São Paulo – A morte de David Bowie no último domingo entristeceu uma legião de fãs. O cantor influenciou gerações de artistas e ficará gravado na história da música pop por décadas.

Mas não é apenas o universo da música que tem a aprender com o legado de Bowie. O cantor não se limitou em inovar em seus discos, ele também inovou nos negócios e tem muito a ensinar para quem quer empreender.

“Sua habilidade de inovar, correr riscos, entender o consumidor, prever os rumos da cultura popular e como a tecnologia poderia influenciá-la – essas habilidades fizeram dele não só um grande músico, mas também um grande empresário”, escreveu o consultor Grant Feller para a revista Forbes.

Segundo Leonid Bershidsky e Mark Gilbert, colunistas da Bloomberg, o produto do empresário David Bowie era ele mesmo. Inclusive a decisão de entrar para o mundo do rock teve um toque empreendedor.

Em entrevista à BBC, o artista explicou seu objetivo: “Eu não queria ser uma moda, queria ser um instigador de novas ideias. Então decidi o usar o meio mais fácil para começar – que era o rock and roll – e adicionar peças a ele ao longo dos anos, para no fim eu conseguir ser o meu próprio meio”.

A partir daí fica mais fácil entender a ideia que havia por trás de tantos personagens criados pelo artista para si mesmo (Ziggy Stardust talvez tenha sido o mais famoso deles).

Internet

E não parou por aí. No longínquo ano de 1998, quando a conexão da internet ainda era discada e não havia nem sombra de Facebook, Bowie criou o seu próprio provedor, o Bowie.net.

O objetivo era “criar um ambiente em que todos os fãs da música pudessem acessar um vasto arquivo de música e informação, além de expressar pontos de vista e trocar ideias”, nas palavras do próprio Bowie. Para os colunistas da Bloomberg, o artista na verdade oferecia um protótipo do que hoje são as redes sociais, “cinco anos antes de existir o MySpace”.

Além do investimento na internet, Bowie também lançou sua própria estação de rádio e, em 1999, até mesmo seu próprio banco.
Outra ideia inovadora do artista veio em 1997. O artista precisava comprar de volta os direitos de suas músicas, que haviam sido tomados por um ex-empresário.

Mais uma vez, ele lançou mão de sua criatividade empreendedora para resolver o problema e criou a Bowie Bonds, empresa que administrava sua obra e era aberta a investimentos externos. Através dela, era possível investir nos ganhos futuros gerados pela obra do artista a um retorno de 7,9%.

Com tantas iniciativas, e sem medo de errar, não é à toa que durante seus 69 anos de vida David Bowie esteve sempre um pouco à frente da maioria. Há muito que aprender com ele.

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