São Paulo – Há quem diga que enquanto se cursa a universidade é o melhor momento da vida para abrir um negócio, já que a criatividade está no auge. Para outros, acumular experiência profissional é fundamental para manter a empresa nos trilhos. Mesmo assim, para os especialistas, não há idade certa para empreender .

Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010), os brasileiros com 25 a 34 anos são os mais empreendedoras, mas os jovens de 18 a 24 anos têm aumentado sua participação na abertura de empresas.

Eles arriscam mais, estão mais próximos da inovação e têm pouco a perder. Quem é mais velho, por outro lado, acumulou mais experiência, networking e capital. “Em toda faixa etária há distinções e casos de excelência. Tudo varia com o grau de desenvolvimento do perfil empreendedor do candidato a empresário”, opina Reinaldo Messias, especialista em empreendedorismo e consultor do Sebrae/SP.

Confira a seguir quatro histórias de quem resolveu abrir um negócio aos 20, 30, 40 e 50 anos e entenda as especificidades de cada momento.

Empreender aos 20 anos

Faculdade, amigos, balada. Estas costumam ser as preocupações de quem tem 20 e poucos anos. Para Israel Fernandes Salmen, de 23 anos, a maior preocupação era tirar sua startup do papel. “Empreender envolve muitas incertezas, principalmente quando se trata de uma startup”, conta Salmen, que comando o Meliuz, site que remunera com créditos o internauta que faz compras online.

Salmen diz que virou empreendedor por influência do pai e do avô. Aos 14 anos, faturava fazendo sites. Aos 20, durante a faculdade de Economia na UFMG, abriu sua primeira empresa, a Solo Investimentos, que captou recursos para iniciar o Meliuz. “A dimensão, agilidade e rápido crescimento do e-commerce no Brasil me levaram a empreender em um negócio online. O Meliuz foi resultado também de uma insatisfação pessoal com diversos programas de fidelidade”, conta.

Para Reinaldo Messias, do Sebrae/SP, esta é a faixa etária que transforma o empreendedorismo em aventura. “Nesta idade, somos jovens, curiosos, com autoestima elevada, sem medo de correr riscos”, opina Messias. Apesar da vitalidade para superar incertezas e desafios, os empreendedores mais jovens sofrem com a falta de experiência. “Nos preparamos muito para o lançamento do Meliuz mas, mesmo com a experiência adquirida com a outra empresa, fomos surpreendidos por novos processos que estão exigindo agilidade e dedicação mais que integral”, explica Salmen.

Empreender aos 30 anos

Casamento, filhos, pós-graduação. É a partir dos 30 que as obrigações sociais começam a falar mais alto. “Pessoas nesta idade buscam realização pessoal com a empresa, algo que o emprego não proporciona”, explica Messias, do Sebrae/SP. É o caso de Daniel Wjunisk, 33 anos, sócio-fundador do site Minha Vida.

Wjunisk conta que o empreendedorismo surgiu bem antes de fundar sua primeira empresa. “Decidi empreender quando ainda era estagiário. Sai da Johnson & Johnson para me juntar à WebMotors, no começo da bolha da Internet. Ali deixei o certo pelo incerto, mas vi como era criar algo de zero e revolucionar uma cadeia”, diz. Anos mais tarde, ele investiu no Dieta e Saúde, que foi incorporado, em 2006, ao Minha Vida.

Segundo Messias, esta é a faixa etária que mais procura ajuda do Sebrae. “Apesar de terem algumas boas vivências que permitem domínio da atividade, esses empreendedores não costumam conhecer gestão a fundo”, explica o consultor. Wjunisk conta que demorou para perceber uma oportunidade de negócio. “Na época em que conheci os sites de saúde americanos, não percebi que isso era uma oportunidade de negócio, mas com minha experiência trabalhando com internet, o projeto começou a se consolidar”, explica.

Para ele, a maior dificuldade do empreendedor é formar um time com uma cultura muito bem enraizada. “Quanto mais o negócio cresce, mais difícil essa missão fica”, afirma.

Empreender aos 40 anos

Casa própria, segurança financeira, carro na garagem. Quem decide abrir um negócio aos 40, geralmente, já passou pelo mercado de trabalho e está buscando mais qualidade de vida. O administrador Luciano Fiorotto Júnior, 53 anos, trabalhou muitos anos como gerente de banco quando resolveu abrir sua primeira empresa. “Quando era gerente recebia vários treinamentos e aprendia muito. Isto me fez acreditar que naquela época teria o conhecimento desejável para ter sucesso. Que pretensão”, brinca.

Nesta idade, segundo o consultor do Sebrae, as pessoas costumam estar preparadas com informações, conhecimentos e vivências. “Elas têm geralmente o capital necessário e sabem que gestão e planejamento são fundamentais para o sucesso”, explica.

Mesmo assim, falta a agilidade dos 20 anos e muitas preferem negócios menos arriscados, como as franquias. Esta foi a decisão de Fiorotto depois de várias tentativas de empreender sem sucesso. “Tenho a franquia desde 1998, em sociedade com a minha esposa, e até tentei diversificar, mas não deu certo. Conclui que devia manter o foco”, diz Fiorotto.

Empreender aos 50 anos

Saúde, lazer, tempo livre. Antigamente, a maioria das pessoas chegava aos 50 anos pensando em se aposentar. Hoje, os cinquentões querem começar a viver.

“Acho que uma pessoa em torno dos 60, como eu, se sente diferente do que se sentia no passado. Estamos em pleno vigor”, opina Andreas Nijenhuis, 65 anos. Nijenhuis virou empreendedor aos 57, quando se uniu ao filho caçula para abrir uma franquia da Station Car, que oferece serviços de estética automotiva.

O empresário conta que, depois de consolidar uma carreira como executivo, a idade começou a ser um fator determinante para continuar no mercado de trabalho. “Eu achava que ainda era um produto válido no mercado de executivos, mas esbarrei no problema da idade”, explica. A vontade do filho em abrir um negócio incentivou Nijenhuis a empreender também. “Ele também estava saindo do emprego e começamos a buscar algo que gostássemos para investir”, diz.

Para Messias, do Sebrae, geralmente, o empreendedorismo nesta faixa etária aparece como necessidade. “Eles foram bem sucedidos nas carreiras profissionais e estão começando a sair do mercado. Iniciar um novo negócio é confundido com manter-se ativo no trabalho”, afirma. Para Nijenhuis, a maior vantagem de empreender nesta altura da vida é pular etapas de aprendizagem. “No começo, apanhei por fazer uma analogia com as grandes organizações. Mas o fato de ter amadurecido uma carreira ajuda a não cair em algumas armadilhas”, diz.

Tópicos: Empreendedores, Empreendedorismo, Pequenas empresas, Startups