Um guia para ouvir os conselhos certos no seu negócio

Em momentos difíceis, o empreendedor pode precisar de ajuda. Porém, algumas opiniões podem atrapalhar em vez de auxiliar. Aprenda a ouvir os conselhos certos:

Até que ponto o empreendedor deve seguir conselhos?

Escrito por Ricardo Mollo, especialista em empreendedorismo

É absolutamente normal que empreendedores tenham dúvidas sobre os caminhos a seguir na companhia. Por diversas vezes nos deparamos com situações inusitadas ou de decisão, que nos geram insegurança. Nestas horas, uma boa prática é dividirmos a responsabilidade da decisão com alguém em quem confiamos.

Feedbacks e conselhos são úteis, porém nem toda opinião deve ser seguida. 

Temos que entender se estamos realmente abertos para receber feedback e para discutir novas alternativas, ou se queremos apenas uma opinião que reforce a decisão que precisamos tomar. É prudente analisarmos diversos pontos de vista antes de decidir, porém, receber palpites demais pode até prejudicar.

Muitas vezes no processo de decisão somos parciais ou mesmo temos uma visão distorcida da situação. Neste contexto, inúmeras vezes não conseguimos separar nossas emoções da razão e ficamos teimosos e orgulhosos, deixando o lado pessoal interferir, ao invés de fazermos o que é melhor para a companhia e o coletivo. Nestas situações, uma outra visão pode ajudar a analisar racionalmente o problema.

De uma forma geral, as pessoas tendem a ser bem intencionadas nos conselhos, querendo ajudar, porém, às vezes, suas opiniões podem ser desnecessárias. Conselhos são bons quando precisamos de verdade, e, se não tomarmos cuidado, podem gerar mais dúvidas e nos deixar confusos.

O importante é saber a razão de precisarmos de conselhos e procurarmos alguém que seja especialista no assunto ou tenha credibilidade para ajudar no processo.

Conselheiro ou palpiteiro?

Muitos acreditam que conselheiros, consultores e coaches são palpiteiros profissionais, especialmente porque muitos executivos viram consultores sem de fato exercerem o papel de consultor, não tendo processos de consultoria estruturados, ou mesmo competência e técnica para isso.

Não assuma que conselheiros são melhores que você, ou que sabem mais de negócios, ou mesmo que o seu conselho é vital. Busque conselhos de quem tem experiência comprovada, para que o conselho não seja apenas baseado no instinto e no bom senso, mas sim em uma opinião suportada por evidências empíricas.

Certifique-se de que o conselheiro entende realmente o dilema, os objetivos da companhia e o contexto do projeto. Tenha cuidado com conflitos de interesse dos conselheiros, especialmente quando estes são remunerados pelo sucesso.

Apesar de algumas vezes o conselheiro não ser um expert em determinado assunto, por sua experiência, costuma ter um processo para organizar as ideias num contexto sistêmico com diversas perspectivas. Às vezes, ele fala aquilo que o empresário realmente precisa ouvir, ou aquilo que os outros não têm coragem de falar.

O bom conselheiro geralmente faz as perguntas corretas, desenvolve as ideias para, num processo organizado, resolver problemas ou desenvolver a companhia. Traz visões opostas ou complementares para criar um plano.

É esperado que este conselheiro apresente aspectos diferentes, olhando para o futuro, ou com uma visão focada para a resolução eficaz de um problema específico. Contudo, geralmente ele não entra na execução, que fica a cargo do empreendedor.

Não esqueça sua intuição

Mesmo contando com a ajuda de conselheiros, o empreendedor não deve deixar de seguir seus instintos. Às vezes queremos ir contra a manada. O que fazer?

Intuição é algo que vem do subconsciente e se baseia em diversas informações e experiências passadas em sua vida. Estudos mostram que a intuição tem alta eficácia em diversas situações, especialmente em questões de perigo e desconfiança.

Muitas vezes acreditamos que conseguimos fazer algo, ou temos certeza que algo pode dar certo ou errado. Vale confiar nos instintos, pois utilizamos as inúmeras experiências do nosso subconsciente.

O segredo é confiar que o instinto pode nos ajudar e, depois de capturar a dica, racionalizar o processo para avaliar as decisões futuras.

Refletir sobre a intuição é algo importante no processo de racionalização para não agirmos somente de forma automática. É preciso espaço e tempo sozinho para analisar a intuição. Procure dormir com a ideia para decidir de forma racional.

O empreendedor deve seguir conselhos, mas seletivamente. O melhor conselheiro é o que fala o que deve ser feito e não somente faz as perguntas corretas. É aquele que lidera, e não somente sugere. Não traz somente conhecimento, mas soluções e atitudes.

Ricardo Mollo é empreendedor e professor da pós-graduação em finanças do Insper.

Envie suas dúvidas sobre primeiro negócio para pme-exame@abril.com.br.