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Dow AgroSciences na Etiópia, “ensinando a pescar”*

Paulo Costa

10_emanuela-colombo_grano-etiopia-2A notícia:Neste mês, um grupo de 41 funcionários da multinacional Dow – incluindo 4 brasileiros – foi enviado à Etiópia, na África, para aprimorar sua capacidade de liderar. A viagem foi a etapa final da segunda edição do programa “Liderança em Ação”, que reúne equipes da companhia para criar soluções para comunidades carentes e, com essa experiência, aprender a comandar melhor. Ao todo, a agenda dura seis meses. O projeto começa com a seleção dos participantes, que são escolhidos pela empresa entre aqueles empregados que têm alto desempenho e ainda estão no começo da carreira. Na versão de 2014, todos os quatro integrantes de São Paulo, por exemplo, tinham menos de 35 anos de idade e entre dois e dez anos de casa. Os 41 participantes do programa foram divididos em grupos de quatro ou cinco e, ao todo, apresentaram oito projetos para ONGs etíopes. Os temas eram bastante variados e não necessariamente estavam relacionados às atividades principais da Dow. Foram desenvolvidos, por exemplo, um estudo sobre desafios de saneamento para startups agrícolas do país, recursos laboratoriais para melhorar a subnutrição no local e até um projeto para transformar milho em polietileno.” (Fonte: Luísa Melo em Exame.com) O comentário: Exame.com dá aqui notícia de uma ação interessante e exemplar, modelo a ser seguido. Países como a Etiópia, tão carentes de todo tipo de ajuda, com uma população de 92 milhões de habitantes, fortemente concentrada na zona rural (70%), com IDH de 0,435 (173º. do mundo), recepcionam esta abordagem com muito respeito. O grupo foi recebido pelo Presidente e o Primeiro Ministro do País, antes de viajar extensivamente pelas principais áreas agrícolas. O diferencial desta ação está na filosofia do projeto, com uma visão não imediatamente comercial mas sim social e comportamental. Ao mesmo tempo, expõe seus funcionários de talento a uma cultura completamente diversa daquela a que estão acostumados, os qualifica para desenvolverem um novo olhar sobre as questões da fome, da segurança alimentar e da sobrevivência em um mundo de recursos limitados. Interessante notar que a Etiópia tem condições para desenvolvimento de sua agricultura, mas que por restrições econômicas acaba por limitar-se a ser basicamente uma agricultura de subsistência. Ainda assim o café é seu principal item na pauta de exportação. BioAgroEnergia deixa aqui o registro deste exemplo que seguramente vai render frutos naquele País. * Sábio provérbio chinês que ensina, como conduta responsável, “não dar o peixe, mas ensinar a pescar Foto: Emanuela Colombo (www.emanuelacolombo.com), fotógrafa italiana free-lancer, encontrada em commons.wikimedia.

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Etanol e a questão da produtividade

Paulo Costa

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A notícia: “Endividado e achatado pela política de subsídios do governo à Petrobras, setor passa por sua pior crise; mas se tivesse melhorado sua eficiência no momento de euforia, tudo poderia ter sido diferente. A crise no setor sucroalcooleiro virou assunto de campanha eleitoral. Depois de sete anos em que o setor permaneceu à margem dos interesses e da política industrial dos governos petistas (desde o anúncio do pré-sal, em 2007), agora, os empresários do setor começam a ouvir um rosário de promessas de todas as esferas da República. Afinal, no tudo ou nada da política, convém aos candidatos buscar apoio dos mais necessitados. E, no campo empresarial, nem mesmo a indústria de transformação vai tão mal quanto as usinas de etanol. A derrocada tem sido atribuída pelos próprios empresários à Petrobras e, indiretamente, ao governo. Mas não é bem assim. Apesar de ter saído do radar do governo desde 2007, o setor começou a titubear dois anos depois, com os efeitos da crise financeira minando o crédito para empresas no Brasil e no exterior. Mesmo endividados, empresários conseguiram manter a produção até 2011 porque vinham investindo, sobretudo, no aumento da área plantada de cana-de-açúcar — nas não em produtividade ou melhoria das mudas.” (Fonte: Veja.com)

O comentário: Ao digitar nossas anotações feitas durante o “Fórum Exame Brasil 2020″ do passado 13 de agosto notamos que uma palavra foi recorrente nas palestras e debates, desde Armínio Fraga até o economista e professor da Universidade de Columbia, José Alexandre Scheinkman: produtividade! Veja.com foi muito feliz ao abordar um ponto delicado no setor sucroalcooleiro: a insistência com que o segmento relaciona suas mazelas exclusivamente à questão do teto de valores imposto ao etanol pela política de preços aplicada pela Petrobras. Fosse essa a única agrura do setor todas as empresas que o compõem estariam em sérias dificuldades. O fato é que alguns grupos que se profissionalizaram no momento devido mostram resultados positivos em seus balanços. Vou exemplificar, sem medo de erro: Grupo São Martinho, Tereos / Guarani, muitas das usinas que são parte da Copersucar*, o Grupo Alto Alegre, a Raízen. Não se ouve esta gente chorando, apesar de estarem todos no mesmo ambiente de negócios. Por que? Simples é a resposta: desapegaram do Governo!!! Não se conhece outro setor do agronegócio brasileiro que tenha – e isto é histórico e colonial – ficado tão dependente de ações governamentais. Mas estes empresas aqui mencionadas, também vítimas até certo ponto da euforia desmedida que tomou conta do setor em 2006/8, souberam se reencontrar rapidamente. Além de movimentos de compra e venda de ativos, capitalização no momento adequado, os sobreviventes sadios do setor investiram em produtividade agrícola, usando toda a tecnologia disponível no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Fizeram isto utilizando mudas de qualidade, planejando seus viveiros, executando uma gestão adequada da lavoura, prezando mais a qualidade do que a quantidade de cana replantada. Foi uma travessia difícil mas o resultado está aí. Quem não agiu assim, ou está de portas fechadas ou em processo de recuperação judicial. Transitando em outro espaço, mas aí é tema para um livro, andam Bunge e Dreyfus, lambendo suas feridas por investimentos feitos em um setor que não lhes é familiar.

* Copersucar e Cargill pretendem começar a operar sua nova joint venture de comercialização de açúcar no mercado global em 1º de outubro.

Foto: Usina em São Carlos/SP (1840) do pintor franco-brasileiro Hércules Florence, encontrada em commons.wikimedia.

Marina e o agronegócio

Paulo Costa

Eduardo e MarinaA notícia:Valor: Qual discurso Marina deve assumir para conquistar setores que têm resistência a ela, no meio empresarial e no agronegócio, por exemplo? Jarbas: Pelo que conversei com Marina, pelo que li dela e pelo que a conheço, Marina não é contra o agronegócio. Ela tem que explicar a questão do agronegócio, que nunca foi bem explicada. Pode colocar na minha boca a frase que eu queria que Eduardo dissesse: ninguém pode ganhar eleição sem o agronegócio nem ninguém administra o Brasil sem o agronegócio. Eu havia pedido ao Eduardo para cunhar essa frase. Valor: Mas ele não chegou a ser tão explícito… Jarbas: Acho que não faz mal nenhum que agora isso seja esclarecido. Mesmo que não seja ela, mas que a linha do programa eleitoral seja essa.” (Fonte: trecho de entrevista concedida ao Valor Econômico pelo Senador Jarbas Vasconcelos*, do PMDB-PE e aliado do falecido candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, do PSB-PE)

O comentário:  Aparentemente Marina Silva será indicada pela coligação que sustentava a candidatura presidencial de Eduardo Campos para ocupar a cabeça de chapa, escolhendo-se um nome do PSB para secundá-la na candidatura à Vice-Presidência. A grande questão que foi colocada ao discutir o acerto desta inesperada circunstância que gerou o debate é justamente a relação conturbada que Marina teve com o agronegócio, particularmente durante sua longa gestão (01-01-2003 a 13-05-2008) como Ministra do Meio Ambiente no governo Lula. Para BioAgroEnergia, neste momento esta questão é irrelevante. Nos parece que a grande maioria dos participantes do setor agro brasileiro está bem fechada com o candidato Aécio Neves e mais ainda ansioso para ver a não renovação do mandato de Dilma. Um segundo turno entre Aécio e Marina, possibilidade que já passar a ser considerada, apressadamente, por certos analistas políticos, seria o sonho do agronegócio. Tem Marina Silva, portanto e se realmente confirmada como candidata, tempo para mostrar uma nova “cara”, agora alicerçada pelo PSB, ao mais importante setor da economia brasileira.

*Jarbas Vasconcelos é figura histórica no processo de redemocratização do Brasil, tendo sido prefeito de Recife, governador de Pernambuco, deputado estadual e federal e agora Senador da República. Sua relação política com Miguel Arraes, aliado no processo das “Diretas Já” foi conturbada e culminou no rompimento com o neto de Arraes, justamente Eduardo Campos. Em 2012 veio a reconciliação para juntos elegerem o atual prefeito de Recife, Geraldo Julio. Jarbas tornou-se um forte conselheiro de Eduardo Campos para estas eleições presidenciais, embora pertencendo ao PMDB, teoricamente partido da base da candidata e Presidenta da República Dilma Rousseff.

Petrobras/preços de combustíveis: “nécessité oblige”

Paulo Costa

A notícia:A decisão do governo federal de não autorizar a Petrobras a reajustar o preço dos combustíveis, como forma de evitar pressão nos indicadores inflacionários, continua prejudicando a estatal. No segundo trimestre, a área de Abastecimento amargou prejuízode R$ 3,883 bilhões, resultado 54,8% mais adverso do que o prejuízo de R$ 2,509 bilhões reportado no mesmo período do ano passado. Esses números ajudam a explicar a queda de 20% do lucro líquido da estatal na comparação entre segundos trimestres, para R$ 4,959 bilhões, a despeito do maior volume de produção de petróleo e gás natural. O descasamento de preços entre os valores praticados pela Petrobras no Brasil e aqueles pagos pela gasolina e o diesel no exterior foi agravado pelo dólar mais valorizado. Para piorar, a estatal precisou importar 55,9% mais derivados de petróleo (principalmente gasolina e diesel) durante o segundo trimestre.” (Fonte: André Magnabosco, do Estadão encontrado em Exame.com)

O comentário:Quatro dias atrás o ministro Mantega, em entrevista à Reuters, comentou que o gato subiu no telhado, quer dizer que “pode haver um novo aumento no preço da gasolina ainda este ano”. Ao findar a semana são anunciados os decepcionantes resultados trimestrais da Petrobras, mesma data em que o IBGE publica que a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou de junho para julho passando de 0,4% para 0,01% e trazendo o índice anualizado para 6,5%, dentro da meta do Governo. Ao mesmo tempo, com um viés eleitoreiro, a Presidenta Dilma avisa que a indústria automobilística está em fase final de testes para aceitar o aumento da mistura do etanol anidro na gasolina, de 25 para 27,5% (coisa que toda mundo sabe, assim como se sabe que o setor automotivo é contra este aumento!). Ora, assim como dois mais dois são quatro, não é preciso ter inteligência privilegiada para se perceber que dentro em breve teremos novos preços para os combustíveis. Todo este jogo de cena em difícil ano eleitoral é montado para evitar a grita dos eleitores, que em período de estagflação vão ter que aceitar novos preços para os combustíveis, em particular para a gasolina. Um possível aumento da mistura de etanol teria a contrapartida para o Governo de acariciar o segmento sucro-alcooleiro, respirando por aparelhos, bem como amenizar o valor a ser aumentado nos preços das bombas. Para quando será é a única dúvida que fica no mercado.

Agro e eleições :: Aécio larga na frente

Paulo Costa

Sugar_cane_2A notícia: “Tanto a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), com sede em São Paulo e grande ascendência sobre associações de segmentos como processamento de grãos e insumos (fertilizantes, defensivos, sementes e máquinas), quanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que encabeça uma rede de federações de produtores rurais espalhadas por todo o país, divulgaram ontem as propostas do setor aos candidatos à Presidência da República. Como adiantou o Valor, o documento da ABAG, coordenado por Roberto Rodrigues – um dos maiores expoentes do setor, ministro da Agricultura no primeiro mandato de Lula -, é mais detalhista em algumas demandas e prevê, entre outras mudanças na gestão da Pasta, a possibilidade de entidades do agronegócio participarem da escolha de seu titular. Já o da CNA, cuja presidente licenciada é a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que apoia a presidente Dilma, expõe linhas mais gerais sobre diversos ‘macrotemas’. (Fonte: Valor Econômico)

O comentário: Já se tornou tradição a ABAG realizar nos anos de eleições majoritárias uma entrevista com os principais postulantes ao cargo de Presidente da República. Usualmente são entrevistas gravadas e nas eleições de 2010 houve uma grande frustração ao se perceber que os principais candidatos tinham pouco a dizer ou conhecimento raso das grandes questões que afligem a mais importante cadeia da economia brasileira. Este ano o candidato Aécio Neves inovou e compareceu pessoalmente à abertura do evento, que é o maior encontro do ano das principais lideranças do agronegócio. Por outro lado sabe-se que os “tucanos” tem sua programação de Governo para o setor sendo preparada  por Roberto Rodrigues juntamente com o também ex-ministro Alysson Paolinelli e com o economista José Roberto Mendonça de Barros, entre outros, autoridades reconhecidas pelo conhecimento que tem do quadro do agro brasileiro. A candidata Presidenta Dilma diz ter o CNA da senadora Kátia Abreu como aliada e formou um grupo de conselheiros formado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), o suplente dele, Cidinho Santos (PR-MT) e o ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB-MT), como noticiou o Estadão em Exame.com. Este grupo da soja e de Mato Grosso tem uma visão muito mais restrita de questões locais, além de um apelo eleitoral bastante duvidoso fora de seus rincões. Ainda estamos na hora da “pesagem” anterior aos grandes debates (esperemos que eles ocorram realmente!!!) mas sem dúvida a ABAG mostrou ontem quem está com mais “músculos” para cativar o importante setor do agro, incluindo aí as áreas sucro-alcooleira e citrícola, que embora em grave crise, mantém um poder de fogo maiúsculo.

Foto: “Plantação de Cana” encontrada em commons.wikimedia.

Agro/grãos :: Nuvens no horizonte

Paulo Costa

SoybeansAs notícias: “1. Pioram as perspectivas para os preços internacionais de grãos – (Valor Econômico) – Pioraram flagrantemente as perspectivas para as cotações de alguns dos principais produtos agropecuários negociados pelo Brasil no exterior no curto, médio e longo prazos. Novas projeções divulgadas na sexta-feira (11), pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pela FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, confirmaram a tendência de crescimento da oferta global e sinalizaram uma queda no ritmo de aumento da demanda. Nesse contexto, ambos os órgãos sinalizaram quedas de preços.” “2. VBP cresce R$ 18 bilhões a menos que o previsto – (Gazeta do Povo) – A produção global crescente de grãos e a consequente redução das cotações para as principais commodities já reduziram em cerca de R$ 18 bilhões a receita da agropecuária brasileira de 2014. Essa é a diferença entre as projeções mais otimistas lançadas no primeiro semestre e a que acaba de ser divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).” 3. Lucro com soja em Mato Grosso será o menor em 5 safras – (Diário de Cuiabá) – FCStone mostra que na nova safra mato-grossense a rentabilidade por tonelada colhida representará apenas 23% do preço médio atual do grão – A rentabilidade com a soja na safra 2014/15, em Mato Grosso, será a menor das últimas cinco safras. Os dados fazem parte do estudo ‘A rentabilidade da soja em Mato Grosso e as perspectivas para a safra 2014/15′ feito pela consultoria INTL FCStone e apresentado com exclusividade pelo Diário. Para avaliar a evolução da rentabilidade média do sojicultor a analista ponderou a evolução dos custos de produção e dos preços negociados no Estado.” 4. Grande oferta de milho e soja está a caminho, diz USDA; preços caem – (Reuters) – Washington, D.C. - O governo dos Estados Unidos estimou nesta sexta-feira (11) uma grande safra de cereais, soja e algodão no país e no mundo na próxima temporada, em linha com a recente queda nos preços das commodities. Embora os mercados futuros já estivessem preparando-se para relatórios baixistas, as cotações na bolsa de Chicago despencaram de novo nesta sexta.

O Comentário: Estamos de volta ao mundo real e as notícias não são nada boas para o agronegócio brasileiro. Dentro de uma situação macroeconômica do País que já não é famosa, lemos esta manhã uma enxurrada de novidades que devem colocar nosso setor em alerta. Isto porque os efeitos destas grandes safras nos EUA tendem a fazer perdurar seus efeitos nos preços afetando a comercialização da safra nova, que ainda vai ser plantada neste segundo semestre, diga-se de passagem com custos bastante altos. Alie-se a isto o fato de que o Governo, em difícil ano eleitoral, não terá muita margem de manobra com o câmbio, para auxiliar os exportadores. Vamos acompanhar de perto e com preocupação o evoluir destas notícias.

 

 

 

 

 

 

 

Cargill + Copersucar :: doce união

Paulo Costa

Sugar_cubesA notícia: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a joint venture entre as gigantes Cargill e Copersucar para combinar suas atividades globais de comercialização de açúcar. O despacho da Superintendência-Geral do órgão foi publicado nesta segunda-feira no “Diário Oficial da União”. O negócio foi anunciado no fim de março. A Copersucar, que une a produção de quase 100 usinas de açúcar no Brasil, é considerada a maior comercializadora de açúcar e etanol no mundo. A Cargill, uma das maiores empresas do mundo com capital fechado – tem 140 mil funcionários e atua em 65 países -, origina açúcar nos principais países produtores ao redor do mundo, incluindo o Brasil. A empresa tem sede nos Estados Unidos e faturamento de US$ 137 bilhões com diversos negócios agropecuários.” (Fonte: Valor)

O comentário: Esta união anunciada em março passado e agora aprovada sem restrições pelo Cade é emblemática e insuperável para o difícil negócio do comércio internacional de açúcar no mundo e o ápice de um longo processo de amadurecimento de ambas as empresas ao longo de uma década.* A Copersucar alterando sua estrutura corporativa e criando uma Sociedade Anonima para gerenciar seu comércio, independentemente da cooperativa. A Cargill aprimorando sua participação no mercado internacional e deixando de lado o interesse em investir na área de produção, erro que tanto custa para suas concorrentes Bunge e LDC/Biosev. De um lado junta-se a força da originação e logística interna da Copersucar, aliás já com experiência de alguns clientes de destino, com a pujança da Cargill nos mercados internacionais e mais o seu domínio em operações de Bolsas de Mercadorias, seja em NY ou Londres, além de forte presença no mercado de fretes marítimos. Aliás, ambas as empresas detêm possibilidade de armazenamento e embarque de grandes volumes de açúcar em portos brasileiros e a complementariedade de suas atividades no setor é o que os americanos chamam de uma “win-win situation”, que certamente vai marcar a vida deste mercado.

*O articulista tem a honra de ter trabalhado nestas duas empresas, ambas com culturas corporativas marcantes e procedimentos éticos irretocáveis.

Foto: Uwe Hermann, encontrada em commons.wikimedia

 

 

 

Etanol :: Incentivo a motores com maior eficiência

Paulo Costa

A notícia: “O governo poderá reduzir as alíquotas do IPI para veículos com motor flex que tiverem relação de consumo entre etanol hidratado e gasolina superior a 75 por cento, conforme publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. Para criar essa possibilidade de redução do imposto, o governo está alterando a lei que instituiu o Inovar-Auto (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores). Ao estabelecer que o benefício poderá ser dado a veículos com motor flex com relação de consumo entre etanol hidratado e gasolina superior a 75 por cento, a medida especifica que não poderá haver ‘prejuízo da eficiência energética da gasolina nos veículos novos’. A medida está sendo adotada no contexto da discussão no governo sobre o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina. A partir dessa semana, o governo começou a fazer testes com duração de dois meses em diferentes tipos de veículos para analisar a viabilidade técnica do aumento de mistura do etanol anidro à gasolina em percentual superior ao atual, de 25 por cento.” (Fonte: Reuters, encontrada em Exame.com de 20-06-2014).

O comentário: Que notícia boa! Em primeiro lugar o governo, com esta medida, desconstrói o mito dos “70%” que foi criado para estabelecer  um padrão para a relação do consumo de etanol versus o da gasolina. Tanto a indústria automobilística como o setor produtivo do etanol preservaram este “mantra” enganoso que a eles interessava, particularmente para aquelas montadoras que não tem um só modelo que atinja este patamar. Na verdade a diferença no desempenho dos motores “flex” na relação etanol/gasolina ocorre em grande escala, dependendo de inúmeras variáveis desde a própria configuração técnica dos propulsores até a incontrolável qualidade do etanol e da gasolina encontrada em diferentes postos de combustíveis. Outro ponto positivo é provocar este estímulo para que a indústria automobilística trabalhe na questão da eficiência. Importante que esta medida seja acompanhada de um sistema objetivo e transparente de fiscalização para que atinja suas metas. Também alvissareiro o estudo que faz o governo para verificar a viabilidade do aumento da mistura dos atuais 25% (em vigor desde 1º. de maio de 2013) de etanol anidro na gasolina, para o nível 27,5%. O setor automotivo é contra tal mudança por entender que afeta o desempenho dos motores a gasolina. Por isso são necessários os testes ora sendo feitos; porém saiba-se desde já que quando se diz 25% estamos falando de 24 a 26%, conforme a ANP (Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Então, se 26% pode, será que 27,5% também pode, Arnaldo? O importante é fazer a regra clara!

Esta Petrobras apronta cada uma! (ou será que aprontam com ela?)

Paulo Costa

MARIA_~1A notícia: “Um membro do Conselho de Administração da Petrobras disse que considera questionar a empresa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não ter sido informado sobre o acordo para produção de petróleo excedente em quatro áreas do pré-sal de 15 bilhões de reais. Silvio Sinedino, que representa os funcionários na empresa, disse que não sabia do plano de repasse de direitos para a Petrobras explorar até 15,2 bilhões de barris excedentes do pré-sal. Mauro Cunha, que representa os acionistas minoritários, também disse que não sabia do assunto com antecedência. Mas Sinedino disse que considera questionar a empresa junto ao órgão regulador. Segundo ele, o governo da presidente Dilma Rousseff tornou a companhia de petróleo mais endividada e menos lucrativa do mundo. Uma fonte do governo federal que acompanha o assunto e pediu para não ser identificada afirmou que há dúvidas se a decisão deveria passar pelo Conselho de Administração da Petrobras ‘já que o que houve anteontem foi uma decisão de governo, do CNPE’. As ações da Petrobras caíram 5,4 por cento desde a decisão (24 junho) até dia 26.”  (Fonte: Jeb Blount, da Reuters, encontrada em Exame.com)

O comentário: A Petrobras tem circulado já faz bom tempo, literalmente, no “olho do furacão”. CPIs “chapa branca”, Pasadena, estorvo ao setor de etanol, depoimentos cansativos e recorrentes de seus altos dirigentes, prisão de ex-diretor, denúncias de suborno em grandes contratos, queda livre nas cotações em bolsa com prejuízo de pequenos investidores, etc. Quando se pensava que a Copa do Mundo, atraindo mais atenção do povo do que se imaginava anteriormente, iria servir para dar uma folga a tanta pressão, dona Petrobras e seu acionista majoritário aparecem com esta diabrura! Pelo que consta 2 bilhões de reais já entram no caixa do Governo Federal, sangrando ainda mais o da Petrobras, para uma “ajudinha” no fechamento das contas públicas, fundamental para “inglês (e outros investidores) ver”. Trata-se de reincidência da Petrobras para dar uma “mãozinha” para seu controlador. Vamos recordar? “No mês de janeiro de 2013 foi contabilizado US$ 1,6 bilhão em importações de combustíveis e lubrificantes da Petrobras que ocorreram, de fato, no ano passado, informou a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Além disso, ainda restam, segundo ela, outros US$ 2,9 bilhões em importações de combustíveis e derivados feitas pela Petrobras, no ano passado, que serão contabilizadas nos próximos meses. Ao todo, o valor de compras do exterior de combustíveis e derivados feitas pela estatal em 2012, que serão registradas somente neste ano, somam US$ 4,5 bilhões, informou.” (Portal G1 em 01/02/2013). No jargão do “economês” isto tem o nome pejorativo de “maquiagem das contas públicas” e costuma ter reflexos bem negativos na economia de um País e na confiança dos investidores, estrangeiros ou nacionais. Que o diga um vizinho “hermano”, hoje às voltas com grandes complicações em sua dívida pública.

p.s. BioAgroEnergia está algo aliviada pois a Presidenta Dilma Rousseff veio a público justificar que a “licitação não licitada” trata-se de um grande negócio para a Petrobras e “para todos nós”. Presidenta, por favor, “me inclua fora do nós”; é que eu tenho minhas dúvidas com estas atitudes baseadas no velho provérbio central do maquiavelismo de que “o fim justifica os meios”.

Foto: Graça Foster, Presidente da Petrobras, pela Agencia Brasil.

Gás de Xisto :: mais de dez meses depois…

Paulo Costa

gas de xistoA notícia: “Boom de gás de xisto leva EUA a relaxarem proibição às exportações :: O governo americano está abrindo caminho para as primeiras exportações de petróleo bruto dos Estados Unidos nos últimos 40 anos, autorizando as petrolíferas a vender o tipo de petróleo ultraleve que vem se tornando abundante no país. As exportações podem começar já em agosto, dizem pessoas a par do assunto. Sob as normas atuais, as companhias podem exportar combustível refinado, como gasolina e diesel, mas não o petróleo bruto. A nova abordagem do governo americano, que não foi publicamente anunciada, reclassifica parte do petróleo ultraleve como combustível depois de o produto ter recebido algum tratamento, o que o torna elegível à exportação. O Departamento de Comércio informou que as companhias aprimoraram o processamento de petróleo bruto de uma forma que o qualifica à venda a outros mercados, embora esse petróleo não seja contabilizado como tradicionalmente refinado.” (Fonte: “The Wall Street Journal em Português, matéria de Alison Sider, Nicole Friedman, Christian Berthelsen e Lynn Cook)

O comentário: Retomamos o caminho de nosso blog BioAgroEnergia do mesmo ponto onde o deixamos, mais de dez meses atrás. Lá falávamos dos possíveis reflexos do desenvolvimento da extração do gás de xisto na evolução da produção de etanol combustível nos EUA. Passado este tempo nota-se que o impacto da produção e comercialização desta importante, embora altamente poluente, fonte energética, já se faz notar no setor petrolífero. O próprio artigo mencionado diz que “Consultores da Bentek Energy previram que, sem uma mudança na política exportadora dos EUA que permita que petróleo seja exportado, um excesso de oferta de petróleo ultraleve irá derrubar o preço do WTI para US$ 80 por barril até 2019, ante os atuais US$ 106…”. Chamamos aqui a atenção para o fato de que uma política energética consistente implantada pelo Governo norte-americano no que se refere à exploração do gás de xisto, concordemos ou não com a questão do seu impacto ambiental, acaba por ter consequências de ordem econômica muito significativas dentro do quadro energético global. Convidamos nossos leitores a visitarem nosso artigo anterior para entender a dimensão que virá a ter esta exploração, com impactos previsíveis para um século!

Foto: “Exploração de gás de xisto na Califórnia”, de Getty Images.

Energia: Gás de xisto inviabiliza sonho de etanol como commodity

Paulo Costa

A notícia: ” Em apenas quatro anos, a exploração de gás de xisto nos Estados Unidos iniciou uma revolução energética capaz de alterar o cenário econômico do país. A atração de investimentos produtivos, antes vista como impossível, tornou-se inevitável, assim como a autossuficiência em fontes de energia. Com ou sem cota – tema polêmico e ainda não definido -, os EUA estarão em poucos anos exportando gás natural em volume suficiente para mudar o panorama mundial. A reserva americana de gás de xisto é estimada em 2,7 trilhões de metros cúbicos, nos cálculos da Administração de Informação sobre Energia (EIA) de dezembro de 2010. É suficiente para abastecer o mercado por mais de 100 anos. Mas pode ser maior. A extração começou há poucos anos, está em constante avanço tecnológico e contribuiu para a produção de 27,4 quatrilhões de BTUs (British Thermal Unit, unidade de energia para medir quantidades de gás) no ano passado. Tamanha oferta de gás de xisto, a custos relativamente baixos de produção, permite a venda do gás natural americano a US$ 4 por milhão de BTUs – o menor preço do mercado mundial. Em 2020, serão 31,3 quatrilhões de BTUs – 14% mais, nas previsões da EIA. Atualmente, essa nova fonte responde por 34% do total de gás natural extraído no país. (Fonte: Denise Chrispim Marin em O Estado de São Paulo)

O comentário: Um efeito paralelo importante deste desenvolvimento imparável parece ser a quebra definitiva do sonho de um dia transformar-se o etanol em uma commodity internacional. Aliás este trabalho sempre se revelou hercúleo e as indicações que se tem é o que o etanol combustível acabará sendo basicamente um produto para consumo interno nos países produtores. Mas o lado triste da equação vem do fato que a própria Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana, em seu relatório de atualização sobre as emissões de gases de efeito estufa da indústria de óleo e gás dos EUA, concluiu em 2010 que a extração de gás de xisto emite mais metano que aquela de gás convencional. Mas em tempos da severa crise econômica em que vivemos, as preocupações ambientais acabaram por cair, lamentavelmente, em um segundo plano. De toda forma é uma situação no equilíbrio energético mundial que devemos acompanhar com atenção, pela sua implicação em diferentes setores de produção de energia, renovável ou não.

Foto: Preparada pelo EIA/EUA, mostra as formações de xisto argiloso em todo o mundo. De se notar que o Sul do Brasil tem importante área de formação (encontrada em commons.wikimedia, preparada pela Energy Information Administration, não confundir com Environmental Investigation Agency). A ANP (Agencia Nacional do Petróleo) marcou para os dias 30 e 31 de outubro o primeiro leilão de blocos do gás não convencional, que inclui o gás de xisto.

Bienal dos Negócios da Agricultura – Brasil Central – Logística

Paulo Costa

A notícia: “ Símbolo de prestígio e sucesso junto ao agronegócio brasileiro, a Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central 2013 foi encerrada sexta-feira (09.08), em Cuiabá-MT, com a marca do denso debate de temas estratégicos ligados à conjuntura e ao futuro do setor. Mais de 1.000 produtores rurais, executivos e lideranças políticas prestigiaram a Bienal, cuja nova edição, em 2015, terá como sede o Distrito Federal. Referência para o Centro-Oeste, a Bienal supera mais uma vez a expectativa de público ao colocar em pauta os temas de logística, sucessão familiar, falta de mão de obra e os desafios da biotecnologia.(Fonte: www.sistemafamato.org.br)

O comentário: Logo na cerimônia de abertura, foi apresentado um completo diagnóstico da dificuldades de escoamento do que é produzido na região Centro-Oeste. A intervenção mais interessante  foi da Presidente da CNA, Senadora Kátia Abreu, relatando um estudo de logística que confirma a urgência de solucionar um dos maiores entraves à economia brasileira. “A inserção deste tema na Bienal reafirma a necessidade de construção de um sistema de logística no país. Temos que acelerar a vinda de políticas públicas. Em cinco anos teremos um Brasil diferente”. Sua fala teve um viés prático ao mencionar as possibilidades que podem desafogar o transporte agrícola nacional, destacando a expectativa de desenvolvimento de hidrovias para servir ao Centro Oeste. Kátia Abreu classificou os rios Tocantins, Tapajós e Madeira como “três grandes Mississipis brasileiros”. Este foi o fato novo mencionado; os outros representantes do setor que comentaram sobre o assunto apenas repetiram o que estamos cansados de saber, dizendo do quanto perdemos em competividade com os custos elevados de escoamento.

Foto: Fim de tarde no cerrado, encontrada em commons. wikimedia.

Indústria canavieira – desafio se renova

Paulo Costa

A notícia: ” A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 16,36% na segunda quinzena  de junho, para 1,501 milhão de toneladas, segundo informações da União da  Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) referentes à safra 2013/14. O diretor-técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, explicou que a queda  se deveu, em primeiro lugar, à decisão das usinas de continuar destinando mais  caldo da cana para produção de etanol, uma vez que os preços do biocombustível  estão mais atrativos que os do açúcar. Mesmo com as chuvas que afetaram a moagem de cana-de-açúcar em algumas regiões  do Centro-Sul, a produção de etanol na segunda quinzena de junho da safra  2013/14 cresceu 5,98%, para 1,278 bilhão de litros, segundo a Unica. O aumento  se deveu à produção de anidro (que é misturado à gasolina), que avançou 17,90%  na quinzena. A fabricação de etanol hidratado recuou 2,19%, para 700 milhões de  litros na quinzena. A moagem da matéria-prima desde o início da temporada até 1º de julho foi 40,98%  maior do que no mesmo intervalo do ciclo passado, atingindo 180,981 milhões de  toneladas.(Fonte: Valor Econômico interpretando dados quinzenais de acompanhamento da safra 2013/14 produzidos pela Única)

O comentário: A cada ano um novo desafio se apresenta à indústria sucroalcooleira, sobrepondo-se ao permanente convívio com a difícil situação financeira do setor, que já vem de alguns anos e só se agrava. Ao início desta safra alguns elementos contribuíram para gerar expectativas otimistas. A previsão de uma produção maior de cana-de-açúcar, que se confirma, refletindo inclusive um saudável trabalho de renovação de canaviais e, particularmente, duas “mexidas” governamentais que afetaram positivamente os mercados de etanol. De um lado, foi aumentado o preço base da gasolina, liberando o teto que é naturalmente imposto aos preços do etanol hidratado, que hoje está competitivo em vários estados brasileiros. De outra parte a volta da mistura de etanol anidro à gasolina para o percentual de 25%. Com a contínua queda nas cotações das bolsas de açúcar de NY e Londres, e a permanência de fraca demanda no mercado internacional de açúcar, foi fácil optar pela maior produção de etanol, como está se vendo neste terço inicial da safra.

Alguns fatores tiveram mudança, no entanto. A forte valorização do Real compensou de sobra as quedas de NY e estimula a busca pelo mercado de exportação de açúcar.  Mas a manutenção de altos estoques mundiais, impulsionados por grandes safras em outros países produtores e perspectivas de novas boas safras no segundo semestre mantém os compradores internacionais de açúcar na defensiva. Ao mesmo tempo, no mercado doméstico, os preços de gasolina não subiram nas bombas como se esperava. Isto desestimula a produção de etanol hidratado, como se percebe pelos números revelados pela Unica. A melhor remuneração que o setor tem ainda vem do etanol anidro.

Mas o dilema está posto e tem que ser administrado pontualmente, agora que nos aproximamos do pico da safra e com perspectivas de tempo seco no Centro-Sul do Brasil. Fixar câmbio futuro em combinação com hedge em bolsa pode otimizar o resultado da produção de açúcar e trazer mais equilíbrio ao “mix” açúcar/etanol. Diminuição da oferta de etanol, passado este primeiro momento de safra, pode estimular o aumento de seu preço, que ainda tem espaço para subir. A indústria tem que trabalhar de forma concertada para atingir estes objetivos comerciais e de resultados.

Em tudo isto nota-se, com lamento, como a questão de cogeração de energia elétrica a partir da biomassa sequer é mencionada. Os investimentos não se justificam frente aos preços que são praticados e não se ouve qualquer ruído sobre intervenção governamental para suportar uma produção que de certo se revelaria um diferencial decisivo para o crescimento do setor.

Foto: caule de cana-de-açúcar encontrada em commons.wikimedia

 

Petróleo desequilibra a balança comercial

Paulo Costa

A notícia: ” A balança comercial brasileira registrou superávit de 2,394 bilhões de dólares em junho, acumulando no primeiro semestre saldo negativo de 3 bilhões de dólares, o pior para este período em quase 20 anos, com crescimento mais intenso das importações. Segundo informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações somaram a cifra recorde de 117,516 bilhões de dólares entre janeiro e junho passado, 8,4 % a mais do que em igual período de 2012, pela média diária. Já as exportações somaram 114,516 bilhões de dólares no período, com queda de 0,7 % também pela média diária. O resultado comercial do semestre passado foi o pior para o período de janeiro a junho desde 1995, quando o déficit ficou em 4,227 bilhões de dólares. No primeiro semestre, o destaque ficou para a conta petróleo, com déficit de 12 bilhões de dólares, um dos principais fatores do elevado déficit da balança no período. (Fonte: Reuters)

O comentário: O título da matéria deveria ser “o desastre anunciado”. Isto porque, segundo o jornal Valor Econômico, “um dos fatores desse forte déficit em 2013 foi o registro de importações de  petróleo e derivados ocorridas no ano passado, mas que só foram contabilizadas  no desempenho do comércio exterior brasileiro nos cinco primeiros meses do ano.  Ao todo, foram US$ 4,6 bilhões em compras desses produtos que afetaram a balança  comercial somente neste ano.” Supomos (repito, supomos) que as autoridades econômicas imaginavam que as exportações da safra recorde de grãos (em particular soja e milho), a preços altos em função da quebra de safra americana, mais a continuidade das exportações de minérios, iriam equilibrar esta jogada contábil. Mas não deu certo!

Agora, dentro do usual tom otimista que impera nas declarações destas mesmas autoridades, o ano de 2013 vai fechar com superávit. Ora bolas, até eu que sou um tanto inocente, acho isto. Com um cambio destes, mesmo que as exportações de grãos entrem em declínio normal para o segundo semestre (apesar da ótima safrinha de milho embora a preços menores nos mercados internacionais), temos as saídas de açúcar (ainda que a indústria canavieira esteja privilegiando a produção de etanol, para o mercado doméstico) e a diminuição da importação de gasolina (sem os impactos de lançamentos de 2012) farão com que a balança naturalmente se equilibre.

Só falta dar um aperto maior na importação dos geniais “Xing Ling”* que povoam nosso comércio, onde até artesanato local do interior do país tem um “Made in China” esquecido no canto de sua face interna.

* Xing Ling é um termo empregado no Brasil para distinguir um produto genérico ou falsificado (copiado) de grandes marcas, dos quais não se sabe a origem, pois a sua procedência é duvidosa. Geralmente são fabricados na China. Também são conhecidos como produtos de custos, qualidade, sistemas, durabilidade e vida útil inferior. (Wikipédia)

Foto: Plataforma de petróleo no Mar do Norte, encontrada em commons.wikimedia.

 

O agronegócio e a economia global

Paulo Costa

Reproduzo abaixo texto de minha autoria, publicado hoje, 21-06, no blog pessoal Linhas & Entrelinhas (v. nota), com o título “Economia global – medo ou pânico*”. Ele tem relação direta com todos os envolvidos com o agronegócio, e não só. De fato estamos vivendo um momento econômico de tal delicadeza que todos os setores produtivos do país tem que estar alertas aos desdobramentos que possam ocorrer a curto prazo e os efeitos em seus negócios:

As linhas: “O dólar disparou pelo segundo dia consecutivo e alcançou o patamar de 2,25 reais, mesmo após o Banco Central atuar três vezes para conter a valorização da divisa, refletindo o nervosismo global diante dos sinais de que o programa de estímulo dos Estados Unidos pode estar perto do fim. (Reuters) Investidores retiram US$ 3,9 trilhões de mercados emergentes – os investidores estão retirando dinheiro dos mercados emergentes no ritmo mais rápido em dois anos devido à queda de ações, títulos e divisas causada por um desaquecimento econômico e um menor estímulo global. (Bloomberg) Europa reage negativamente a discurso de Bernanke - o índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 2,97%, fechando a 283,68 pontos. As bolsas da Europa fecharam em forte queda nesta quinta-feira, 20, reagindo ao discurso feito na quarta-feira, 19, pelo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que estabeleceu um cronograma para o fim dos estímulos por parte da instituição.(Estadão)

As entrelinhas: talvez distraídos com a sucessão de manifestações que ocorrem em inúmeras cidades brasileiras, parece não estarmos percebendo a dimensão do difícil momento econômico por que passa o mundo. Preocupação maior devemos ter com nosso próprio país. Estamos próximos de findar o primeiro semestre do ano e quase todos os principais índices referenciais de nossa economia são preocupantes, para se dizer o mínimo. A taxa de crescimento industrial é pífia, e a cada dia se reduzem as estimativas de um PIB anual mais vigoroso em 2013. A inflação parece ter números “massageados”, desculpem-nos as entidades que os medem e publicam. Os preços das commodities estão caindo e a economia da China, nosso principal mercado, tem apresentado menor aceleração. Não vamos sequer falar das quedas fortes e quase ininterruptas do Ibovespa – além de chegar a níveis próximos do início desta crise financeira mundial (final de 2008), são afetadas fortemente pela performance errática das ações X do empresário Eike Batista.

* O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. Vamos ficar atentos ao que se passa, sermos cautelosos com nossas economias pessoais e nossos negócios, para evitar que o medo se instale em nós. O passo dele para o pânico é curto! Tenhamos em mente que a economia é feita de ciclos e é preciso saber viver nas altas e nas baixas.

Nota: Linhas & Entrelinhas é encontrado no endereço www.blogdopaulocosta.wordpress.com

Foto: ofinanceiro.net

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