A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) encerrou-se na sexta-feira, 22 de junho, com a adoção de um documento com o nome sugestivo de “O Futuro que Queremos”! Não houve sequer tempo para terminarem de embarcar de volta às suas casas as dezenas de milhares de visitantes e, passado o final de semana, mal se fala dela. Poucas análises aprofundadas, mais críticas do que elogios, muitas promessas que jamais serão cumpridas e vários acertos que nunca serão fiscalizados. Talvez o símbolo mais eloquente da inexplicável pouca importância que esteja se dando ao pós-evento seja a ausência dos principais líderes mundiais. A imagem que ficou deste certo descaso foi a da chanceler Angela Merkel comemorando a vitória de sua seleção alemã de futebol sobre a Grécia, na distante Polonia, justamente no dia do encerramento da Rio + 20.
No entanto, dezenas de assuntos globais mais urgentes, nesta perigosa e interminável crise econômica que vivemos, acaba por tirar o foco do que era, há pouco tempo, a maior preocupação da humanidade: o crescimento sustentável de nosso planeta frente aos enormes desafios do aquecimento global, da falta de alimentos, das emissões poluentes, da insuficiência da água. Hoje é mais importante saber como a União Européia vai sustentar o seu sistema bancário e manter sua moeda corrente, como Espanha, agora Itália (e mais outros) vão se safar da enrascada financeira em que se encontram e do alto índice de desemprego que assola suas populações. Equacionar como aqui no Brasil vamos resolver a questão do endividamento interno, já alertado pelo BIS, o “Banco Central” dos Bancos Centrais, que logo na segunda-feira aparece dizendo que o caminho escolhido pelo nosso País pode levar a economia global a mais uma crise financeira.
Mas no espaço de BioAgroEnergia vamos trazer alguns convites à reflexão. O primeiro deles é mencionar que apresentamos uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, com 47% de energia renovável comparada com uma média mundial de 13%, com incríveis 6% para os países tidos como desenvolvidos! Importante salientar que grande parte deste estrondoso sucesso se deve à nossa agricultura: cana-de-açúcar, florestas energéticas, óleos vegetais no biodiesel, reciclagem de resíduos já são responsáveis por mais de 30% deste total. Adicionando-se a este percentual 14% da energia gerada por nossas hidrelétricas e mais 3% de outras fontes limpas, como a energia eólica, temos quase a metade de toda nossa matriz energética. Interessante foi que a Presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso de abertura da Rio + 20 destacou justamente o fato de que nossa produção agrícola cresceu 180% com um aumento de área plantada de apenas 30%, refletindo imensa evolução nos índices de produtividade. Fica aqui, com todos estes percentuais, nosso primeiro desafio para reflexão: por que não implantar o mais rápido possível o novo Código Florestal, colocando-o para “rodar”, aumentando a segurança jurídica no campo, convidando para novos investimentos (inclusive estrangeiros) e adaptando-o às necessidades que forem se apresentando?
Ilustração: Tanques de etanol combustível, na Usina Costa Pinto, de Piracicaba/SP, de propriedade da Raízen, por Mariondo e encontrada em commons.wikimedia. Dados estatísticos do jornalista Rodrigo Lara Mesquita (OESP).


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Paulo Costa
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Augusto Barbosa Lima
Tenho cá comigo, Paulo Costa, que as devidas atenções e as necessárias ações para o desenvolvimento sustentável por todos os povos e, também, as devidas...
Augusto Barbosa Lima
Tenho cá comigo, Paulo Costa, que as devidas atenções e as necessárias ações para o desenvolvimento sustentável por todos os povos e, também, as devidas atenções e as necessárias ações para com o código florestal brasileiro por nosso povo, só irão ocorrer quando não houver mais salvação para o planeta; depois que o leite estiver derramado e o pão estiver caído com a manteiga voltada para o chão de terra.
Muito se falava em pensamento sistêmico, visão de futuro e constância de propósitos; falava-se – nem isto mais. Só falava-se.
Paulo Costa
Grato, Augusto, pelo seu retorno tão prazeroso para nosso espaço. No mundo de hoje a urgência altera a hierarquia dos problemas e parece não haver mais temp...
Paulo Costa
Grato, Augusto, pelo seu retorno tão prazeroso para nosso espaço. No mundo de hoje a urgência altera a hierarquia dos problemas e parece não haver mais tempo para quem decide dedicar-se a múltiplas tarefas. A grave crise econômica que se arrasta sobre o planeta e parece infindável tira o foco do grande problema da sustentabilidade. Veja que hoje, pouco mais de dez dias após o encerramento da Rio + 20, pouco ou nada se fala dela; como se tivesse ocorrido em década passada e devesse ficar para a História mais como um Rock in Rio – só na lembrança… Grande abraços, Paulo Costa
Augusto Barbosa Lima
Tristemente somos assim, Paulo.
Augusto Barbosa Lima
Tristemente somos assim, Paulo.