BioAgroEnergia

12.06.2012 - 11h14

Balança – o agronegócio “dá o troco”!

Cerca de dez dias atrás o agro foi vilão no anúncio do pífio crescimento do PIB nacional do primeiro trimestre deste ano. Por conta de condições climáticas adversas, particularmente no Sul do Brasil, aliadas a uma queda de preços de várias commodities agrícolas nos mercados internacionais, nosso Ministro Mantega enfatizou que a queda do PIB deveu-se particularmente à má performance do segmento, com todos os outros setores analisados apresentando números positivos.

Agora vem o troco (nada como um dia após o outro…) mas não acompanhado de manifestações de apreço de qualquer autoridade maior (pelo menos com a ênfase que foi dada ao caso do PIB). O fato é que o agronegócio brasileiro apresentou no recém findo mes de maio um número recorde em exportações, com vendas de US$ 10,26 bilhões, valor  21,2% maior que o resultado de maio do ano passado, superando seu melhor resultado anterior (agosto de 2011), de US$ 9,84 bilhões. Não bastasse isto, com uma redução de 14,1% nas importações (apenas US$ 1,34 bilhão), o saldo comercial do setor fechou o mes em US$ 8,92 bilhões.

Este número recorde de maio foi obtido principalmente em função da ampliação das exportações do complexo soja, que aumentou suas vendas em US$ 1,52 bilhão e respondeu por cerca de 90% do incremento total das exportações do agronegócio, que foi US$ 1,79 bilhões. Sozinho, o complexo soja exportou US$ 4,9 bilhões ou o equivalente a 47,7% dos embarques feitos em maio. O segundo setor que mais vendeu para o exterior foi o de carnes, com US$ 1,45 bilhão, seguido pelo complexo sucroalcooleiro, com US$ 1,08 bilhão; produtos florestais, com US$ 771 milhões; e café, com US$ 495 milhões.

Como dissemos em artigo recente, as exportações de soja devem declinar consideravelmente no segundo semestre deste ano, em função da grande quebra de safra. Fica a expectativa de que as saídasde açúcar, que estão bem atrasadas (apesar de uma nova produção decepcionante este ano) e de milho (com uma possível “safrinha” recorde) compensem em parte a queda dos números do carro-chefe das exportações do agronegócio. Ainda assim, o setor vai continuar a ser o fiel da balança comercial do País, uma vez mais.

Ilustração: “Cais do Mercado de Santos em 1885″, obra prima do mestre Benedito Calixto, encontrada em commons.wikimedia.

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