13.08.2013 - 22h21

Energia: Gás de xisto inviabiliza sonho de etanol como commodity

A notícia: ” Em apenas quatro anos, a exploração de gás de xisto nos Estados Unidos iniciou uma revolução energética capaz de alterar o cenário econômico do país. A atração de investimentos produtivos, antes vista como impossível, tornou-se inevitável, assim como a autossuficiência em fontes de energia. Com ou sem cota – tema polêmico e ainda não definido -, os EUA estarão em poucos anos exportando gás natural em volume suficiente para mudar o panorama mundial. A reserva americana de gás de xisto é estimada em 2,7 trilhões de metros cúbicos, nos cálculos da Administração de Informação sobre Energia (EIA) de dezembro de 2010. É suficiente para abastecer o mercado por mais de 100 anos. Mas pode ser maior. A extração começou há poucos anos, está em constante avanço tecnológico e contribuiu para a produção de 27,4 quatrilhões de BTUs (British Thermal Unit, unidade de energia para medir quantidades de gás) no ano passado. Tamanha oferta de gás de xisto, a custos relativamente baixos de produção, permite a venda do gás natural americano a US$ 4 por milhão de BTUs – o menor preço do mercado mundial. Em 2020, serão 31,3 quatrilhões de BTUs – 14% mais, nas previsões da EIA. Atualmente, essa nova fonte responde por 34% do total de gás natural extraído no país. (Fonte: Denise Chrispim Marin em O Estado de São Paulo)

O comentário: Um efeito paralelo importante deste desenvolvimento imparável parece ser a quebra definitiva do sonho de um dia transformar-se o etanol em uma commodity internacional. Aliás este trabalho sempre se revelou hercúleo e as indicações que se tem é o que o etanol combustível acabará sendo basicamente um produto para consumo interno nos países produtores. Mas o lado triste da equação vem do fato que a própria Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana, em seu relatório de atualização sobre as emissões de gases de efeito estufa da indústria de óleo e gás dos EUA, concluiu em 2010 que a extração de gás de xisto emite mais metano que aquela de gás convencional. Mas em tempos da severa crise econômica em que vivemos, as preocupações ambientais acabaram por cair, lamentavelmente, em um segundo plano. De toda forma é uma situação no equilíbrio energético mundial que devemos acompanhar com atenção, pela sua implicação em diferentes setores de produção de energia, renovável ou não.

Foto: Preparada pelo EIA/EUA, mostra as formações de xisto argiloso em todo o mundo. De se notar que o Sul do Brasil tem importante área de formação (encontrada em commons.wikimedia, preparada pela Energy Information Administration, não confundir com Environmental Investigation Agency). A ANP (Agencia Nacional do Petróleo) marcou para os dias 30 e 31 de outubro o primeiro leilão de blocos do gás não convencional, que inclui o gás de xisto.

Último comentário por sergio roberto amaral dourado : Gostaria de saber do colunista o que ele acha da produção do etanol celulósico, gerado pelo bagaço e palha da ...
11.08.2013 - 20h35

Bienal dos Negócios da Agricultura – Brasil Central – Logística

A notícia: “ Símbolo de prestígio e sucesso junto ao agronegócio brasileiro, a Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central 2013 foi encerrada sexta-feira (09.08), em Cuiabá-MT, com a marca do denso debate de temas estratégicos ligados à conjuntura e ao futuro do setor. Mais de 1.000 produtores rurais, executivos e lideranças políticas prestigiaram a Bienal, cuja nova edição, em 2015, terá como sede o Distrito Federal. Referência para o Centro-Oeste, a Bienal supera mais uma vez a expectativa de público ao colocar em pauta os temas de logística, sucessão familiar, falta de mão de obra e os desafios da biotecnologia.(Fonte: www.sistemafamato.org.br)

O comentário: Logo na cerimônia de abertura, foi apresentado um completo diagnóstico da dificuldades de escoamento do que é produzido na região Centro-Oeste. A intervenção mais interessante  foi da Presidente da CNA, Senadora Kátia Abreu, relatando um estudo de logística que confirma a urgência de solucionar um dos maiores entraves à economia brasileira. “A inserção deste tema na Bienal reafirma a necessidade de construção de um sistema de logística no país. Temos que acelerar a vinda de políticas públicas. Em cinco anos teremos um Brasil diferente”. Sua fala teve um viés prático ao mencionar as possibilidades que podem desafogar o transporte agrícola nacional, destacando a expectativa de desenvolvimento de hidrovias para servir ao Centro Oeste. Kátia Abreu classificou os rios Tocantins, Tapajós e Madeira como “três grandes Mississipis brasileiros”. Este foi o fato novo mencionado; os outros representantes do setor que comentaram sobre o assunto apenas repetiram o que estamos cansados de saber, dizendo do quanto perdemos em competividade com os custos elevados de escoamento.

Foto: Fim de tarde no cerrado, encontrada em commons. wikimedia.

10.07.2013 - 23h15

Indústria canavieira – desafio se renova

A notícia: ” A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 16,36% na segunda quinzena  de junho, para 1,501 milhão de toneladas, segundo informações da União da  Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) referentes à safra 2013/14. O diretor-técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, explicou que a queda  se deveu, em primeiro lugar, à decisão das usinas de continuar destinando mais  caldo da cana para produção de etanol, uma vez que os preços do biocombustível  estão mais atrativos que os do açúcar. Mesmo com as chuvas que afetaram a moagem de cana-de-açúcar em algumas regiões  do Centro-Sul, a produção de etanol na segunda quinzena de junho da safra  2013/14 cresceu 5,98%, para 1,278 bilhão de litros, segundo a Unica. O aumento  se deveu à produção de anidro (que é misturado à gasolina), que avançou 17,90%  na quinzena. A fabricação de etanol hidratado recuou 2,19%, para 700 milhões de  litros na quinzena. A moagem da matéria-prima desde o início da temporada até 1º de julho foi 40,98%  maior do que no mesmo intervalo do ciclo passado, atingindo 180,981 milhões de  toneladas.(Fonte: Valor Econômico interpretando dados quinzenais de acompanhamento da safra 2013/14 produzidos pela Única)

O comentário: A cada ano um novo desafio se apresenta à indústria sucroalcooleira, sobrepondo-se ao permanente convívio com a difícil situação financeira do setor, que já vem de alguns anos e só se agrava. Ao início desta safra alguns elementos contribuíram para gerar expectativas otimistas. A previsão de uma produção maior de cana-de-açúcar, que se confirma, refletindo inclusive um saudável trabalho de renovação de canaviais e, particularmente, duas “mexidas” governamentais que afetaram positivamente os mercados de etanol. De um lado, foi aumentado o preço base da gasolina, liberando o teto que é naturalmente imposto aos preços do etanol hidratado, que hoje está competitivo em vários estados brasileiros. De outra parte a volta da mistura de etanol anidro à gasolina para o percentual de 25%. Com a contínua queda nas cotações das bolsas de açúcar de NY e Londres, e a permanência de fraca demanda no mercado internacional de açúcar, foi fácil optar pela maior produção de etanol, como está se vendo neste terço inicial da safra.

Alguns fatores tiveram mudança, no entanto. A forte valorização do Real compensou de sobra as quedas de NY e estimula a busca pelo mercado de exportação de açúcar.  Mas a manutenção de altos estoques mundiais, impulsionados por grandes safras em outros países produtores e perspectivas de novas boas safras no segundo semestre mantém os compradores internacionais de açúcar na defensiva. Ao mesmo tempo, no mercado doméstico, os preços de gasolina não subiram nas bombas como se esperava. Isto desestimula a produção de etanol hidratado, como se percebe pelos números revelados pela Unica. A melhor remuneração que o setor tem ainda vem do etanol anidro.

Mas o dilema está posto e tem que ser administrado pontualmente, agora que nos aproximamos do pico da safra e com perspectivas de tempo seco no Centro-Sul do Brasil. Fixar câmbio futuro em combinação com hedge em bolsa pode otimizar o resultado da produção de açúcar e trazer mais equilíbrio ao “mix” açúcar/etanol. Diminuição da oferta de etanol, passado este primeiro momento de safra, pode estimular o aumento de seu preço, que ainda tem espaço para subir. A indústria tem que trabalhar de forma concertada para atingir estes objetivos comerciais e de resultados.

Em tudo isto nota-se, com lamento, como a questão de cogeração de energia elétrica a partir da biomassa sequer é mencionada. Os investimentos não se justificam frente aos preços que são praticados e não se ouve qualquer ruído sobre intervenção governamental para suportar uma produção que de certo se revelaria um diferencial decisivo para o crescimento do setor.

Foto: caule de cana-de-açúcar encontrada em commons.wikimedia

 

Último comentário por flavio barbosa : Há uma realidade técnica objetiva: Detemos tecnologia e técnica inovadoras provadas, do BVI, para a nutrição da cana de açúcar ...
01.07.2013 - 21h51

Petróleo desequilibra a balança comercial

A notícia: ” A balança comercial brasileira registrou superávit de 2,394 bilhões de dólares em junho, acumulando no primeiro semestre saldo negativo de 3 bilhões de dólares, o pior para este período em quase 20 anos, com crescimento mais intenso das importações. Segundo informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações somaram a cifra recorde de 117,516 bilhões de dólares entre janeiro e junho passado, 8,4 % a mais do que em igual período de 2012, pela média diária. Já as exportações somaram 114,516 bilhões de dólares no período, com queda de 0,7 % também pela média diária. O resultado comercial do semestre passado foi o pior para o período de janeiro a junho desde 1995, quando o déficit ficou em 4,227 bilhões de dólares. No primeiro semestre, o destaque ficou para a conta petróleo, com déficit de 12 bilhões de dólares, um dos principais fatores do elevado déficit da balança no período. (Fonte: Reuters)

O comentário: O título da matéria deveria ser “o desastre anunciado”. Isto porque, segundo o jornal Valor Econômico, “um dos fatores desse forte déficit em 2013 foi o registro de importações de  petróleo e derivados ocorridas no ano passado, mas que só foram contabilizadas  no desempenho do comércio exterior brasileiro nos cinco primeiros meses do ano.  Ao todo, foram US$ 4,6 bilhões em compras desses produtos que afetaram a balança  comercial somente neste ano.” Supomos (repito, supomos) que as autoridades econômicas imaginavam que as exportações da safra recorde de grãos (em particular soja e milho), a preços altos em função da quebra de safra americana, mais a continuidade das exportações de minérios, iriam equilibrar esta jogada contábil. Mas não deu certo!

Agora, dentro do usual tom otimista que impera nas declarações destas mesmas autoridades, o ano de 2013 vai fechar com superávit. Ora bolas, até eu que sou um tanto inocente, acho isto. Com um cambio destes, mesmo que as exportações de grãos entrem em declínio normal para o segundo semestre (apesar da ótima safrinha de milho embora a preços menores nos mercados internacionais), temos as saídas de açúcar (ainda que a indústria canavieira esteja privilegiando a produção de etanol, para o mercado doméstico) e a diminuição da importação de gasolina (sem os impactos de lançamentos de 2012) farão com que a balança naturalmente se equilibre.

Só falta dar um aperto maior na importação dos geniais “Xing Ling”* que povoam nosso comércio, onde até artesanato local do interior do país tem um “Made in China” esquecido no canto de sua face interna.

* Xing Ling é um termo empregado no Brasil para distinguir um produto genérico ou falsificado (copiado) de grandes marcas, dos quais não se sabe a origem, pois a sua procedência é duvidosa. Geralmente são fabricados na China. Também são conhecidos como produtos de custos, qualidade, sistemas, durabilidade e vida útil inferior. (Wikipédia)

Foto: Plataforma de petróleo no Mar do Norte, encontrada em commons.wikimedia.

 

21.06.2013 - 14h24

O agronegócio e a economia global

Reproduzo abaixo texto de minha autoria, publicado hoje, 21-06, no blog pessoal Linhas & Entrelinhas (v. nota), com o título “Economia global – medo ou pânico*”. Ele tem relação direta com todos os envolvidos com o agronegócio, e não só. De fato estamos vivendo um momento econômico de tal delicadeza que todos os setores produtivos do país tem que estar alertas aos desdobramentos que possam ocorrer a curto prazo e os efeitos em seus negócios:

As linhas: “O dólar disparou pelo segundo dia consecutivo e alcançou o patamar de 2,25 reais, mesmo após o Banco Central atuar três vezes para conter a valorização da divisa, refletindo o nervosismo global diante dos sinais de que o programa de estímulo dos Estados Unidos pode estar perto do fim. (Reuters) Investidores retiram US$ 3,9 trilhões de mercados emergentes – os investidores estão retirando dinheiro dos mercados emergentes no ritmo mais rápido em dois anos devido à queda de ações, títulos e divisas causada por um desaquecimento econômico e um menor estímulo global. (Bloomberg) Europa reage negativamente a discurso de Bernanke - o índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 2,97%, fechando a 283,68 pontos. As bolsas da Europa fecharam em forte queda nesta quinta-feira, 20, reagindo ao discurso feito na quarta-feira, 19, pelo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que estabeleceu um cronograma para o fim dos estímulos por parte da instituição.(Estadão)

As entrelinhas: talvez distraídos com a sucessão de manifestações que ocorrem em inúmeras cidades brasileiras, parece não estarmos percebendo a dimensão do difícil momento econômico por que passa o mundo. Preocupação maior devemos ter com nosso próprio país. Estamos próximos de findar o primeiro semestre do ano e quase todos os principais índices referenciais de nossa economia são preocupantes, para se dizer o mínimo. A taxa de crescimento industrial é pífia, e a cada dia se reduzem as estimativas de um PIB anual mais vigoroso em 2013. A inflação parece ter números “massageados”, desculpem-nos as entidades que os medem e publicam. Os preços das commodities estão caindo e a economia da China, nosso principal mercado, tem apresentado menor aceleração. Não vamos sequer falar das quedas fortes e quase ininterruptas do Ibovespa – além de chegar a níveis próximos do início desta crise financeira mundial (final de 2008), são afetadas fortemente pela performance errática das ações X do empresário Eike Batista.

* O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. Vamos ficar atentos ao que se passa, sermos cautelosos com nossas economias pessoais e nossos negócios, para evitar que o medo se instale em nós. O passo dele para o pânico é curto! Tenhamos em mente que a economia é feita de ciclos e é preciso saber viver nas altas e nas baixas.

Nota: Linhas & Entrelinhas é encontrado no endereço www.blogdopaulocosta.wordpress.com

Foto: ofinanceiro.net

13.06.2013 - 18h59

Cana-de-Açúcar: quem vê cara não vê coração

A notícia: “ O entrevistado do TV Brasilagro desta semana é o mestre e doutor em agronomia Luiz Carlos Tasso Junior, também diretor da Associação dos Plantadores de Cana da Região Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste). Ele também é autor de vários livros técnicos. Na entrevista ele revela que os produtores de cana não suportam mais a situação provocada pela falta de políticas públicas do governo federal. ’Nunca passamos por uma crise como esta e, o que é pior, não há nenhum sinal de mudança. O desânimo provocado pelos preços que sequer remuneram a produção e também a inadimplência de usinas está acabando com a nossa atividade’, desabafa. Tasso Junior revela também que nos últimos meses os produtores de cana tiveram perda de cerca de 25% da sua renda. ‘Pela Canaoeste realizamos já 11 reuniões nas várias regiões de abrangência territorial e o discurso é um só: não dá mais para suportar!’ . (Fonte: portal BrasilAgro)

O comentário: As atenções sobre o setor canavieiro concentram-se fortemente no lado industrial e exportador. Como será o mix de açúcar e etanol nesta safra? Qual é o impacto da alteração cambial nas margens de remuneração do setor? Como está reagindo o segmento do ponto de vista financeiro após as mudanças no preço da gasolina e a volta dos 25% de mistura de álcool anidro? A concentração no setor vai continuar a ocorrer ou já atingimos um ponto de consolidação? Como estão as usinas de porte médio após tantas safras de resultados bastante difíceis?

No entanto, ninguém de fora olha para o lado agrícola, o que afeta o produtor da cana-de-açúcar em si. Isto ocorre por dois motivos: 1. até há pouco tempo atrás as indústrias detinham grande parte da produção agrícola para atender importante percentual de suas necessidades. Quem é do setor usava até um ditado dizendo que “o usineiro é um produtor agrícola que virou industrial”. Mas isto tem mudado gradual e rapidamente, com o aumento da chamada “produção independente”, onde o agricultor é responsável pela produção, com ou sem a interferência da capacidade de prestação de serviços de plantio que é detida pelo industrial; 2. o chamado “produtor independente”, que pode fazer contratos de certa duração com determinada usina, ou optar por vender safra a safra para quem lhe aprouver, está “protegido” pelo mais sofisticado instrumento de formação de preço para o agricultor, que é o chamado “Consecana”*. Isto quer dizer que toda a gente imagina que tudo anda bem pelos lados dos canaviais. Não é fato e deve preocupar particularmente o Estado de São Paulo, onde a citricultura também passa por momentos dificílimos.

* O CONSECANA-SP (Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo) é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar, que tem como principal responsabilidade zelar pelo relacionamento entre ambas as partes.Para isso, o conselho criou um sistema de pagamento da cana-de-açúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da cana-de-açúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. O sistema tem adoção voluntária. (Fonte: UNICA)

Foto: “Sugar Cane”, encontrada em commons.wikimedia


11.06.2013 - 22h49

Hidrelétricas, terras produtivas e nossos índios

As notícias: 1. Cerca de 150 índios da etnia mundurucu estão acampados em frente à sede da Funai (Fundação Nacional do Índio), em Brasília, na manhã desta terça-feira (11). Eles desembarcaram no Distrito Federal na semana passada para reivindicar a consulta prévia dos povos tradicionais da região, antes da construção de usinas hidrelétricas na região Amazônica. O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o governo federal se mantém disposto a dialogar com os povos indígenas, consultando-os sobre iniciativas e empreendimentos que os afetem, mas sem abrir mão das obras consideradas essenciais ao desenvolvimento do país, a exemplo da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. (Agencia Brasil); 2. “A Justiça Federal de Mato Grosso do Sul e o Tribunal Regional Federal, em São Paulo, suspenderam a ordem para retirar índios terenas da Fazenda Buriti. Em uma decisão anterior, o prazo de reintegração de posse terminaria no dia 5 de junho. O agravamento do conflito agrário levou o governo a enviar militares à região. Ao todo, 70 homens da Força Nacional chegaram  a Campo Grande e devem seguir na quinta-feira para o município de Sidrolândia, onde, na semana passada, uma ação de reintegração de posse terminou com a morte do índio Oziel Gabriel.(Portal G1/Jornal Nacional)

O comentário: De um momento para outro, aparentando um movimento nacional orquestrado, nossos indígenas surgem com força no já conturbado cenário político e econômico que estamos passando. Este é, primeiramente, um lado social, esquecido e abandonado por nossas autoridades. Interessante que afetam diretamente e ao mesmo momento dois setores que são familiares a BioAgroEnergia: de um lado os indígenas querem ser ouvidos nas decisões ligadas à construção de usinas hidrelétricas na Amazônia, incluindo Belo Monte, de tão vital importância e já longo atraso. Por outra parte invadem fazendas que se pretendem produtivas, na verdade, no caso da Buriti de Sidrolândia, propriedade que anteriormente havia sido considerada área demarcada. Para quem pensava que nossos índios eram apenas os tupiniquins e o  deputado federal xavante Mário Juruna, que Deus o tenha, seria curioso se não fosse tão triste, assistir a centenas de brasileiros de verdade sentados seminus e pintados para a guerra, nas imaculadas poltronas dos palácios brasilienses, ouvindo os civilizados governantes implorando para que os deixem em paz. Não é este o caminho! O momento é mais que oportuno para que as autoridades federais criem, de uma vez por todas, regras claras, demarcações sensatas, políticas de saúde e educação coerentes (por favor, não uma Bolsa Índio!) para estabelecer e atender a nossa população indígena, que hoje é menor que um milhão de nativos*. Com certeza não é tarefa fácil (se o fosse já teria sido feita, pois o problema vem de séculos), mas bem mais simples do que ter que dialogar com os indígenas, cuja cultura, infelizmente, desconhecemos.

* Os índios no Brasil somam 896,9 mil pessoas, de 305 etnias, que falam 274 línguas indígenas, segundo dados do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foto encontrada no portal EBC/Agencia Brasil.

29.05.2013 - 15h27

O PIBão do agro e uma reflexão

A notícia:  A economia brasileira cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2013 em relação ao trimestre anterior. Em relação ao primeiro trimestre de 2012, o crescimento foi de 1,9%. Em valores correntes, o PIB alcançou a marca de R$ 1.110,4 bilhões. Os dados vieram abaixo do crescimento esperado pelo mercado (0,9%). Nos últimos meses, o governo não tem feito previsões sobre os indicadores econômicos para evitar críticas. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o destaque do crescimento da economia no 1º. trimestre foi a agropecuária, com alta de 9,7%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o setor registrou alta de 17%, a maior desde o início da série histórica do IBGE, que teve início em 1996. ” (Fonte: UOL, com Infomoney e Reuters)

O comentário: Sem comentários! Não vamos repetir aqui o que temos referido repetida e cansativamente ao longo destes mais de três anos de BioAgroEnergia: o agronegócio sustenta este país e ponto final. Mas vamos aproveitar a oportunidade para convidar nossos leitores para um momento de reflexão. Vou usar um comentário/questão trazido por um leitor nosso, em post anterior, assim como a resposta oferecida. Ela aborda a questão de aumento do processo industrial no agronegócio, agregando valor a nossos produtos exportados. Vamos refletir juntos:

Questão do leitor* via LinkedIn: Caro Paulo,  vejo que o agronegócio do Brasil está sempre se superando em produtividade e mantendo a balança comercial, porém quais seriam as opções para adicionar valor agregado às commodities agrícolas ? Muito obrigado por todas as informações e artigos.

Nossa resposta: Prezado leitor, sem dúvida seria aumentar o parque industrial para processamento de soja, exportando mais farelo e óleo. Entendo que as indústrias não estão com boas margens e as grandes exportadoras preferem trabalhar a soja em grão. Parece claro, pois este é o caminho mais fácil. Para que ter dores de cabeça com empregados, sendo que estamos vivendo um apagão brutal de mão de obra (mesmo a minimamente qualificada), pesados encargos trabalhistas e tributários, problemas comerciais para colocação dos produtos farelo e óleo no mercado internacional? Muito mais fácil exportar a matéria prima e pronto! Os chineses estão aí para tomar navios e navios de soja!

Pelo lado do milho, há um enorme espaço para o processamento de milho para a produção de etanol. Mas um tabu impede que isto se desenvolva. A velha questão do problema de alimento versus combustível. Estudos já mostram a viabilidade economica de se produzir etanol a partir do milho no Mato Grosso. Mas os paradigmas são difíceis de ser quebrados. Em um ano como este ainda é possível argumentar que a exportação do cereal usou toda a produção. Mas foi um ano atípico com a grande quebra de safra nos EUA. Em anos normais faltam armazéns, o produtor se desestimula, muito produto se perde por quebras de peso e qualidade e o governo é obrigado a bancar estoques ou vende-los a preços subsidiados. Perdem todos!

Outros exemplos poderiam ser dados, caro leitor, mas vamos ficar com estes que são os mais visíveis a olho nu. Cordialmente,

Foto: Ruralcentro, encontrada em google images

* Meu prezado leitor é o Engº. Agrônomo / MAB Guilherme R Costa da Agricorpinvestments, de Denver, Colorado, EUA (sem relação de parentesco…)

27.05.2013 - 08h41

Roberto Civita: um testemunho

Quando iniciei, há mais de três anos, este trabalho em BioAgroEnergia, perguntei à diretora de Exame.com, a jornalista Sandra Carvalho, a quem deveria enviar meus rascunhos para aprovação antes de publicá-los. Ela foi enfática: “aqui não temos revisão, Paulo, você escreve o que pensa. Se foi convidado é porque temos confiança em seu discernimento. Esta é a filosofia Abril, esta é a lição de Roberto Civita”.

Apenas uma vez, e reforçando esta crença absoluta na defesa da liberdade de expressão, uma das marcas de RC, recebi um telefonema de Cláudia Vassallo, então Diretora de Redação da revista Exame. Ela me informou: “Paulo, recebi um telefonema de um Diretor de importante associação reclamando do conteúdo de seu texto, que pode prejudicar a imagem do setor a que se referiu. Disse a ele que não iria interferir pois temos absoluto respeito por suas opiniões e lhe damos o respaldo necessário. Aliás, gostei muito de suas colocações”. Isto não se encontra em muitos veículos de comunicação, podem meus leitores ter certeza, particularmente não sendo eu um jornalista contratado pela Editora.

Muitas vezes fui consultado por jornalistas da Abril, particularmente de Exame e Veja, para esclarecerem pontos sobre assuntos que eles sabiam que eu tenho um certo conhecimento. Aí outra marca de Roberto Civita – a quase obsessiva busca pela precisão na qualidade de seu jornalismo investigativo ou informativo. Notava, como noto, que os profissionais da Abril se esmeram no trabalho de preparação de seus escritos, dentro da cultura corporativa que é marca da Editora.

Finalizo copiando Mauricio Grego, Editor de Tecnologia de Exame.com: ”Nascido em Milão, filho de Victor Civita, o fundador da Abril, e da italiana Sylvana Alcorso, RC, como era chamado, era um homem de profundas convicções. Durante toda a vida, defendeu intransigentemente os valores democráticos, a liberdade de expressão e de iniciativa.” A Roberto Civita fica a homenagem respeitosa e agradecida de BioAgroEnergia.

Foto de Roberto Civita produzida pela Editora Abril.

20.05.2013 - 18h07

Portos – para que um Congresso?

A notícia: ” A presidente Dilma Rousseff terá até 5 de junho para sancionar a  Medida Provisória 595, aprovada pelo Congresso na noite da última  quinta-feira, 16. O texto votado pelo Senado e pela Câmara já chegou à  Presidência, após ter sido despachado pelo presidente do Senado Renan  Calheiros (PMDB-AL).O prazo começou a contar a partir de quinta-feira (16), quando a  Presidência da República recebeu o texto, e o feriado de Corpus Christi, no dia 30 de maio, será contado como dia útil. Por lei, o Presidente da República tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar, total ou parcial, o texto aprovado pelo Congresso.Caso Dilma Rousseff vete alguns dos pontos incluídos no texto  original da MP, esses vetos retornam ao Congresso para que sejam  analisados em sessão conjunta da Câmara e do Senado.” (Fonte: Guia Marítimo)

O comentário: Aqui não vamos discutir o conteúdo, pois a legislação, com vetos ou sem vetos, é muito boa e vai dar um grande impulso aos investimentos no setor portuário, aprimorando a evolução que já havia sido trazida pela Lei da Modernização dos Portos de 1993. O que pretendemos mencionar é a forma com que a legislação passou pelo Congresso Nacional. Como a oposição não tem força alguma, o PMDB da base aliada foi quem organizou a algazarra. Em meio a debates vergonhosos (na Câmara dos Deputados, pois no Senado Federal passou como um bólido, sem tempo para piscar), alcunha de Lei dos Porcos, ofensas pessoais, sessões ininterruptas, deputados dormindo nos sofás ou sendo acordados por seus líderes para virem “dar quórum”, o país assistiu a um espetáculo circense. Até acusações de que o Executivo, na ânsia de não deixar expirar o prazo para votação da Medida Provisória, teria antecipado a liberação de verbas orçamentárias para agradar o fogo amigo mais resistente. Que blasfêmia – imaginem que isto existe em Brasília! No fim, o texto saiu basicamente da maneira como entrou, em linha com o relatório muito bem costurado por Eduardo Braga, ex Governador do Amazonas e do jeito que o Executivo queria!

Como disse o fantástico Mario Quintana, “Todos estes que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão. Eu passarinho!

A foto: “Congresso Nacional à Noite”, de Steve Evans, encontrada em flickr/commons.wikimedia