Startup quer ensinar finanças para seu filho pelo videogame

Jogo está sendo testado em escolas de São Paulo e já recebeu um aporte de 360 mil reais.

São Paulo – No Brasil, pelo menos 56,4 milhões de pessoas são inadimplentes e têm dívidas que, somadas, chegam a 243 bilhões de reais. Para completar, apenas 36% dos brasileiros conseguem poupar algum dinheiro para o futuro. Pelos dados, dá para notar que não somos um país com muito controle de nosso orçamento doméstico.

Foi pensando neste problema que a startup Educar 3.0 desenvolveu uma forma de os brasileiros começarem a pensar nas contas desde cedo: é o Educash, um jogo interativo que ensina às crianças noções sobre gestão financeira.

O game foi desenvolvido para ser usado em sala de aula por turmas de 5º e 6º ano do ensino fundamental. Dentre as habilidades trabalhadas estão liderança, resiliência e estratégia de decisão. Os conteúdos do currículo escolar aparecem no material de forma interdisciplinar, com ênfase especial para a matemática, o patinho feio da aprendizagem no Brasil.

“A educação financeira é um ponto crítico para a formação do cidadão e é algo que o brasileiro tem muita dificuldade. Nossa intenção é trabalhar esse tema de forma interdisciplinar, em que o aluno precisa olhar para a sua realidade pessoal para aprender aquele conteúdo”, afirma Flávio Ramos, que saiu do mercado financeiro para fundar o negócio.

No jogo, o aluno assume o papel de um porquinho astronauta cuja missão é buscar elementos mágicos em planetas vizinhos. Para isso, ele usa como moeda de troca sua capacidade de fazer a gestão inteligente de recursos, ajudando as comunidades locais. O jogo pode ser instalado nos computadores da escola ou ainda baixado em tablets.

Fundada no final de 2013, a Educar 3.0 nasceu com a intenção de desenvolver ferramentas de aprendizagem mais alinhadas com uma visão moderna de educação. “Queríamos trabalhar com soluções digitais de aprendizagem que tivessem um caráter disruptivo, identificadas com um novo modelo de ensino. A ideia não é mais ter o aluno como objeto do aprendizado, mas um modelo mais livre, em que professor e aluno podem trocar papéis. Para isso, buscamos usar a tecnologia”, explica Ramos.

A startup iniciou suas atividades com um investimento de 60 mil reais. Depois, recebeu aporte de 360 mil reais de um investidor-anjo interessado no projeto do Educash. Agora, a Educar 3.0 busca mais investimento através da plataforma Start Me Up, de equity crowdfunding, para ampliar o trabalho. Com uma meta de 375 mil reais (e 7 mil reais levantados), Ramos considera a possibilidade de não conseguir todo o valor, mas não desanima. “Se não conseguirmos, vamos buscar outras formas de financiar esse crescimento.”

Pensando em casos como o da empreendedora americana Danae Ringelmann, que teve sua ideia rejeitada 90 vezes até conseguir o aporte necessário para o seu negócio, o pessoal da Educar 3.0 não tem motivo para se deixar abater.

O projeto do game já está sendo testado em seis escolas públicas paulistas, e há negociação para atuar em outras unidades, inclusive colégios particulares tradicionais de São Paulo. Segundo Ramos, o retorno das escolas é positivo. “O retorno tem sido excelente. Notamos uma melhora em habilidades de matemática e linguagem, e no nível das respostas”, afirma o empreendedor.

Além do jogo voltado para o aluno, o pacote do Educash inclui material e workshop voltados para os professores.

Há uma negociação para que o programa seja adotado oficialmente pelas escolas públicas de São Paulo e também para expandir a presença entre as particulares. A meta é alcançar 419 escolas até 2019. O rendimento da Educar 3.0 virá principalmente da venda do pacote para as unidades de ensino, com material para cerca de um ano de trabalho.