Sequoia Capital, do Vale do Silício, estreia no Brasil

O fundo finalmente anunciou seu primeiro investimento no país, com um aporte de US$ 14,3 milhões

São Paulo – Em 2012, o colombiano David Vélez fez as malas e mudou-se dos Estados Unidos para São Paulo para abrir no país um escritório do fundo de investimento americano Sequoia Capital. Um dos mais conceituados fundos do Vale do Silício, por ter no portfólio empresas como Apple, Google, Instagram e LinkedIn, o Sequoia chegou ao mercado brasileiro gerando grande expectativa.

Cerca de um ano depois, Vélez deixou a Sequoia Capital para investir em um negócio próprio. Na ocasião, o fundo optou por sair do País sem ter feito um único investimento. A dificuldade em encontrar negócios atraentes na região teria sido o principal motivo.

Avessa aos “copycats” (modelos de negócio copiados de outros países), o fundo buscava negócios mais maduros e com menor risco do que o Brasil tinha para oferecer.

Nesta quinta-feira, 25, essa história mudou. A Sequoia Capital finalmente anunciou seu primeiro investimento no País, um aporte de US$ 14,3 milhões em parceria com Kaszek Ventures e o bilionário empreendedor Nicolas Berggruen.

A startup escolhida foi a Nubank, empresa criada por Vélez após sua saída do fundo e que oferece um cartão de crédito que pode ser gerenciado por meio de um aplicativo para smartphone.

“Trabalhei dois anos olhando oportunidades de investimento no Brasil e chegou um momento que quis virar empreendedor. Conversei com a Sequoia e eles me apoiaram.

Vemos no mercado financeiro do Brasil uma oportunidade para várias décadas”, diz Vélez, um engenheiro formado pela Universidade de Stanford com experiência no mercado financeiro, com passagens pelo Goldman Sachs e no Morgan Stanley.

No ano passado, a Sequoia fez discretamente um investimento inicial de cerca de US$ 1 milhão para a montagem da Nubank. “Criamos uma experiência totalmente por smartphone, pensada especialmente para o consumidor jovem que deseja fazer tudo online e não quer falar com gerentes ou ir a agências para resolver um problema”, diz Vélez.

O diretor e sócio da Sequoia Capital Douglas Leone, sexto colocado na lista de “midas” do mercado de venture capital da revista Forbes, é quem está por trás da operação. Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, ele explicou a escolha pela Nubank.

“O Vélez articulou uma visão muito clara da oportunidade existente no Brasil, que tem uma grande população formada por pessoas com menos de 29 anos de idade e uma indústria financeira concentrada que oferece uma experiência frustrante para aquisição de um cartão de crédito”, afirmou. “O mais importante é que ele não criou uma empresa de cartões de crédito, mas uma empresa de tecnologia”, afirmou.

Como principal acionista, a Sequoia oferecerá suporte tecnológico e sua rede de contatos para a startup, enquanto o fundo argentino Kaszek Ventures, que é investidor da startup Guia Bolso, que oferece um aplicativo de gestão financeira semelhante ao da Nubank, ficará responsável pelo suporte com o mercado local.

“Não temos pressa de crescer. Agora queremos desenvolver o negócio no Brasil e ter certeza de que temos uma tecnologia forte o suficiente antes de expandir para outros mercados”, diz Leone, da Sequoia, que admite estar conversando com pelo menos outras duas startups brasileiras. “Estamos olhando o mercado. Mas ainda é difícil prever o que vai acontecer.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.