I.
Sinto necessidade e curiosidade de compreender o homem e o mundo, e aposto no conhecimento filosófico – como um repertório de instrumentos – para compreender as coisas de modo geral…
Penso que conhecer é se deslocar, procurando observar as coisas por diferentes pontos de vista… de modo que quando colocamos o pensamento em movimento, em geral, desconstruímos as falsas noções e preconceitos, evitando cristalizações ou convicções de nossa parte.
É possível que o preconceito seja oriundo da preguiça e do comodismo… Penso que o ato de movimentar-se talvez seja uma forma de escapar dessas armadilhas que permeiam a vida social…
II.
Em Relatando um estado de espírito (post anterior), admiti a possibilidade de alterar nosso jeito de ser através do pensamento. Neste, quero adicionar a importância da linguagem em nosso jeito de ser, buscando compreender suas relações…
Observando meu filho de dois anos de idade, percebo seu jeito de ser, o modo como ele se relaciona com as coisas. Pedro, ao que parece, tem muito dos pais – evidentemente, pode haver um erro nessa afirmação, pois é no mínimo curioso o pai falar do filho… Ocorre que sinto a influência da família em seu jeito de ser, em particular, na linguagem, uma vez que as palavras que ele fala, em geral, são as mesmas de seus familiares..
Outro exemplo, muito comum em nossa sociedade: o pai que chega do trabalho cansado e tenso com as questões do dia-a-dia. Ele não observa seus pensamentos e sentimentos, e desenvolve a conversa em casa como se estivesse no escritório. Como a linguagem não é apenas de um conjunto de palavras e expressões, mas composta de pensamentos e sentimentos, os incômodos do pai, assim como os das pessoas com as quais ele conversa, possivelmente, são transmitidos à criança.
Qual será o efeito dessas palavras, que são expressão da linguagem, no jeito de ser da criança, no seu jeito de ser?
Estou convencido da necessidade de pensar antes de falar.
Marcos Amaro