14.05.2012 - 12h53

60 mil pontos

Após confirmar a perda da zona de suporte por volta de de 61300 pontos, o IBOV segue em lento movimento negativo até o suporte de 59500/60000, onde temos vários topos e fundos anteriores e a retraçao de 0,618 do último ciclo mais longo de alta. Como esperávamos, alguma pressão compradora surgiu nesse patamar, mas o baixo volume sugere pouca convicção sobre o repique. O cenário externo também ficou deteriorado, com queda nos índices ao redor do globo.

As principais blue chips puxam a queda, em especial PETRO que confirmou a continuação da baixa após a perda do suporte em R$ 21,00. A VALE5 consolidou a tendência de baixa, bancos seguem em baixa apesar do estado sobre-vendido, assim como construtoras e siderurgia. O dólar segue tendência de alta, o que reforça a tendência baixista da bolsa.

Iremos encontrar tendências de alta entre as ações de segunda e terceira linha, como MILS3, ODPV3, AEDU3, MPLU3, entre outras. Ou seja, com a tendência de baixa estabelecida, tem sido mais fácil operar na ponta vendedora, tirando algumas poucas exceções de ativos que não perderam a tendência altista.

Em relação ao IBOV, apesar das quedas dos últimso dias, não observo um estado sobre-vendido agudo. Qualquer repique teria resistência imediata em 61300, o rompimento desse patamar seria um primeiro sinal de mudança de cenário. Por enquanto a tendência de baixa vai se fortalecendo, a perda de 59500 abre uma simetria baixista em busca dos 55 mil pontos.

Com isso o mercado vai confirmando o cenário traçado por mim desde dezembro do ano passado, onde eu colocava a expectativa de um ano complicado. A queda já devolveu quase toda a alta do ano. Copio a figura abaixo de um post do início de março, que utiliza como base para traçar o cenário o ciclo decenal(link para o post completo).

Isso não significa uma queda obrigatória ao longo do ano, mas a hipótese de continuação da baixa até outubro não pode ser desprezada.

07.05.2012 - 13h21

IBOV perde suporte

Após movimentação de pequena amplitude nos útlimos dias, o IBOV produziu o rompimento do suporte na faixa de 61300 pontos, já com aproximação de um forte suporte na zona de 60 mil pontos. Tal suporte por frear a movimentação baixista, creio que será um bom teste para identificar a força dos vendedores. Caso o mercado “passe reto” nos 60 mil pontos poderemos ter alguma queda mais intensa. A resistência imediata fica no topo anterior em 62800 e o mercado demonstraria alguma possibilidade de reversão apenas no caso de rompimento desse patamar. A tendência estabelecida é de baixa com três critérios do Método Leandro. Suporte de prazo mais longo fica apenas na zona de 55 mil pontos. Começam a aparecer com mais frequência nas últimas semanas os sinais de venda, tanto pelo setup de rompimento quanto pelo setup correção. Chamou atenção também a movimentação de PETRO que perdeu a faixa de 20,80/21,00 consolidando uma tendência de baixa no diário. Apesar do papel poder repicar depois de dois dias de forte queda, para o prazo maior há boa chance de busca dos 17,90.

01.05.2012 - 23h53

Fundos Imobiliários e a Análise Técnica

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) chamam a atenção do mercado nos últimos meses. Além de apresentarem uma ótima rentabilidade, há um aumento de ofertas desses fundos que fazem frente a forte demanda dos investidores. Algumas características desses fundos podem explicar o sucesso:

1- A possibilidade de possuir uma pequena fração de um empreendimento ou de um título de crédito imobiliário que estaria fora do alcance do pequeno investidor para uma compra direta.

2- A isenção de IR e IOF para as distribuições de rendimentos que os imóveis/títulos geram, lembrando que há IR de 20% no caso de ganho de capital pela venda das cotas.

3- Custos mais baixos para a negociação de cotas do fundo em comparação aos custos da negociação direta com imóveis.

4- A liquidez muito maior, pois as cotas são negociadas em bolsa, ou seja, o investidor pode entrar ou sair do mercado rapidamente.

5- O bom momento que o mercado imobiliário atravessa nos últimos anos, com uma forte valorização dos imóveis.

6- Geralmente os fundos apresentam um perfil mais interessante de locatários, geralmente grandes empresas, com contratos de longo prazo e reajustes de aluguel acima da inflação.

7- A possibilidade de diversificação dos investimentos imobiliários num mesmo fundo, pois há a possibilidade de compra de diferentes imóveis e títulos imobiliários, diminuindo o risco de inadimplência.

8- O pagamento mensal de rendimentos.

Por conta dessas características temos um produto que deve ser pelo menos avaliado para fazer parte de uma carteira de investimentos, lembrando sempre que existem riscos envolvidos, como por exemplo a inadimplência do locador ou do devedor dos títulos imobiliários que fazem parte da carteira do fundo, a flutuação do preço das cotas, que podem sofrer uma desvalorização siginificativa dependendo das condições do mercado imobiliário ou da economia em geral (uma crise pode aumentar a taxa de vacância ou gerar a diminuição do aluguel pago). Já existem alguns casos de fundos que tiveram os rendimentos mensais cortados por atraso na entrega de obras ou pelo não pagamento do aluguel por parte do locatário. Esse risco aumento nos fundos que tem apenas um imóvel ou um locatário. De qualquer forma, especialmente pela isenção do IR e pelo valor alto dos rendimentos pagos associado a um cenário global de baixa de juros, eles oferecem uma relação interessante de risco x potencial de ganho.

Mas e para o trader, será que é possível utilizar os fundos como instrumento de operações de curto prazo? Creio que sim. Fiz estudos nos gráficos desses papéis, através de uma seleção daqueles que apresentam melhor liquidez. Para que a Análise Técnica seja possível em qualquer mercado, ele precisa apresentar duas características básicas: alta liquidez e livre negociação. Essas premissas são apresentadas pelos fundos imobiliários mais negociados do mercado brasileiro. Fazem parte dessa lista os seguintes fundos:

AEFI11
BBFI11B
BBRC11
XPGA11
FVPQ11
ONEF11
FFCI11
NSLU11B
KNRI11
HTMX11B
FLRP11B
FEXC11B
CNES11B
BBVJ11
BCFF11B
BRCR11B

Como essas cotas são negociadas livremente na bolsa, a variação de preço representará a mudança de expectativa dos players ao longo do tempo, assim como acontece com os outros mercados que operamos, como as ações, opções, futuros e moedas.

Para dar um exemplo utilizarei o gráfico do fundo XP Gaia (XPGA11), lançado em dezembro do ano passado. Apesar do pequeno histórico, o fundo apresenta uma boa liquidez (600 milhões de reais/dia) e uma série de padrões conhecidos pela Análise Técnica.

Após o lançamento o mercado andou numa congestão por volta de R$ 98,00 para em seguida iniciar uma tendência de baixa, com a respectiva LTB. O candle do dia 15/02 marcou o fundo histórico em R$ 92,00 com uma barra de força. Após essa barra houve uma pequena congestão e rompimento de um pivot de alta em 07/03 com outro candle de força. Em 14/03 o mercado rompeu a resistência histórica e fez belo rally até o topo em R$ 108,00. Esse topo foi marcado por uma shooting star com uma longa sombra superior, um clássico sinal de esgotamente quanto ocorre após uma alta. O sinal foi seguido por uma queda até R$ 100,00. O movimento positivo foi sinalizado pela barra de força do dia 19/04. Nos últimos candles o mercado testa a zona de R$ 108,00 como resistência. Fica estabelecida uma tendência de alta com suporte agora em R$ 100,00.

Percebi um detalhe importante nesse gráfico e outros gráficos. É importanto utlizar o gráfico não ajustado pelos rendimentos, pois como a distribuição é mensal, os suportes e resistências gerados nos gráficos são perdidos.

É muito bom poder contar com um novo mercado operável como o de Fundos Imobiliários. Além da AT poder sinalizar os melhores momentos para os trades, é possível utilizar uma eventual virada na tendência de alta desse mercado para antecipar o final do longo ciclo de alta no preço dos imóveis brasileiros em curso no momento, apesar de ainda não haver nos gráficos qualquer sinal nesse sentido.

Situação do IBOV

O mercado segue congestionado no curtíssimo prazo, dentro de uma clara tendência de baixa no gráfico diário. Por enquanto o suporte de 61300 resistiu ao ataque dos vendedores, com uma série de candles com sombras inferiores aparecendo nesse patamar. A perda do mesmo seria um sinal negativo e poderia levar o mercado para o próximo suportão nos 60 mil pontos. A resistência imediata fica na zona de 63300 e apenas o rompimento sinalizaria uma mudança na tendência baixista em vigência.

Muitos pregões com baixo volume sugerem falta de força compradora/vendedora para produir movimentos mais direcionais. Nesse cenário os swing-trades são prejudicados. Por outro lado, o mercado tem oferecido um bom cenário para as operações de day-trade.

23.04.2012 - 13h57

IBOV em tendência de baixa

O mercado abre a semana em forte baixa, retomada a tendência descendente das últimas semanas. O movimento inicial dessa segunda chega no suporte do fundo anterior em 61320, onde deve aparece pressão alguma pressão compradora.

A perda desse patamar sugere a continuação do movimento negativo em busca da zona de suporte mais consistente por volta de 60 mil pontos. A máxima da congestão dos últimos dias agora forma a resistência imediata em 63300 pontos. Apenas o rompimento desse patamar seria um sinal mais positivo para o mercado.

Entre os papéis mais líquidos, destaque para a a tendência de baixa de PETR4, com suporte forte em 21,00 e congestão nos últimos dias, com resistência imediata por volta de 22,10. Fico atento para a movimentação do mercado abaixo de 21,00, onde eu busco por operações de venda.

Outro destaque de baixa é o setor de construção, que consolida a tendência negativa com a perda de suportes importantes, em GFSA3, PDGR3 e RSID3.

Nas últimas semanas começaram a aparecer mais setups de venda em vários ativos. Mantenho o foco na compra apenas em ativos que mantém uma clara tendência de alta, como AMBV4, CRUZ3, CMIG4, NATU3 e PCAR4, entro outros, apesar de exatamente agora nenhum desses ativos se enquadrar num setup de entrada pelo meu método exatamente agora.

Do ponto de vista de ciclos, o mercado parece ter adiantado um topo importante no ano para março, o que sugere a repetição do padrão de 2002, o que seria bem baixista. Não podemos esquecer que o mais importante é operar os sinais que apareçam e não uma expectativa de movimento. De qualquer forma, é bom estar atento para a possibilidade do cenário negativo e estar afiado nas estratégias de venda.

17.04.2012 - 12h23

Como eu opero

Ao longo de mais de 14 anos de experiência no mercado eu desenvolvi um modelo de trade, com objetivo, rotinha de acompanhamento e setups específicos de swing-trade e day-trade. Para quem não está acostumado com a terminologia, as operações de swing-trade são aquelas que duram alguns dias, geralmente não mais de duas semanas, com uma expectativa de movimentação entre 3% e 12% nos preços. Já as operações de day-trade são abertas e fechadas no mesmo dia, com variações menores, entre 0,2% e não mais de 2% na maioria dos casos.

Acompanho diariamente todas as ações que apresentam uma média de mais de 100 negócios dias, além dos mercados futuros do Ibovespa, Dólar, Café e Milho. Utilizo também o mercado de opções para fazer operações de financiamento, ou como instrumento para compras e vendas com base no gráfico do ativo alvo. Sempre dou maior atenção para os mercados mais negociados.

A minha ferramenta principal de trade é a Análise Técnica (AT), utilizada dentro do escopo de um plano de trade e amparada por um modelo de controle de risco. Através da AT eu consigo identificar a tendência do mercado, as zonas de suporte e resistência além de outras informações. A partir dessa avaliação inicial traço cenários prováveis de movimentação dos preços.

O padrão básico explorado é o infinito movimento de expansão e correção que os ativos e derivativos produzem. A característica mais marcante do mercado é a constante movimentação. Felizmente existe um certo padrão nesses movimentos, eles não acontecem de forma totalmente desordenada. A premissa básica é que esses preços formam tendências ao longo do tempo e essas tendências podem ser aproveitadas.

É criado então um conjunto de instruções chamado “Setup”, onde se define a situação específica que gerará uma entrada no mercado, seja na ponta comprada ou na ponta vendida. Na maior parte das vezes eu quero operar a favor da tendência, ou seja, se o mercado está em tendência de alta busco por compras quando há o rompimento de uma resistência ou a correção até uma zona de suporte. A compra de rompimento é o meu Setup 1, a compra depois de uma correção é o Setup 2.
É produzido um plano para cada trade, com preço de entrada, stop, ponto de realização parcial e tamanho da posição, com o prejuízo máximo permitido.

Não é qualquer rompimento ou teste de suporte que é operado. Tudo depende da forma que o mercado faz tal movimento. Geralmente busco por demonstração de força compradora ou força vendedora consistente, com barras de maior amplitude, volume acima da média, fechamento próximo do extremo da barra, gaps, abertura das bandas de bollinger entre outras características.

Por melhor que sejam os setups escolhidos para fazer parte da sua estratégia, você nunca conseguirá alcançar 100% de acerto. O lucro será produzido como o saldo entre os ganhos e os prejuízos gerados nas operações. O segredo está em limitar rapidamente os prejuízos quando o mercado faz um movimento menos provável pela sua análise e deixar os ganhos crescerem quando o mercado se movimenta a seu favor.

Ainda tenho um Setup 3 para as operações de Swing-trade que envolve o conceito de mercado muito esticado. Quando há alguma movimentação rápida e profunda para baixa, por exemplo, podemos esperar alguma correção dos preços, chamada de repique. Posso entrar após uma queda dessas para um trade bem curto e com controle de risco adequado.

Dentro do meu plano geral de trade, tenho também três setups de day-trade. Eles exploram a diferença entre o fechamento do dia anterior e a abertura do novo pregão. Se um determinado mercado abre com um gap (diferença de preço) muito grande, com volume acima da média e rompendo alguma resistência ou suporte importante, ele tem uma chance maior de fazer um grande movimento naquele dia.

Nesse caso eu aguardo a primeira movimentação do mercado em questão e espero por algum rompimento dos extremos formados nesse primeiro movimento, especialmente se ele for favorável ao gap. Claro que há uma série de regras para definir a entrada exata, o stop e o quanto eu arriscarei em cada trade.

Esse é um pequeno resumo de como eu opero. Creio que o mercado oferece uma das últimas fronteiras para o trabalho realmente livre, já que não é necessário ser um empregado ou empregador de ninguém, além de não haver limitação geográfica ou temporal para essa atividade. Além disso, saber operar é primordial numa época de rentabilidades decrescentes na renda fixa e de riscos ocultos em investimentos considerados “seguros”.

Através da Análise Técnica é possível entender o mercado e operar de uma forma muito mais consistente. Pelos menos foi dessa forma que eu desenvolvi a o meu caminho de sucesso na atividade de trader e educador. Pode parecer simples, mas percebi que dentro da complexidade do mercado não é possivel ter consistência sem uma abordagem direta e simplificada. O maior desafio na verdade é não se deixar levar por todas as possibilidades de gerar ganhos e se especializar em algumas boas estratégias.

09.04.2012 - 12h52

A importância do comportamento humano na precificação das ações

Recentemente foi apresentada uma pesquisa feita pelo Citibank sobre as escolhas de investimentos feitas pelos milionários globalmente. Foi identificado um comportamento de aversão ao risco, criado após o estouro da bolha do subprime e posterior derretimento do mercado de ações em 2007. Hoje os milionários estão menos dispostos a investir em mercados considerados de risco do que algum tempo atrás, provavelmente depois de terem gerado perdas em ações no período.

É impressionante, mas a comunidade de investidores individuais, analistas, gestores e imprensa especializada entre outros participantes do mercado não entendem a importância do comportamento humano na formação dos preços dos ativos e derivativos nos mercados de bolsa. Por mais que uma empresa possa estar “barata” em termos de avaliação dos seus múltiplos, o seu valor de mercado não irá aumentar se não existirem pessoas interessadas em pagar um preço maior pelas ações e os vendedores aceitarem se desfizer dos papéis também a um preço maior. Ou seja, no final das contas, o desejo de comprar e a falta de desejo de vender são os principais fatores que produzem uma oscilação positiva nos preços. Se quem tem os recursos está com medo de comprar ações, elas não apresentarão um comportamento positivo!

Esse desejo pode ser gerado apenas por fatores emocionais, como por exemplo, o otimismo ou pessimismo. Durante uma bolha financeira, as pessoas ficam absurdamente otimistas, enquanto que numa crise o pessimismo reina. Não podemos deixar de mencionar o ciclo auto alimentado que um movimento positivo nos preços gera. Uma alta nos preços reforça o otimismo daqueles que estão comprados há mais tempo, enquanto traz mais compradores que não estavam tão convencidos assim da alta, mas frente ao movimento positivo ficam mais otimistas e finalmente compram, o que traz mais alta e mais otimismo. Geralmente as notícias seguem o comportamento dos investidores. Um topo no preço das ações quase sempre marca um pico de otimismo.

O mesmo processo auto alimentado ocorre no sentido inverso, quando o pessimismo toma conta do mercado. Quedas nos preços geram mais pessimismo que geram mais vendas e mais quedas. Os fundos serão momentos de extremo pessimismo. Os fundos de longo prazo são formados nos piores cenários possíveis.

Outro fator que exponencializa o processo é o comportamento de massa. Tendemos a nos sentir mais seguros seguindo aquilo que a maioria está fazendo. Afinal de contas, ninguém está no mercado para perder dinheiro, não é mesmo? Os próprios analistas que produzem recomendações tendem a concordar com os seus colegas numa atitude de autodefesa, visto que um possível erro de avaliação será menos questionado se todos cometerem o mesmo erro.

Além disso, existem fatores externos à saúde das empresas negociadas em bolsa, como por exemplo, as regulamentações governamentais e os ciclos de contração ou expansão do crédito levados a cabo pelas autoridades financeiras. Além de uma contração no crédito piorar as vendas das empresas, por exemplo, ela também diminuirá a capacidade de investimento dos participantes do mercado, enquanto uma expansão no crédito gera mais combustível para as tendências de alta.

Percebam quantas variáveis estão em jogo a todo momento. Por conta disso creio ser muito difícil atribuir num determinado momento o motivo correto e único de uma alta ou baixa nos preços.

Além da complexidade do quadro apresentado, ainda existem as próprias informações que alimentam os participantes do mercado, como as informações sobre faturamento, lucro, endividamento, a forma que a empresa é administrada, os lançamentos de produtos, a concorrência, as normas, a economia em geral, enfim, tudo aquilo que pode gerar um impacto positivo ou negativo na empresa e nas suas ações.

Ainda por cima essas informações chegam aos diversos participantes em tempos e formas diferentes. Às vezes uma variável extremamente importante fica escondida dos participantes ou é informada de forma mascarada nas demonstrações contábeis, enquanto em outros momentos algo não tão importante é divulgado com certo alarde, criando reações mais fortes e descabidas. Tudo no mercado é questão de percepção. Os pequenos investidores recebem com atraso informações importantes comparativamente aos grandes players.

Diante do quadro apresentado, como pode se posicionar o sujeito interessado em extrair lucros especulando ou investindo no mercado de bolsa? A pior forma possível seria seguir a sua intuição e o comportamento padrão de “pescar” algumas informações e dicas para tomar as suas decisões. Seguir o senso comum é o segredo para ser um perdedor consistente. No longo prazo, mais de 70% dos players perde dinheiro.

Uma possibilidade é aproveitar o comportamento emocional e irracional do mercado, aproveitando especialmente os momentos de extremo pessimismo para comprar ativos de bons fundamentos com desconto, como preconiza o Benjamin Graham, um dos gurus do Warren Buffet. Nesse caso você precisa desenvolver uma grande capacidade de avaliar as empresas para focar as compras naquelas que estão “baratas”. A grande limitação dessa estratégia é utilizar dados do passado para estimar resultados no futuro, além da dificuldade em saber se os dados realmente estão corretos. As quebras recentes de grandes empresas demonstram como informações importantes podem sistematicamente serem escondidas dos investidores.

Outra possibilidade é deixar todas as informações de lado e buscar os padrões de movimentação dos preços, foco de atuação do sujeito que usa a Análise Técnica para tomar as decisões. O analista técnico não quer saber se a alta nos preços é produzido por um fato positivo ou por um boato. O que importa é identificar a entrada de força compradora ou força vendedora e aproveitar tal movimento para lucrar, aproveitando o máximo do movimento.

Tal analista para virar um trader de sucesso precisa associar à análise um sistema de alocação de recursos e stops, com uma taxa de acerto e uma expectativa matemática positiva. Em nenhum momento será possível acertar 100% das vezes. A incerteza é uma característica inerente ao próprio mercado, o que importa é ter uma correta relação entre a taxa de acerto, o ganho médio dos acertos e o prejuízo médio dos erros, além de não correr um risco demasiado em cada aposta.

Coloco todas as informações na mesa, pois é importante para qualquer participante ter consciência do que está acontecendo de fato no mercado. Milhões de pessoas ao redor do globo vão para frente dos seus monitores e acompanham as piscadas positivas e negativas dos preços e não entendem o que está por trás daquele emaranhado de números. A compreensão dos principais fatores de movimentação dos preços pode aumentar a confiança e o resultado da estratégia escolhida para navegar nesses mares revoltos do mercado.

06.04.2012 - 20h21

Crescimento, morte e renascimento

Crescimento, morte e renascimento

O mercado financeiro oferece uma amostra da realidade em que estamos inseridos. O movimento dos preços segue a lei natural dos ciclos. Nada é parado e tudo está em movimento o tempo todo. Também não é possível prever com certeza nenhum tipo de oscilação. A única coisa que sabemos ao certo é que o mercado continuará oscilando, na sua dança eterna de crescimento, morte e renascimento.

O mais interessante é perceber que esses ciclos se repetem dentro deles mesmos, formando o mesmo fractal. O seja, uma perna de alta nos preços é formada por penquenos movimentos de alta e baixa, que por sua vez também são formados por altas e baixas indefinidamente.

Além disso, ao longo do tempo são diferentes ações que dominam a cena. A blue chip de hoje pode muito bem ser o mico daqui alguns anos. O próprio capitalismo segue esse preceito básico de crescimento, morte e renascimento. Dentro de cada movimento de alta há a semente da sua destruição, necessária para a evolução. A liberdade de ação dos mercados pode parecer brutal e negativa para muitos, mas ela é necessária para garantir a depuração dos negócios. A próxima geração nascerá mais forte e com melhores possibilidades.

Essa é a principal função dos especuladores. Avaliar e precificar da maneira mais justa e livre os diferentes produtos, punindo os fracos e premiando os vencedores. Infelizmente passamos por uma nova fase de intervenções, onde um punhado de “iluminados” quer defnir como devemos nos comportar, quem deve ser o vencedor. Além disso, querem acabar com o risco, com a possibilidade das coisas não darem certo. Isso é impossível, mas vamos aprender novamente da pior forma ao final do processo.

O princípio mais importante que um trader precisa aprender é o da impermanência. Ele é apresentado todos os dias e em todos os momentos para aqueles que acompanham o mercado. Aceitar a mudança e estar preparado para fazer exatamente o oposto do que estava sendo feito há instantes é necessário para poder tomar a melhor decisão possível, de defender o caminho mais justo e correto.

A tradição da Páscoa é uma ótima oportunidade para revisitar essa verdade universal. Seja através da cultura cristã, da morte e renascimento do Salvador, da cultura judaica com a liberação da escrividão para a terra prometida ou das antigas festas pagãs que celebravam o final do inverno e início da primavera com a sua explosão de vida.

Pode parecer estranho num espaço sobre Análise Técnica abordarmos o assunto, mas depois de muitos anos estudando o mercado percebo que é preciso expandir o escopo da pesquisa para conseguir de fato entender o que acontece nessa arena que representa tão bem o teatro humano.

Desejo uma Feliz Páscoa a todos. Muito mais que um feriado, uma festa religiosa ou o paraíso dos chocólatras é um ótimo momento para refletir sobre a morte e como ela pode gerar a vida.

02.04.2012 - 12h20

Sinal negativo no IBOV

Ao longo dos últimos dias o mercado brasileiro apresentou entrada de pressão vendedora após a formação de um topo na zona de 69000 pontos, que agora forma a resistência importante no médio prazo.

Na queda houve perda de suporte imediato em 66000 pontos e 65000 pontos. No momento o mercado encontrou o terceiro nível de suporte desde o início da queda, nos 63800 pontos. Tal movimento produziu a inclinação negativa da MM21, a movimentação abaixo da média e a formação de topos e fundos descendentes. Dessa forma já é possível enquadrar o IBOV numa tendência de baixa no gráfico diário.

Apesar do estado sobre-vendido no curtíssimo prazo e teste de suporte importante, a expectativa gerada pelos sinais negativos é de continuação da pressão vendedora. No caso de confirmação de tal movimento, o próximo suporte forte fica na zona de 60 mil pontos.

Do ponto de vista das operações produzidas pelo meu método de trade, houve uma redução considerável de posições compradas, e já abertura de algumas operações na ponta vendedora. Caso ocorra a consolidação da tendência de baixa estarei pronto para operar de maneira mais consistente nas vendas.

Ressalto a importância de saber gerar ganhos também dessa forma para o trader profissional. Não podemos descartar o cenário traçado há mais tempo seguindo o ciclo decenal, que sugere a possibilidade de retomada da pressão vendedora ao longo de 2012.

19.03.2012 - 01h28

O especulador e o executivo

Além do mercado poder oferecer uma ótima oportunidade de ganhos financerios ele também pode desenvolver uma série de habilidades necessárias para qualquer profissional que precisa tomar decisões com frequência. Operar o mercado é um grande desafio que nos deixa mais conscientes da estrutura caótica e desorganizada da realidade.

Como traders aprendemos na prática que não temos controle sobre todas as variáveis em jogo. Na verdade, existem alguns poucos aspectos que podemos controlar durante um trade, entre eles o risco que vamos correr, o ponto que entramos no mercado e o ponto onde realizaremos a saída. Não temos controle sobre o movimento dos preços. Podemos apenas identificar os caminhos mais prováveis e operar a favor da situação mais provável, cortando logo os prejuízos quando o mercado faz o movimento menos provável.

Fico realmente chocado com a capacidade dos executivos em traçar ilusões sobre como será a economia nos próximos anos, quais serão os concorrentes e os produtos em jogo. Essa ilusão gera maior conforto para os administradores, pois gera a sensação de estarem no controle do jogo.

Mas a realidade é muito mais complexa do que parece. Existem muitas váriáveis que definirão o resultado final, muitas ameaças e oportundiades escondidas. Além disso, muita energia e expectativa é colocada num determinado projeto e menos importância é dada a outros. Talvez um projeto de menor importância seja o grande vitorioso e aquele onde colocamos as maiores expectativas não dê certo. Claro que precisamos definir as prioridades, mas não podemos rapidamente descartar idéias que inicialmente pareçam absurdas.

Operar o mercado é um exercício de humildade. Nós não temos conhecimento de todas as variáveis em jogo, tampouco sabemos o que acontecerá no futuro.
Antes de tentar controlar a realidade, não seria mais fácil aceitar a nossa incapacidade de antecipação e trabalhar mais no controle dos risos que estamos correndo e na velocidade maior de reação conforme os acontecimentos se desenrolem?

É exatamente nesse ponto que o trader experiente pode se transformar num grande executivo, pois a capacidade de gerar lucros no mercado vai depender exatamente dos seu desapego, em não tentar ter certeza do que acontecerá em seguida, mas de saber traçar as possibilidades (positivas e negativas) e agir de acordo com o andar da carroagem, cortando rapidamente as perdas e deixando os lucros crescerem quando as coisas dão certo.

Quantos recursos já não foram queimados pela arrogância de executivos ou mesmo de governantes que tinham absoluta certeza que estavam certos e por conta dessa cegueira não trabalharam um sistema de controle de risco, do que fazer se a realidade demonstrar um caminho alternativo àquele pré estabelecido?

No mercado e nos negócios aposte mais no processo de tentativa e erro do que nas certezas. Nunca tome uma decisão que tenha o potencial de gerar uma perda catastrófica e irreversível, por mais atraente que possa parecer o prêmio no caso de você acertar. Deixe espaço na sua mente para todas as possibilidades e avalie a situação constantemente, ajustando as velas sempre que possível. E caso seja necessário, não hesite em abandonar o barco!

Aprendi no mercado que deixar de lado a ilusão da certeza é libertador e gera imenso sentimento de paz, pois deixa você preparado para qualquer cenário. É engraçado, mas talvez o desenvolvimento dessas habilidades possa gerar ganhos ainda maiores para a sua vida profissional do que os resultados financeiros imediatos das operações.

Expectativa para a semana

A dúvida entre correçã ou reversão postada na semana passada foi respondida pelo mercado com o rompimento do topo anteior em 67800 pontos, ou seja, o movimente de queda anterior era apenas uma correção dentro da tendência de alta vigente.

Após o rompimento com força na terça-feira, o IBOV passou o resto da semana em correção com volume decrescente, encontrando suporte por enquanto no topo anterior rompido. No caso de continuação da correção, temos suporte na zona de 66000 pontos.

Apesar do mercado ter feito um longo e forte movimento de alta desde o fundo formado em 48000 pontos em agosto e se aproximar do final da fase historicamente mais positiva para a bolsa (outubro/abril), ainda não há nenhum sinal mais consistente de reversão.

Sigo com foco nas operações na ponta compradora, em rompimentos de topos ou correções até suportes, mas atento para sinais mais clatos de reversão, com perda de suportes importantes e pivots de baixa.

Cabe ressaltar que a alta é sustenta mais por papéis de segunda e terceira linha do que as blue chips com maior peso no índice.

12.03.2012 - 13h19

Correção ou reversão?

O IBOV apresentou uma semana de maior volatilidade, com uma queda aguda a partir do topo formado em 67800 pontos que produziu o teste do fundo anterior por volta de 65000 pontos, formando uma nova mínima em 64800. Após o movimento descendente, o mercado produziu boa recuperação e aproximou-se do topo anterior.

Na posição atual, há dois cenários possíveis. A continuação da tendência de alta seria sinalizada pelo rompimento do topo de 67800. Talvez o mercado produza uma correção lateral antes de produzir a retomada.

O cenário negativo seria aberto se houvesse a perda do suporte em 64800, pois além de formar um pivot de baixa o mercado produziria a perda da MM21 e possivelmente a virada desta média.

O mercado requer atenção redobrada por conta do ponto importante que se encontra dentro do ciclo decenal comentado na semana passada.

Alta histórica

Uma das estratégias clássicas definidas pela Análise Técnica é a operação na compra quando o mercado rompe uma resistência dentro da tendência de alta. Mas existe um rompimento que carrega maior potencial de lucros. É aquele que acontece quando o mercado trabalha em alta histórica. Chamo de alta histórica o movimento positivo que alcança patamares de preço nunca antes alcançados pelo mercado em questão.

Para avaliar tal situação, preciso observar o gráfico por um período longo de tempo, idealmente por todo histórico de movimentação do mercado em questão. Por exemplo, se observarmos o histórico existente de preços para o gráfico da AMBV4, veremos que o ativo encontra-se exatamente no cenário de alta histórica, pois os seus preços nunca estiveram tão altos.

Dando um zoom no último movimento, observamos que o mercado rompeu recentemente o topo histórico, o maior preço que havia sido negociado até então. Do ponto de vista da dinâmica de preço, o movimento significa que os compradores estão aceitando pagar mais caro pelo papel, enquanto os vendedores só abrem mão da sua posição por um valor maior, chamamos essa situação de pressão compradora.

Quando o preço mais pago durante toda a história do papel é superado, isso significa que há uma expectativa muito positiva para o futuro dos preços, ou seja, é provável a continuação do movimento para os próximos períodos, o que facilita operações na ponta compradora.
Veja o que acontece depois do rompimento em AMBV4:

Claro que nem todos os rompimentos de topo histórico irão produzir um movimento de alta. Mas em qualquer estratégia operacional o que importa é a taxa de acerto e a relação entre ganhos e prejuízos das operações. E nesse caso operar na compra papéis em alta histórica é algo bem efetivo.

A dificuldade dos traders em colocar essa estratégia em prática decorre das crenças trazidas da sua vida cotidiana para o mercado. Acreditamos que algo que está com o preço maior do que estava num período no passado é algo caro. Da mesma forma, se algo está com um preço mais baixo em relação a uma média de preços, seria uma barganha. Talvez essa linha de raciocínio seja válida para compras num supermercado, mas não se aplica ao mercado de bolsa. Aqui vale a tendência e não o preço relativo. Via de regra, quero comprar papéis que estão ficando cada vez mais caros e vender ativos que estão cada vez mais baratos.

Como exemplos de papéis em tendência de alta histórica além de AMBV4 são ALSC3, BRML3, CMIG4, UGPA3, RENT3, PCAR4, entre outros.

Claro que não adianta apenas comprar ativos em alta histórica para garantir um resultado positivo. É preciso definir uma estratégia com stop, alocação máxima de capital por operação e a saída da operação. Para lucrar, o mercado não precisa subir para sempre, é preciso que ele faça apenas um movimento suficientemente grande para podermos sair com lucro após a nossa entrada.

Utilizando o conceito de alta histórica você pode focar as atenções naqueles papéis que estão realmente fortes o que aumentará as chances de lucro nas operações na ponta compradora.