20.05.2013 - 18h07

Portos – para que um Congresso?

A notícia: ” A presidente Dilma Rousseff terá até 5 de junho para sancionar a  Medida Provisória 595, aprovada pelo Congresso na noite da última  quinta-feira, 16. O texto votado pelo Senado e pela Câmara já chegou à  Presidência, após ter sido despachado pelo presidente do Senado Renan  Calheiros (PMDB-AL).O prazo começou a contar a partir de quinta-feira (16), quando a  Presidência da República recebeu o texto, e o feriado de Corpus Christi, no dia 30 de maio, será contado como dia útil. Por lei, o Presidente da República tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar, total ou parcial, o texto aprovado pelo Congresso.Caso Dilma Rousseff vete alguns dos pontos incluídos no texto  original da MP, esses vetos retornam ao Congresso para que sejam  analisados em sessão conjunta da Câmara e do Senado.” (Fonte: Guia Marítimo)

O comentário: Aqui não vamos discutir o conteúdo, pois a legislação, com vetos ou sem vetos, é muito boa e vai dar um grande impulso aos investimentos no setor portuário, aprimorando a evolução que já havia sido trazida pela Lei da Modernização dos Portos de 1993. O que pretendemos mencionar é a forma com que a legislação passou pelo Congresso Nacional. Como a oposição não tem força alguma, o PMDB da base aliada foi quem organizou a algazarra. Em meio a debates vergonhosos (na Câmara dos Deputados, pois no Senado Federal passou como um bólido, sem tempo para piscar), alcunha de Lei dos Porcos, ofensas pessoais, sessões ininterruptas, deputados dormindo nos sofás ou sendo acordados por seus líderes para virem “dar quórum”, o país assistiu a um espetáculo circense. Até acusações de que o Executivo, na ânsia de não deixar expirar o prazo para votação da Medida Provisória, teria antecipado a liberação de verbas orçamentárias para agradar o fogo amigo mais resistente. Que blasfêmia – imaginem que isto existe em Brasília! No fim, o texto saiu basicamente da maneira como entrou, em linha com o relatório muito bem costurado por Eduardo Braga, ex Governador do Amazonas e do jeito que o Executivo queria!

Como disse o fantástico Mario Quintana, “Todos estes que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão. Eu passarinho!

A foto: “Congresso Nacional à Noite”, de Steve Evans, encontrada em flickr/commons.wikimedia

16.05.2013 - 18h55

Balança do Agro – nada de novo, mais um recorde

soja para exportação e balança comercialA notícia: As exportações brasileiras do agronegócio, nos últimos doze meses, atingiram resultado recorde somando US$ 99,59 bilhões, o que representou crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações reduziram 6,5% no ano e somaram US$ 16,52 bilhões no período, resultando em um saldo positivo recorde de US$ 83,07 bilhões. As informações são da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa). ‘Nossa produção nos campos, seja devido às pesquisas ou ao alinhamento entre governo e iniciativa privada, há tempos se tornou exemplo de competitividade e eficiência. Quando o assunto é exportação, há anos a balança comercial agropecuária sustenta o saldo positivo do Brasil’, afirmou o ministro da Agricultura, Antônio Andrade. (Fonte: Canal Executivo)

O comentário: Os portugueses tem uma frase histórica e perfeita para esta notícia: “Tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. Isto quer dizer que nada mudou. E faz anos que nada muda no quesito da balança comercial brasileira, com o agronegócio sustentando repetidamente nossos superávits. Também nada se altera com o Governo querendo tirar sua “casquinha” deste dado permanente. Talvez por não ser muito do ramo (é engenheiro e pecuarista, o que não quer dizer nada – estava na Comissão de Finanças da Câmara e entrou no Ministério pela “quota” do PMDB), o ministro exagerou um bocado no papel oficial na obtenção do resultado: “alinhamento entre Governo e iniciativa privada”… Todo mundo sabe que riscos, Custo Brasil e trabalho duro ficam a crédito dos produtores (e o Governo? Ah!, o Governo…).

26.04.2013 - 14h42

MP dos Portos – muita polêmica à frente

A notícia: “Parlamentes aprovaram nesta quarta-feira, na Comissão Mista, relatório sobre a medida provisória que cria um novo marco regulatório para o setor dos portos no Brasil. Deputados e senadores ainda vão analisar emendas ao texto-base do relator Eduardo Braga (PMDB-AM). A Medida Provisória 595, a chamada MP dos Portos, visa agilizar e baratear o frete marítimo no país, reduzir o tempo médio de carga e descarga e aumentar a competitividade do setor, considerado um dos principais gargalos para o crescimento do Brasil. Com a aprovação foram aceitas algumas emendas que devem ser votadas até o dia 16 de maio, quando a MP perde sua validade. Algumas mudanças no relatório de Braga são  significativas. Uma das emendas prevê que os contratos de concessão e  arrendamento a serem firmados após a edição da medida poderão ter  validade assegurada por até 50 anos. No relatório de Braga, poderiam  vigorar por 50 anos somente contratos com prazo inicial de 25 anos que  viessem a ser prorrogados por mais 25.” (Fontes: Exame.com, Reuters e Guia Marítimo)

O comentário: A polêmica a respeito da proposta está longe de terminar. Esta aprovação na Comissão Mista foi fruto de um acordo das lideranças dos partidos para não obstruir a apreciação da matéria. Mas os próprios parlamentares preveem um duro embate nos plenários da Câmara e do Senado. Como está, a MP altera as regras de concessão  dos portos e muda significativamente a forma de contra­tação dos  traba­lhadores portuá­rios. Continuam, apesar do intenso trabalho de negociação liderado pelo hábil Senador Eduardo Braga, ex Governador do estado do Amazonas, a prevalecer interesses divergentes do Governo Federal, das associações que congregam as empresas que detém as concessões de terminais portuários privativos e dos trabalhadores portuários. Certamente este assunto vai ter acelerada sua discussão por conta do prazo de validade para debate nos Plenários e os ânimos podem ainda ficar mais acirrados. Uma greve nos portos seria, ainda mais neste momento, o pior que poderia acontecer ao país.

24.04.2013 - 10h57

Etanol – finalmente enfrentando a realidade

A notícia: ” O pacote de benefícios para o setor sucroalcooleiro não é garantia de redução no preço do combustível. A afirmação é da presidente Dilma Rousseff, que disse nesta terça-feira (23) não ser possível prever como o mercado vai reagir às medidas do governo….O Executivo zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível, hoje equivalente a R$ 0,12 por litro de etanol. A renúncia fiscal com o fim do tributo será de R$ 970 milhões em 2013…. O ministro Guido Mantega (Fazenda) também não garantiu o repasse dos preços ao consumidor. ‘Não quer dizer que o setor vai repassar necessariamente. Estamos condicionando [os incentivos] ao aumento da oferta, porque aí o preço vai ser reduzido.’ Dilma disse ainda que o governo vai aumentar de 20% para 25% a proporção da mistura de álcool anidro na gasolina porque a produção de etanol foi maior e porque é ‘um mecanismo muito tranquilo de regulamentação’ “. (Fonte: Folha de São Paulo, logo depois do anúncio de medidas que devem auxiliar a curto prazo o setor sucroalcooleiro)

O comentário: Pelo menos desta vez Dilma e Mantega não estão vendendo ilusão ao consumidor final. A realidade é esta – o Governo toma mais uma medida de desoneração para proteger a indústria e atrair novos investimentos, particularmente para a produção de etanol. Os benefícios vão ficar na cadeia produtiva, muito carente deles, e até na linha de distribuição. Mas não vão chegar aos postos. Com o aumento da mistura de anidro para 25% a partir de 1º. de  maio o setor tem armas para minorar sua difícil situação de margens, particularmente em uma safra onde os preços de açúcar não estão famosos. Não sabemos até onde o caixa do Govêrno vai aguentar tanta desoneração pontual – seria muito menos custoso e mais eficiente fazer uma reforma tributária abrangente e pronto. Mas isto se discute desde o tempo de D. Pedro e nunca se chega a lugar algum! Porém, este não é assunto para agora. Vamos aproveitar este momento e não esperar que os preços de gasolina e etanol caiam na ponta final, ou seja, os tanques de nossos veículos.

19.04.2013 - 14h29

Grande safra no RS – o sojicultor gaúcho merece

A notícia: ” Faltando pouco mais de 30% para o fim da colheita da soja, os produtores começam a comemorar o resultado da produtividade. A safra que está em andamento é vista como a da recuperação, depois de um ano negativo para o sojicultor gaúcho que amargou perdas no ano passado por causa de uma seca que comprometeu a produção do grão. O fato negativo de 2012 está sendo superado por uma boa surpresa nas lavouras colhidas até o momento. O sojicultor viveu dois momentos bem distintos na safra 2012/2013. Na hora da formação das lavouras as projeções feitas, com base nas previsões de clima favorável e na tecnologia que estava sendo empregada, apontavam para uma excelente produtividade. Logo em novembro e depois em janeiro o clima mudou as projeções dos agricultores. Os dois períodos de pouca chuva fizeram os produtores rurais a refazerem as contas. As estimativas de produtividade foram recalculadas e o resultado mostrava uma forte tendência na queda de produtividade. Os técnicos, ao mesmo tempo em que alertavam para os riscos de uma redução da safra, lembravam que a oleaginosa tem um poder muito grande de recuperação. Com o início da colheita, os produtores perceberam que poderiam refazer as contas, as lavouras começavam a corresponder de forma positiva. A produtividade em determinadas áreas atingia até 66 sacas por hectare, o que não estava mais sendo esperado por causa da pouca umidade do solo, principalmente, no mês de janeiro.” (Fonte: Diário da Manhã, Passo Fundo/RS)

O comentário: Escrevemos anteriormente sobre a valentia do produtor agrícola gaucho, que mesmo na adversidade não retrocede e mantém suas áreas plantadas com soja e milho. Além de seu pioneirismo no desenvolvimento do plantio da oleaginosa no Brasil foi o gaúcho quem buscou novas fronteiras (unindo-se a ele produtores paranaenses) para transformar o Mato Grosso no maior estado produtor do mundo. A recompensa vem nesta safra, com a vantagem que ninguém mais tem no Brasil de dispor de um excelente porto como o de Rio Grande, além de uma infraestrutura de transporte que barateia enormemente seu custo final. Apesar de recente queda de preços nos mercados internacionais, grande parte da safra já estava precificada e os lucros estarão nos livros dos produtores gaúchos.

Foto: “Soja”, encontrada em commons.wikimedia.

15.04.2013 - 15h23

Açúcar e etanol – novos caminhos

A notícia: “A desregulamentação do mercado indiano vai modificar a maneira como os negócios de açúcar são feitos naquele país. As principais tradings do planeta estão atentas sobre oportunidades nesse mercado, que deve ganhar novos participantes estrangeiros com possíveis aquisições de usinas de pequeno e médio porte. A coisa vai mudar. O governo autorizou as usinas a vender sua produção de açúcar no mercado livre, sem restrições, algo que era controlado há décadas. O setor de açúcar na Índia passará por um longo período de consolidação e crescimento. Alguns estimam que o setor poderá dobrar em 5-6 anos. O Brasil que se cuide.” (Fonte: Arnaldo Luiz Corrêa, de Archer Consulting, em seu Comentário Semanal)

A interpretação: Os preços de açúcar nas Bolsas de Mercadorias, em particular a de NY que regula o comércio do açúcar demerara, para refino, não saem do limbo por um motivo básico: há um excesso de estoques no mundo. O que Arnaldo Corrêa está nos dizendo é que as coisas podem ficar ainda piores para a indústria canavieira no Brasil, com esta mudança regulatória na Índia, gerando aumento de produção em um país que tem localização mais privilegiada que o nosso em relação aos grandes mercados consumidores do Oriente Médio. Além disto “a Tailândia termina sua safra com uma produção de 9.6 milhões de toneladas, exportando 7.2 milhões”, diz ele. O fato é que tudo conspira para que tenhamos uma safra brasileira, que ora se inicia, bastante voltada para a produção de etanol, que hoje remunera o produtor e o industrial a níveis superiores ao do açúcar. Isto pode significar uma tendência para o futuro, trazendo investimentos novos para o setor do biocombustível da cana, e gerando grande auxílio à Petrobras com a substituição do consumo de gasolina!

Último comentário por Paulo Costa : Augusto, verdade! A roda gigante que move nossas vidas e os mercados! Abraços,
12.04.2013 - 09h34

BioAgroEnergia – Ano IV – Política e Economia afetam o Agro

Em 12 de abril de 2010 iniciávamos esta prazerosa aventura do blog BioAgroEnergia, orgulhosamente hospedado em Exame.com. Com o título de “O Agronegócio Salva a Pátria Mãe (Outra Vez…)” começou uma caminhada que hoje acumula 230 posts, 590 tags e 304 comentários em 11 categorias. Escrevemos um pouco sobre tudo que afeta o agronegócio, a energia – particularmente a ’bio’ e temas de infraestrutura e logística. A partir de nosso próximo texto vamos modificar radicalmente nossa apresentação, trazendo breve notas publicadas sobre estes setores e nossa opinião. Serão as notícias e os comentários. Agradecemos a todos que nos acompanharam até agora e convidamos a seguir conosco por esta estrada da informação e do debate.

Encerrando este nosso primeiro ciclo, vamos deixar de lado questões pontuais que afetam o agronegócio, a energia e a infraestrutura de nosso país para convidar nossos leitores para uma reflexão sobre dois fatores externos da maior relevância que afetam diretamente estes segmentos: o momento político atual e nossa situação macroeconômica.

1. O momento político: precipitadamente o ano de 2013 mal se iniciou e já temos delineado um quadro preliminar das eleições presidenciais que só vão ocorrer em 2014. Para deixar claro que não pretende se candidatar a novo mandato, o ex-Presidente Luís Inácio “Lula” da Silva indicou que a Presidenta Dilma Rousseff será a candidata à reeleição pelo PT. A oposição, que se encontra fragmentada e frágil, tenta aglutinar suas forças em torno do nome do Senador Aécio Neves, do PSDB, que também já traça linhas para campanha. Outro nome sendo preparado com atenção é do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, que pode ser a grande surpresa das urnas, caso consiga fixar-se no Sudeste e Sul do Brasil. Em resumo, as campanhas estão, precocemente, nas ruas, queira-se ou não.

O grande impacto para o agronegócio está na situação da Presidenta Dilma, que desde logo é forçada a tomar posições com um olho em seu trabalho e o outro nas distantes urnas. Seu índice de popularidade e o nível de aprovação de seu Governo são recordes. Este fato, aparentemente positivo, carrega em si a necessidade de continuar a decidir por medidas populares, evitar as questões polêmicas e adiar as decisões que afetem interesses ligados ao processo eleitoral. Além disso, tem que manter a costura com os inúmeros partidos que constituem a sua base aliada, particularmente o PMDB do vice-Presidente Michel Temer, pêndulo da balança e que tem um estilo muito próprio de conduzir o jogo político, originado das velhas disputas bipartidárias dos tempos de Arena e MDB…

Pois bem, isto quer dizer que o agronegócio como um todo vai continuar em segundo plano. Sob o ponto de vista político, os segmentos que sustentam o país, particularmente os ligados direta ou indiretamente à agricultura, são considerados autossuficientes e fracos de votos. Isto fica claramente demonstrado pela fragilidade do Ministério da Agricultura, fora da linha de frente das decisões políticas de Brasília.

2. A situação macroeconômica:  outro grande complicador externo para o agronegócio é a situação macroeconômica do Brasil. Lutando com ações pontuais, particularmente de desoneração tributária para alguns segmentos da indústria, o Governo tenta manter à distância o fantasma da inflação. Tudo leva a crer que o Banco Central, tão dependente voltou a se tornar dos ministérios econômicos e da própria Presidenta, vai retomar a trilha da alta dos juros básicos, último instrumento que lhe resta para domar o leão (mais uma vez culpando-se o crescimento da inflação pelo custo dos alimentos – uma vez foi o chuchu, hoje é o tomate…). Com a taxa de cambio sob forte controle das autoridades monetárias, o lado exportador do agronegócio e da agroindústria tende a sofrer com a perspectiva de receitas que não compensem as altas nos custos de produção. 

Com a atenção voltada para tais dificuldades de nossa economia, permanece a insegurança jurídica que afasta novos, importantes e necessários investimentos no setor, especialmente em questões de infraestrutura e em alguns segmentos específicos, como a cana-de-açúcar e a indústria sucroalcooleira. Esta combinação de fatores políticos e econômicos, que estimula fortemente a ingerência governamental na atividade privada, sem estabelecer regulação clara e confiável, é elemento com o qual vamos ter que conviver pelos próximos dois anos.

Fotos: da esquerda para a direita, “Campo de Cana-de-Açúcar”, “Usina Hidrelétrica” e “Rebanho Bovino”, encontradas em commons.wikimedia.

25.03.2013 - 17h02

Derivados de petróleo – Portugal ensina o caminho

Matéria produzida pela agência portuguesa de notícias Lusa e publicada no site de sexta-feira (22mar13) do jornal lisboeta Diário de Notícias, mostra como se deveria fazer no Brasil com os preços dos derivados de petróleo. Uma lição em transparência de formação de preços e ausência de artificialismo nos valores praticados. Para nós, no Brasil, que temos ainda a sorte de produzir etanol e biodiesel, ainda que com seus preços engessados pelas práticas da Petrobrás, a mando do Governo Federal, seu principal acionista, tal exemplo português traria enorme segurança tanto ao setor sucroalcooleiro como ao segmento das oleaginosas.

Aqui vai o texto, preservada a linguagem, que por si só é curiosa em suas diferenças com o Português escrito no Brasil:

“Preço da gasolina vai subir e do gasóleo vai descer” – ‘O preço dos combustíveis deverá registar tendências opostas na próxima semana com o gasóleo a descer ligeiramente enquanto o preço da gasolina deverá regressar às subidas, acompanhando a evolução das cotações dos produtos petrolíferos.

Segundo avançou à Lusa fonte do setor, esta semana as cotações dos produtos petrolíferos apresentaram movimentos contrários: o gasóleo apresentou uma ligeira descida face à média da semana anterior, tendo a gasolina subido. A evolução das cotações em euros aponta para uma nova descida no preço do gasóleo que deverá rondar meio cêntimo por litro e para uma subida que se deverá situar entre os dois e os três cêntimos por litro no preço da gasolina.

A desvalorização do euro durante a semana contribuiu para o agravamento das cotações da gasolina e atenuou o movimento de descida do gasóleo, em queda há cinco semanas consecutivas, refere a mesma fonte. De acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) relativos a 2.621 postos de abastecimento no continente, o preço médio do gasóleo na quinta-feira era de 1.416 euros por litro e o valor da unidade de gasolina 95 fixava-se em 1.597 euros.’

Não estamos aqui sugerindo que de imediato mude o Governo brasileiro sua posição em relação aos aumentos dos preços dos combustíveis, mas que persevere na política que iniciou este ano, de induzir reajustes mais frequentes, até que se atinja a valores equivalentes ao que se pratica no mercado internacional.

O estímulo para novos investimentos, inclusive estrangeiro, particularmente no setor sucroalcooleiro, seria imediato. A consequência, produção maior de etanol e preços mais competitivos para o consumidor, ao contrário do que se possa imaginar quando do início deste texto!

Ilustração: O Farol do Cabo Espichel data de 1790. Local : Cabo Espichel / Sesimbra / Portugal, foto de domínio público encontrada em commons.wikimedia

 

Último comentário por marly winnie soares rangel : Dr.Paulo, sempre que a Petrobras tem problema de caixa o governo recorre ao aumento dos combustíveis. É muito fácil, mas ...
21.03.2013 - 13h56

Grãos – infraestrutura proibe que se aumente a produção

O desequilíbrio existente entre a incrível capacidade de aumento de produção e produtividade dos pesquisadores, agricultores, pecuaristas e agroindustriais brasileiros e a possibilidade do País de fazer escoar tal produção é incalculável. Nada surpreendente – aqui mesmo em BioAgroEnergia nosso leitor pode voltar várias páginas e vai ler que era possível antecipar de há muito o tamanho do problema que estamos enfrentando (e vejam bem que a safra de cana-de-açúcar mal começou a ser cortada).

Na última leitura tinhamos em Paranaguá, segundo o site de controle da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), 16 navios atracados, mais de 100 ao largo e outros 22  aguardados para as próximas 48 horas. A grande maioria para carregar soja e milho, particularmente a oleaginosa.

Alguém faz ideia do que são cem navios graneleiros em espera? Vamos colocar uma média (baixa) de 35 mil toneladas de capacidade por navio – estamos falando de 3 milhões e meio de toneladas de grãos. Sabem quantas carretas (tudo bem, uma parte deste produto segue por ferrovia) seriam necessárias para transportar este volume? Para facilitar a conta vou usar 35 toneladas por carreta (média alta – estamos mais para 30…): cem mil caminhões, ou melhor, cem mil viagens. E a frota, escassa, tem que ir ao porto e voltar ao interior para dar conta do recado – só que ela vai e fica na fila… Enquanto isto os armazéns abarrotam. É preciso dizer mais alguma coisa?

Último comentário por Paulo Costa : Caro Marcos, grato pela visita, leitura e comentário pertinente. Infelizmente está se antecipando o período eleitoral... Embora só tenhamos eleições ...
18.03.2013 - 22h39

Cesta básica – desoneração desastrosa

A desoneração de PIS e Cofins de oito produtos da cesta básica, decidida pela Presidenta Dilma Rousseff, revelou-se um desastre em sua relação custo-benefício. Anunciada com toda a pompa, como se fosse salvadora de um dos problemas centrais da economia brasileira, o controle da inflação, mostrou-se inócua, até agora (e tudo indica que vai continuar a sê-lo).

Na verdade foi mais uma trapalhada da equipe econômica. Em primeiro lugar porque – mesmo que o Governo conseguisse impor  à cadeia empresarial uma obrigatoriedade de repassar ao consumidor final ao menos parte do benefício que está sendo concedido - seu impacto nos números globais é insignificante .

Em segundo lugar porque, concomitantemente a esta medida, o mesmo Governo autorizou o aumento do preço do óleo diesel, que afeta praticamente todas as áreas de atividade produtiva do País (incluindo os tais oito elementos da cesta básica…) e os consumidores em geral. O diesel é utilizado no modal rodoviário, principal meio de transporte no País, e nos equipamentos agrícolas, impactando todo o custo de produção de alimentos. Uma incoerência inexplicável!

Foi também um grande erro de marketing. Da maneira como foi anunciada a medida, ficou a impressão para a população que sua conta de supermercado iria cair de pronto. Muito mais eficiente, como ato mercadológico, teria sido o anúncio da desoneração como uma medida para baixar o preço dos produtos básicos beneficiando as classes mais pobres. Ponto final.

Fica a impressão que a grande culpada por estas confusões que estão ocorrendo é a antecipação da data pré eleitoral visando as eleições majoritárias do ainda distante 2014. Os palanques já estão armados, com o senador Aécio Neves, a ex-candidata Marina Silva e o possível candidato Eduardo Campos, Governador de Pernambuco, tratando abertamente do tema. A Presidenta Dilma vê-se forçada a entrar na disputa, misturando as coisas, mesmo ciente de que decisões econômicas não flertam com campanha eleitoral.

Melhor se aconselhar com o ex-Presidente Lula, mestre nesta arte, cara Presidenta. Faça-o logo, antes que troque os passos irremediavelmente, como nosso outro ex-Presidente, Jânio Quadros.

Último comentário por Paulo Costa : Augusto, apreciei seu comentário. Realmente a impressão que fica é que as decisões da equipe econômica estão sendo tomadas de ...