Para PMEs, crise ainda não se reflete em queda de preços

Estamos vivendo um período de recessão sem o benefício do controle de preços, afirma especialista.

São Paulo – O cenário de crise econômica no Brasil ainda vai demorar um pouco para fazer efeito nos preços dos produtos e serviços das pequenas e médias empresas. É isso que mostra uma pesquisa recente feita pelo Insper.

Segundo o levantamento, 60,6% dos empresários consultados espera que seus preços permaneçam iguais nos próximos três meses. Outros 25,9% acham que os preços vão subir no período, enquanto apenas 13,6% esperam uma queda.

Veja o resultado:

Nos próximos 3 meses, você espera que os preços cobrados pela sua empresa?

Resposta Porcentagem
Aumentem muito 2,13%
Aumentem 23,74%
Permaneçam iguais 60,57%
Caiam 10,96%
Caiam muito 2,60%

“A pesquisa mostra que o poder desiflacionario da recessão ainda não é tão forte, infelizmente. Ou seja, a despeito de uma atividade econômica tão fraca como a que vemos, os preços ou vão ficar iguais ou até subir”, afirma o professor do Insper Gino Olivares.

Segundo o professor, o cenário mostra que estamos vivendo um período de recessão sem o benefício do controle de preços. “Não se pode estar pessimista com a atividade com a inflação ao mesmo tempo. E nós ainda estamos ainda pessimistas em ambas essas contas”, explica. A expectativa por um aumento nos preços é maior no setor do comércio.

Além da má notícia nos preços, a pesquisa também mostra que os pequenos e médios empresários estão menos confiantes do que nunca. O Índice de Confiança desses empresários chegou a 55,1 para o 4º trimestre deste ano, o menor valor da série histórica, que começou em 2008. Dentre as regiões, o Sudeste apresentou a pior queda, com 7,21%.

Para Olivares, o resultado mostra que o cenário de recessão poderá se prolongar. “O 4º trimestre começa mal e ainda não temos uma perspectiva de que o pior já passou. Com isso, 2016 também pode ser um ano de recessão”, afirma.