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Investidores estrangeiros
O entusiasmo gerado pela resistência da economia brasileira à crise financeira global colocou o Brasil ainda mais em evidência junto aos investidores internacionais. Nos últimos meses, delegações do Reino Unido, Holanda e Estados Unidos estiveram no País prospectando investimentos em startups brasileiras.
“Os investidores estão querendo entender onde estão as oportunidades. Eles querem saber se já é o momento certo de colocar dinheiro aqui”, conta Bedy Yang, responsável pela Brazil Innovators, organização criada neste ano para aproximar investidores do Vale do Silício de empreendedores brasileiros. De acordo com Bedy, eles querem investir entre 3 milhões e 5 milhões de dólares por empresa. A organização traz missões de investidores ao Brasil, mas também leva empreendedores brasileiros para lá.
Com um propósito similar, a Tech Valley Brasil também faz a ponte entre o empreendedor brasileiro e investidores do Vale do Silício, que buscam investimentos a partir de 5 milhões de dólares no Brasil. “Investidores do calibre de Timothy Draper [que colocou dinheiro em negócios como Skype e Hotmail] estão de olho nas startups brasileiras”, conta Graciane Martins, fundadora da organização, que vai selecionar até 10 projetos brasileiros entre fevereiro e março para levar aos investidores no ano que vem.
Para ela, o contato com os investidores estrangeiros representa uma janela de oportunidade para empresas com negócios realmente inovadores e ousados. “O investidor brasileiro é conservador, ainda prefere um modelo de negócios com crescimento orgânico. No Vale do Silício, eles buscam crescimento acelerado”, destaca.
Ao mesmo tempo em que organizam eventos de aproximação e missões comerciais, organizações como a Brazil Innovators e a Tech Valley também buscam desenvolver a cultura empreendedora no Brasil, que ainda é deficitária entre as startups brasileiras. “O Brasil tem talentos, mas está tudo muito concentrado na pesquisa, nas universidades. O modelo de startups tem que entrar na agenda. O empreendedorismo tem que ser fomentado”, enfatiza Bedy.
Mesmo com os desafios que ainda estão pela frente, os primeiros resultados dessa aproximação começam a aparecer. Neste ano, o grupo sul-africano Naspers – que em 2009 comprou 91% do grupo Buscapé por 342 milhões de dólares – investiu 15 milhões de dólares no site comércio eletrônico brasileiro BrandsClub, em uma rodada que contou com mais 2 milhões de dólares do fundo europeu Trayas.
Em março, a especialista em aluguel para férias HomeAway arrematou a a equivalente brasileira AlugueTemporada.com.br, por valor não revelado. Em maio, foi a vez da gigante da publicidade WPP comprar duas agências de marketing digital brasileiras em uma tacada só, a Midia Digital e a I-Cherry, que juntas faturaram 5,3 milhões de dólares em 2009.
No final de novembro, a Vostu - que não é brasileira, mas tem foco quase total no mercado local, desenvolvendo alguns dos aplicativos mais populares do Orkut – recebeu 30 milhões de dólares em aporte da Accel Partners e da Tiger Global Management. E a especilsita em publicidade para mídias sociais Boo Box – que já tinha recebido recursos da Monashees Capital no passado – voltou a receber investimentos do fundo extrangeiro, desta vez com o apoio da Intel Capital, que anunciou investimento de 77 milhões de dólares em 18 startups de 11 países.
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