Tenho um filho, engenheiro agronômo, que trabalha há anos para uma grande empresa do setor agro. Contou-me que em meados de janeiro, visitando um importante produtor de soja em Ijui/RS, em meio à grande seca que causou estragos irreversíveis na safra gaúcha de grãos, ofereceu a ele uma agenda para o ano que se iniciava. Com fina ironia retruca o produtor: você tem aí uma agenda para 2013? Este ano para mim já se foi…
Guardadas as devidas proporções, parece* que a história da safra de cana-de-açúcar para 2012/13 segue o mesmo caminho, sem grandes surpresas. As previsões de número de moagem para o Centro-Sul do Brasil variam enormemente, entre 500 e 540 milhões de toneladas de cana (492.7 em 2011/12), para uma produção entre 33 e 34.5 milhões de toneladas de açúcar. O fato mais eloquente é que a produção de açúcar em vários outros países produtores, inclusive Índia, Tailândia e Rússia (esta a partir da beterraba) resultará em um surplus de açúcar que é estimado entre 6 e 9 milhões de toneladas, dependendo do mês do ano que se avalie.
Fechando o foco para nossa região C/S, e tomando um número médio de 520 milhões de toneladas de produção** de cana-de-açúcar nós teremos uma repetição muito aproximada, em termos de mercado e preços, da safra que passou. Isto porque a impressão que se tem é de que os níveis de cotação da Bolsa de NY, principal parâmetro para a precificação de açúcar no mundo, não vão cair a menos de 20.5 centavos de dólar por libra-peso, mesmo com toda esta sobra estimada acima referida. Abaixo deste número, e mantidos os preços de etanol no mercado interno (não há como esperar grandes mudanças tanto para anidro como para hidratado) teríamos uma guinada da indústria, privilegiando a produção de etanol em detrimento do açúcar. Mas os sinais, hoje, não indicam este caminho.
O grande problema que enfrentamos localmente ainda está relacionado com a renovação dos canaviais. Os resultados de novos plantios, que venham a substituir a cana envelhecida que já passou por cinco ou seis cortes, leva tempo para mostrar resultados. O setor estima que apenas em 2014/5 poderemos sentir alguma alteração significativa no volume de produção. Mas o certo é que para esta safra as coisas não podem ser tão ruins como foram no ano que passou, quando absolutamente tudo deu errado para a produção de cana.
Finalizo com uma mensagem: o setor sucro-alcooleiro-energético necessita com urgencia de uma injeção de ânimo. A euforia dos anos 2006/07 foi exagerada e acabou por provocar uma reestruturação e consolidação de magnitude no segmento, que ainda não está ajustada. Estamos fortemente necessitados de investimentos, particularmente no setor agrícola, para eliminar a capacidade industrial ociosa que teima em atrasar a continuidade do nosso desenvolvimento.
* “parece” porque, como referimos em nosso post anterior, o mundo agrícola é tão influenciado por um sem número de fatores que tudo pode mudar de um momento para outro.
** meu número pessoal, tão bom quanto qualquer outro nesta faixa, é hoje mais próximo dos 540 milhões de toneladas, face ao clima adequado que estamos percebendo desde final de janeiro e entrando agora em fevereiro e mais as previsões para os mêses vindouros.
Foto: “Campo de cana-de-açúcar”, encontrada em commons.wikimedia.




















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