Algo inimaginável em terras brasileiras está ocorrendo (e não pela primeira vez) nos EUA, maior produtor mundial de etanol. O valor nominal do combustível renovável vindo do milho está mais alto que o da gasolina! O fato, singular para nós, resulta de uma combinação da baixa do preço do petróleo, alta dos preços de milho e política de subsídios* adotada pelo governo americano, que beneficia os “misturadores” de etanol com a gasolina, em sua grande maioria as gigantes da indústria petrolífera.
Há duas diferenças básicas em relação à nossa situação: 1. nos EUA os preços dos derivados de petróleo não são controlados como aqui – em outras palavras, caiu ou subiu o preço do barril, o valor da gasolina vai junto; 2. os ianques não tem os carros flex (na verdade os têm mas não dizem…) mas não podem viver como se o álcool combustível não existisse – em quase todos os Estados há uma obrigatoriedade da mistura de 10% de etanol na gasolina.
O que se passa neste momento é: os preços de milho subiram rapidamente (22% desde maio) pois a enorme safra que está sendo colhida vai ser menor do que se esperava. Consequentemente subiu o preço de etanol e pegou todos que dele necessitam como matéria-prima de calças curtas, tendo que repor seus estoques comprando o milho mais caro e, para não arcar com o prejuízo, repassando ao usuário final. Como comparação, os preços da gasolina no mesmo período caíram 6,6%.
A combinação de subsídios governamentais com regulação de mercado de combustíveis causa uma distorção de valores que dá origem a um “case” no mínimo interessante. O que se vê é uma grande salada feita das disputas pelo milho como alimento ou combustível mais créditos fiscais e temperada por esta obrigatoriedade da mistura dos 10% de etanol. Uma receita mais atrapalhada do que a da nossa culinária da matriz energética brasileira…
*Este benefício fiscal que tem as pomposas iniciais de VEETC com uma alcunha mais simples de “blender´s credit” corresponde a US$ 0.45 por galão de combustível mesclado. Tal crédito expira em 31 de dezembro de 2010 e, apesar do forte lobby das associações de produtores de etanol e de milho, tem hoje no Congresso americano a tendencia de ser cortado em 20%.



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Paulo Costa
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