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Petrobras – em defesa de Graça Foster

Paulo Costa

Maria das Graças Silva Foster pode contratar advogados bem mais experientes do que eu. Mas nenhum vai ter tanto ardor desinteressado para defendê-la em um momento em que ela e sua (nossa) Petrobras levam pancadas de toda parte. Por exemplo, no início desta semana a agência de risco de crédito Moody’s alterou a classificação da Petrobras, para dívida em moeda local e internacional, de estável para negativa. Emitiu nota dizendo textualmente que “a perspectiva negativa reflete os crescentes níveis de dívida da companhia e incertezas sobre os prazos e entrega de produção e fluxo de caixa frente a grandes orçamentos de capital”.

Estas empresas de análise de risco, tal qual antigos professores com suas palmatórias, saem pelo mundo sapecando notas, rebaixando ou elevando os “ratings” de Países e empresas, após seus doutores repassarem números e números com suas lupas implacáveis. No caso de uma Petrobras não tomam em consideração nem seu passado gerencial recente ou as condições políticas e macro econômicas que cercam a vida da empresa. Graça Foster nunca vai admitir, mas um de seus trabalhos de Hércules é antes de mais nada mudar a cultura corporativa da Petrobras e manejar a herança que recebeu de seu antecessor.

O fato é que a Petrobras está engajada em um grupo de  programas estruturantes do seu Plano de Negócios e Gestão 2012-2016, que não se concretiza em poucas semanas ou meses. O programa de investimentos é muito ambicioso e para isto a petroleira também vai se desfazer de alguns ativos que estão fora de sua rota. O primeiro problema a ser resolvido, e que vem atrapalhando sobremaneira o andamento deste Plano, é a questão do aumento interno do preço dos combustíveis. Graça Foster tem se batido por isto desde o início de seu mandato, mas é forçada a aceitar os argumentos da equipe econômica que se apegam à influência deste fator no crescimento da taxa de inflação, já fora de sua zona de segurança.

Finalmente o Ministro Mantega acena com a certeza de que em 2013 os preços dos combustíveis vão começar a ser flexibilizados, para que busquem acompanhar os valores do mercado internacional. Este anúncio chega em boa hora, mesmo porque a cotação do barril de petróleo do tipo Brent (para entrega futura em fevereiro/2013)  fechou em em 19/12/2012 a US$ 110,36, maior nível em dois meses.

Ajuda preciosa virá, pelo que tudo indica, do setor sucroalcooleiro. Com uma perspectiva de safra 2013/14 bem melhor do que as duas últimas, tudo leva a crer que a indústria poderá voltar a atender uma mistura de 25% de etanol anidro na gasolina e que haverá disponibilidade de etanol hidratado a níveis competitivos. Isto será consequência direta deste aumento de preços de combustível tão aguardado e também de uma queda nos valores de açúcar que podem fazer com que a indústria canavieira favoreça ainda mais a produção de etanol (nesta safra prestes a se findar a proporção deve ficar em quase 52% da cana brasileira sendo usada para produzir etanol e pouco mais de 48% da cana indo para a produção do açúcar).

Basta dar tempo ao tempo e BioAgroEnergia acredita firmemente que esta Petrobras de Graça Foster vai entrar em um trilho bastante satisfatório para seus incontáveis acionistas minoritários e para o Brasil. A queda dos preços da eletricidade para a indústria e o consumidor doméstico podem ser o mote para justificar esta liberdade para os combustíveis sem impacto na inflação.

Assim seja!

Foto: Agência Brasil, encontrada em commons.wikimedia

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