Importação de derivados de petróleo e a indicação de Graça Foster

Paulo Costa

Até o mês de novembro tivemos o maior volume de importação de gasolina e diesel registrado desde os anos 90, com 27,9 bilhões de litros. As compras externas foram alavancadas por problemas com a produção de etanol e o bom estado da economia brasileira, com vendas recordes de veículos leves e pesados. O fato é que o país terá um prejuízo estimado em US$ 10 bilhões com as importações de derivados de petróleo em 2011. Neste número não se inclui a despesa com as importações de etanol combustível – a alegação é que o Brasil exportou valor próximo ao gasto com as compras. Ledo engano: grande parte do etanol exportado pelo Brasil não é combustível, mas destinado a outros fins – são praticamente dois produtos diferentes.

As importações de gasolina triplicaram nos últimos dois anos, impulsionadas por uma demanda interna que aumentou 18,3% em 2011. Mesmo sendo o Brasil auto-suficiente na produção de petróleo, falta ao país capacidade para transformar esse óleo em derivados. O parque industrial de refino não ganha uma nova unidade desde 1980*. Neste momento, em que a própria Petrobras admite que a tendência seja que a importação de gasolina e óleo diesel siga crescendo em 2012, é anunciada a troca do comando da estatal.

E o que pode mudar com a saída de José Sergio Gabrielli, o mais longevo Presidente da Petrobrás, que levou a estatal ao mais alto ponto de sua história com as descobertas do pré-sal, mas que viu o valor da empresa despencar mais de 40% nos últimos dois anos, acusado de uma gestão com um forte contorno político? Muita coisa, mas muita mesmo, tanto que o mercado acionário reagiu de pronto e positivamente quando da confirmação de sua substituição. Isto porque entra em campo uma substituta que tem profundo viés técnico e forte identidade de pensamento com a Presidenta Dilma Rousseff.

Maria das Graças Silva Foster, atual diretora de Gás e Energia da Petrobras, está na empresa há mais de 30 anos, é engenheira química pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e tem mestrado em engenharia química e engenharia nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de MBA em economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Seguramente vai provocar alterações estruturais na Petrobras que são devidas há muito tempo. Este descompasso entre nosso volume de produção e uma capacidade industrial pífia e descoordenada com o tipo de petróleo que produzimos vai desaparecer no mais curto prazo que seja possível, acelerando-se a construção das várias refinarias em atraso. Quanto à continuidade do investimento da Petrobras no setor de etanol ainda deve-se esperar para ver como pensa a nova “ministra” (Presidentes de empresas como a Petrobras ou Vale tem mais poderes e orçamento do que a maioria dos incontáveis ministros da Esplanada…).

Mais um passo que dá a Presidenta Dilma, amparada por índices de aprovação popular ainda maiores do que seu antecessor e padrinho, em tornar este nosso país muito mais técnico e muito menos político. O Planalto, mais especificamente a Presidenta Dilma Rousseff, retoma o controle da empresa, livrando-a de uma administração fortemente política e que ainda mantinha diálogo direto com o Executivo anterior. Outras mudanças virão na empresa, na esteira desta agora anunciada. Assim seja!

*Espera-se que em 2016 entre em operação a Refinaria Abreu e Lima, na região metropolitana de Recife, com seu parque de refino orientado principalmente para produção de óleo diesel, o derivado de maior consumo no país. Atualmente sob forte suspeita do Tribunal de Contas da União (TCU), ficará pronta com seis anos de atraso, conforme último balanço do PAC 2.

Foto: Edifício sede da Petrobras no Rio de Janeiro, por Thomas Hobbs/flickr , encontrada em commons.wikimedia.

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