BioAgroEnergia

31.12.2010 - 08h33

Adeus fabuloso ano velho [para o agronegócio e a (bio)energia]

Foto: Per / Flickr

2010 vai demorar para ser esquecido pela gente do agronegócio, incluindo aí a agricultura e pecuária. Ou melhor, vai ficar para a história. As coisas andaram bem demais no que toca à produção, índices de produtividade, avanços institucionais, consolidação de alguns setores em mãos fortes que garantem pujança para o futuro. O financiamento do setor disparou, com os novos títulos do agronegócio finalmente decolando e trazendo ares de maior segurança jurídica para o envolvimento de grandes bancos privados e empresas na área de produção.

Soja, café, cana-de-açúcar e milho bateram recordes históricos de produção. A laranja celebrou a união entre o setor industrial e o citricultor estabelecendo a semente de um contrato de compra e venda em bases justas. Os preços estiveram elevados em quase todos os segmentos, em particular no segundo semestre deste ano inesquecível.

Na pecuária movimentos de consolidação, envolvendo empresas como a JBS/Friboi, o grupo Marfrig/Seara e a estruturação da Brasil Foods (Perdigão + Sadia) criaram um novo momento para um setor vital para o agronegócio.

Isto tudo fez do Brasil inconteste líder mundial na produção de cana-de-açúcar, suco de laranja, café, tabaco, frango e o maior produtor de carne bovina do mundo. Somos ainda o segundo maior produtor de soja e de milho, atrás apenas dos EUA e até na carne suína, não tradicional, saltamos para o quinto lugar e vamos continuar a crescer.

Na energia, alguns saltos. Belo Monte finalmente saiu do papel, apesar das disputas que sempre vão envolver investimentos deste porte. Mas, tudo correndo bem (e vai correr!) teremos a terceira maior hidrelétrica do mundo. O pré-sal virou euforia e deixou de ser esperança para se tornar doce realidade. Muito investimento até os resultados concretos mas a Petrobras está madura para conduzir este processo que vai, além de tudo, gerar incontáveis empregos. Discussões políticas envolvendo a distribuição de royalties entre os estados brasileiros ainda vão dar “pano para mangas” mas o ano se finda com a Petrobras batendo recordes de extração e o Brasil caminhando para ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Na bioenergia o etanol se consolida como combustível para uso interno. Está claro que vamos precisar de muito mais etanol para sustentar a frota de carros flex que chega mensalmente ao mercado. Foi um ano em que o setor teve, além de importante consolidação, a chegada forte e há muito esperada, da indústria do petróleo. Shell e Petrobras Biocombustível vieram para ficar entre os grandes produtores de etanol. BP continua estudando maior penetração e na distribuição Esso já estava com Cosan e fala-se de Ale nas mãos de Copersucar.

O biodiesel saltou em janeiro, de forma antecipada, para a mistura B-5. Desde então todo o óleo diesel consumido no país está acompanhado por 5% de biodiesel, originado principalmente da soja. A recuperação da Brasil Ecodiesel unindo-se à Maeda, a participação ativa da Petrobras Biocombustível, Granol, Caramuru, BSBios, Oleoplan e dezenas de outros produtores menores deram alento ao setor. Tudo indica que logo no início do próximo governo este percentual vai ser aumentado. Técnicamente hoje aceita-se que até 7% de mistura não causam quaisquer problemas de ajustes aos motores diesel.

Ainda na energia dita renovável, excetuando a hidroeletricidade – nossa grande fonte renovável – tivemos aumento contínuo na produção de energia eólica, avanço nos testes de biodiesel a partir da cana-de-açúcar e aumento significativo de geração de energia elétrica a partir da biomassa, em particular do bagaço da cana.

Sobre as dificuldades, desafios e problemas vamos falar apenas em 2011. Hoje vamos, gostosamente, comemorar o final deste ano excelente para o agronegócio e a (bio)energia do Brasil.

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