Em 12 de abril de 2010 iniciávamos esta prazerosa aventura do blog BioAgroEnergia, orgulhosamente hospedado em Exame.com. Com o título de “O Agronegócio Salva a Pátria Mãe (Outra Vez…)” começou uma caminhada que hoje acumula 230 posts, 590 tags e 304 comentários em 11 categorias. Escrevemos um pouco sobre tudo que afeta o agronegócio, a energia – particularmente a ’bio’ e temas de infraestrutura e logística. A partir de nosso próximo texto vamos modificar radicalmente nossa apresentação, trazendo breve notas publicadas sobre estes setores e nossa opinião. Serão as notícias e os comentários. Agradecemos a todos que nos acompanharam até agora e convidamos a seguir conosco por esta estrada da informação e do debate.



Encerrando este nosso primeiro ciclo, vamos deixar de lado questões pontuais que afetam o agronegócio, a energia e a infraestrutura de nosso país para convidar nossos leitores para uma reflexão sobre dois fatores externos da maior relevância que afetam diretamente estes segmentos: o momento político atual e nossa situação macroeconômica.
1. O momento político: precipitadamente o ano de 2013 mal se iniciou e já temos delineado um quadro preliminar das eleições presidenciais que só vão ocorrer em 2014. Para deixar claro que não pretende se candidatar a novo mandato, o ex-Presidente Luís Inácio “Lula” da Silva indicou que a Presidenta Dilma Rousseff será a candidata à reeleição pelo PT. A oposição, que se encontra fragmentada e frágil, tenta aglutinar suas forças em torno do nome do Senador Aécio Neves, do PSDB, que também já traça linhas para campanha. Outro nome sendo preparado com atenção é do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, que pode ser a grande surpresa das urnas, caso consiga fixar-se no Sudeste e Sul do Brasil. Em resumo, as campanhas estão, precocemente, nas ruas, queira-se ou não.
O grande impacto para o agronegócio está na situação da Presidenta Dilma, que desde logo é forçada a tomar posições com um olho em seu trabalho e o outro nas distantes urnas. Seu índice de popularidade e o nível de aprovação de seu Governo são recordes. Este fato, aparentemente positivo, carrega em si a necessidade de continuar a decidir por medidas populares, evitar as questões polêmicas e adiar as decisões que afetem interesses ligados ao processo eleitoral. Além disso, tem que manter a costura com os inúmeros partidos que constituem a sua base aliada, particularmente o PMDB do vice-Presidente Michel Temer, pêndulo da balança e que tem um estilo muito próprio de conduzir o jogo político, originado das velhas disputas bipartidárias dos tempos de Arena e MDB…
Pois bem, isto quer dizer que o agronegócio como um todo vai continuar em segundo plano. Sob o ponto de vista político, os segmentos que sustentam o país, particularmente os ligados direta ou indiretamente à agricultura, são considerados autossuficientes e fracos de votos. Isto fica claramente demonstrado pela fragilidade do Ministério da Agricultura, fora da linha de frente das decisões políticas de Brasília.
2. A situação macroeconômica: outro grande complicador externo para o agronegócio é a situação macroeconômica do Brasil. Lutando com ações pontuais, particularmente de desoneração tributária para alguns segmentos da indústria, o Governo tenta manter à distância o fantasma da inflação. Tudo leva a crer que o Banco Central, tão dependente voltou a se tornar dos ministérios econômicos e da própria Presidenta, vai retomar a trilha da alta dos juros básicos, último instrumento que lhe resta para domar o leão (mais uma vez culpando-se o crescimento da inflação pelo custo dos alimentos – uma vez foi o chuchu, hoje é o tomate…). Com a taxa de cambio sob forte controle das autoridades monetárias, o lado exportador do agronegócio e da agroindústria tende a sofrer com a perspectiva de receitas que não compensem as altas nos custos de produção.
Com a atenção voltada para tais dificuldades de nossa economia, permanece a insegurança jurídica que afasta novos, importantes e necessários investimentos no setor, especialmente em questões de infraestrutura e em alguns segmentos específicos, como a cana-de-açúcar e a indústria sucroalcooleira. Esta combinação de fatores políticos e econômicos, que estimula fortemente a ingerência governamental na atividade privada, sem estabelecer regulação clara e confiável, é elemento com o qual vamos ter que conviver pelos próximos dois anos.
Fotos: da esquerda para a direita, “Campo de Cana-de-Açúcar”, “Usina Hidrelétrica” e “Rebanho Bovino”, encontradas em commons.wikimedia.