Quero investir em startups. Por onde começo?

Antes de entrar de cabeça no mundo das startups é preciso fazer a si mesmo uma série perguntas.

Toda vez que inicio um destes artigos em resposta a dúvidas de leitores, mesmo quando a pergunta é bem objetiva, como neste caso, tento compreender o que leva determinada pessoa a fazer tal pergunta.

Neste caso as dúvidas cabíveis se referem aos motivos de alguém querer investir em startups. Ele é um idealista que deseja auxiliar empreendedores? Vê nisto uma oportunidade de ganhar mais dinheiro do que aplicando num banco ou em ações? Acabou de receber uma herança e não sabe o que fazer com o dinheiro? Enfim, as possibilidades são infinitas.

Como articulista preciso me obrigar a tentar compreender as motivações e a alma de quem fez a pergunta e de quem eventualmente se interessará em ler estas linhas. Por tal motivo esclareço ao leitor e lhe solicito que, ao ler este artigo, não imagine que encontrará aqui uma fórmula mágica que resolverá todos os seus problemas e dúvidas. Trata-se apenas da opinião de alguém que quer lhe ajudar a refletir e a encontrar o seu caminho.

Esclarecimentos feitos, vamos à resposta.

Para iniciar sugiro ao leitor definir para si mesmo o que ele considera que seja uma startup. Recomendo então a leitura do artigo “Uma loja de doces pode ser considerada uma startup?”. É fundamental para o sucesso da sua busca saber exatamente o que é que estará procurando, pois, nesta área, há diversos usos para a mesma palavra.

A seguir, mesmo antes sequer de pensar no produto em que desejaria investir, reflita sobre as suas crenças e valores. Ao investir em uma startup, você se tornará um “sócio”.

Sem adentrar ainda na questão das condições em que isto acontecerá, será fundamental que exista algum tipo de alinhamento entre o empreendedor e o investidor.

Isto exigirá quatro coisas do investidor: a) invista em autoconhecimento – reflita sobre as suas competências, motivos e ideais, assim como nas suas limitações; b) reflita sobre o tipo de relacionamento que procurará ter com o empreendedor. As questões que deverá abordar não são apenas técnicas e financeiras. O sucesso dependerá da capacidade do investidor e do empreendedor se relacionarem com pessoas, especialmente da construção do relacionamento entre os dois; c) antecipe-se e planeje o tempo que investirá para conhecer o empreendedor – conhecer a pessoa, suas crenças e valores, e; d) prepare-se para negociar, ou seja, o que é que você está disposto a ceder ao longo da negociação para obter o que você quer?

Há mais coisas a considerar. Não desistiu? Pois então vamos enfrente.

Considere que deverá avaliar os projetos apresentados a você pelos empreendedores. Reflita se está preparado para tanto. Há três questões a considerar: a) possui os conhecimentos e competências necessários para avaliar os projetos? Sabe exatamente que tipo de dados e informações deverá exigir do empreendedor para fazer a sua avaliação? Já definiu os parâmetros que usará para tomar a decisão de investir ou não em um determinado projeto?; b) possui as ferramentas e a tecnologia necessários para fazer a avaliação simultânea de diversos projetos?, e; c) possui tempo suficiente para tanto? Ou tem uma equipe suficientemente capacitada para lhe auxiliar?

Ainda é insuficiente. Há diversos tipos de investidores (sócio, empréstimo, crowdfunding, aceleradoras, incubadoras, investidores anjo, private equity). Precisará analisar qual das opções é a mais viável para o seu negócio (sim, você estará iniciando um novo negócio, ou seja, a sua própria “startup”, cujo produto será fornecer financiamento a empreendedores).

Sugiro para tanto a leitura dos artigos já publicados aqui:

Como conseguir investimento e mentores para minha startup

É melhor ser investidor ou sócio de uma empresa; compare

Quando vale a pela ou não buscar um investidor para o seu negócio

Eles foram escritos sob a ótica do empreendedor mas podem lhe mostrar o caminho que um empreendedor pode seguir para encontrar um investidor para o seu negócio e então lhe auxiliar a “colocar-se no caminho” de quem está procurando um investidor.

Repito o que já escrevi ao me dirigir aos empreendedores: lembre-se que não é apenas o investidor quem está avaliando o negócio (o investimento a ser feito). O empreendedor também estará fazendo uma escolha eventualmente entre diversos investidores, procurando achar aquele que mais se identifica com os seus propósitos e com o seu entusiasmo. Avalie corretamente e cuide-se: lamentavelmente há também muita falta de ética e profissionalismo neste mercado (tanto entre eventuais investidores como entre eventuais empreendedores).

Se tem dúvidas sobre como iniciar-se neste mercado procure na internet as incubadoras, as aceleradoras, os clubes de investidores anjos. Monitore na internet as empresas de crowdfunding. Todos eles têm o mesmo propósito que o seu: auxiliar a financiar startups. Procure-os e tente estabelecer parcerias. Aos poucos poderá achar o “seu caminho das pedras”.

Mãos à obra então. Boa sorte!! Até a próxima.

Cristian Welsh Miguens é professor do curso de negócios da Universidade Anhembi Morumbi.

Envie suas dúvidas sobre startups para pme-exame@abril.com.br.