compromete num trabalho com o Jiro, você está se comprometendo para a vida. A maioria das pessoas não consegue se comprometer com um trabalho desses e acaba desistindo.”

“Jiro ensina de graça, mas serão 10 anos de formação. A primeira lição é conseguir espremer uma toalha quente. Ela é tão quente que pode queimar a sua mão. Eles só deixarão você tocar num peixe depois de aprender a torcer a toalha. Depois de dez anos de prática, ele permite que você cozinhe os ovos. Eu fiz mais de duzentos sushis de ovo antes dele dizer que estava bom. Eu chorei de emoção neste momento.”

O segredo da riqueza não é ter muito dinheiro. Até porque o dinheiro é algo fluído, condições externas incontroláveis podem fazer você ganhar ou perder dinheiro rapidamente. Mas o domínio de uma habilidade pode gerar valor para sempre. Desenvolvendo essa habilidade, você precisa se preocupar em aplicá-la com precisão. Nesse caso o dinheiro virá naturalmente.

Existe um livro muito interessante sobre o tema, escrito por Malcolm Gladwel, chamado “Fora de série”. O objetivo do livro é identificar como surge um sujeito “fora de série”. O autor isolou algumas variáveis como capacidade intelectual, a bagagem cultural e mesmo a sorte de nascer no local certo e no momento certo para poder alcançar o sucesso. Todos esses fatores importam, mas aquele que produz a maior diferença é a experiência, a prática. Esse fator está presente em TODOS os casos de sucesso excepcional: pelo menos dez mil horas de prática naquela atividade onde o sujeito se destacou. Do ponto de vista dos fatores culturais, Jiro tem algo importante a relatar:

“Quando eu saí de casa com nove anos de idade, foi me dito que eu não teria uma casa para voltar. É por isso que você tem que trabalhar duro, porque você está sozinho e depende apenas de você. Eu não queria ter que dormir embaixo de uma ponte, então eu teria que trabalhar para sobreviver. Eu continuava trabalhando mesmo quando um chef me chutava ou mesmo me dava um tapa. Hoje em dia os pais dizem aos filhos: “Você pode retornar se não der certo”. Quando os pais dizem coisas estúpidas como essas, as crianças acabam falhando.”

Muitos acharão que Jiro está sendo muito duro, mas a verdade é que hoje existe um grau exagerado de tolerância com os mais jovens. As notas mínimas para que o aluno seja aprovado, tanto no ensino básico, como no fundamental estão cada vez mais baixas. Sempre há um desculpa para a mediocridade. Seja por ter uma cor de pele específica, da sua condição social, de algum problema que você teve na vida você merece uma segunda, uma terceira, uma quarta chance ou até mesmo uma forcinha a mais, como uma cota. O que aconteceu com o mérito? Com andar com as próprias pernas?

Lembro de uma conversa com o Oliver Velez, grande trader americano, quando ele lembrou que o ponto de virada na carreira dele foi desistir de uma alternativa ao mercado. Chegou um ponto onde ele decidiu que ganharia dinheiro no mercado ou iria morar na rua como um mendigo. A partir desse ponto ele começou a evoluir com mais consistência, pois colocou toda a sua energia nessa atividade, já que o fracasso não era uma opção aceitável.
Há algo muito errado com a visão clássica do trabalho como um fardo a ser carregado para conseguir manter um nível básico de conforto ao longo da vida e em algum momento se aposentar para aí sim curtir a vida. Com a palavra, Jiro:

“Há sempre um anseio para conseguir ir além. Eu continuarei a subir para ficar mais perto do topo, mas ninguém sabe onde o topo é. Mesmo na minha idade, depois de décadas de trabalho, eu não acho que tenha alcançado a perfeição. Mas sinto-me em êxtase durante todo o dia. Eu adoro fazer sushi. Esse é o espírito do Shokunin*. Quando parar? Eu sou apaixonado pelo meu trabalho, entreguei minha vida a ele. Mesmo com 85 anos, não tenho vontade de me aposentar.”

O que me impressionou foi ver a maior parte da filosofia de vida em que acredito resumida num documentário…sobre Sushi!
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*“O Shokunin nos dicionários japonês/inglês significa “artesão”, mas tal descrição literal não expressa plenamente o significado mais profundo da palavra. Os japoneses são ensinados que Shokunin significa não só ter habilidade técnica, mas também implica uma consciência social. Estas qualidades estão englobadas na definição de Shokunin, mas raramente são citadas na tradução. O “Shokunin” demonstra o conhecimento de ferramentas e a habilidade e com eles a capacidade de criar beleza e de trabalhar com uma velocidade incrível. O Shokunin tem uma obrigação social de fazer o seu melhor para o bem-estar geral das pessoas. Esta obrigação é tanto espiritual como material. É responsabilidade do Shokunin cumprir tal exigência.” Toshio Odate

04.09.2012 - 02h29

Orgulho de ser um especulador

Opero no mercado financeiro há mais de uma década. Já ensinei para muitas pessoas as minhas técnicas de trade. Dessas, apenas uma parcela conseguiu alcançar o sucesso no mercado. Sempre me pergunto o motivo de algumas pessoas ganharem dinheiro no mercado e outras não, utilizando as mesmas estratégias. A diferença não reside apenas na capacidade intelectual e numa melhor preparação. Um aspecto extremamente importante é a estrutura mental do trader.

A nossa estrutura mental é formada pelos nossos valores e crenças, que são desenvolvidas a partir de toda a experiência de vida. Desde antes do nascimento passamos por experiências que são registradas e moldam a nossa percepção. Ainda não existe uma definição exata para a consciência, mas sabemos que a forma como percebemos algum estímulo externo está intimamente ligada com as nossas experiências de vida e crenças formadas pelas mesmas.

Por exemplo, se em algum momento da sua vida a pessoa passa por uma experiência negativa como um acidente rodoviário, ela pode desenvolver uma reação negativo ao ruído de um automóvel. O fato de estar em movimento dentro de um carro pode passar a ser uma experiência muito desagradável. Talvez a pessoa tenha dificuldades em dirigir, ficando com medo de se envolver num acidente novamente. Os psicólogos chamam isso de trauma.

No mercado, experiências negativas como perdas numa determinada situação podem gerar também o mesmo mecanismo. O trader pode passar a ter medo de operar e incorrer em novas perdas. Esse medo pode dificultar a execução das estratégias, mas existe outro componente psicológico que pode ser ainda mais danoso.

As crenças negativas sobre a possibilidade de ganhar muito dinheiro, ou mesmo sobre a especulação (praticamente um palavrão), podem gerar um conflito interno que será resolvido no formato de prejuízos nas operações. Por incrível que pareça, às vezes é mais difícil aceitar os ganhos do que aceitar as perdas.

No Brasil esse é um problema ainda maior. Talvez por conta da nossa formação cultural ibérico-católica, de onde herdamos uma condenação à riqueza material e um estado paternalista que não estimula os empreendedores. Somos ensinados nos colégios católicos que é mais difícil um rico entrar no céu que um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Nas novelas os ricos sempre são egoístas e malvados enquanto os pobres são os heróis. Chegar numa festa e falar para um amigo que você ouviu falar que ele está ganhando muito dinheiro é praticamente um xingamento. A própria palavra “ganhar” envolve a idéia de receber algo de alguém, em contraste com o “make money” usado nos EUA, literalmente produzir dinheiro.

Enfim, somos programados para desenvolver uma aversão à riqueza e a santificar a pobreza. Com essas crenças formando a estrutural mental de um trader, como será o seu resultado no mercado? Afinal de contas, através de uma série de decisões, poderemos ver dinheiro entrando na conta da corretora na forma de lucros ou saindo dela, que são os prejuízos nas operações. Crenças limitantes são inconscientes a maior parte das vezes. O sujeito pode ficar triste por perder na bolsa num primeiro momento, mas inconscientemente pode estar alcançando exatamente aquilo que desejava.

Outra crença limitante é o sentimento de culpa. Muitas vezes esse sentimento vem da condenação da especulação. Especular foi visto ao longo da história como algo errado, parecido com o jogo ou algo até mais criminoso. O preconceito em países atrasados é ainda maior. As crises são sempre culpa dos especuladores, mas um ciclo de crescimento na economia não.

Nada mais injusto. O mercado financeiro talvez seja a melhor invenção da humanidade. A bolsa de valores é um grande gerador e distribuidor de riquezas, além de premiar os agentes eficientes e penalizar os ineficientes. Através do mercado, os empreendedores podem encontrar uma fonte de financiamento para os seus projetos. Através da competição, a eficiência aumenta e todos enriquecem. As práticas modernas de governança corporativa acontecem graças à pressão dos investidores, que querem saber como as empresas nas quais são acionistas estão sendo administradas. Aquelas que são mal administradas acabam sendo punidas por preços descendentes das suas ações e vêem secar as suas fontes de financiamento, enquanto no longo prazo as empresas bem administradas são premiadas com preços ascendentes nas suas ações e uma maior facilidade para levantar recursos.

O especulador é o óleo que lubrifica as engrenagens do mercado, oferecendo liquidez em troca de oportunidades de ganho. Sem especulador, não existe mercado para os investidores e para os tomadores de recursos. Os especuladores podem catalisar um movimento, mas não são responsáveis pelas bases econômicas que tornam esse movimento possível. Quando a moeda de um país é desvalorizada, a culpa final é pela má administração desse país, e não dos especuladores que vendem essa moeda em busca do lucro. A especulação apenas deixa a verdade vir à tona. Sem contar o fato que os especuladores correm riscos e a maior parte deles acaba tendo prejuízos na busca por um lucro maior. O risco é a mãe da evolução tecnológica e econômica e são os especuladores que sempre assumem riscos, alimento o crescimento. Apenas uma parcela deles acaba por lucrar no processo.

Claro que existem crises e falhas no sistema. Algumas vezes a busca do lucro a qualquer custo pode trazer ciclos artificiais de ganhos com grandes prejuízos no fim do processo, como foi na última crise do subprime nos EUA. Mas no final das contas o mercado se corrige, ou pelo menos seria corrigido se ele fosse mais livre.

Precisamos aceitar a especulação como uma atividade honesta. Tenho orgulho de ser um especulador e fomentar o crescimento do mercado financeiro do meu país. A minha busca pelo lucro em operações de curto prazo lubrificam todo um sistema que gera riqueza para a sociedade. No meu trabalho, uso informações públicas, que podem ser acessadas por qualquer um. Concorro em igualdade de condições. Trabalho duro e tenho os meus resultados. O que há de errado nisso?

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Artigo originalmente publicado no site wwww.leandrostormer.com.br em 08/08/2010

27.08.2012 - 03h24

Falta força para romper…

O mercado consolidou uma congestão nos últimos pregões, com suporte em 57600 pontos e resistência na faixa 59600/60200. Após o rompimento de 57600 como resistência ocorrido em 06/08 o mercado sinalizava movimento altista mais intenso, mas por enquanto falta força compradora para produzir tal movimento. Por várias vezes o IBOV testou a resistência por volta de 59600 sem sucesso. Não há mudança na tendência de alta presente no gráfico diário, mas seria importante que houvesse logo o rompimento da resistência para dar continuidade a tendência ascendente. A perda da zona de 57600 seria um sinal negativo no curtíssimo prazo.

No mercado internacional podemos destacar o teste da zona de resistência por volta de 13340 pontos no Dow Jones, máxima do ano. A partir desse patamar o mercado apresentou entrada de pressão vendedora. O rompimento da resistência seria um sinal positiva para as ações no âmbito global.

Também chamou a atenção o movimento do ouro, que rompeu resistência em 1630 dólares a onça, depois de consolidar forte suporte em 1530 nos últimos meses. Geralmente uma alta do ouro sugere maior risco inflacionário. A próxima resistência do metal fica em 1800.

Entre as ações de maior liquidez, o destaque da semana ficou por conta da VALE, que testou o fundo dos últimos meses em 33,92. Na sexta-feira o papel chegou a trabalhar abaixo desse patamar mas fechou em recuperação num candle de grande sombra inferior que sugere a possibilidade de algum repique no curtíssimo prazo. A resistência imediata fica num gap em 34,20 e a mais afastada fica na faixa de 36,40. Caso o mercado perca a mínima de sexta em 33,21 é aberta uma simetria baixista mais longa.

Papéis que valem a pena serem acompanhados ao longo da semana do ponto de vista do Método Leandro são:

GGBR4, com uma correção longa desde o topo de 20,55 até o suporte de topos e fundos anteriores e um gap por volta de 18,30/18,60, o que pode trazer alguma pressão compradora. A perda desse patamar seria um sinal negativo para o papel.

IGTA3 mantêm congestão estreita entre 46,70 e 48,00 após rompimento do topo histórico. Agora o rompimento de 48,00 poderia abrir espaço para mais altas.

MRFG3 apresentou na sexta a retomada da pressão compradora após rompimento da zona de 9,90, que agora virou suporte. A barra de força com grande volume pode trazer o teste da resistência em 10,92 e o rompimento da mesma a continuação da tendência de alta.

OGXP3 testou patamar chave de resistência em 6,86 e o seu rompimento seria um sinal positivo no curtíssimo prazo, com aumento de chance de fechamento do gap em 8,37.

PCAR4 rompeu 85,50 e abre espaço para a buscar o topo histórico em 91,60. Suporte consolidado em 81,20.

RSID3 testa zona de resistência por volta de 6,13 e o rompimento de tal patamar pode dar continuidade a recuperação do papel nas últimas semanas.

USIM5 testa importante resistência no curtíssimo prazo em 8,91, é preciso ficar atneto ao rompimento.

De uma maneira geral, apesar da falta de força compradora para produzir o rompimento da congestão montada no IBOV, ainda não há sinal mais consistente de reversão da tendência de alta.

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As análises apresentadas nesse espaço são produzidas pela área de análise da XP Investimentos CCTVM S/A e Lauro Vilares é o analista técnico responsável pelas mesmas. Lauro produz as análises através dos estudos: Método Lauro, Método Stormer, Método Bisi e Método Leandro. Tais métodos são explicados em detalhes nos cursos oferecidos pela Escola de Traders Leandro&Stormer.